BATISMO POR ASPERSÃO E BATISMO DE CRIANÇAS(1/5) - W. G. SWIFT


PREFÁCIO



Depois de haver estudado a Bíblia e os escritos de homens eruditos por mais de quarenta e cinco anos sobre o assunto contido neste livreto, tempo esse em que fiz uma excursão pelas terras da Bíblia, estou completa e claramente convencido de que o derramamento ou aspersão de água sobre uma pessoa em o nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, é o modo próprio de batismo, uma vez que derramamento e aspersão provêm da mesma palavra grega. Para reforçar essa opinião vou apresentar algumas afirmações de alguns dos mais eruditos mestres do grego. A primeira é do Léxico Grego e Inglês, de Robinson, considerado um dos melhores sobre o Novo Testamento. Diz ele: “Nas primeiras versões latinas do Novo Testamento, como, por exemplo, a Itala, que Agostinho considerava como a melhor de todas e que remonta aparentemente ao segundo século e ao uso ligado com a era apostólica, o verbo grego baptizo é apresentado uniformemente na forma latina baptizo, e nunca é traduzido por immergo ou por qualquer outra forma semelhante; demonstrando com isso que havia alguma coisa no rito do batismo com que a última não correspondia. As fontes batismais que ainda se encontram entre as ruínas das igrejas gregas mais antigas na Palestina, como em Técoa e Gofna, e que aparentemente remonta a tempos mui primitivos, não são suficientemente grandes de modo a admitir o batismo por imersão de pessoas adultas; e obviamente jamais foram designadas para aquele uso.”


O Dr. Rice (em sua Polêmica com Campbell) diz: “Já examinei todas as passagens na Bíblia e nos escritos apócrifos dos judeus, onde a palavra baptizo é usada em sentido literal, sem referência à ordenança do batismo cristão, e a minha convicção clara é que não há um único exemplo em que se possa provar signifique imergir; que todos os exemplos, exceto talvez um, expressam a aplicação de água à pessoa ou coisa por derramamento ou aspersão.”

Extraí o seguinte do The Christian Standard, um dos principais jornais da Igreja Cristã, datada de 13 de fevereiro de 1932: “Parece-me que a palavra sobre imersão nunca deve ser usada em uma discussão sobre o batismo cristão. Eis a prova: Em primeiro lugar não é um termo bíblico; nunca é usada na Versão Americana nem na Edição Revista.” Aqui, na própria fortaleza dos imersionistas, entre os discípulos de Alexandre Campbell, é admitido o meu ponto de vista.
O Dr. Jacob Ditzler, um dos maiores mestres gregos dos dias modernos, diz enfaticamente em seus escritos que não existe nenhuma palavra grega para imersão no Novo Testamento.

W. G. Swift.


MOTIVOS DESTES ARTIGOS



Escrevi uma série de artigos sobre “Por que Batizar por Aspersão e Batizar crianças”, e foi tal o número de pedidos desses artigos, que resolvi pô-los em forma de folheto.
Enquanto alguns crêem que a imersão é a forma certa de batizar, a maioria dos protestantes crê que a afusão é o modo ensinado na Bíblia.
Alguns que não concordam conosco quanto ao modo do batismo com água, perguntam-me por que não discutimos mais este assunto, se é que temos qualquer base na Bíblia para a nossa crença.
Nestes artigos procurarei responder a essa pergunta, atendendo assim a esse pedido. Uma outra razão é que nossos pregadores raramente discutem o batismo de água, porque não crêem seja essencial para salvação. Por isso a maioria dos nossos irmãos sabe muito pouco sobre qual seja a nossa crença a esse respeito. Os membros de nossas igrejas estão ansiosos de conhecerem mais sobre o que nós cremos e porque cremos assim. Estou certo de que nosso povo e outras pessoas que são sinceras e honestas, apreciarão esta discussão franca. Pregadores de algumas igrejas dão a sua opinião sobre o batismo quase todas as vezes que pregam, e outros ainda o fazem mui freqüentemente. Por que não conceder aos demais o nosso privilégio de externar suas opiniões sobre este assunto?
Quanto eu era rapaz fui batizado por aspersão, e fiquei inteiramente satisfeito. Depois de ouvir muitas pregações que mandavam para o inferno (bad world) os que não eram imersos, fui forçado a crer que eu estaria perdido se não mudasse minha opinião sobre o batismo. Ninguém pode imaginar a tortura inútil que tive de suportar por muito tempo.
Resolvi deixar a Bíblia solucionar o assunto, e não o homem. Fiquei convencido, pelo estudo do Velho Testamento, a única Bíblia que os profetas, Jesus e os apóstolos possuíam, que no Velho quer no Novo Testamento, que a imersão não simbolizava o que Deus e o Filho do Homem pretendiam.
A palavra “imergir” ou “imersão” não se encontra na Tradução do rei Tiago, do Bíblia, considerada pelas maiores autoridades inglesas como a maior tradução que já foi dada ao mundo.

