BATISMO POR ASPERSÃO E BATISMO DE CRIANÇAS(5/5) - W. G. SWIFT


NASCER DA ÁGUA


As palavras acima se encontram em João 3:5, quando Jesus disse a Nicodemos: “Se alguém não nascer da água e do espírito não pode ver o reino de Deus”. Esta é a cidadela de alguns dos nossos amigos imersionistas, e no entanto não há uma só gota de água neste texto no que diz respeito ao batismo de água. Não há três nascimentos mencionados nesta conversa de Jesus, apenas dois. Se houvesse três nascimentos então a sentença seria: “Se alguém não nascer mais de duas vezes, etc”. “Nascer de novo” significa outra vez. “Nascer da água” é uma frase enfermiça para o nascimento natural. O nascimento de uma criança, quando ela não “nasce da água”, mas do outro modo, chama-se “nascimento seco”, e é quase morte para mãe. Nicodemos fez duas perguntas para Jesus: “Como pode um homem nascer sendo velho?”, e “Pode ele entrar outra vez no ventre de mãe e nascer?” Jesus respondeu imediatamente com estas palavras: “Se alguém não nascer da água e do espírito não pode ver o reino de Deus”. Então, para explicar mais claramente o que queria dizer, acrescentou: “O que é nascido da carne”, mulher ou ventre, é carne. Uma casa publicadora batista pediu ao Dr. Edmund B. Fairfield, que por um quarto de século fora um forte Batista e um dos melhores conhecedores do grego de seu tempo, que escrevesse um livro em defesa da posição batista quanto ao batismo, etc., trabalho esse que ele empreendeu em boa fé, mas, disse ele, torreão após torreão da sua fortaleza batista, ruíram por terra, embora houvesse trabalho por dois longos anos para sustentar a sua antiga convicção. Disse não mais poder continuar como ministro batista. Ele Diz: “nascido da água” não pode ser interpretado como se referido a qualquer outra coisa senão ao nascimento natural. Mais adiante afirma: “Ora, no meu entender, não há mais alusão ao batismo neste versículo do que ao planeta Marte ou à revolução Francesa. Fala-se apenas a respeito do nascimento natural. Ser “nascido da água” era sem dúvida uma forma de expressar-se que Cristo usava com este sentido”. Em defesa de sua interpretação cita Is. 48:1: “Ouve isto, casa de Jacó, vós os que vos chamais do nome de Israel, e saístes das águas de Judá”. Isto se refere, diz ele, aos descendentes nacionais de Judá.

OITO ALMAS SALVAS PELA ÁGUA


O texto deste artigo é registrado em I Ped. 3:20-21. Ei-lo: “...a longanimidade de Deus esperava nos dias de Noé, enquanto se preparava a arca, na qual poucas, (isto é, oito) almas, se salvaram pela água: Que também, como uma verdadeira figura, agora vos salva, batismo não do despojamento da imundícia da carne, mas da indagação de uma boa consciência para com Deus, pela ressurreição de Jesus Cristo”.

Verdadeiramente é de estranhar como pode alguém inferir destas palavras a imersão. Os antediluvianos (gente ímpia) foram os únicos afogados ou imersos. As “oito almas foram salvas”, por se conservarem fora da água. Se tomaram alguma coisa sobre si, deve ter chovido sobre elas – espargidos ou derramados. Isto é claro. “Como uma verdadeira figura” – dizem as autoridades do grego – deve ser traduzida “o antítipo para o qual”. O mundo era mau, estava contaminado, mergulhado no pecado. Os antediluvianos não quiseram obedecer ao Senhor, e pereceram afogados. Noé e sua família entraram na Arca e se salvara – tinham uma consciência pura. Se nos arrependermos e procedermos como Noé e sua família entraremos na Arca – o Espírito Santo dá testemunho a uma consciência pura de que somos salvos. Heb. 10:22 diz: “Tendo os nossos corações purificados (em inglês: espargidos) de uma consciência má e levados os nossos corpos com água pura. Noé e sua família não foram imersos”.
“Salvaram-se pela água”. Por meio de uma Arca que foi construída para flutuar sobre a água. Por este método foram salvos, não em um dilúvio ou por serem imersos. Noé creu em Deus e obedeceu a Deus e foi salvo sobre a água, não por submergir nela.

