JOÃO BATISTA BATIZAVA POR DERRAMAMENTO E
ASPERSÃO
A razão por que João Batista ou João “o purificador” batizava por aspersão e por derramamento é que era a lei dada por Deus, e a única a cujo respeito ele conhecia alguma coisa. Ele jamais ouvira de imersão. Todas as purificações e cerimônias eram feitas por afusão. Se Naamã se mergulhou no Jordão, desobedeceu à lei. Adam Clark, um dos maiores conhecedores do Grego, do mundo, diz que a palavra grega que é dada por mergulhar é traduzida por lavar, e que espargir e purificar são preferidas pelas maiores autoridades modernas. A única desculpa para Naamã mergulhar-se era, quiçá, a sua ignorância da lei. O mandamento foi para levar-se. Ver II Reis 5: 10: “Vai e lava-te sete vezes no rio Jordão”. No versículo 14 diz que ele “mergulhou-se sete vezes”. Eis o que diz a lei de Deus acerca da lepra, Levíticos 14: 7: “Aspergirá sete vezes sobre aquele que se há de purificar da lepra, e declará-lo-á limpo”. O salmista Davi diz: “Purifica-me com hissopo, e ficarei puro: lava-me e ficarei mais alvo do que a neve” (Salmo 51:7). Como se fazia isso? Qual era a lei? Núm. 19:18, 19: “E um homem limpo tomará hissopo, e o molhará naquela água, e a espargirá sobre aquela tenda, e sobre todo o fato, e sobre as almas que ali estiverem: como também aquele que tocar os ossos, ou a algum que foi morto, ou que faleceu, ou uma sepultura. E o limpo ao terceiro e sétimo dia espargirá sobre o imundo”. Em Núm. 19:13 lemos: “... porque a água da separação não espargida sobre ele, imundo será”.
Moisés espargia com água para limpar, purificar,santificar, etc. As palavras purgar, limpar, lavar e santificar são usadas interpoladamente na Bíblia, com a significação de batismo. A tradução escriturística da palavra batizar em um sentido literal significa limpar, cerimonialmente com água. Os escritores dos evangelhos entenderam as palavras “batizar” e “purificar” como tendo o mesmo significado. A lei judaica requeria a aspersão para a purificação. Os escritores do Novo Testamento chamam a aspersão judaica: batismo. João Batista, que era judeu, entendeu os costumes judeus da purificação da impureza física.
Filo, que vivia naquela ocasião, diz: “Era costume os judeus se espargirem com água do rio”.
JOÃO BATISTA BATIZANDO NO RIO JORDÃO
João era um sacerdote regular da mesma tribo de Levi, Moisés e Arão. Seu predecessor Moisés batizara uma grande multidão: “E depois de Moisés haver dado todos os preceitos a todo o povo conforme a lei... espargiu o livro e todo o povo”. Lede a este respeito I Cor. 10:1-2.
Agora lede Mateus 3:5-6: “Então9 iam ter com ele o povo de Jerusalém, e toda a Judéia, e de toda a circunvizinhança do Jordão. E eram por ele batizados no rio Jordão”. Calcula-se que ele esteve no deserto de nove a dezoito meses batizando esta grande multidão de um a seis milhões de pessoas. Ele era o único batizador. Alguns dizem apenas seis meses, mas nós aceitamos o cálculo maior. Se ele tivesse imergido 300 por dia durante dezoito meses teria havido apenas 162000 batizados e 5838000 seriam deixados por batizar. Ninguém poderia ter suportado o esforço físico de batizar 300 diariamente durante dezoito meses a fim de chegar a esse número, 162000. pois teria ficado paralítico ou teria morrido antes de haver batizado a metade daquele número.
O modo de João batizar aquela grande multidão fez com que muitos acreditassem ser ele o Cristo porque o próprio livro da Lei e das profecias dizia que Cristo “borrifará muitas nações” (Isaías 52:15). Chegaram mesmo a enviar judeus, sacerdotes e levitas de Jerusalém a fim de lhe perguntarem se seria ele o Cristo. João 1:25: “Por que batizas então, se não és o Cristo?” perguntaram. Ele respondeu: “Eu batizo com água”. Assim fez Moisés. Como? Tomou “lã escarlate e hissopo e espargiu o livro e todo o povo”. Eis o mandamento de Deus a todos os sacerdotes, Núm.
