A Justificação e as Boas Obras - David J. Engelsma

Introdução

Que grande verdade do Evangelho é a justificação pela fé somente! Que presente abençoado de Deus para nós é a justificação pela fé somente. E que abençoada obra do Espírito de Jesus Cristo em nossa consciência é a justificação pela fé somente.
Justificação é o ato estritamente legal de Deus, como juiz, no qual Ele perdoa os pecados de quem crê em Jesus Cristo e o considera justo apenas com base na obediência de Jesus Cristo no lugar deste pecador. É assim que Davi descreve a justificação no Salmo 32:1-2, onde ele proclama quão feliz é o homem a quem Deus atribui a justiça sem as obras:
"Como é feliz aquele que tem suas transgressões perdoadas e seus pecados apagados! Como é feliz aquele a quem o Senhor não atribui culpa".
E é assim que o apóstolo Paulo descreve a justificação em Romanos 4:5, recorrendo a esta passagem nos Salmos:
"Todavia, àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio, sua fé lhe é creditada [imputada ou contada]como justiça".
A única base deste ato de Deus, o juiz, em pronunciar o pecador ímpio - no entanto um pecador crente - justo, é a obediência de Jesus Cristo no lugar do pecador. A base é tanto a obediência de Cristo à lei de Deus, ao longo de Sua vida, quanto a morte de Cristo como sendo a satisfação plena e perfeita da justiça de Deus em relação à culpa do pecador eleito. Paulo escreve em Romanos 5:19 que é pela obediência de um só, isto é, Jesus Cristo, que muitos são "constituídos"10 justos, da mesma forma como todos nós fomos constituídos culpados pela "desobediência de um só homem". A única justiça que é válida no tribunal celestial de Deus, o juiz - o qual é temível em Sua santidade - é a justiça adquirida pelo próprio Deus por meio da obediente vida e morte de Seu próprio Filho encarnado, Jesus Cristo.
Esta justiça, é a própria justiça de Deus, assim como Paulo ensina em Romanos 3:25. Deus declarou Sua justiça especialmente na propiciação da cruz. Em Romanos 10:3, a acusação do apóstolo contra os judeus e contra todos os que de alguma maneira fazem de sua própria obediência, no todo ou em parte, sua justiça perante Deus, é que eles estão "ignorando a justiça que vem de Deus" e "procurando estabelecer a sua própria". O pecado deles é que eles não se submetem à justiça de Deus.
Esta justiça, que é a própria justiça de Deus e a única justiça que é válida perante Deus de modo a obter o veredicto "inocente" e a deixar as portas da vida eterna abertas para o pecador; esta justiça, eu digo, é concedida ao pecador por meio da fé, e por meio da fé somente. Este é o ensino do apóstolo em Romanos 3:28: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé somente sem as obras da lei"11. A fé em Jesus Cristo é o meio, o instrumento, pelo qual o pecador recebe a justiça por meio da imputação, de modo que sua posição perante Deus, o juiz, é como se ele nunca tivesse pecado, como se ele mesmo tivesse obedecido perfeitamente a lei de Deus e, como se ele mesmo tivesse pago plenamente por todos os seus pecados e merecido a vida eterna. A medida que Romanos 3:28 contrasta fé com "as obras da lei", o apóstolo de fato ensina que a justificação é pela fé somente.
Quando Martinho Lutero traduziu Romanos 3:28 pela palavra allein em alemão, que é a palavra "somente", tornando o texto, "o homem é justificado pela fé somente sem as obras da lei", ele capturou o significado do Espírito Santo e traduziu o texto corretamente. Esta compreensão de Romanos 3:28Gálatas 2:16 e outros textos, ou seja, que esses textos ensinam que somos justificados pela fé somente, é confessional para todos os reformadas. O Catecismo de Heidelberg, por exemplo, responde à pergunta "Como é que você é justo diante de Deus?" Desta maneira: "Somente pela verdadeira fé em Jesus Cristo"12. Que grande verdade do Evangelho é esta. Lutero e toda a Reforma Protestante declararam que a justificação é o coração do Evangelho bíblico. Calvino concordou, chamando a justificação pela fé somente, em suas Institutas:
"A principal dobradiça sobre a qual a religião se dependura".