RECAPITULANDO O ASSUNTO DO BATISMO


Certamente que o Senhor não haveria de requerer um modo de batismo que não pudesse ser realizado em todas as estações do ano, em todos os climas e para todas as pessoas, em quaisquer circunstâncias. O batismo por afusão pode ser feito em todos os tempos, e em todos os lugares, para todas as pessoas, em todas as condições e circunstâncias. Isto não é verdade quanto à imersão. Muitas pessoas têm crido em Cristo para a salvação na hora da morte como o ladrão na cruz, que não podiam ser imersas. Muitas pessoas na história do mundo têm morrido devido aos efeitos da imersão em água extremamente fria. Conta-se que em um município de Kentucky dois pregadores morreram por se exporem imprudentemente à intempérie do inverno ao imergirem pessoas na água. Em grandes desertos como o Saara, só se encontra água em poços profundos. Nas regiões extremamente frias no Norte, seria impossível a imersão. João Batista era Judeu, e foi criado na igreja judaica com Jesus; e os judeus eram muito aferrados à lei (great sticklers) (*).
Todos os batismos feitos pelos judeus eram por aspersão, derramamento e lavagem. A aspersão e o derramamento são termos familiares na única Bíblia que João e Jesus viram. Nada sabiam a respeito de cerimônias ministradas por imersão. Toda evidência que se pode obter demonstra o fato de que João batizava o povo por afusão. Um novo modo exigiria explicação. Jesus observou a lei em todos os seus pormenores. Veio para cumprir a lei.
Canaã era um tipo do céu, e Jerusalém um tipo de Nova Jerusalém. O sacrifício era um tipo de outro sacrifício, e a Páscoa o era da Ceia do Senhor. O batismo de água é um tipo de outro batismo – o batismo do Espírito Santo que todos devem reconhecer era pela aspersão, e o sinal compararia com a substância. Vejam-se Núm. 8:7; Is. 4:3, 52:15; Ezeq. 36:25, 39:29; Joel 2:28;
Atos 2:17.

MINHA PRÓPRIA ATITUDE PARA COM O BATISMO DE ÁGUA

Vou escrever o que segue para que eu seja claramente compreendido quanto à minha atitude para com o batismo de água. Eu sei que há apenas uma Igreja real, e essa é a Igreja de Cristo, constituída de todos os salvos, pouco importando a que denominação eclesiástica pertençam. Desejo que todos os cristão sejam um só corpo e todos possamos ser companheiros. Não estou clamando porque alguns lavam pés, alguns não usam instrumentos de música em suas igrejas, alguns batizam por imersão e não crêem no batismo infantil. Mas eu estou insistindo em que o batismo não é essencial para a salvação e que não deve ser elemento primário na pregação. Além disso não concordo com o ridicularizarem constantemente o nosso modo de batizar. Recentemente um irmão imersionista fincou uma vara na areia junto a um rio, quando ia batizar alguns candidatos ao batismo por imersão, e espargiu um pouco de areia no topo da vara e disse: “Parece isso com o ser sepultado na água?” Em nenhum lugar a Bíblia diz que alguém já fora sepultado na água. Isso tudo se faz ler na Escritura, porque não está lá. E’ sepultado na morte, o que tem um significado diferente de água. Por toda a nossa igreja o nosso povo tem sido insultado por meio de labéus ao nosso modo de batismo e ao nosso modo de batizar crianças. Estou perfeitamente pronto a conceder sinceridade e honestidade aos irmãos que não concordam comigo e respeito-os quanto à sua crença; e o mesmo espero da parte deles. Mas ser mantidos no ridículo como se fôramos um bando de ignorantões e como se nada conhecêssemos de melhor, é ir demasiado longe neste século de luz quando se tem livre acesso à história da igreja e do estado. Isso pode ir tão longe a ponto de perder meu respeito próprio e de não permanecer calado, pois eu creio seja caridade o permitir que o povo permaneça na ignorância. Não queremos tomar opiniões pelo que a Bíblia ensina. Temos a Bíblia (V. T.) sobre que se baseavam Cristo e os apóstolos.
Estudemos essa velha Bíblia, e vejamos o que diz a respeito do batismo. Não havia outra Bíblia durante uma centena de anos depois do nascimento de Cristo. Certamente que podemos obter dela alguma idéia sobre o batismo. Não mais nos firmemos sobre opiniões de homens. Podemos ler por nós mesmos, e assim o façamos. E’ o que fez o escritor, e encontrou verdadeira luz em assim o fazendo.

