10 ACUSAÇÕES CONTRA A IGREJA MODERNA

10 Acusações Contra a Igreja Moderna

Esta reflexão intitulada “10 Acusações Contra a Igreja Moderna” está baseada no livro de Paul Washer[1] de mesmo título, contudo está apenas baseada, pois apesar de concordarmos com o autor temos uma expressão própria da problemática.

A motivação em pensar em temas como este surge da angústia que sentimos diante dos caminhos que a igreja tem seguido; caminhos muitas vezes perigosos e que se afastam daquele plano inicial e ideal colimado para ela, de glorificar ao Senhor Deus. Há muitos modismos, muitas invenções, pensamentos e doutrinas que solapam a Igreja moderna para lá e para cá de modo que muitos se desestimulam com a religião, se decepcionam com a Igreja e abandonam de vez a busca por Deus.

Desta forma, com o intuito de auxiliar a Igreja em sua caminhada faz-se necessário sempre refletirmos sobre nossos pensamentos e prática para adequá-los à vontade do Senhor. Assim fizeram os reformadores no século XVI com suas contribuições para purificar a Igreja das influências pagãs e humanas e assim devemos continuar em todo tempo com a mesma disposição de a cada momento olhar para Igreja e sua prática e passá-la pelo crivo da Palavra de Deus retirando, por consequência, os excessos e acrescentando o que se deve às carências.

1ª Acusação: Uma negação da suficiência da Escritura

Antes mesmo de falarmos da suficiência das Escrituras devemos conclamar os crentes a, pelo menos, conhecerem as mesmas! Estamos numa época difícil para Igreja em termos de conhecimento bíblico. A situação está tão grave que muitos não conhecem nem mesmo as célebres histórias dos heróis da fé. Não se sabe ao certo em que se crê. Deixamos para trás a ênfase nos  estudos, na teologia como ferramenta para entendimento bíblico e substituímos isso por um grande subjetivismo vazio de significado e sem fundamento.

Deixamos os credos de lado e as confissões de fé no passado nos esquecendo que elas tiveram e tem uma função muito importante quanto a esclarecer sobre o que realmente acreditamos e cristalizar tal fé para que seja inconfundível dentre tantas outras expressões falsas. Os credos e as confissões são importantes conquanto expressam de modo sucinto (no credo) ou mais detalhado (na confissão) nosso entendimento bíblico acerca de Deus e sua revelação.

Advogamos a necessidade da Igreja se voltar ao estudo sistemático da Palavra de Deus. De compreender melhor as Sagradas Escrituras, pois ela é nossa única regra de fé e prática.

Com relação à suficiência  podemos compreender que a Bíblia é suficiente em seus ensinos para nos preparar para toda boa obra (2Tm 3.16). A Bíblia é quem nos dita e explica o que devemos fazer e como devemos agir. Sei que tal conceito é difícil para alguns admitir, pois muitos não enxergaram ainda a importância e autoridade da Revelação. Contudo, para os cristãos é indispensável a crença na Palavra de Deus como realmente Palavra de Deus, poderosa e autoritativa. Em termos de suficiência talvez seja interessante estabelecermos o fato de que a Bíblia tem tudo que é necessário para nossa vida e prática e tal conhecimento pode ser visto de forma direta, em citações ou exemplos, ou indireta por meio de conclusões apropriadas de princípios dados.

Contudo, o que temos que frisar é a necessidade de vivermos de forma única e exclusiva pela Palavra. Precisamos de uma cosmovisão baseada na Palavra para nos estruturar em nossas decisões e nossa vida prática. Precisamos pensar em Igreja, política, economia, ciência, sociedade e quaisquer outras áreas a partir da cosmovisão bíblica.

Um ateu defende que princípios de moralidade não precisam necessariamente ser extraídos da Bíblia ou de um Deus pessoal e que podemos por nossa própria observação compreender e estabelecer certos padrões de moralidade à sociedade de nossa época.  Mas, este está longe de ser um padrão cristão. Não negociamos quanto ao fato de a única moral realmente aceitável a Deus estar revelada em sua Palavra. Ele, o Senhor, é o padrão neste quesito e seu ensino é suficiente.

Até mesmo acerca de Deus temos atualmente alguns que não tem a suficiência bíblica em mente. Certo colega meu comentou uma mensagem em que escrevi no facebook uma definição de Deus do catecismo de Westminster:  “Há um só Deus vivo e verdadeiro, o qual é infinito em seu ser e suas perfeições. Ele é um espírito puríssimo, invisível, sem corpo, membros ou paixões; é imutável, imenso, eterno, incompreensível, onipotente, onisciente, santíssimo, completamente livre e absoluto, fazendo tudo para sua própria glória e segundo o conselho da sua própria vontade, que é reta e imutável. É cheio de amor, é gracioso, misericordioso, longânimo, muito bondoso e verdadeiro galardoador dos que o buscam, e, contudo, justíssimo e terrível em seus juízos, pois odeia todo pecado; de modo algum, terá por inocente o culpado.” (CFW, Capítulo II. De Deus e da santíssima trindade). Dentre outras coisas, ele disse: “A Assembléia de Westminster caracterizou-se não somente pela erudição teológica, mas por uma profunda espiritualidade, foi constituída de 121 dos mais capazes pastores da Inglaterra, 20 membros da Casa dos Comuns e 10 membros da Casa dos Lordes, todos os 121 teólogos eram ministros da Igreja da Inglaterra e quase todos eram calvinistas. Teve alguma participação de plebeus, sociólogos, antropólogos, eruditos outros...? Muito elitizado vc não acha? Quem diz se entendo ou não, no plano transcendente, não é um grupo de pessoas elitizadas, que diz possuir a revelação e com isso se constrói uma tradição, excluindo até eruditos de outras áreas... tem algo estranho...” Minha resposta foi: “Sim... Não cremos simplesmente na confissão de fé... cremos na Escritura (Sola Scriptura), contudo a confissão tenta sistematizar o que a Escritura afirma. Não era simplesmente um grupo elitizado. O contexto da época exigiu que assim o fosse. Estamos falando da idade média. Você tinha o clero e a nobreza de um lado e do outro camponeses iletrados. Quem poderia sistematizar conhecimentos bíblicos para a reforma da igreja?”.