Como um puro ato da graça de Deus, a justificação pela fé somente glorifica a Deus. A justiça de um pecador, da qual todas as bênçãos e a salvação dependem, é o dom gratuito de Deus. A justiça do pecador perante Deus é a própria justiça de Deus adquirida por Deus na encarnação e na morte expiatória de Seu Filho. Enquanto o ato da justificação, a obediência - que é a base da justificação - e até mesmo a própria fé do pecador - pela qual ele recebe a justiça - são dons gratuitos de Deus pela graça soberana; a justificação aponta para a eleição eterna de Deus em graça como a fonte da justificação, e esta amplia a graça de Deus.
Como um puro ato da graça de Deus, a justificação pela fé somente dá paz ao crente. "Ainda que a minha consciência me acuse de ter transgredido grandemente todos os mandamentos de Deus, e não guardado nenhum deles, e ainda esteja inclinado a todo o mal", eu estou confiante de que eu sou justo diante de Deus, com base na obediência de Cristo. Este é o testemunho do Catecismo de Heidelberg13. Sem a justificação pela fé somente, se dependêssemos nem que fosse de uma boa obra nossa, "sempre duvidaríamos, sendo levados de um lado para o outro, sem certeza alguma, e nossa pobre consciência estaria sempre aflita"14.
Mas agora, aonde ficam as boas obras do crente justificado, nesta verdade da justificação pela fé somente? Existe ainda algum lugar para as boas obras? Este lugar para boas obras é importante, ou mesmo necessário? Ou são as boas obras, e o chamado para realizar boas obras, excluídos, ou talvez minimizados? A pergunta é esta: Qual é a relação entre a justificação pela fé somente e as boas obras?
Isto, meus amigos, aparte de qualquer controvérsia sobre o assunto, é uma questão importante em si mesma. O mesmo Evangelho que exclui as boas obras da justificação,inclui boas obras na nossa salvação por meio do Espírito. O mesmo Evangelho que nos adverte contra trazermos boas obras para justificação, nos adverte contra deixarmos as boas obras fora de nossas vidas.
Somado à urgência de uma correta compreensão da relação entre a justificação e as boas obras, está o ataque contra a justificação pela fé somente por determinados inimigos desta verdade. Este ataque contra a justificação pela fé somente é motivado, supostamente, em nome das boas obras. A urgência é agravada hoje dentro da comunidade de igrejas reformadas, por causa de um ataque à justificação pela fé somente, em nome de uma ênfase em boas obras vinda de dentro das próprias igrejas reformadas. Na verdade, este ataque à justificação pela fé somente está sendo provocado por proeminentes e influentes teólogos reformados, professores de seminários e ministros do Evangelho. Estes homens são porta-vozes de um movimento conhecido como "Visão Federal", que é, literalmente, "Visão Pactual", porque é o desenvolvimento de uma determinada doutrina do pacto. Intrínseco a esta doutrina do pacto está um ataque à justificação pela fé somente. Este ataque é defendido como uma promoção das boas obras na vida do cristão.
Este ataque contra a justificação pela fé somente é encontrado hoje na Orthodox Presbyterian Church15, na Presbyterian Church in America16, nas United Reformed Churches17 e nas Orthodox Christian Reformed Churches18. O ataque à justificação pela fé somente não é apenas encontrado nessas igrejas, mas também é tolerado por elas. E não é apenas tolerado por essas igrejas, mas no caso de pelo menos três delas, o ataque à justificação pela fé somente tem sido encorajado pelas principais assembleias - pelos consistórios, presbitérios e sínodos.

O Ataque à Justificação em Nome das Boas Obras

O principal ataque à verdade do Evangelho da justificação pela fé somente por seus inimigos de todos os tempos, é o argumento de que a justificação pela fé somente enfraquece, se não destrói por completo, o zelo por uma vida santa de boas obras.
De começo, devemos reconhecer a aparente validade dessa acusação. A justificação pela fé somente afirma que as obras do pecador que é justificado, não tem parte alguma na justificação do pecador. Nem todas as boas obras que ele possa fazer um dia, e nenhuma das obras pecaminosas que ele já tenha feito - nem que aquela obra pecaminosa não seja tão grave - têm parte na sua justificação por Deus. Com base nesta doutrina, a mente carnal, o pensamento carnal, o homem natural diz: "Isso inevitavelmente resulta em uma vida negligente por parte daqueles que adotam esta doutrina".