POR QUE BATIZAR CRIANÇAS

O Pacto da Igreja incluía crianças

Quando deus fez um pacto de igreja com Abrão para as gerações futuras, fez um concerto eterno, e nele incluiu as crianças. Esse concerto deveria perdurar tanto quanto a raça humana. Leia Gên. 17:7: “Estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua semente depois de ti nas suas gerações por uma aliança eterna”. A circuncisão era o sinal ou “Selo do pacto”. Leia Gên. 17:10-11.
Enquanto que outros concertos que Deus fizera com o povo foram locais e efêmeros, como o feito com Noé (Gên. 9:9), e o feito no Sinai (Êx. 34:28) etc., este concerto era universal e eterno, do mesmo modo que a expiação. Deus organizou a Igreja para perdurar até o fim dos séculos, e este concerto foi feito com Abrão 1911 anos antes que Cristo nascesse. Outro concerto foi feito com Moisés 1481 anos antes de Cristo ou 430 anos após o concerto feito com Abrão. Lede Gál. 3:17, também Atos 3:25.
A respeito deste pacto, diz Alexandre Campbell: “Este concerto, então, foi ratificado com Abrão a respeito do Messias e inalteravelmente estabelecido. Conseqüentemente a lei, ou concerto com toda a nação de Israel, 430 depois deste tempo, não poderia anular a promessa em outro concerto, a respeito das pessoas não presentes, e , portanto, não tomando parte naquele concerto”.

O BATISMO INFANTIL NO LUGAR DA CIRCUNCISÃO

A circuncisão era o rito iniciatório na igreja visível antes da vinda de Cristo. Era o sinal ou “Selo desse pacto”. Antes que Cristo viesse o sinal ou selo da Páscoa era o cordeiro pascoal, pão asmo, ervas amargas e vinho. Sob a nova economia Cristo abandonou o cordeiro pascoal e as ervas amargas e perpetuou o sacramento da Ceia do Senhor com apenas dois desses elementos – o pão e o vinho. Semelhantemente o batismo da água, sozinho, substituiu toda a cerimônia. Tanto n primeira como na segunda economia, quando uma família gentia ingressava na igreja judaica, a única igreja visível e a igreja que continha o pacto acima mencionado, os homens eram circuncidados e batizados com água e as mulheres idosas e jovens, até mesmo as crianças eram apenas batizadas com água. Crisóstomo, um dos mais antigos escritores cristãos dos primeiros séculos depois dos apóstolos, diz: “Havia dificuldade e empecilho na prática da circuncisão judaica; mas nossa circuncisão, quero dizer, a graça do batismo, dá cura sem dificuldade pois é tanto para crianças quanto para adultos”.
Nenhum conhecedor da Bíblia poderá apresentar uma única passagem de escritura inconfundível a fim de provar que João Batista, qualquer dos doze apóstolos ou mesmo dos oito escritores do Novo Testamento, salvo S. Paulo, foram batizados por qualquer modo depois de adultos. Onde foram batizados Mateus, Marcos, Lucas, João, Pedro, etc., senão na infância? Cremos está aqui a solução para esta questão. Se algum dia foram batizados deve ter sido isso quando crianças, aos oito dias de idade.

A IGREJA NO DESERTO E A IGREJA DE HOJE SÃO AS MESMAS – AMBAS SOB O
MESMO PACTO

Os que se opõem ao batismo infantil como regra negam o fato de que houve uma organização de igreja visível antes da vinda de Cristo. Quando Cristo esteve na terra não organizou uma igreja visível, nem sugeriu qualquer nome para uma igreja visível. Por quê? Porque já existia uma. Era a igreja do “concerto eterno”.
“The Cristian Standard”, de 1 de janeiro de 1932, sustentando a crença de Alexandre Campbell, trouxe a seguinte afirmação:

“Aos oito dias de idade entrava-se no antigo concerto pela circuncisão. Isto é, entrava-se antes que pudessem mesmo “conhecer o Senhor” em cujo concerto estava se ingressando. Conseqüentemente cada um e todos tinham de ser ensinados, subsequentemente, nas coisas mais elementares a fim de “conhecerem o Senhor”.

