O amor bíblico e seus frutos – Exposição de 1 Coríntios 13 – Capítulo 16
“O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; porque, em parte, conhecemos, e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, então o que o é em parte será aniquilado.” I Coríntios 13: 8-10
Como já vimos, estes versos nos ensinam que o fruto do Espírito Santo, pelo qual Ele se comunica eternamente com o povo de Deus, é a caridade ou amor Divino. Notamos ainda, que mesmo quando todos os outros dons cessarem, a caridade permanecerá. Isso ocorrerá quando aquilo que é em parte der lugar àquilo que é completo.
Há dois aspectos quanto àquilo que é em parte ou imperfeito no que diz respeito ao estado do povo de Deus, assim como daquilo que perfeito. Em primeiro lugar, o estado primitivo da economia do Novo Testamento era parcial, incompleta e infantil, em comparação com a maturidade ou fase adulta, que ocorreu após a revelação escrita se completar, a qual ainda está em operação em nossos dias. Em segundo lugar, o presente estado, embora perfeito por um lado, é imperfeito quando comparado com o eterno e celestial estado, o qual será completamente maduro.
Da mesma maneira, há dois aspectos quanto ao término dos dons aqui mencionados. Primeiro, os dons milagrosos cessaram quando o Canon do Novo Testamento se completou, pois não se faziam mais necessários.
Segundo, os dons ordinários do Espírito Santo também cessarão no fim do mundo, pois foram destinados para este mundo. Mas a caridade permanecerá na eternidade.
É este segundo estado que ocupa de forma especial a mente do apóstolo. Portanto, a doutrina que extraímos deste texto é que o Céu é um mundo de amor.
Estes versos falam de uma época em que o Espírito Santo se manifestará de forma mais abundante e perfeita. Ele se fará presente, através da graça do amor, nos corações de todos os habitantes do céu. O amor será o único dom necessário, sabendo que ele é o mais perfeito e glorioso de todos, e desfrutado num estado de perfeição, todos os outros dons serão desnecessários.
I. A CAUSA E A FONTE DO AMOR CELESTIAL.
Deus é a fonte do todo santo e puro amor. Ele habita, num sentido especial, no céu, que é o Seu palácio, onde Ele se manifesta a si mesmo de forma gloriosa, e, portanto, segue-se que Ele é a fonte do amor celestial. Deus é amor (I João 4: 16). Como Ele é infinito, todo-suficiente, e imutável, o Seu amor é infinito, inesgotável, e eterno. No céu habita o Deus triuno, de onde procede cada gota de amor. Deus Pai habita ali, o Pai das misericórdias, que amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho Unigênito. Deus Filho habita ali, Aquele que nos amou e a si mesmo se entregou por nós. Ali Ele permanece agora com Suas duas naturezas, a divina e a humana, Ele está assentado à destra da majestade (Pai) nas alturas. Deus, Espírito Santo, também habita ali, e pessoalmente nos comunica este amor. Tudo isso faz com que o céu seja um mundo de amor. Esta gloriosa fonte de amor flui através de rios que deságuam num oceano de amor, no qual as almas resgatadas podem se banhar em dulcíssima alegria, inundados de santo e puro amor.
II. OS OBJETOS DO AMOR CELESTIAL.
Primeiro, não há ninguém no céu exceto aqueles que são amados. E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro (Apocalipse 21: 27). Somente os santos anjos e os remidos estarão lá. Não haverá nenhum falso professo nem fingido, somente os santos cujo ouro foi purificado de toda a sua impureza.
Segundo, aqueles que estão no céu gozam de um amor perfeito. O melhor dos santos aqui na terra, embora sendo amado, ainda tem manchas e defeitos. Mas no céu, cada alma será perfeitamente pura e amável. Nenhum defeito moral ou natural entrará ali. O Filho de Deus não mais estará coberto com um véu, como na sua encarnação, mas será visto na plenitude de sua glória. Para onde quer que os habitantes deste mundo abençoado direcionem os olhos, não verão nada exceto dignidade, beleza, e glória.