Outra situação em que vivi diz respeito a fala de um antropólogo que estava palestrando para um grupo em movimento de greve numa universidade. Disse ele em certo momento de seu discurso após uma longa explicação sobre os problemas de nosso país, problemas no governo e outras tantas lamentações (a maioria com fundamento e razão), contudo, ele fez uma crítica que acreditei ser infeliz. Falou sobre os evangélicos que normalmente se eximem de participar das manifestações. Ele pediu que os representantes do movimento entrarem com contato com os crentes e disse a eles que isso não era pecado e que poderiam participar do movimento sem nenhuma culpa na consciência. Bem, não exijo que um antropólogo creia na Bíblia, mas daí ele definir o que seja ou não pecado e em quais situações há ou não pecado é um passo muito além de suas credenciais.

O fato é que um cristão não deve aceitar casos como estes. Quem define pecado é única e exclusivamente a Bíblia. Quem define Deus é única e exclusivamente as Escrituras. Quem fala com autoridade sobre moral e define princípios para tal é a Palavra de Deus.

2ª Acusação: Uma ignorância a respeito de Deus

“Ora, não levou Deus em conta os tempos de ignorância; agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” At. 17.30.

Como consequência da negligência com o estudo bíblico e o descaso com a suficiência bíblica surge também o analfabetismo teológico. Passamos a não ter clareza de quem é o nosso Deus. Passamos a adorar quase como os samaritanos, adoramos muitas vezes o que não conhecemos (Jo 4.22). Temos a falha impressão de que estudar sobre os atributos de Deus é coisa de seminário e não serve para nada. Ledo engano.

Muitos estão adorando a um deus inventado. Criamos um deus conforme nossa imaginação e o pior, o adoramos conforme nossas necessidades. Por isso, muitos crentes quando chegam no seminário se espantam e se escandalizam com algumas doutrinas afirmando que Deus não pode ser assim. Na verdade, nos escandalizamos porque não conhecemos seriamente a Deus. Ficamos com a visão superficial de um deus traçado pelo senso comum. Um bom velhinho que sempre está nos ajudando em tudo como um carregador de bagagem ou aquele jardineiro simpático. Não pensamos em Deus como criador de tudo e, portanto, dono de tudo, com poder e autoridade extrema sobre tudo! Como não costumamos pensar em Deus como criador não nos sentimos devedores, somos arrogantes e exigentes. Não nos sentimos como vasos de barro criados pelo oleiro. Isso só para falar de uma característica de Deus. Muito mais falhas temos em outras áreas.

O fato é que a Bíblia nos insta a conhecermos ao Senhor: “Assim diz o Senhor: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, o nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas;  mas o que se gloria, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor” (Jr 9.23-24). “Tornai-vos á sobriedade, como é justo, e não pequeis; porque alguns ainda não tem conhecimento de Deus; isto digo para vergonha vossa” (1Co 15.34). “e a vida eterna é esta: que te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste”. (Jo 17.3).

Portanto, a Igreja deve pensar seriamente em sua teologia e em aprender continuamente sobre Deus.

3ª Acusação: Um fracasso em abordar o mal do homem

Uma característica de nossa época é que ela é muito influenciada com o humanismo. Humanismo é uma filosofia que coloca o homem como ser principal no universo e não admite a existência de Deus. O homem, portanto, é seu próprio senhor. O humanismo aparentemente é bom. Trabalha com os direitos humanos reivindicando condições mínimas para existência humana como acesso à moradia, saúde e educação. O humanismo milita também em favor das minorias sofredoras, trabalhadores, classe operária, mulheres, marginais, dependentes, presidiários, etc. Apesar de algumas práticas legítimas, o sistema como um todo não pode ser aceito pelo cristão porque falha num quesito fundamental: Deus. Todas as ações são voltadas ao homem em busca de sua glória e bem estar, o que, é o extremo oposto do propósito de existência do homem: honrar e glorificar a Deus.