Vivemos hoje sob a forma de governo, da igreja que Deus deu aos judeus, e sob a qual Cristo também viveu. As leis morais que Deus deu a Abrão e Moisés estão em vigor hoje para nós quanto naquele tempo para eles. Certas leis sacrificiais foram encravadas na cruz, mas uma lei moral jamais foi revogada. A igreja visível de hoje é a igreja que Deus iniciou com Abrão (vd. Gên. 17:7 e Sal. 105:8-10). Alguns dos nossos amigos não gostam de reconhecer este fato porque aquela igreja incluía crianças. Jesus disse que esta igreja seria tomada dos judeus e dada aos gentios (vd. e lede cuidadosamente Mat. 21:33-43). A “vinha” que Deus plantou era a igreja visível. Ele “entregou sua vinha a outros lavradores”. (Vd. Rom. 11:13-25).

Não era uma nova igreja visível. Paulo escrevendo aos Efésios (Ef. 2:20), diz que foram “edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra de esquina”. A mensagem do evangelho estava na “igreja no deserto” como está na igreja hoje. Pedro, discursando à multidão de judeus no dia de Pentecostes, disse (At. 2:39): “Porque a promessa é para vós e vossos filhos”. Aqueles judeus tinham sido ensinados a receber crianças e a dar-lhes o selo do concerto abrâmico. Os judeus não tinham de aprender isso. Eles já haviam sido educados ao longo desta linha. Gên. 17:7 e Atos 2:39 se harmonizam: “a ti e à tua semente”, e “para vós e para vossos filhos”. (Vd. também Gên. 12:3 e Atos 3:25).

Quando os discípulos perguntaram a Jesus “Quem é o maior no reino dos céus?” – a igreja visível – Ele “chamou um menino” e “o pôs no meio deles” e disse: “quem receber um menino tal como este, em meu nome, a mim recebe” (Mat. 18:5). Digam-me, por favor, como as igrejas recebem os pequeninos em nome de Jesus? Levam-nos à Escola Dominical e registram os seus nomes e os contam, mas não os levam à igreja. Levam as velhas ovelhas, para o morno aprisco, mas os cordeirinhos devem ficar fora, junto ao portão, ou sob a umidade até crescerem. Nem Deus nem Jesus os tratam assim. Deus os incluiu no seu pacto com Abrão e disse que deveria ser um “concerto eterno”. Jesus disse (Mat. 19:14): “Deixai vir a mim os pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus” – a igreja visível.

O BATISMO INFANTIL, UM MANDAMENTO DO SENHOR

Os que se opõem ao batismo infantil pretendem não haver mandamento específico para faze- lo. Também não há um mandamento específico na Bíblia para dar a Ceia do Senhor às mulheres. Nada se diz a respeito do sexo ou idade. Se nossos amigos forem honestos quanto ao não batizar crianças porque não há mandamento específico para faze-lo, por que não deixam de dar a Ceia do Senhor às mulheres?
As mulheres pertencem a uma classe que Jesus tinha em mente quando disse: “Fazei isto em memória de mim”. Há um axioma que “tudo que se manda a uma classe, manda-se a cada indivíduo dessa classe”. Quando Deus disse: “E ensiná-los-ás diligentemente a teus filhos” incluía tanto os homens quanto as mulheres. Quando Cristo disse: “Ide, pois, e ensinai todas as nações batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, incluiu as crianças. Não são as crianças parte de todas as nações? Cristo queria dizer, de fato, todos os que eram e deveriam ser súditos do seu reino.
Cristo disse das crianças, “Porque dos tais é o reino céus”. As crianças estão em estado de salvas pelos méritos expiadores do sangue de Cristo até que cheguem à idade da responsabilidade. Exige-se a fé somente daqueles que podem exerce-la. Todos os outros são salvos sem fé. Os idiotas que o tem sido durante a sua vida estão de salvos pelos méritos do sangue de Cristo. As criancinhas estão em estado de salvas e Deus mandou que recebessem o seu sinal. Atos 3:25 diz: “Vós sois os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com vossos pais, dizendo a Abrão: Na tua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra”.