8:7: “Asperge sobre eles a água da purificação”. E’ o que fez João “o purificador”, usando sem duvida a cana de hissopo. Era mandamento usar aquela cana.
“No Jordão”
“No Jordão” não tem significação especial. O Jordão é uma região. Tem três encostas. Descendo-se por uma encosta no caminho de Jerusalém a Jericó, estaremos “no Jordão”, cerca de meia milha ou mais das águas do rio Jordão. Eu desci uma outra encosta e ainda estava “no Jordão”. “No rio Jordão” não significa mais que a primeira frase. Lavei minhas mãos “no Jordão” e no “Mar Vermelho”, mas não fiquei sob a água. Jesus “assentou-se no mar” mas não debaixo d’água. O navio estava no meio do mar mas não debaixo d’água. Eu moro no Tennessee mas não sob o pó. “Paulo ficou de pé no meio da colina de Marte”, mas não debaixo daquela grande rocha. “João batizava no deserto” mas não debaixo do solo. Jesus “ficou” no lugar “onde João batizava no princípio” (João 10:40) Morou Jesus debaixo da água?
O BATISMO DE JESUS NO JORDÃO
Jesus não foi para nosso exemplo, pois não solicitou o batismo antes de todos terem sido batizados (vd. Luc. 3:21). E, além do mais, tinha trinta anos de idade quando se deu esse fato. Não queria esperássemos até essa idade para sermos batizados. Então, por que Jesus foi batizado? Foi dedicado ao seu oficio sacerdotal como Sumo Pontífice de Deus. Quando os sacerdotes judeus eram consagrados aspergia-se água sobre as suas cabeças, e eram ungidos com óleo. João derramou ou aspergiu água sobre a cabeça do Filho de Deus como sinal ou passo preliminar para a unção do Espírito santo. Deus o ungiu com o espírito Santo. Cristo estava cumprindo a lei que se encontra em Núm. 4:3: “desde a idade de trinta anos e daí para cima até à idade de cinqüenta anos, de todos os que entram no serviço para executarem a obra na tenda da revelação”. Ver também I Crôn. 23:3.
Cristo veio “não para destruir a lei, mas para cumpri-la”, e por este motivo respondeu a João: “Deixe por agora, porque nos convém cumprir toda a justiça” – toda a lei. Subordinou-se à lei que requeria esperar até trinta anos de idade; por que não havia Ele de sujeitar-se à forma de dedicação de um sacerdote, a qual era por aspersão ou derramamento de água sobre a cabeça? O propósito principal de batismo de Cristo era o de ser dedicado ao seu oficio sacerdotal porque Ele era o Sumo-sacerdote de Deus. Quase imediatamente entrou no templo e expulsou os que vendiam mercadorias e quando lhe perguntaram a respeito de sua autoridade, referiu-se à dedicação por João, o que lhe dava autoridade absoluta sob a lei. (vd. Mat. 21:25). Aceitavam a sua autoridade. Quem ousaria dizer que Jesus fora imerso? Onde a autoridade para isso? Por que ficou Ele de pé no rio Jordão para ser batizado por João? Vd. Josué 3:8: “Tu ordenarás aos sacerdotes que a arca da aliança, dizendo: Quando chegardes à beira do rio Jordão, parareis aí”.
JESUS “SAIU LOGO DA ÁGUA”
A palavra “logo” (*) significa imediatamente e não verticalmente. E’ chocante ouvir algumas pessoas usarem esta palavra no afã de provar que Cristo saiu verticalmente debaixo da água, ao passo significa apenas que logo depois de terminarem a dedicação, desapareceu da cena.