A mensagem de que o homem é pecador e que seu mal é uma intensa e inconcebível afronta a Deus e ultrajante tem se desvanecido. Muitos evitam até mesmo de proclamá-la para não ofender as pessoas. Muitos temem esta mensagem, pois aos olhos comuns não é bem vinda. Humanisticamente é melhor pregar um sermão ou fazer um estudo que tente resolver os problemas das pessoas e lhes dar de imediato condições para uma melhora na vida. As vezes fazemos como os falsos profetas de Israel que “Curam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz” (Jr 6.14). Lembremos que o próprio Deus trabalhou primeiramente com a Lei para que o povo tivesse plena consciência de seus pecados. Também de capa a capa das Escrituras temos a nítida mensagem de que o homem está corrompido em sua natureza. Um texto em Gênesis 6 afirma até que Deus disse em seu ‘coração’ que todo o pensamento  e inclinação do coração do homem eram maus o tempo todo. O apóstolo Paulo também enfatiza que “Todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.23).

Na verdade quando falamos do mal no homem, de sua natureza pecaminosa estamos agindo exatamente em conformidade com o próprio ministério do Espírito Santo, pois  “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado” (Jo 16.8). É importante esta mensagem e a plena consciência da mesma por todos, pois somente assim haverá significado à chamada da salvação operada por Deus. Notemos que a salvação do nosso Deus é justamente a libertação dessa condição pecaminosa. Caso não centremos a salvação nestes termos corremos o risco de direcioná-la para outros significados e aspectos como salvação financeira, salvação física, salvação como libertação da opressão, salvação como aprendizado e formação intelectual, etc.

Apesar dos contrastes e das oposições, a salvação começa a partir de um coração contrito que reconhece seu pecado e se arrepende do mesmo em busca do perdão de Deus.

4ª Acusação: Uma ignorância quanto ao evangelho de Jesus Cristo

“Mas Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira”. Rm 5.8-9.

Um problema muito sério na Igreja atual diz respeito à proclamação do evangelho. Nitidamente conseguimos perceber como os púlpitos das Igrejas exalam uma mensagem vazia e repleta de várias tendências teológicas, quando não psicológicas, sociológicas e filosóficas, mas longe do evangelho.

As muitas “teologias” nos confundem. Temos a teologia da prosperidade que teima em insistir e enfatizar como essência do evangelho a vitória financeira. A confissão positiva de modo mais abrangente tenta fazer dos cristãos verdadeiros super-heróis. Os movimentos judaizantes e as filosofias dos modelos de crescimento estão cheias de besteirol gospel mesclando rituais e elementos judaicos sem significado para a Igreja com ensinos místicos e de suposto poder espiritual. Isso sem falar num outro extremo da cristandade que debanda para uma “teologia” moderna e liberal que reinterpreta as Escrituras remodelando-as aos pensamentos e filosofia pós-moderna.

A pergunta é: onde está a proclamação pura e simples do verdadeiro evangelho? Essa deve ser nossa grande preocupação. Precisamos nos concentrar em voltar a proclamar com clareza e eloquência as boas novas do Senhor.

Urge a necessidade de voltarmos a pregar sobre Deus, seus atributos, sua personalidade. Mostrar que temos um Deus criador, santo, amoroso e justo que não admite pecado por causa de seu próprio caráter. É preciso mostrar a condição do homem e sua grande ofensa contra o Senhor. Seu estado de queda e pecaminosidade deve ser esclarecida. Essa é uma mensagem, como dito antes, que está sendo esquecida. Não é cômodo em nossos dias você dizer para uma plateia que ela é ímpia, pecadora, falha e totalmente depravada diante dos padrões de Deus. É uma mensagem que precisa de muito esforço para irromper contra o humanismo de nossa época que salvaguarda o ser humano contra tudo e todos.

Também precisamos esclarecer como um Deus santo e justo justifica a pecadores sem deixar de ser justo! É o fato da propiciação substitutiva de Jesus Cristo, quando Ele assume nossos pecados e falhas e paga por elas na cruz do calvário. Precisamos alertar aos homens, consequentemente, sobre o arrependimento e a fé para que alcancem, segundo a graça de Deus, mediante a fé, uma nova vida, uma transformação de seu ser. Uma regeneração espiritual.

Um fato importante e não considerado por muitos é que essa mensagem não se esgota em 10 minutos e não é apenas para ser dita a descrentes para que tomem uma rápida decisão por Cristo. É como um acontecimento que presenciei certa vez. Estava acompanhando minha mãe que estava internada num hospital e ao lado dela havia um leito. Nele, um senhor que passava muito mal. Tinha problemas no coração e seu estado era grave. Um grupo de “evangelistas” veio visitá-lo e começaram a pregar o “evangelho”. De modo geral, o evangelismo atual segue as seguintes etapas: 1) Comumente papagueiam-se aqueles 4 ou 5 passos do “plano de salvação” aos ouvintes 2) após 3 ou 4 minutos já se pressiona o ouvinte quanto a uma decisão por Cristo. 3) em caso afirmativo ora-se pela pessoa e indica-se a Igreja a qual ela deverá seguir. Assim ocorreu. Mas, tal evangelismo não deu muito certo. Após “a pregação” o senhor simplesmente olhou para os “evangelistas” e disse que não queria aceitar a Cristo. Não tinha tempo para isso. Após alguma insistência vã, os catequizadores frustrados começaram a se irritar com o senhor e enfurecidos disseram coisas como: “Você está prestes a morrer e mesmo assim não aceita a Cristo?”, “Não vou insistir com você, pois Jesus não é como tomate de feira. Ele não está sendo oferecido assim tão barato”. Lamentavelmente algumas igrejas chamam isso de evangelização!