O BATISMO INFANTIL DEVE PERMANECER PARA SEMPRE

Lê-se no Sal. 105:8-10: “Lembra-se perpetuamente do seu concerto, da palavra que mandou até milhares de gerações; do concerto que fez com Abrão e do seu juramento a Isaque; o qual ele confirmou a Jacó por estatuto, e a Israel por concerto eterno”. Até Cristo houve apenas quarenta e uma gerações (vd. Mat. 1:17). Vedes, pois, que esta aliança de “mil gerações” não cessou quanto Cristo veio.
Jesus primeiro ordenou aos seus discípulos para “irem às ovelhas perdidas da casa de Israel”. Aqueles discípulos sabiam, e todos os que estão familiarizados com a história judaica sabem, que, quando uma família gentia ingressava na igreja judaica, todos eram batizados (sinal de pureza, para o que se fazia toda a aspersão e derramamento de água nos tempos antigos), homens, mulheres e crianças.
Quando mais tarde, cerca de dois anos, Cristo disse novamente a seus discípulos: “Ide, portanto, e ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”, aqueles homens que estavam familiarizados com as crianças batizadas, certamente não entenderam que esta prática teria de cessar. Cristo não lhes disse para abandoná-la. A razão por que alguns não o percebem claramente é que isso era um costume familiar entre os judeus, e por que Cristo haveria de dizer mais alguma coisa a respeito?


CASOS BÍBLICOS QUE PROVAM O BATISMO INFANTIL


Como prova desta prática estamos dando uma vista panorâmica de casos de batismo de criança na Bíblia.
Ao estabelecer-se a igreja visível Deus ordenou que as crianças nela se iniciassem. Era imposto um castigo se não se iniciassem: “Essa alma será excluída do meu povo; quebrou o meu concerto”. (Gên.17:14).
O Senhor ordenou a circuncisão e o batismo toma o lugar da circuncisão – um sinal de pureza espiritual. Cristo instituiu o batismo com água somente, abandonando a cerimônia relacionada com a circuncisão ou com o cortar da carne. A circuncisão, instituída por Deus, teve o seu lugar antes de Cristo, do mesmo modo que as leis de sacrifício. Cristo instituiu o batismo infantil e de adultos com água somente nestas palavras: “Ide, portanto, e ensinai todas as nações, batizando- as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”. Agora vejamos o que Deus diz a respeito do assunto. Joel 2:16: E’ “diz o Senhor”; “Congregai o povo, santificai a congregação, ajuntai os anciãos, congregai os filhinhos e os que mamam”. Não abrange todos – grandes, pequenos, velhos e moços? Que significa, nesta passagem, a palavra santificar? Uma única passagem basta para as pessoas inteligentes. Heb. 9:19: “Porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes com água e lã purpúrea e hissopo e espargiu o livro, e todo o povo”. Não esqueçais que o batismo de água era usado mil e quinhentos anos antes de Cristo. Abri I Cor. 10:1-2. O vs. 2, diz: “E todos foram batizados em Moisés na nuvem e no mar”. Havia pelo menos 100.000 crianças naquela multidão. Deus realizou o batismo. Paulo chama a isto batismo, e Davi diz que a água foi “derramada” sobre eles. Agora, que condenação lançarão contra Deus os nossos amigos que se opõem ao batismo infantil, por haver Ele batizado 100.000 crianças? Por que condenar por seguirmos não só o mandamento do Senhor mas o próprio Senhor?

O NOVO TESTAMENTO E O BATISMO INFANTIL

Agora chegamos ao Novo Testamento, mas este livro não existia nos dias terrenos de Jesus Cristo. Quando foi escrito, porém, continha certos registros. Eis um dos primeiros: João Batista foi iniciado na igreja – a única do mundo, a igreja visível de Deus – aos oito dias de idade. Se ele teve qualquer outro batismo exceto o batismo infantil, nunca se registrou esse fato. O mesmo é verdade de todos os apóstolos e de todos escritores do Novo testamento, menos Paulo. Paulo era considerado um prosélito, do contrario o seu batismo infantil teria sido aceito, sem dúvida alguma. Maria iniciou Jesus na mesma igreja aos oito dias. Este foi o seu batismo eclesiástico.

Pedro, um judeu, educado naquela igreja que batizava crianças, igreja à qual Deus ordenou batizasse crianças, pregou no dia de Pentecostes estas palavras: “Porque a promessa é para vós e para vossos filhos”. Se Moisés naquela mesma igreja e sob o mesmo concerto, tomou uma vara de hissopo e a mergulhou na água e batizou todo o povo, homens, mulheres e crianças; e se Deus batizou 100.000 crianças com os seus pais no Mar Vermelho, por que duvidaríamos nós do fato de que Pedro, que bem conhecia as Escrituras, batizou crianças entre os 3.000 no dia de Pentecostes? Certamente não ignorava os costumes de sua igreja.