Terceiro, no céu estarão aqueles cujos santos colocaram seus corações acima de tudo, enquanto se encontravam neste mundo. Aqueles em quem suas almas se deleitaram, suas afeiçoes foram cativadas, em quem se regozijavam e meditavam, pelos quais eles voluntariamente se submeteram a grandes sofrimentos, abandonaram pai, mãe, esposa e filhos, e a própria vida, sim, eles estarão lá. Nós desfrutaremos da companhia dos patriarcas e apóstolos, assim como de todos os que somente conhecemos pela sua fé. Acima de tudo, nós habitaremos e desfrutaremos da presença de Deus, que é todo amor, e estaremos cheios da Sua plenitude para sempre!
III. OS SUJEITOS DO AMOR CELESTIAL.
Aqui estamos falando daqueles de onde o amor procede. O amor habita e reina em cada coração da trindade celestial. Ele começa com Deus, o Pai, que é a fonte de onde se origina todo o amor. Este amor procede dEle para o Filho, que é tanto o objeto como o sujeito do infinito amor. Ele é o Amado do Pai, a quem também ama de maneira perfeita. Este amor entre o Pai e o Filho é mutuamente santo; um amor puro e santo, onde a deidade se torna, por assim dizer, uma emoção infinita e imutável do amor.
Este amor transborda para todos os seres criados no céu. Todos os que estão em Cristo foram amados ainda antes da fundação do mundo, mas também se tornaram objeto deste amor, refletindo o amor de Deus assim como os planetas refletem a luz do sol. As únicas almas presentes no céu são aquelas que amam a Deus com um coração perfeito.
Todas as pessoas que fazem parte da gloriosa sociedade celestial estão sinceramente unidas em amor. O coração de Deus, dos homens, e dos anjos transborda deste amor. Cada pessoa vê a beleza do amor nos outros com plenitude de gozo. O amor é mútuo, pleno, e eterno.
IV. O PRINCÍPIO DO AMOR CELESTIAL.
Primeiro, a natureza deste amor é totalmente santa e divina. Muito do que agora chamamos amor, não passa de emoção carnal, e procede de princípios e motivos corruptos. Mas o amor celestial é espiritual, motivado por motivos e objetivos santos. O amor celestial é verdadeiro por causa do próprio Deus e das pessoas que se relacionam com Ele.
Segundo, o grau deste amor é perfeito. O amor de Deus é perfeito, e o amor daqueles que habitam no céu também o é, mas isso na medida de suas capacidades como criaturas. Não há orgulho ou egoísmo que impeça o amor celestial, nem inimizades, invejas, ou desprezo. O amor pela benevolência será desfrutado ao contemplar a prosperidade de outros, assim como o amor pela complacência ao contemplar a beleza e perfeições alheias. Não haverá nenhum santo triste por outro ser exaltado acima dele em santidade, ou em ser mais amado pelos demais, pois se regozijará com eles com amor benevolente. Todo homem estará plenamente satisfeito com Deus e com a sua própria medida de glória. O mais glorioso será o mais humilde, e assim o orgulho não terá lugar. O de menor glória não terá inveja dos demais, pois aqueles que estiverem acima dele, na verdade, serão os mais humildes. Com o perfeito amor reinando em cada alma, simplesmente não haverá qualquer tipo de disputa ou guerra no céu.
V. AS MANEIRAS COMO O AMOR É EXERCITADO NO CÉU.
1. Ele é mútuo. O amor busca um retorno e no céu ele será plenamente satisfeito, sem qualquer tipo de desprezo. O amor de Deus no céu nos satisfará mais do que ocorre hoje em nossa presente condição. O Seu amor para conosco, propriamente falando, não é um retorno ou recompensa, pois foi Ele que nos amou primeiro. No entanto, a visão do Seu amor irá nos encher de alegria, admiração, e amor por Ele. Por isso Ele diz: Eu amo os que me amam (Provérbios 8: 17). Além disso, o amor entre os santos será sempre recíproco.