POR QUE HÁ CONFUSÃO SOBRE O BATISMO COM ÁGUA


Há milhares de pessoas em nossas igrejas que se sentem confusas a respeito do modo do batismo. Muitas pessoas se têm filiado às igrejas imersionistas simplesmente porque não
compreenderam o significado pleno do batismo com água. Posso perceber desde logo como se fica confuso a respeito desta questão. Eu mesmo fui torturado por ela. Toda explicação que ouvia sobre o assunto provinha das igrejas que batizam por imersão. “Desceram à água”, Jesus “batizado no rio Jordão”, “sepultados com Cristo”, “muito águas”, e outras expressões tais parecem significar imersão para aqueles que não estudam a Bíblia em sua verdadeira luz e significado. Eu era novato no conhecimento da Bíblia e por isso me sentia mui confuso. Não sabia que o batismo tinha sido administrado 1500 anos por aspersão e derramamento antes de nascer João Batista. Não sabia que havia outra Bíblia até o ano 100 A. D., exceto a velha Bíblia chamada Escrituras. Não compreendia que “a lei e os profetas” requeriam aspersão e derramamento como batismo e que a água usada nessas cerimônias tinha que ser pura e de ribeiros de água corrente. Não sabia que um sacerdote devia ter trinta anos de idade antes de sua dedicação para o sacerdócio. Não sabia que o lugar em que o Eunuco foi batizado era deserto, e naquele lugar não havia rio. Não sabia que “sepultado com Cristo” significa sepultado com Ele “na morte” e não na água. Não sabia que “no Jordão” tinha o mesmo significado que “na Galiléia”, “em Samaria”, e que “na água” significava a mesma coisa que “na montanha” e “numa figueira”. Jesus subiu em “um monte” e Zaqueu “trepou em uma figueira”; e sabemos que Jesus não ficou no pó e nem Zaqueu na casca da árvore. Eu não sabia que “muitas águas” em grego significavam “muitas fontes”. Mas depois do estudo da Bíblia, feito mui circunstanciadamente por mais de 45 anos, tudo se esclareceu.


POR QUE A MAIORIA DOS PROTESTANTES DIFERE QUANTO AO MODO DO BATISMO, DE ALGUNS QUE PRATICAM A IMERSÃO

Os que praticam a imersão crêem que representa o sepultamento e ressurreição de Cristo. Eu creio que o batismo com água representa o batismo do Espírito Santo e que este foi efetuado por aspersão.
“O Espírito Santo desceu sobre eles, como no princípio descera sobre nós. Lembrei-me da palavra do Senhor, como disse: João na verdade batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo” (Atos 11:15-16). Pedro, neste passo, lembra-se que o batismo de João foi por
aspersão, porque em Jerusalém o batismo de Espírito Santo foi por aspersão. Como podia “com água” significar imersão se “com o Espírito Santo” significa aspersão? Atos 1:5, “O Espírito Santo veio sobre vós”. Isaías 32:15, “Até que sobre nós se derrame o Espírito lá do alto”.
O modo de os judeus se purificarem era por derramamento e aspersão. Ambos significavam pureza. Eram tão comuns que a Bíblia menciona derramamento e aspersão mais de 200 vezes. Os judeus aspergiam as pessoas e os vasos. (Vd. Hebreus 9:19-21), e isto era símbolo da purificação do Espírito Santo. No casamento em Caná da Galiléia, quando Jesus realizou o seu primeiro milagre, lemos em João 2:6: “Ora estavam ali colocadas seis talhas de pedra, que os judeus usavam nas purificações”.
Na Bíblia não lemos a respeito de roupas de borracha, nem de batistérios, nem de pessoas que eram levadas aos rios e arroio como hoje se costuma fazer. São invenções modernas e não pertencem aos dias apostólicos.
Se a imersão fosse o único modo de batismo, muitas pessoas nas regiões geladas do norte, e nos desertos como o Saara, onde não se poderia obter água suficiente, não poderiam ser batizadas, e Deus teria ordenado uma impossibilidade.


ÊNFASE ERRADA SOBRE O BATISMO COM ÁGUA



Embora o batismo seja uma ordenança sagrada e represente a coisa mais santa da igreja – o Espírito Santo – contudo muitas pessoas lhe dão ênfase errada e de tal modo o fazem que por pouco não o tornam um ídolo.
Tem-se a impressão que muitos dão mais ênfase à ordenança exterior do Espírito Santo. Muitas pessoas faziam isto nos dias de Paulo e dos apóstolos. Lede cuidadosamente as epístolas de Paulo e vereis que uma das dificuldades de seu ministério era impedir que os judeus convertidos dessem excessiva ênfase a ordenanças exteriores tais como a circuncisão, as lavagens, os batismos, etc. “Porque Cristo não me enviou a batizar mas a pregar o evangelho.” “Deus não permita que eu me glorie senão na cruz.”
Exceção feita de uma simples referencia ao batismo, Jesus nunca pregou um sermão sobre esse assunto, nem Paulo, nem os apóstolos. Jesus jamais batizou alguém, nem podemos apelar para um versículo da Bíblia e demonstrar por ele que um dos doze apóstolos ou dos oito escritores do Novo Testamento, exceto Paulo, fosse batizado de qualquer modo, ou tivesse batizado qualquer candidato. Inferimos de certas passagens da Escritura que batizaram alguns, mas prova-lo cabalmente é outra coisa. Onde Mateus, Marcos, Lucas, João, Pedro, Tiago e Judas foram batizados, e onde a Bíblia diz positivamente que batizaram alguém? Onde foram batizados os doze apóstolos? Quem os batizou? Por que Jesus não batizou os doze ou não permitiu que o fizessem?

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