Até o presente momento, surgiram três notáveis defensores ​​das boas obras, como eles gostam que acreditemos, que se opõem a justificação pela fé somente porque a doutrina é prejudicial às boas obras.
O primeiro destes inimigos da justificação pela fé somente é a Igreja Católica Romana. Na Reforma, e posteriormente, Roma condenou a verdade da justificação pela fé somente como sendo a destruidora do zelo por uma vida de santidade. É a essa acusação de Roma que o Catecismo de Heidelberg respondeu:
"Esse ensinamento [isto é, a doutrina da justificação pela fé somente] não torna as pessoas negligentes e ímpias?"19
Eu não levo a sério a preocupação fingida de Roma por uma vida de santidade e por boas obras. Nem ninguém deveria levar a sério a preocupação fingida de Roma por boas obras. Quando Roma coloca a máscara de piedade e mostra preocupação de que os reformados protestantes têm falta de santidade, eu dou gargalhadas. É uma piada que tal igreja sórdida no tempo da Reforma, tenha criticado o protestantismo por impiedade. É ridículo que tal igreja com sodomia e homossexualidade generalizada, a qual encobria a iniquidade dos níveis mais altos, até que a imprensa secular denunciou suas perversões, tenha censurado os cristãos reformados por negligência. É pura hipocrisia que tal igreja que aceita Ted Kennedy e a maior parte da máfia como membros de boa reputação, e que dará a esses homens refinadas missas de funeral quando morrerem e perecerem eternamente, tenha sequer dado um pio sobre a justificação e as boas obras. No entanto, nós estamos interessados ​​nas acusações de Roma, porque elas são as mesmas acusações que também têm sido levantadas por outros inimigos da justificação pela fé somente. De fato, as acusações de Roma são as mesmas que foram levantadas contra o próprio apóstolo Paulo enquanto ele proclamava a doutrina da justificação na epístola aos Romanos.
O segundo notável ataque à justificação, o qual supostamente ocorre porque a doutrina é prejudicial à santidade de vida e boas obras, vem dos arminianos. Isso não é tão popular entre nós, porque nós nos concentramos na negação deles da eleição, expiação eficaz aos eleitos somente, graça soberana e a perseverança dos santos. Mas os arminianos negam a justificação pela fé somente também. E eles a negam, de acordo com eles, porque veem esta como prejudicial à responsabilidade humana e a vida de santidade. Os Cânones de Dort falam deste aspecto da heresia arminiana e condenam o erro que "considera a fé e a obediência da fé, ainda que imperfeitas, como a perfeita obediência à lei e que a considera digna da recompensa da vida eterna por meio da graça"20. John Wesley era um verdadeiro filho de Jacó Armínio e Simon Episcopius em sua negação da justificação pela fé somente, como sendo destrutiva à ideia de John Wesley de santidade.
O terceiro eminente ataque à justificação pela fé somente tem vindo, nos últimos trinta anos ou mais, de dentro das próprias igrejas reformadas, de fato, de dentro de igrejas reformadas e presbiterianas que são amplamente famosas por serem as igrejas presbiterianas e reformadas mais conservadoras. Refiro-me ao movimento que promove uma teologia conhecida como "Visão Federal", um movimento que é influenciado por um entendimento sobre Paulo, especialmente em Romanos e Gálatas, que difere do entendimento que Lutero tinha sobre Paulo, que Calvino tinha, que toda a tradição reformada tem tido, especialmente, que as confissões reformadas têm. Essa é chamada "A Nova Perspectiva Sobre Paulo". Pelo fato dessa negação da justificação pela fé somente ter surgido, e estar sendo nutrida no seio das igrejas reformadas supostamente conservadoras, e pelo fato dela se basear em uma popular, na verdade a predominante, doutrina do pacto, este ataque à justificação pela fé somente é o mais perigoso ataque aos cristãos reformados professos de hoje. Na verdade, eu considero esta heresia como a mais grave ameaça à fé reformada desde o Sínodo de Dort.