Os apóstolos batizavam famílias inteiras. John Wesley, comentando sobre Lídia, que foi “batizada e sua casa”, diz: “Quem pode crer que em tantas famílias não havia crianças? Ou que os judeus que fazia tanto tempo estavam acostumados a circuncidar seus filhos não o consagrassem a Deus pelo batismo?” Paulo batizou “a família de Estefânia” e o carcereiro e toda “a sua casa”. As palavras “casa” e “família” significam que há crianças nelas. Um manuscrito sério do Novo Testamento, que se supõe ser a mais antiga versão do mundo, relatando o batismo de Lídia “e sua família” e o carcereiro e “sua casa”, Atos 16:15 e Atos 16:33-34, traz: “Lídia e seus filhos” e o carcereiro e “seus filhos” foram batizados.

OS APÓSTOLOS E A IGREJA PRIMITIVA BATIZAVAM CRIANÇAS

Os que sucederam aos apóstolos deixaram atrás de si registros escritos que provam claramente o costume do batismo infantil entre os apóstolos e entre as igrejas primitivas de nossa era cristã. Orígenes, nascido na Grécia no ano 185 A.D., cujo pai, avô e bisavô eram cristãos, que se remontavam ao tempo dos apóstolos, diz que receberam dos apóstolos o costume de batizar crianças e diz que era costume universal das igrejas. Diz ele: “Conforme os usos da igreja, o batismo é ministrado até mesmo às crianças”. Conta que ele próprio fora batizado na infância.
Justino Mártir, que nasceu na Palestina, em Siquém, que provavelmente vira o apóstolo João, escreveu em 138 A.D., que havia então “Cristãos de ambos os sexos, alguns de sessenta, outros de setenta anos de idade, que haviam se tornado discípulos desde a sua infância”. O que significa “haviam se tornado discípulos desde a sua infância?” Simplesmente que foram batizados na infância. Diz mais: “Somos circuncidados pelo batismo com a circuncisão de Cristo”.

Leia-se ainda de Justino Mártir: “Nós também que por Ele tivemos acesso a Deus, não temos recebido a circuncisão carnal, que Enoque e os que como ele observaram, mas a circuncisão espiritual; e todos a receberam pelo batismo”.
Em 250 A.D., Cipriano e outros estiveram em um concilio eclesiástico, e Fido, um dos antigos pais, escreveu-lhes que as crianças não deveriam ser batizadas antes dos 8 dias de idade “e que se deveria observar a lei da antiga circuncisão”; ao que eles responderam: “A nosso irmão Fido, saúde: Como somos de opinião contrária ao que pensas que a regra da circuncisão deve ser observada, e que as crianças não devem ser batizadas antes dos oito dias de idade; e como a graça do batismo não deve ser apartada de ninguém e especialmente das crianças, a nossa decisão é que, não apenas podem ser batizadas antes dos oito dias de idade, como também imediatamente após terem nascido”.

Hermas (vd. Rom. 16:14), contemporâneo do apóstolo Paulo, fala de crianças que receberam o selo do batismo, nestas palavras: “Ora, esse selo é a água do batismo”.

Clemente, a quem Paulo menciona em Fil. 4:3, aconselhava os pais: “Batizai os vossos filhos e criai-os na disciplina e correção do Senhor”. Ele não aconselhou a “circuncisão carnal”. Por quê? Cristo aboliu essa parte do antigo cerimonial.

Ireneu, nascido em 97 A.D., um discípulo de Policarpo, que foi convertido do apóstolo João, diz: “A igreja aprendeu dos apóstolos a ministrar o batismo a crianças”. Ele diz ainda: “Porque Ele (Cristo) veio salvar a todos por Ele mesmo – todos, quero dizer, os que são regenerados (batizados) para Deus; criancinha e pequeninos, meninos e jovens e pessoas adultas”. Isto lança luz sobre os costumes judeus a respeito dos prosélitos – todos eram batizados, pais, moços e crianças.

Agostinho diz ainda: “desde a Antigüidade a igreja tem observado o batismo infantil”.

Pelágio, contemporâneo de Agostinho e um dos mais sábios da igreja do seu tempo, em uma carta a Inocêncio, dizia: “Difamam-me como se eu negasse o sacramento do batismo às crianças. Jamais ouvi dizer, nem mesmo de um herético ímpio, que não devem ser batizadas”. Ele continua: “Pois não há ninguém tão ignorante do escrito evangélico a ponto de ter essa opinião”.