Prezada Igreja, prezados pastores e líderes: VOLTEMOS AO EVANGELHO! Dobremos nosso joelho e em santo temor e tremor busquemos ao Senhor para compreendermos a cruz de Cristo e pregarmos, ensinarmos e orientarmos adequadamente ao povo de Deus!

5ª Acusação: Um convite antibíblico ao evangelho

Hoje é possível uma pessoa se “converter” no “susto”. Visitei certa vez uma igreja e o pastor, no final do culto pediu para que todos fizessem uma oração. Ao final da oração pediu para viesse à frente aqueles que tinham feito a mesma pela 1ª vez. Eu fui, claro, pois nunca havia feito aquela oração antes. Lá na frente houve a oração e após a mesma o pastor pediu para que virássemos para Igreja. Quando nos viramos, para nossa surpresa e susto, uma multidão estava ao nosso redor segurando faixas com dizeres: “Bem vindo à família de Deus”, “Parabéns, Cristo te salvou!” e coisas do tipo. Serpentinas eram lançadas e um verdadeiro brado festivo soou pela Igreja inteira. Realmente muito bonito e comovente, mas longe de representar um verdadeiro chamado ao evangelho e uma verdadeira salvação. Além do fato de que eu já era um cristão a muito tempo.

Às vezes convidamos as pessoas ao evangelho falando da seguinte forma indicada por Paul[2]: “Deus o ama e tem um plano maravilhoso para sua vida”. A resposta segundo ele, dada por um americano, seria mais ou menos assim: “O quê? Deus me ama? Bem, isso é ótimo porque eu também me amo. Oh! Isso é magnífico! E Deus em um plano maravilhoso? Eu também tenho um plano maravilhoso para minha vida. E, se eu aceitá-lo em minha vida terei o melhor de minha vida. Isso é totalmente maravilhoso”. Dessa maneira qualquer um aceita ao evangelho. Mas, isso não é evangelização bíblica! Vou citar diretamente três observações em que Paul nos indica sobre a evangelização.

1-    Não começamos com: “Deus ama você e tem um plano maravilhoso”. Temos que começar com um discurso sobre todo o ensino a respeito da natureza de Deus. E temos de dizer à pessoa, desde o início, que isso pode lhe custar a vida! (Mt 16.24)!

2-    Em seguida, depois desse começo, temos perguntas esclarecedoras: “Você sabe que é um pecador, não sabe? Devemos dizer ainda: “Amigo, há um mal terrível em você, e o julgamento está vindo.” “O Espírito Santo está agindo de tal modo em seu coração, por meio da pregação do evangelho, que uma mudança está sendo operada, resultando em que agora você odeia o pecado que antes amava e quer fugir dele que antes você desejava abraçar, como se estivesse fugindo de um dragão?

3-    Hoje as pessoas perguntam: “Você quer ir para o céu?” Meu querido amigo, todos querem ir ao céu – só não querem que Deus esteja lá quando elas chegarem lá! A pergunta não é: “Você quer ir ao céu?” A pergunta é esta: “Você quer Deus? Já parou de odiar a Deus? Cristo se tornou precioso para você? Você deseja a Cristo?”.

Parece brincadeira, mas é a realidade de nossa evangelização atual. Não convidamos as pessoas ao evangelho, a Deus e a Cristo. Convidamo-las para participarem do nosso “culto” que é legal. Convidamos para o retiro, encontro, jantar. Convidamos até para o céu. Mostramos uma cultura gospel e um jeito de viver. Apresentamos até uma linguagem diferente cheia de palavras novas como shalon, shekinah, yahweh, pentecoste, ósculo, etc. Além de saudações como paz do Senhor ou graça e paz. Assim, o convite às pessoas passa a ser para aceitar estes elementos e estas diretrizes e não o próprio Deus.

O convite do evangelho não deve ser superficial e infundado como vem sendo feito. Não conseguimos formar um cristão como fazemos macarrão instantâneo, em 3 minutos. Pelo contrário, após uma longa e séria consideração sobre a mensagem de Cristo, as pessoas devem estar plenamente capazes de considerar tal mensagem e fazer suas escolhas. A Bíblia coloca a tomada de decisão por Cristo como algo consciente e fruto de consideração e planejamento, levando em conta tudo que está envolvido e que é requerido: “Pois qual de vós, pretendendo construir uma torre, não se assenta primeiro para calcular a despesa e verificar se tem os meios para a concluir? Para não suceder que, tendo lançado os alicerces e não a podendo acabar, todos os que a virem zombem dele, dizendo: este homem começou a construir e não pode acabar” (Lc 14.28-30).

6ª Acusação: Uma ignorância quanto da natureza da Igreja

Não devemos jogar o bebê fora junto com a água suja! Falamos tão mal da Igreja, de seus problemas, seus membros, dos escândalos que às vezes não cremos nem mesmo que exista ainda uma Igreja aceitável ao Senhor. Avaliamos a Igreja e descuidadamente até mesmo afirmamos que ela está igual ao mundo. Os escândalos que se veem lá dentro são os mesmos que ocorrem lá fora. Os pecados dos “irmãos” são tão asquerosos como os do mundo. Enfim, a “igreja” está totalmente corrompida é o que se afirma.