O ataque à justificação pela fé somente em nome das boas obras, como eles dizem, sempre tem o mesmo formato, e sempre usa os mesmos argumentos. Se ele está saindo da boca de um teólogo católico romano, da boca de um teólogo arminiano, ou da boca de um porta-voz das igrejas reformadas conservadoras a favor da "Visão Federal", o argumento é sempre o mesmo.
O argumento fundamental contra a justificação pela fé somente é este: o crente somente será motivado a ser zeloso pelas boas obras se ele supor que a sua justificação depende dessas boas obras, ou é obtida por meio dessas boas obras, ou se ele for impulsionado pela terrível condenação que suas boas obras o tornarão digno de ser justificado por Deus. Este é o argumento fundamental. A única motivação para o zelo em fazer boas obras é a suposição de que as boas obras são a base ou o fundamento da justiça, que essas boas obras são a condição para a salvação, que essas boas obras fazem de alguém digno da vida eterna. Se este argumento é errado - e o Evangelho da Escritura diz que ele é absolutamente errado -, todo o argumento contra a justificação pela fé somente entra em colapso.
Ligado a este argumento fundamental estão vários outros constantes argumentos contra a justificação pela fé somente. Por exemplo, o argumento segue que quando Paulo ensina a justificação pela fé somente sem as obras da lei, ou aparte da lei, ele está excluindo apenas certos tipos de obras, as obras-cerimoniais como a circuncisão, obras que são realizadas com o objetivo de merecimento, ou obras que são realizadas por pessoas não regeneradas. De acordo com aqueles que levantam esse argumento, Paulo não pretendia excluir da justificação as verdadeiras boas obras, as obras realizadas pelo cristão por amor a Deus.
Outro argumento segue-se desta maneira. Quando Deus promete - como de fato promete - nos dar um galardão por nossas boas obras, o significado é que nossas boas obras adquirem a salvação, nos tornam dignos da salvação, ou são a base da nossa salvação em parte, de modo que a nossa justificação é pelo menos em parte através das boas obras, e não somente pela fé.
Em seguida há esse argumento. Quando a Bíblia ensina em 2 Coríntios 5:10, e em outras passagens, que o nosso julgamento final ocorrerá "de acordo com" as nossas obras, isso significa que o juízo final, que decide o nosso destino eterno, será baseado, em parte, nas obras que realizamos. E pelo fato do julgamento final ser apenas a versão pública da justificação que vivemos hoje, uma vez que o julgamento final será baseado em nossas obras, logo a nossa justificação hoje também é baseada em nossa própria experiência, a justificação é baseada em obras.
De especial interesse para nós, é o argumento contra a justificação pela fé somente vindo dos homens da "Visão Federal". Seu argumento contra a justificação pela fé somente é um argumento a partir de uma certa doutrina do pacto. É o argumento de que, uma vez que o pacto de Deus com o Seu povo é condicional, ou seja, um pacto que depende da própria obediência e fé da criança batizada, também a justificação no pacto é condicional. Ou seja, a justificação de Deus das crianças batizadas depende do ato da criança de crer, e da obediência da criança a Deus, ao longo de sua vida, dentro do pacto.
Ora, isso não é completamente novo, uma vez que a noção de um pacto condicional e uma salvação condicional dentro do pacto tem sido encontrada e defendida por igrejas reformadas por um longo tempo. Esta é a doutrina contra a qual as Protestant Reformed Churches lutaram arduamente no final de 1940 e início de 1950. É essa doutrina do pacto que agora está sendo desenvolvida numa completa negação da justificação pela fé somente, e com esta verdade central do Evangelho, uma negação de todos os chamados "cinco pontos do calvinismo". O que é novo é que a doutrina de um pacto condicional seja agora aplicada à verdade da justificação com o resultado de que os homens corajosamente negam a justificação pela fé somente.
Eu demonstrei que a negação da "Visão Federal" à justificação pela fé somente é o desenvolvimento da doutrina de um pacto condicional em meu livro, The Covenant of God and the Children of Believers21.