2. Ele não poderá ser interrompido pelo ciúme. O amor será tão sincero que ninguém temerá a lisonja ou hipocrisia. Será como uma janela aberta em cada peito, de modo que o coração poderá ser visto por inteiro. Todos serão conhecidos por aquilo que realmente são. Não haverá suspeitas nem temores deste amor vir a enfraquecer. Os santos saberão que o amor de Deus continuará sem nenhuma mudança ou sombra de variação.
3. Ele não poderá ser prejudicado por qualquer coisa interna da parte dos santos. Nesta terra, muitas coisas impedem este amor, incluindo o nosso corpo, que limita as nossas expressões de amor por causa da suas próprias limitações e exigências. Mas no céu não haverá fraquezas ou mal-entendidos. Seremos perfeitamente libertos para expressar o nosso amor.
4. Ele será expresso em perfeita sabedoria e decência. Algumas vezes, aqui na terra, o amor é obscurecido por alguém que o expressa de maneira indiscreta e inconveniente. Mas no céu, o amor será expresso em perfeita sabedoria e discrição.
5. Ele não poderá ser prejudicado por qualquer fator externo aos habitantes do céu. Não haverá distância, mal-entendidos, e nem desuniões. Mas todos serão unidos num mesmo interesse de servir e glorificar o mesmo Deus.
6. Ele unirá a todos em um relacionamento íntimo e afetuoso. Cada habitante será um filho de Deus, e todos irão se relacionar como irmãos. Haverá uma só família no céu, ou seja, a família de Deus.
7. Ele irá operar em todos como propriedade mútua e particular. O amor anseia por propriedade. A linguagem do amor é: O meu amado é meu, e eu sou dele (Cantares 2: 16). Seremos o particular tesouro de Deus, e Ele será a nossa herança e porção, de acordo com a Sua aliança da graça. Além disso, se os santos pertencem uma ao outro agora, quanto mais quando estiverem glorificados! Mas a si mesmos se deram primeiramente ao SENHOR, e depois a nós, pela vontade de Deus (II Coríntios 8: 5).
8. Ele será desfrutado em perfeita e ininterrupta prosperidade. Na terra, a adversidade, pobreza, e aflição, frequentemente prejudicam o amor, por afligirem a nós mesmos ou aos outros. Mas no céu, reinaremos eternamente como reis e sacerdotes para Deus, herdando todas as coisas. Desfrutaremos não somente da nossa prosperidade, mas também da de outros, pois compartilharemos de suas alegrias. Ficaremos tão felizes com a alegria de outros como se ela fosse pessoalmente nossa.
9. Ele será promovido pelo trabalho em comum de todas as coisas. Tudo no céu culmina numa fonte de prazer. Tudo conspira a nosso favor e vantagem. Não há divisões. As distinções insignificantes deste mundo não farão parte dos traços da sociedade celestial, mas tudo será delineado igualmente pela santidade e pelo santo amor. O céu será um jardim de prazeres, onde todas as coisas apontam para Deus, que será a luz de tudo. E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada (Apocalipse 21: 23).
10. Ele será desfrutado com a consciência de que é eterno. Nenhuma mudança ocorrerá ali, a menos que seja para melhor. Nem o amor nem os objetos dele envelhecerão ou se desgastarão. Tudo florescerá numa imortal e fresca jovialidade. Os prazeres do céu serão como o desabrochar perpétuo da primavera em nossas almas, como um rio que flui incessante e abundantemente, como as flores de uma eterna primavera, que nunca murcham. As árvores do céu produzem fruto a cada mês (Apocalipse 22: 2). Não haverá noite que obscureça a eternidade na luz.
VI. OS EFEITOS FELIZES DESTE AMOR CELESTIAL.
Vamos mencionar apenas dois entre muitos.