Existe até uma corrente de crentes sem Igreja, são os chamados “desigrejados”. Eles não se reúnem em comunidade, não tem nenhuma liturgia e nem uma característica de religião. Tentam acabar com os problemas da Igreja institucional acabando justamente com a instituição. Assim, teoricamente eles “cultuam” individualmente e em um lugar qualquer por eles escolhido e de uma maneira própria também. Não “vão à Igreja” de modo algum, tem “Jesus” no seu coração e isso já basta.

Outro grupo interessante se denomina os “decepcionados” com Deus. Uma classe que sofreu muito com os desmandos da “igreja”. Sofreram com as fofocas, julgamentos, discriminação, exclusão e outras misérias. Por conta dessas agruras chegaram a se decepcionar profundamente com a “igreja” e com o próprio Deus.

O problema maior com toda essa realidade é que não devemos misturar as coisas. É verdade que dentro daquelas quatro paredes do templo nem todos são cristãos, nem todos foram regenerados. Nem todos são verdadeiramente filhos de Deus. A Igreja verdadeira, portanto, não é a reunião daquele amontoado de gente. A verdadeira Igreja do Senhor está em meio àquilo tudo. Em meio a muita gente carnal e mundana. E isso é bíblico, a parábola do joio e do trigo já mostrava muito bem isso, que o joio (os filhos do maligno) subsistiria em meio ao trigo (povo de Deus) até a consumação dos séculos (Mt 13).

Mas, a Igreja, apesar de sua aparente fragilidade não deve ser confundida nem a ela atribuída todas as mazelas que existem num ajuntamento de pessoas. A Igreja verdadeira do Senhor é formada por autênticos filhos de Deus e isso já nos diz muita coisa. Ser filho de Deus é ser regenerado, ser nascido de novo, não do pecado mas de Deus. Ser nascido de novo implica ter uma grande aversão ao pecado e implica ainda mais ser guiado pelo Espírito Santo. O Senhor diz que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja do Senhor” (Mt 16.18). Ou seja, a Igreja do Senhor não será destruída pelas investidas da morte ou daquilo que produz morte. Também a Igreja do Senhor é tida em alta estima quando Ele lhe atribui uma responsabilidade ímpar, pois a chama de “coluna e esteio da verdade” (I Tm 3.15). Ora, como a Igreja pode ser coluna da verdade se ela for formada por um antro de mentirosos? Ainda mais profundo é saber que o povo da nova aliança tem em seu coração impresso as tábuas da lei do Senhor conforme o profeta Jeremias afirmou: “Porque esta é a aliança que firmarei com a casa de Israel, depois daqueles dias, diz o Senhor: Na mente, lhes imprimirei as minhas leis, também no coração lhas inscreverei; eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.” (Jr 31.31-34). Essa casa de Israel interpretamos que é a Igreja do Novo Testamento. Assim, a Igreja tem na mente as Palavras do Senhor. Não fomos chamados como Israel com a obrigação de obedecer à lei que para muitos era uma expressão legalista externa. Não, fomos chamados com uma condição bem melhor, temos o prazer na lei do Senhor e ela está em nosso coração, não vivemos legalisticamente, mas vivemos com amor a vontade de Deus que está em nós. Claro, a Igreja não é perfeita, mas não podemos confundi-la com o joio. Nas palavras de Paul[3]: “Pare de dizer todas essas coisas tolas que você diz: que o corpo de Cristo está dividido, que é uma bagunça e está cheio de pecado. Eu não falaria dessa maneira sobre o corpo de Cristo, se eu fosse você”.

7ª Acusação: Uma falta de disciplina eclesiástica amorosa e compassiva

“Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-os com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1).

Confesso que a disciplina eclesiástica, em nossa visão, praticamente desapareceu das Igrejas de um modo geral. As pessoas estão muito livres e independentes da Igreja. Entram e saem e não dão a menor satisfação. Casam e separam e às vezes nem comunicam (às vezes sim, quando vão separar avisam ao pastor). Pecam, caem e parece que nada acontece. Estão lá no próximo culto da mesma forma. O fato é que as Igrejas não se importam muito com a chamada disciplina eclesiástica e em parte compreendemos isso. Primeiramente porque ocorreu no passado uma verdadeira negligência quanto a isso. Quase uma “santa inquisição” que a Igreja praticava. Qualquer coisa era motivo de levar o nome do irmão para a assembleia geral e lá, também por muito pouco, se excluía a pessoa da Igreja. No passado imperava muito do que chamamos de falso moralismo. Contudo, como dito antes, não devemos jogar o bebê fora junto com a água suja. Não é porque a disciplina eclesiástica foi mal administrada no passado que devemos nos esquecer e repudiar a mesma até porque ela é bíblica, não somos nós que estamos insistindo num determinado procedimento, tal é afirmado pela Palavra. Depois temos a dificuldade em aplicar a disciplina na Igreja porque isso causa na maioria das vezes muito estresse e é muito difícil e delicado. Para se livrar disso os pastores preferem não tocar muito neste quesito. Às vezes corrigir as pessoas é muito doloroso porque, via de regra, elas estão “armadas” contra isso. Já estão preparadas como exímios advogados a se defender e quase nunca admitem seus próprios erros. Então, é preferível deixar as coisas quietas.