O ponto de vista sobre a justificação defendida por todos aqueles que atacam a justificação pela fé somente é este: a justificação não é um ato estritamente jurídico de Deus, mas também uma obra de renovação e santificação, na verdade, uma obra para fazer o pecador bom. A justificação, neste caso, não depende inteiramente da obediência de Cristo por nós e fora de nós, mas isso também depende, em parte, de nós mesmos, de nossa própria obediência e de nossas próprias boas obras. E, por esse ponto de vista, a justificação não consiste apenas da obediência e da justiça de Jesus Cristo, a perfeita justiça de Cristo estabelecida por meio de Sua vida de obediência e Sua morte expiatória em nosso lugar, mas sim, a justiça que é legalmente declarada por Deus na justificação é também, em parte, a nossa própria - a nossa própria justiça imperfeita, estabelecida por nossas próprias boas obras imperfeitas.
Qual é a resposta da fé reformada ortodoxa a este ataque à justificação pela fé somente em nome das boas obras, seja pela Igreja Católica Romana, pelos arminianos22, ou pelos defensores de um pacto condicional?
Primeiramente, nós respondemos que o próprio ataque contra nós e nossa doutrina da justificação confirma que estamos defendendo a mesma verdade do Evangelho da justificação que o apóstolo Paulo defendeu e confessou, especialmente em Romanos e Gálatas. O ensinamento de Paulo sobre a justificação atraiu o mesmo ataque, exatamente o mesmo ataque. "Paulo" acusou seus oponentes: "vocês anulam a lei pela fé" (Rm 3:31). "Paulo", eles exclamaram: "você está pregando que podemos e que vamos continuar no pecado, para que a graça aumente" (Rm 6:1). Falando por mim e pelas Protestant Reformed Churches23, nós nos regozijamos de que a nossa confissão sobre a justificação ainda esteja atraindo esse ataque. Se a nossa confissão sobre a justificação não atraísse esse ataque, eu ficaria preocupado de que houvesse algo errado com a nossa doutrina da justificação. A confissão e a pregação de pouquíssimas igrejas reformadas hoje sobre a justificação, atraem este ataque. Pouquíssimas igrejas reformadas estão tão clara e nitidamente pregando e confessando a justificação pela fé somente e a salvação pela gratuita, soberana e incondicional graça, de modo que os adversários os acusam de ensinar uma doutrina que resulta em uma vida negligente.
Em segundo lugar, a nossa resposta a este ataque é a do próprio Paulo: "De maneira nenhuma!". Nós não denegrimos uma vida de boas obras em obediência à lei de Deus. Pelo contrário, por meio do ensino da justificação pela fé somente estabelecemos uma vida de zelo pelas boas obras.
Em terceiro lugar, nós não respondemos a esses ataques comprometendo a doutrina da justificação pela fé somente - nem sequer um pouquinho. Mas defendemos a doutrina contra estes ataques. A justificação é pela fé somente. Todas as nossas obras são excluídas, incluindo as nossas verdadeiras boas obras, as obras que fazemos no poder do Espírito de Cristo. A única base da nossa justiça para com Deus é a obediência de Cristo, e não a nossa própria obediência, seja ela qual for. A única obra que é a nossa justiça diante de Deus é a obra realizada para nós por outro, Jesus Cristo.
No que diz respeito aos argumentos específicos que são levantados contra a justificação pela fé somente, nós respondemos que, quando Paulo exclui as obras da lei, e a lei da justificação, ele está falando de todas as nossas obras. Gálatas 3:10-12 prova isso, pois nessas passagens da lei, sobre a qual ele diz no verso 11, que não tem lugar na justificação do pecador, obviamente, refere-se a toda a lei de Deus, incluindo os dez mandamentos. No versículo 10, Paulo cita Deuteronômio 27:26: "Maldito quem não puser em prática as palavras desta lei". "As palavras da lei" incluem todos os mandamentos, e não apenas os mandamentos cerimoniais. Portanto, quando o apóstolo nega, no verso 11,que ninguém é justificado "pela lei", ele esta falando de toda a lei.