Ele “saiu logo para fora da água”, após realizada a cerimônia. As duas palavrinhas “fora da” em Mat. 3:16 são da palavra grega “Apo”, e todas as autoridades do grego que temos compulsado traduzem “de” ou “fora de”. Os tradutores da Bíblia inglesa traduzem-na, trezentos e setenta e duas ou trezentos e setenta e três vezes “de” em vez de “fora de”, em outras frases bíblicas. Alexandre Campbell traduz esta palavra “de”, em vez de “fora de” em seu Novo Testamento. A União Bíblica Americana, de convicção batista fez a mesma coisa. Os conhecedores do grego dizem que “fora de” em Mat. 3:16 é tradução incorreta, e deveria ser “de”. O Dr. Carson, que foi um dos maiores imersionistas destes últimos tempos, diz: - “A tradução própria de “Apo” é “de”. “Ele subiu da água”. Ver Carson, sobre o Batismo, págs. 126-140.
“Muitas águas”
Os imersionistas fazem celeuma a respeito destas duas palavras (João 3:23). Enom é uma terra de fontes. Podereis manusear qualquer dicionário bíblico que seja bom, e descobrireis que a palavra Enom significa “fontes”, e a palavra “muitas” é de uma palavra grega que tem esse sentido. Enom, uma terra de muitas fontes. A lei requeria que a água para o batismo fosse retirada de água corrente. Enom preenchia facilmente as exigências para que João batizasse. Se pedirdes a alguém indique o nome de um rio em Enom, havereis de ver quão difícil tarefa é a sua.
(*) Em inglês “logo” é “straightway” – uma palavra composta em que o radical “straight” significa reto, direito, - ou então, como advérbio, imediatamente, no tempo mais breve. Alguns imersionistas de língua inglesa dizem que Jesus saiu straigth up (straigth=reto+up=para cima, - ou completamente, inteiramente) = verticalmente da água, isto é, saiu debaixo da água, de pé. – Nota do tradutor.
DESCERAM À ÁGUA
Estudemos agora o batismo do Eunuco. E’ este um caso de batismo ao qual os imersionistas dão muita ênfase. Entretanto é um dos casos mais claros de não imersão. Em primeiro lugar o caminho por onde viajavam era um “deserto” (vd. Atos 8:26). Não há muita água num deserto e o Eunuco ficou surpreendido por ver água (Atos 8:36). Em segundo lugar a crosta da terra é tal que não há nenhum sinal de jamais ter havido um rio naquela região. Solicitai a qualquer autoridade sobre o assunto que mencione o nome de um rio naquela parte da Palestina. Os viandantes que passaram por esse caminho dir-vos-ão que, onde Filipe batizou o Eunuco há um veio de água que sai do lado da montanha e que, em um buraco, há regularmente água bastante que dá para dessedentar um cavalo.
Em terceiro lugar o Eunuco estava lendo no livro de Isaías, onde se diz: “Ele borrifará muitas nações”. Ele estava lendo a respeito da aspersão, o modo pelo qual os judeus realizavam as cerimônias exteriores. Naquele tempo não se praticava a imersão. A única que possuíam (a Velha Bíblia) estava cheia de aspersão e derramamento, e nada mais era ensinado nem se sabia. O eunuco havia estado em Jerusalém para adorar. Sem dúvida bem versado nas Escrituras. Filipe encontrou-o e “subiu” na carruagem. Esta possuía degraus. Quando o Eunuco viu água detiveram-se e o original grego diz: “Eles desceram para fora da carruagem para a água”. Os conhecedores do grego nos dizem que a palavra grega eis, que aqui se traduz “into”, é traduzida “to” mais vezes do que “into”. Se é traduzida “into” isso não quer dizer que signifique da água.
Ainda mais, se o inglês em Atos 8:38 é correto, nesta passagem “into” significa imersão. Então Filipe e Eunuco, ambos, foram para debaixo da água, cabeça e orelhas inclusive, e Filipe realizou a cerimônia debaixo d’água, e ninguém viu a sua realização. Lede cuidadosamente a declaração: “Eles (plural) desceram ambos (pl.) para dentro d’água, Filipe e Eunuco (ambos)”.
Continua........
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