Jerônimo dizia: “O batismo era ministrado às crianças conforme a prática da igreja”. Tanto Ambrósio quanto Crisóstomo nos dizem que “o batismo infantil pode ser traçado até os tempos apostólicos”.

ORIGEM DA OPOSIÇÃO AO BATISMO INFANTIL

Os nossos amigos que se opõem ao batismo infantil afirmam que é uma doutrina Romana originária da Igreja Católica Romana – “uma filha do papismo”, dizem.
A história refuta tal ideia. Decorreram centenas de anos depois do nascimento de Cristo antes de nascer a Igreja Católica Romana. Temos apresentado esmagadora evidência de que os apóstolos e os primeiros pais da igreja batizavam crianças. Temos os escritores de uma boa porção deles, e todos concordaram. Nenhuma evidência é mais clara do que a da igreja primitiva confirmando o batismo de crianças.

Agostinho, um dos líderes cristãos mais antigos dizia: “O costume de nossa igreja mãe de batizar crianças não deve ser desconsiderado nem tido como desnecessário; nem se deve crer que seja algo mais do que uma ordenança que nos foi entregue pelos apóstolos”. Diz ainda: “Não foi instituído por concílios mas sempre em uso”.
Tais afirmações de Agostinho e de outros foram feitas antes de jamais haver Igreja Católica Romana.

Agora nos propomos a demonstrar como e quando se originou a oposição ao batismo infantil. Citamos do Dr. Wall, conhecido como uma das maiores autoridades mundiais sobre o batismo infantil: “Nos primeiros quatro séculos depois de Cristo, aparece um único homem (Tertuliano) que aconselha o adiamento do batismo infantil em alguns casos; um Gregório, que, talvez, praticou tal demora no caso de seus próprios filhos; mas nenhuma sociedade de homens assim pensava, ou nenhum homem dizia que era ilícito batizar crianças; assim, nos setecentos anos seguintes, não se encontra nem um único homem que se referisse a tal demora, ou a praticasse – mas justamente pelo contrário. E, quando pelo ano 1130, uma seita entre os Valdenses, ou Albigenses, se declarava contra o batismo de crianças por ser incapaz de salvar, a parte principal daquele povo rejeitou esta opinião, e os que de entre eles sustentavam essa opinião diminuíram rapidamente e desapareceram; não havendo mais ninguém que sustentasse tal afirmação até surgir o Anabatista Alemão no ano de 1522.” Na declaração acima tendes a origem da oposição em uma casca de noz. Tertuliano, nascido em 145 A.D., e morto em 220 A.D., era um crente no batismo infantil, mas cria na regeneração batismal, e a sua idéia era procrastinar o batismo até pouco antes da morte, pois ele cria que purificava o pecado. Aconselhava o batismo infantil no caso de uma criança moribunda. Mil anos ou mais depois da era apostólica, é o único que ainda aconselhava a demora no batizar crianças.
Hoje 5% dos cristãos nominais do mundo se opõem ao batismo infantil. Há trezentos anos um por cento a ele se opunham e cerca de seiscentos anos atrás não havia, podeis afirma-lo, oposição absoluta.

OBJEÇÕES FEITAS AO BATISMO INFANTIL


Eu já mostrei que não havia objeção ao batismo infantil durante centenas de anos, após o nascimento de Cristo. Chego agora às objeções modernas ao batismo infantil, sendo todas elas, relativamente, entre as objeções imersionistas.

Afirmam que não há mandamento na Bíblia para o batismo de crianças. Tendo apresentado evidencias bastante, para provar pela Bíblia que Deus o ordenou em suas direções para a organização de uma igreja visível. O próprio Deus batizou cerca de 100.000 crianças, de uma só vez. (I Cor. 10:1-2).
Cristo ordenou-o quando disse: “Portanto ide e ensinai (fazei discípulos) todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo”. O próprio Cristo ordenou que as crianças fossem recebidas em seu nome(Marc. 9:37).
Pretende-se que as crianças não podem compreender o significado do batismo. Nem as crianças judias podiam entender o significado da circuncisão e a outra parte da cerimônia que dizia respeito ao batismo de água, apesar de o Senhor exigir que os pais desse modo dedicassem os filhos. Pretende-se ainda, que as crianças não exercem o direito de escolherem por si mesmas. Escolhem as crianças por si mesmas em outros assuntos, tais como lavar o rosto, a qualidade de comida que comem, sair ao tempo, chuva, frio e neve, ir a escola? Os pais cuidam de seus filhos quanto às coisas materiais, e por que não quanto às religiosas? Por que se deveria deixar as crianças ao acaso no que diz respeito ao bem-estar de suas almas? Deus tê-las-ia deixado à mercê da sorte? Deixou claro em seu pacto com Abrão que os filhos deveriam ter a proteção da igreja.
Pergunta-se: “Que bem faz à criança o batismo de água?” Que bem fará ao adulto?
Respondam a esta pergunta e ajudá-los-ei a responder à primeira.