Contudo, há orientações bíblicas para que a disciplina eclesiástica seja realidade. Vejamos um texto importante sobre isso.

“Ora, se teu irmão pecar, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, terás ganho teu irmão; mas se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda palavra seja confirmada. Se recusar ouvi-los, dize-o à igreja; e, se também recusar ouvir a igreja, considera-o como gentio e publicano. (Mt 18.15-17).

Este texto indica que não devemos simplesmente deixar para lá. Mesmo sendo nós muito amoroso, como dizemos muitas vezes, isso não impede de aplicar a disciplina, até porque quem ama realmente disciplina. Jesus amava muito seus discípulos, mas não se eximiu de aplicar e indicar a aplicação da disciplina. Ele mesmo quem disse o que está escrito acima. O motivo disso fica bem claro: “se te ouvir, terás ganho teu irmão”. A ideia é ganhar o irmão e não causar confusão ou disputa de ego. Não é vingança nem algo do tipo. A motivação das conversas de admoestação é para corrigir o pecador, em amor, ao arrependimento para ganhá-lo a Cristo. Ganhar no sentido de auxiliar em sua caminhada. Levar testemunhas deve ter o efeito de auxiliar no julgamento da questão. As testemunhas devem ser imparciais e sóbrias a ponto de decernirem até mesmo o erro do acusador quando houver. Nem sempre quem acusa está correto. As vezes o acusador é aquele chato, legalista e cheio de escrúpulos que nem sempre está com a razão. Assim, a presença de testemunhas ajuda a esclarecer o fato. Depois o levar para Igreja é um passo mais radical. Sejamos realistas, a maioria dos problemas podem ser resolvidos sem ter que se fazer esta atitude extrema, contudo, em casos complicados é necessário tomar tal atitude. Não estamos mentindo quando dizemos que somos uma família e numa família nada mais correto do que todos saberem dos grandes problemas a fim de corrigi-los.

O texto que colocamos de abertura deste tópico também nos orienta à prática da disciplina: “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-os com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado” (Gl 6.1).

O interessante é que neste texto é expresso o modo da abordagem: em espírito de brandura. Não corrigimos as pessoas para trucida-las. Não somos ditadores. Não somos desumanos, mas também não somos humanistas irresponsáveis. Devemos sim corrigir-nos uns aos outros e isso com espírito de brandura. Outra informação importante do texto é um alerta para não sermos tentados. Há um dito popular que afirma: “quem desdenha quer comprar”. Ou seja, quem despreza algo pode estar interessado. Assim, quando estamos muito interessados em criticar o pecado dos outros devemos ter o cuidado para que isso não seja expressão de nosso profundo desejo. O versículo afirma: “guarda-te para que não sejas também tentado”. Ou seja, cuidado para que você que corrige não esteja amanhã incorrendo no mesmo erro. Cuidado ao corrigir as fofoqueiras para que você não saia falando também o que não deve. Cuidado ao corrigir os viciados para que você não esteja viciado amanhã. Cuidado ao corrigir o adúltero para amanhã ou depois você não estar se envolvendo com a mulher do outro. Enfim, cuidado com sua vida também.

A Bíblia também nos orienta a não julgarmos apressadamente. “Não julgueis, para que não sejais julgados.” (Mt 7.1). Muitos interpretam mal esta passagem afirmando que não podemos exercer julgamento nenhum contra o irmão. Ora, se isso for verdade, tudo que falamos anteriormente é inconsistente. Como você pode admoestar um irmão contra o pecado sem fazer um julgamento do pecado na vida dele? Como você pode fazer uma crítica sem exercer julgamento? Como você pode julgar uma situação atribuindo a ela a condição de certo ou errado? Tudo isso exige julgamento. Capacidade de julgar. Assim, o apóstolo Paulo afirma: “Ou não sabeis vós que os santos há de julgar o mundo?” (I Co 6.2). Paulo estava corrigindo alguns problemas da Igreja e indica a capacidade da Igreja em julgar e resolver seus problemas. Assim, o exercício de juízo é legítimo. O que Jesus queria dizer quando falou sobre não julgar estava relacionado ao que chamamos de juízo temerário, ou seja, um juízo irresponsável, sem fundamento e apressado. Isso sim é proibido. É quase o que conhecemos por boato. Desta forma, é importante termos fundamento antes de conversarmos com qualquer um que seja.

A pesar de difícil, devemos voltar á prática de disciplina na Igreja para corrigir em mansidão e amor os irmãos a fim de salvá-los/restaurá-los.

8ª Acusação: Um silêncio a respeito da separação

Falar sobre separação é tão difícil que o próprio autor[4] em seu livro dedica 90% deste tópico a falar de santidade para, nos últimos 10% de texto, se referir diretamente à separação. Claro que separação de casais é algo que está ligado diretamente à santificação, principalmente nos casos em que as separações são fruto visível de carnalidade e depravação. Onde não há santidade ocorre realmente este tipo de coisa.