Primeiro, considere o comportamento perfeito de todos os habitantes do céu, tanto para com Deus, quanto uns para com os outros. Todos os pecados e seus efeitos serão excluídos. Portanto, todo o nosso comportamento será perfeito. Ninguém ficará distante ou se desviará da obediência perfeita a Deus. Tudo em nosso comportamento será santo em sua forma, espírito, e objetivo. De uma maneira ou de outra, nós louvaremos e serviremos a Deus continuamente, talvez por servirmos uns aos outros nesta sociedade grande e unida.
Segundo, considere a tranqüilidade e alegria no céu. O amor tende a aquietar e acalmar a alma. Ele remove os distúrbios e traz uma composição feliz. Num lugar onde habita o perfeito amor, não haverá tempestades e nem nuvens ameaçadoras! Neste mundo, vemos muitos princípios contrários ao amor como: egoísmo, inveja, vingança, e coisas semelhantes. Mas no céu, não há inimigos nem inimizades, nada que perturbe, ofenda, ou cause conflito ou discussão, somente uma perfeita harmonia e pureza. Não haverá diferença de julgamentos ou opiniões, nem queixa alguma que roube a perfeita paz.
Que alegria será entrar neste céu de descanso, esta doce calmaria, após termos passado pelas tempestades e furacões deste mundo tão furioso! Que bendita Canaã faremos parte após passarmos pelo deserto seco e árido, cheio de serpentes e armadilhas, onde nenhum lugar de descanso podia ser encontrado. Aqui desfrutamos de fontes de água doce, mas lá, de um oceano. Permaneceremos diante de Deus com corações abertos e prontos a receber da plenitude do Seu amor. Cada alma será uma nota de uma doce sinfonia, que esta em plena harmonia com todas as demais, que rompem em louvor a Deus e ao Cordeiro para sempre. O nosso amor será derramado de volta àquela grande Fonte de amor pela qual somos supridos. A nossa alegria crescerá e será plena. Tal cena, nunca antes foi vista, nem ouvida, e nem subiu aos corações dos homens. Nada menos do que isso será a porção que o povo amado por Deus desfrutará por toda a eternidade!
Para concluirmos, vamos aplicar este tremendo assunto.
I. SE O CÉU É ESTE MUNDO TÃO EXTRAORDINÁRIO, ENTÃO VEMOS PORQUE AS BRIGAS E PELEJAS OBSCURECEM A NOSSA EVIDÊNCIA DE ESTRAMOS APTOS A ESTE LUGAR.
Um espírito faccioso obscurece a certeza da nossa salvação. Ele remove a tranquilidade do céu em nossos corações. Nossa comunhão com Deus é interrompida. A discórdia entre marido e mulher faz com que suas orações não sejam atendidas (I Pedro 3: 7). Quando somos contenciosos, somos menos preparados para o céu, e temos menos evidências de que estaremos presentes um dia ali.
II. O POVO DESTINADO AO CÉU É UM POVO REALMENTE FELIZ.
Há algumas pessoas vivendo na terra agora mesmo, para quem a felicidade celestial está acima de qualquer possessão terrena que o homem possa desfrutar. Quem são estas pessoas? Vamos considerar o caráter delas em três áreas.
Primeira, Elas são aquelas que tem as primícias das coisas celestiais implantado em seus corações através da regeneração. Eles não nasceram simplesmente com um grau elevado de amor natural, mas nasceram de novo, e são portadores de um amor supernatural. É uma obra gloriosa, o fato de o Espírito Santo ter derramado em suas almas o amor celestial.
Segunda, Elas são aquelas que escolheram livremente a felicidade celestial em detrimento de qualquer outro tipo de felicidade concebível.
Elas são convictas, não simplesmente convencidas por argumentos racionais, mas por que já provaram deste amor. O amor a Deus e aos irmãos, a comunhão com Deus e com pessoas que O temem, é o que elas apreciam acima de tudo. Eles buscam isso mais do que qualquer outra coisa. Eles não escolheram isso apenas como um escape ou fuga desta vida cheia de tristezas e dor. Mas ao invés disso, elas escolheriam amar a Deus mesmo que lhes oferecessem uma vida cheia de felicidades terrenas e infindáveis.