Quanto à recompensa prometida, nós respondemos que a Bíblia realmente nos promete uma recompensa por nossas boas obras. Mas esta recompensa é uma recompensa da graça, não uma recompensa que adquirimos, nem uma recompensa que merecemos, e nem um salário que Deus nos dá pelo nosso trabalho. A recompensa é da graça, porque Deus, em Sua graça eternamente ordenou as boas obras para que as praticássemos (Cf.Ef 2:10). A recompensa é da graça, porque por meio de Sua morte, Jesus Cristo adquiriu para nós o direito de realizarmos boas obras (Cf. Tt 2:14). É um privilégio fazer boas obras a serviço de Deus. A recompensa é a recompensa da graça, porque o próprio Espírito de Cristo realiza essas obras em nós e através de nós (Cf. Fp 2:13). A recompensa é uma recompensa da graça, porque quando Deus aceita nossas obras, Ele primeiro justifica, ou absolve, todas as boas obras quanto à corrupção e pecado que mancha cada uma delas. E a recompensa é uma recompensa da graça, porque quando Deus nos dá a recompensa, que é a vida eterna e o lugar que temos em glória, Ele o faz, não porque Ele deva isso a nós, mas em livre favor24.
No que diz respeito ao argumento contra a justificação gratuita que apela para o julgamento final e para o fato de que seremos julgados segundo as nossas obras, é certamente verdade que o nosso julgamento no último dia do mundo, será a justificação daqueles que creem em Jesus Cristo. Esta será uma justificação pública. Hoje, quando eu creio em Jesus Cristo, eu sou justificado em particular. Eu e Deus sabemos que eu sou justificado pela fé em Cristo. Mas chegará um dia em que eu estarei diante de Deus, o juiz, na presença de todo o mundo, eleitos e réprobos, demônios e anjos, e então Deus tornará público a justificação que agora é privada. Esta justificação no juízo final será um ato estritamente legal de Deus. Isso não vai ocorrer, nem a Escritura nunca o disse, por causadas nossas obras, ou com base nas nossas obras. Mas isso acontecerá de acordo com nossas obras como uma espécie de critério. Nesse julgamento final, a base única para a nossa justificação será o que é hoje, ou seja, a obediência de Jesus Cristo em nosso lugar. Graças a Deus por isso! Se isso não fosse verdade, nós não teríamos nenhuma esperança. Mas, naquele dia, as boas obras que realizamos com a graça de Deus serão exibidas por Deus, absolvidas de toda a corrupção que as contaminaram, de modo que essas obras apresentarão e demonstrarão a realidade do gracioso julgamento e salvação de Deus a nós para o Seu louvor.
Ao ataque à justificação que surge da doutrina de um pacto condicional, nós replicamos, primeiro, que com base em um pacto condicional, a negação da justificação pela fé somente e de todas as doutrinas da graça, se seguem. Se o pacto é condicional, a justificação é pela fé e obras. E se o pacto é condicional, logo a eleição é condicional, a expiação condicional, a salvação do pecador condicional, e a vida eterna condicional.
Segundo, a nossa resposta é que o próprio fato de um pacto condicional implicar em justificação por fé e obras, prova que a doutrina de um pacto condicional é uma falsa doutrina. Isto é a introdução, nas igrejas reformadas, de um Evangelho de salvação por meio da própria vontade e obra do homem.
Terceiro, a nossa resposta é que o pacto é incondicional. Deus promete e cumpre o pacto para com Jesus Cristo e todos os eleitos em Cristo por mera graça, assim como Gálatas 3:16 e Gálatas 3:29 ensinam. Gálatas 3:16 ensina que a promessa do pacto à semente de Abraão era uma promessa a Cristo, que é a semente de Abraão. A promessa do pacto nunca foi direcionada a toda a descendência física de Abraão. De acordo com Gálatas 3:29, aqueles, e somente aqueles, que pertencem a Cristo por divina eleição são incluídos na semente de Abraão e são objetos da promessa. Hoje toda a igreja reformada e presbiteriana conservadora mundial é advertida por Deus, através da teologia da "Visão Federal", que a doutrina de um pacto condicional é a rejeição do Evangelho da salvação pela graça. E toda a igreja reformada mundial está sendo testada com relação à confissão fundamental das igrejas reformadas ao longo das eras, que a salvação é pela graça somente.
Quarto, nossa resposta ao ataque à justificação pela fé somente é que de nossa parte acusamos aqueles que ensinam a justificação pela fé e obras de estarem destruindo a paz e a certeza da salvação dos filhos de Deus, de estarem roubando de Deus Sua glória, e serem, assim como Calvino acusa todos os que ensinam a justificação pela fé e obras, fariseus. Todo aquele que ensina e crê na justificação por obras, de qualquer forma, é um fariseu. De acordo com o nosso Senhor, em Lucas 18:14, os fariseus não são justificados. Como pode alguém ser justificado se ele depender de suas próprias obras contaminadas pelo pecado e ousar - como Robert Trail colocou - fazer a sua lamentável santidade sentar-se ao trono do juízo, juntamente com o precioso sangue do Cordeiro de Deus?