Mas, como falar contra a separação quando vivemos uma crise geral quanto a esta instituição? A TV bombardeia diariamente a imagem natural da separação como legítima, instiga a mente das pessoas à busca de novas paixões e destrói as estruturas da família tradicional.

Como falar contra separação se temos uma crise até mesmo a nível ministerial? A Separação já está se banalizando até mesmo entre os pastores, ministros do evangelho e líderes da Igreja. Como falar contra separação em nossa sociedade tão perversa cheia de misérias e problemas, quando o marido, às vezes, é um demônio para mulher ou vice-versa, será que eles estão condenados a viver sempre assim, ao lado do “inimigo”?

Os problemas são muitos e os casos delicados, mas não queremos trabalhar com casos, queremos entender princípios. Os princípios são gerais, os casos, específicos.

O fato é que advogamos a separação em apenas dois casos para que seja legítima. O primeiro deles envolve infidelidade. “Eu, porém, vos digo que todo aquele que repudia sua mulher, a não ser por causa de infidelidade, a faz adúltera; e quem casar com a repudiada, comete adultério.” (Mt 5.32). Em outra situação a pergunta foi mais específica ao Senhor: “Aproximaram-se dele alguns fariseus que o experimentavam, dizendo: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?” (Mt          19.3). Gostaria de propor que pensemos em nós mesmos fazendo esta pergunta. Ela sairia mais ou menos assim em nosso contexto: “Senhor, posso separar de minha mulher?”.  Pense e analise a resposta do Senhor e veja nela os princípios que lhe responderia ainda hoje a este dilema. O Senhor respondeu: “Respondeu-lhe Jesus: Não tendes lido que o Criador os fez desde o princípio homem e mulher, e que ordenou: Por isso deixará o homem pai e mãe, e unir-se-á a sua mulher; e serão os dois uma só carne? Assim já não são mais dois, mas um só carne. Portanto o que Deus ajuntou, não o separe o homem.” (Mt 19.4-6). A resposta foi tão direta e objetiva que os discípulos disseram: “Se tal é a condição do homem relativamente à mulher, não convém casar.” (Mt 19.10). O fato é que a resposta de Cristo foi dada por meio de um princípio que o Criador[5] estabeleceu homem e mulher e os uniu formando uma só carne. Toda a resposta conduz a indivisibilidade dessa união. Há apenas a exceção dita antes, em caso de infidelidade, o que, Jesus ainda acrescentou que é por causa da dureza do coração. Contudo, ela é legítima. A orientação é séria, tão séria que não somos nós que afirmamos isso atualmente, os próprios discípulos do Senhor já sentiram de imediato a envergadura desse mandamento a ponto de dizerem que não convém casar!

A outra exceção é em caso de falecimento do cônjuge. É comum nos votos de casamento se proclamar: “até que a morte nos separe”. Isso é bonito e tem fundamento bíblico. “A mulher está ligada enquanto o marido vive; mas se falecer o marido, fica livre para casar com quem quiser, contanto que seja no Senhor”. (I Co 7.39). Assim, morto um dos cônjuges o outro fica livre para contrair novo casamento.

Não queremos entrar em detalhes e em polêmicas. Nosso entendimento sobre separação está baseado nos princípios e exceções mencionados. O resto é engodo do maligno e estratégia carnal.

9ª Acusação: Uma substituição do ensino bíblico sobre a família por psicologia e sociologia

“Cuidado que ninguém vos venha enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo” (Cl 2.8).

A responsabilidade de ensinar os filhos, no caminho do Senhor, é dos pais, isso é claro na Bíblia. “E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; e as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa e andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.” (Dt 6.6-7). A Escola Bíblica é importante, os grupos de estudo bíblico (se houver) são importantes ou outros instrumentos de ensino, contudo, a responsabilidade maior é dos pais. Eles é que tem a autoridade e a capacidade de disciplinar. Não “joguemos” a educação dos filhos nas mãos da Igreja e do Estado (educação secular). Depois, nos arrependemos muito por não termos estruturado a vida dos filhos com princípios do Senhor.

Mas, não é tão fácil assim. A maioria dos pais são ausentes em não dão a devida importância a formação dos filhos. Formação espiritual especialmente. As vezes, o menino é exímio em matemática porque tem professor particular e estuda mais de 40h semanais esta disciplina. É exímio em português, pois faz um curso à parte também e dedica muito tempo a isso. Mas, não consegue ler um livro da bíblia sequer. Sabe onde está o problema? Quantas vezes os pais reuniram seus filhos em casa para fazer um culto doméstico? Quantas vezes os pais leram histórias bíblicas a seus filhos? Quantas vezes explicaram os textos bíblicos a seus filhos com vivacidade, gosto e entusiasmo? Quantas vezes os filhos veem os pais “devorando” as Escrituras? Ou em oração e meditação ao Senhor? Bem, estas cenas são raras em nossa época, depois reclamamos que nossos filhos estão “terríveis”!

Agora, pior do que falhar em ensinar a Palavra do Senhor aos filhos é substitui-la por qualquer outro ensino. Principalmente a psicologia que sempre interfere diretamente nessas questões. O fato é que temos que julgar todas as coisas pela Palavra do Senhor e não o contrário, modelarmos nosso cristianismo de acordo com o “progresso” da ciência. Não é a ciência[6] que dita o que devemos fazer ou crer. Quem faz isso é a Palavra (é o que vimos em suficiência das Escrituras).

