A teologia neo-ortodoxa alega que a Escritura não é objetivamente a palavra de Deus, mas tem o potencial de falar ao coração das pessoas em momentos significativos, quando essas lhe permitem. De acordo com a neo-ortodoxia, Deus jamais pretendeu falar por meio da palavra; em vez disso, Ele se comunica de um modo pessoal, em revelações particulares, quando o encontramos.
A neo-ortodoxia acredita que a bíblia é um bom modelo e uma testemunha dinâmica, mas não é, de forma intrínseca, a palavra de Deus. A palavra deve ser consultada como uma aplicação. Ou seja, ela se torna a palavra de Deus apenas quando fala ao coração humano. À primeira vista, isso talvez pareça bom, mas existe um erro fatal. esse ensino relega totalmente a revelação divina ao âmbito da subjetividade. Abre a porta para que cada pessoa defina a verdade em termos individuais, transformando sentimento em regra absoluta. À semelhança do movimento carismático, a neo-ortodoxia encontrar a verdade na experiência humana.
Norman Geisler e William Nix definem de modo claro o ponto de vista neo-ortodoxo:
Segundo a neo-ortodoxia, a bíblia é um livro humano e falível. Mas, apesar disso, é o instrumento da revelação divina para nós, por ser o registro da revelação divina especial em Cristo. A revelação, no entanto, é pessoal; a bíblia não é verbalmente inspirada por Deus. É apenas um meio humano, falível, pelo qual podemos encontrar a revelação pessoal a respeito de quem Cristo é. Por si mesma, a bíblia não é a palavra de Deus; no máximo, ela se torna a palavra de Deus individualmente, quando Cristo é encontrado por meio dela.
O conceito que está por trás da neo-ortodoxia é que a bíblia é inspirada quando ela cria uma experiência pessoal para você. J.K.S. Reid afirma: "Deus se apresenta de modo magistral em toda a bíblia, concedendo vida à sua palavra em qualquer ponto de seu comprimento ou largura. portanto, também é correto afirmar que a bíblia torna-se a palavra de Deus... A Escritura se torna na palavra de Deus por designação especifica e firme". Emil Brunner disse que o Espírito de Deus está "aprisionado entre as capas da palavra escrita". Ele é liberado na experiência humana.
A neo-ortodoxia, afirma que a bíblia, não é tudo o que há. Deus ainda está dando revelações, inspirando pessoas da mesma maneira como inspirou os escritores bíblicos. "Se a bíblia é, de fato, a 'palavra de Deus', ela não é a palavra final, disse Charles H. Dodd, outro destacado teólogo que sustenta a posição neo-ortodoxa.
O que acontece quando a inspiração das Escrituras depende da experiência subjetiva, é a própria Escritura não é a palavra final de Deus? Não há mais autoridade bíblica! Qualquer outra coisa escrita e dita hoje possuí, a semelhança das Escrituras, grande potencial de "inspirar" as pessoas. Deste modo, quase tudo se transforma em fonte potencial de "revelação".
Os carismáticos dizem algo semelhante à neo-ortodoxia? Creio que muitos deles o fazem. Um artigo escrito há muitos anos por Charles Farah para a revista Christian Life, é um bom exemplo. Farah disse: " À medida que os cristãos se movem cada vez mais em direção ao mundo do Novo Testamento, eles passam a confiar cada vez menos na razão e na experiência como fonte finais do conhecimento e se entregam cada vez mais ao conhecimento pneumático.
E o que Farah define por "conhecimento pneumático"? Ele disse que é um conhecimento que ultrapassa todo conhecimento, uma percepção que excede toda a percepção, a certeza que excede toda certeza, um entendimento que ultrapassa todo entendimento.
A declaração Farah parece puro misticismo. Ele estaria defendendo uma versão contemporânea do gnosticismo? O gnosticismo era uma heresia do século II que também se referia ao "conhecimento pneumático" com o significado do conhecimento espiritual secreto disponível apenas à elite iluminada.
A resposta de Martinho Lutero à dieta de worms é famosa:
Eis a minha resposta, clara e simples: a menos que eu seja convencido do erro pelo testemunho das Escrituras ou... pelo raciocínio evidente, permaneço convicto pelas Escrituras às quais eu apelo a minha consciência está cativa a palavra de Deus; não posso e não quero me retratar de nada... está é a minha posição. Não posso fazer outra coisa. Deus me ajude. Amém.
Lutero apelou à palavra de Deus e à razão. Precisamos realmente olhar para outro lugar à procura da verdade? Podemos experimentar de forma mística o "conhecimento que ultrapassa todo o conhecimento"? A tentativa de definir a verdade assim equivale a colocá-la além da palavra de Deus revelada. A bíblia dá certeza. A palavra de Deus dá entendimento (Salmos 119.130). Quem pode ir além dela? A palavra de Deus escrita é suficiente para suprir todas as nossas necessidades espirituais (Salmos 19.7-14). A revelação extrabíblica sempre conduz ao erro!
Extraído de:Caos Carismático Pág.100
Via:Pneumatology Cessationism
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