Terceiro, elas são aquelas que, por causa do princípio do amor divino, lutam pela santidade. O amor santo faz que elas anseiem por santidade. Entretanto, elas lutam por causa da tendência do pecado em afastá-las desta santidade, de uma vida frutífera, e de uma experiência profunda de comunhão com Deus. O Cristão nunca acha que suas mãos e seu coração estão limpos e santos o suficiente. Sua luta não é por causa do temor, mas devido ao desejo ardente de ver este amor aperfeiçoado. O santo amor clama por liberdade.
III. O IMPENITENTE DEVERIA SER DESPERTADO E ALERTADO.
Primeiro, eles deveriam ficar transtornados por não terem parte ou direito neste mundo de amor. Eles nunca conhecerão este, perfeito, glorioso e abençoado estado. Como Neemias disse a Sambalate e seus companheiros: mas vós não tendes parte, nem justiça, nem memória em Jerusalém (Neemias 2: 20). Se a um pecador impenitente for permitido entrar no céu, isso seria totalmente repugnante para a felicidade das almas que lá se encontram. O céu não seria mais o céu. Ao invés de um mundo de amor, ele se transformaria em um mundo de ira, orgulho, inveja, malícia, e vingança, como este presente mundo.
Segundo, eles deveriam ficar transtornados por estarem em grande perigo de serem lançados no inferno, um mundo de ódio. Podemos dizer que há três mundos: um de amor; outro de ódio, e o presente, que é uma mistura, o que prova que ele não poderá continuar para sempre. No inferno, nenhum objeto é amável ou agradável, nada é puro, santo ou prazeroso. Tudo é detestável, repugnante, sórdido, horrível, abominável, e odioso. É um covil de serpentes que sibilam o tempo todo, satanás e toda a sua ninhada.
Deus odeia a todos no inferno com ódio perfeito. Ele não exercita o amor e nem a misericórdia para com eles, mas derrama sua ira sem medida. Deus criou o inferno como um testemunho eterno da Sua ira contra o pecado e todos os ímpios. O inferno é um mundo inundado de ira, um dilúvio de fogo líquido, por isso é chamado de lago de fogo.
Todos os habitantes do inferno odeiam a Deus. Eles nunca sentirão qualquer amor por Ele. Além disso, é um lugar de manifestação de ódio uns para com os outros. A única coisa em que concordam é a blasfêmia e o ódio contra Deus. Os demônios no inferno ainda continuarão a atormentar os homens, assim como fizeram nesta vida. E os homens continuarão a agir como demônios para com seus semelhantes.
No inferno, o orgulho, a malícia, a vingança, e tudo que é oposto ao amor e a paz, será praticado sem limites. Deus não exercerá ali a sua graça restritora. Embora os pecadores tenham os seus companheiros nesta vida, no inferno, eles não serão mais companheiros, mas inimigos. Assim como eles incentivavam um ao outro na prática do pecado, ali eles promoverão o castigo um do outro.
Se você está em pecado, apartado de Cristo, nunca nasceu de novo, é um estranho quanto ao amor e a santidade, então considere isto: A menos que você se arrependa, você encontrará esta realidade para sempre. Como você poderia ficar tranquilo agora? Como você pode negligenciar a condição de sua alma com uma realidade tão horrível te esperando na eternidade? Fuja imediatamente para a fortaleza da redenção em Jesus Cristo, e isto antes que a porta da esperança se feche, o seu destino seja selado, e suas agonias comecem.
IV. VAMOS TODOS BUSCAR DILIGENTEMENTE O CÉU.
Este glorioso mundo de amor nos é oferecido, e não é algo impossível, mas algo que podemos obter. Deus está pronto a nos dar uma herança ali, se verdadeiramente desejarmos, escolhermos, e buscarmos isso. Deus nos permite escolher. Teremos uma herança no lugar que escolhermos.