Nem tudo que a psicologia diz é verdade absoluta que deve ser aplicada. A base da psicologia não é cristã, assim, ela se apoia numa teoria evolucionista do desenvolvimento humano desligada de um relacionamento ou dependência de Deus. Logo, todas as suas diretrizes tem este fundamento. Assim, quando orientam a não disciplinar a criança com “vara” tem em mente um humanismo infundado que implanta o individualismo e a extrema liberdade da criança desde sua tenra idade. Pregam que a criança deve crescer e se desenvolver “livremente”, os pais seriam como meros tutores administradores do processo sem muita autoridade para disciplinar. O fato é que isso é bonito para nossa época, mas antibíblico. A Bíblia nos ensina a cuidar de perto da criança e exercer autoridade para que ela conheça o caminho em que deve andar. A punição também é importante para dar limites à criança. Isso é Bíblia. Mas muitos dirão que somos retrógrados, caretas! Mas, filhos criados na perspectiva bíblica não superlotarão as clínicas de dependentes químicos, não frequentarão as clínicas clandestinas de aborto, não visitarão nossos belos presídios ou nossas casas de detenção só para dar alguns exemplos aos críticos!

O fato é que devemos orientar nossa família pela Palavra do Senhor e não segundo filosofias ou ensinos diversos. A Palavra é insubstituível.

10ª Acusação: Pastores mal nutridos na Palavra de Deus

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade.” (II Tm 2.15).

Você não é capaz de dar aquilo que não tem ou ensinar aquilo que não sabe. Nessa perspectiva é que afirmamos a necessidade em nossa época de uma melhor preparação dos pastores na Palavra de Deus. A começar pelos métodos de consagração atual adotados por algumas Igrejas em que o pastor é consagrado quase que instantaneamente. Formam-se um pastor, hoje em dia, em meses. Não é exagero afirmar que podemos ter pastores que nem mesmo crentes são!

Trabalho num seminário teológico e vejo a dificuldade que é incutir na mente dos líderes da Igreja o desejo pelo estudo e aprofundamento bíblico. É difícil demais fazer um de nossos estudantes se debruçar numa boa teologia, aquelas tipo Berkhof, Hodge, Grudem, etc. Os pastores preferem ler alguma coisa tipo “7 coisas para família feliz”, ou “5 passos para o sucesso”, pois isso é mais fácil compreender e pregar no culto. Além de ser mais “legal” para o povo. Mas, uma advertência deve ser feita. Os pastores não devem somente “cumprir a tabela”. É preciso uma preocupação séria com a mensagem que se passa para Igreja. É preciso aprofundamento e busca sincera ao Senhor para que o pastor tenha discernimento do que deve ensinar ao povo. O foco não deve ser fazer uma boa palestra no domingo que agrade aos irmãos, mas sim, uma boa mensagem que glorifique a Deus e edifique a Igreja. Essa deveria ser a pergunta que deveríamos fazer após a pregação de um sermão. Não deveríamos perguntar se a pessoa gostou ou não, deveríamos perguntar se ela percebeu que o sermão glorificou a Deus e se ela se sentiu edificada com isso.

“Tem cuidado [de ti] mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem.” (I Tm 4.16).

A orientação do apóstolo Paulo ao ministro Timóteo envolve dois elementos importante. O primeiro diz respeito ao cuidado de si mesmo. O pastor deve cuidar de si mesmo. Se ele não se cuidar não poderá cuidar de outros. E ele não se cuidar poderá ser massacrado no ministério pela pressão, estresse, excesso de serviço, etc. Frequentemente vemos pastores doentes por causa disso. Não se cuidam. Excedem sua capacidade de serviço. Assim, é importante cuidar de si mesmo em todos os sentidos. Mas, também é importante e mencionado no texto que o ministro deve cuidar do ensino e perseverar nestas coisas. Perseverar é permanecer, persistir no ensino, pois com isto salvará aos que ouvem. Assim, neste texto temos uma orientação para o aperfeiçoamento no ensino. O texto de abertura, clássico, também nos diz muito da responsabilidade em estarmos preparados e conhecermos bem a Palavra da Verdade.

Que Deus ilumine e inquiete nossos pastores a buscarem cada vez mais fundamento e aprofundamento bíblico para instruírem suas ovelhas.








[1] WASHER, Paul. 10 Acusações Contra a Igreja Moderna. São Paulo: Fiel, 2011.
[2] WASHER, Paul. 10 Acusações Contra a Igreja Moderna. São Paulo: Fiel, 2011. p.47.
[3] WASHER, Paul. 10 Acusações Contra a Igreja Moderna. São Paulo: Fiel, 2011. p.68.
[4] WASHER, Paul. 10 Acusações Contra a Igreja Moderna. São Paulo: Fiel, 2011. p.79.
[5] Claro que isso só fará sentido para quem crer e conhecer o Criador, por isso tal mandamento não faz sentido para os incrédulos.
[6] Não quero desacreditar totalmente a ciência, até porque sou professor e pesquisador, mas não quero endeusá-la também. Ela tem uma parte tendenciosa e muitas de suas conclusões são impróprias.
Via:Teologia Bíblica

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