Dizem os objetores que as crianças não podem guardar os mandamentos, portanto não podem ser batizadas. Lemos em Atos 15:24: “Pensais circuncidar-vos, e observar a lei”. Podia uma criança daquele tempo guardar a lei? De fato, não. Não se pode esperar hoje que as crianças dessa idade guardem os mandamentos mais que se esperava das crianças judias observassem a lei. Deveriam ser criadas na disciplina e correção do Senhor, e levadas a “conhecer o Senhor”. Isto é o que o Senhor espera de nós hoje – dediquemos a Ele os nossos filhos, criemo-los no caminho do Senhor e levemo-los a “conhecer o Senhor”.
Concluindo, citamos de “O Batismo Infantil”, pelo Ver. C. W. Miller: “Perece, pois, que a igreja fundada sobre o pacto com Abrão, e que por 1900 anos, em administrando a lei daquele pacto, recebia crianças como seus membros e lhes aplicava o selo dessa recepção, é a Igreja de Deus hoje, não tendo sofrido nenhuma mudança nem em sua grande lei constitucional, nem em seus membros. Isto sendo verdade, segue-se inevitavelmente que o batismo infantil é a lei de atual igreja de Deus”.


BENEFÍCIO DO BATISMO INFANTIL



Uma pergunta que freqüentemente ouvimos a respeito do batismo infantil é esta: “Que beneficio traz?” Isto é, substancialmente, indagar a atitude de Deus para com as crianças, porque qualquer pessoa pode perceber que estava Ele tão interessado pelas crianças que as incluiu no pacto com Abrão no começo da igreja visível organizada.
Por que edificar um templo a Deus? por que dedicar um navio, um monumento de pedra, ou qualquer outra coisa? Não tem as crianças mais valor do que pedra e edifícios? O tabernáculo e os vasos sagrados do tabernáculo eram dedicados, tanto quanto o altar. Jacó estabeleceu uma pedra em Betel e a dedicou. Saul, Davi, Salomão, Eliseu, Jacó e Moisés foram todos dedicados, e tudo isto foi feito por meio de aspersão e derramamento. Ide à Bíblia e procurai, vós mesmos, e vereis com os vossos próprios olhos. Maria dedicou o pequeno Jesus. Não nos pergunteis a respeito destas coisas, perguntai a Deus e à Bíblia. Nos anos passados, penitenciárias foram visitadas e fizeram-se pesquisas a respeito de influência do batismo infantil sobre os indivíduos. Visitaram-se as penitenciárias do Tennessee e do Kentuchy, e não se encontrou nenhum protestante que houvesse sido batizado na infância. Eis a afirmação de um pregador:

“Afirmou-se que não havia na penitenciária um protestante que houvesse sido batizado na infância. Meu filho era guarda na penitenciária de Frankfort, e pedi-lhe para ver se havia. Investigou o assunto, e jamais encontrou ali um protestante que houvesse sido batizado na infância, durante os muitos anos em que ali trabalhou como guarda.”

O próprio fato de que uma criança se lembra de que seus pais a dedicaram ao Senhor, exerce grande influência para levá-la a Deus. O Dr. J. A. Burrow, quando editor do Midland Methodist contou de uma Igreja Batista em Chicago que dedicava crianças a Deus mas não usava água. Prossegue o depoimento: “Duas mães foram chamadas a frente para a oração de consagração dos seus filhinhos”. Que mal faz usar a água? Deus, Cristo, e a Igreja Primitiva não viam nenhum mal, senão bem.


Via:www.metodistavilaisabel.org.br/docs/batismo_por_aspersao_e_de_criancas_swift.pdf

Comentários