Que as verdades que consideramos mude a nossa face e os nossos passos em direção ao céu. O desejo ardente pelo céu deveria nos estimular a buscá-lo de todo o nosso coração. Após ouvir um pouco sobre este mundo de amor, você se cansou deste presente mundo de discórdias, confusão, calúnia, e crueldade? Você poderia estar feliz em um mundo assim? Quem em sua sã consciência colocaria o seu coração neste mundo? Além disso, os tesouros deixados neste mundo, nunca serão desfrutados no inferno.
No céu nós encontraremos o restante daquilo que almejamos. Quando deixarmos esta terra, também deixaremos os nossos cuidados, problemas, fadigas, perplexidades, e angústias.
Aqueles que são pobres e desprezados entre os homens não devem se chatear ou se aborrecer por tais circunstâncias. Mas antes, busque as coisas que são de cima, onde não há pobreza nem desprezo, pois todos são honrados, estimados, e amados por todos. Não odeie aqueles que abusam de você, mas coloque o seu coração no céu, naquele mundo de amor.
Finalmente, vamos considerar algumas maneiras de se buscar as coisas celestiais.
Primeiro, não permita que o seu coração se apegue as coisas deste mundo como se fossem o seu bem maior. Não se entregue às possessões terrenas a fim de satisfazer a sua alma, pois isso é o oposto de se buscar as coisas celestiais. Você não deve permitir que a ambição pelas coisas deste mundo ocupe os seus pensamentos ou tempo, trazendo um amontoado de pó de coisas mundanas para seu coração e mente. Mortifique os desejos pela vã glória, e torne-se pobre de espírito.
Segundo, procure envolver-se com pessoas que possuam objetivos e motivações celestiais. Se você verdadeiramente busca as coisas que são de cima, os seus pensamentos também estarão lá. Portanto, pense e medite muito sobre o amor de Deus, os anjos e os santos naquele mundo de amor, e os privilégios e gozo que haverá ali. Que o seu pensamento esteja ali.
Terceiro, esteja contente em passar pelas dificuldades que aparecem no caminho para o céu. A cidade celestial está situada no topo da montanha, e o caminho para lá é cheio de dificuldades e montanha acima. Mas o que é tudo isso comparado com o doce descanso que te espera no final? Quanto mais perto de alcançar aquela cidade, mais você ficará animado pela perspectiva daquilo que te aguarda.
Quarto, mantenha seus olhos fixos no Senhor Jesus Cristo. Ele já entrou no céu como nosso precursor. Pense nEle. Ele é a nossa justiça que abre a porta do céu. Ele é o nosso mediador e está sempre intercedendo por nós. Ele é o nosso exemplo de suportar com paciência os grandes sofrimentos. Ele é quem nos fortalece e nos capacita a seguir em frente e conquistar cada inimigo que em nosso caminho. Ele é a certeza de que herdaremos as santas e benditas promessas de Deus.
Quinta, se você deseja viver eternamente neste mundo de amor, viva agora uma vida de amor, amando a Deus e aos homens. Desta maneira, somos semelhantes às almas presentes no céu, confirmamos aquilo que professamos, e evidenciamos o nosso preparo para fazermos parte deste mundo de amor. Enquanto vive uma vida de amor, você encontrará as janelas do céu abertas e a sua luz a iluminar a sua alma. Logo, a mesma graça que colocou o céu em sua alma, também irá levar a sua alma para o céu. Feliz, três vezes feliz, você será quando entrar no gozo da presença do Senhor. Que gozo inefável e glorioso é conhecer a realidade destas palavras: E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus.
“E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21: 3-4).
Autor: Jonathan Edwards
Um sumário de “Charity and Its Fruits” editado por Daniel A. Chamberlin e traduzido por Eduardo Alves Cadete em 2012
Um sumário de “Charity and Its Fruits” editado por Daniel A. Chamberlin e traduzido por Eduardo Alves Cadete em 2012
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