A Verdade de Tiago 2

Eu tenho, até o momento, ignorado deliberadamente o principal argumento sempre usado a favor da justificação por fé e obras, e contra a justificação pela fé somente. Este é um argumento bíblico. É o apelo a Tiago 2:14-26. Quero agora considerar o ataque à justificação pela fé somente constituído por um apelo a Tiago 2, e ligado a este apelo, a verdade de Tiago 2 sobre a justificação.
O apelo é que Tiago 2, ensina que tanto Abraão, ao oferecer Isaque por ordem de Deus, e Raabe, em receber e guardar os espiões israelitas, foram justificados por obras (v. 21, 25).Tiago 2 ensina que a partir desses eventos importantes na história do Antigo Testamento, esclarecidos como justificação por obras, vemos "que é pelas obras que o homem é justificado, e não somente pela fé" (v. 24). Aparentemente, Tiago 2 ensina que a justificação é pelas obras, e não somente pela fé. E, aparentemente, no capítulo 2, Tiagoensina uma doutrina que é claramente contrária ao ensino do apóstolo Paulo, que, emRomanos 3 4, em Gálatas 2 e em outras passagens, ensina que a justificação não é por obras, mas pela fé somente.
Não é de estranhar que os inimigos da justificação pela fé somente deem tanta ênfase aTiago 2Tiago 2 é a passagem decisiva para todos eles. Roma citou Tiago 2 para Martinho Lutero sem parar, até que em um ponto, em desespero, o reformador repudiou Tiago como uma "epístola de palha" (acusação a qual ele não manteve). Da mesma forma, os defensores contemporâneos da justificação por obras, das igrejas reformadas, se agarram em Tiago 2. Isso por si só é altamente significativo. Esses defensores da justificação por obras das igrejas reformadas se alinham à Roma contra o Evangelho da Reforma.
A explicação de Tiago 2 dada pelos inimigos da justificação pela fé somente é a seguinte: Tiago ensina a justificação, como sendo um ato de Deus pelo qual o pecador se torna justo, é de fato por meio das boas obras do pecador, de modo que a justiça do pecador é, em parte, sua própria obediência à lei de Deus. De acordo com os defensores da justificação pela fé e obras, Deus leva em conta as obras do pecador no ato da justificação. Tiago deve ser harmonizado com Paulo, desta forma, apesar dos dois estarem falando de justificação no mesmo sentido, eles têm diferentes obras em vista. As obras que Paulo exclui da justificação em Romanos 3:28 são apenas as obras cerimoniais e as obras que são feitas para merecer a salvação. Por outro lado, dizem eles, as obras queTiago tem em vista são as verdadeiras boas obras que procedem da fé.
Esta era a explicação de Tiago 2 que Roma sempre deu. Esta é a explicação de Tiago 2, que os defensores da "Visão Federal" agora estão dando. Nossa justiça perante Deus é, em parte, a obediência de Cristo e em parte a nossa. Nossa justificação, hoje e no dia do julgamento, depende em parte da obra de Cristo por nós e em parte das nossas próprias boas obras. No ato justificador de Deus, pelo qual nos tornamos justos, nossas próprias obras estão inseridas. Seus olhos santos as veem, não como pecados a serem perdoados, mas como atos que tem de ser aceitáveis a Deus, para fazer-nos dignos da vida eterna. E nós vamos ao julgamento, agora e no último dia do mundo, com as nossas boas obras em mãos, advogando essas obras como atos dos quais nosso destino eterno depende.
Não é isso demasiadamente terrível de se contemplar? Eu e você enfrentaremos o julgamento final desta maneira? Devo morrer com esse terrível pensamento em minha alma: o meu destino eterno jaz naquilo que fiz, em mim mesmo? Não é este um enorme insulto - o insulto de uma incredulidade hipócrita - à perfeita justiça que Deus adquiriu em Cristo?
Este não é o ensino de Tiago 2.
Em primeiro lugar, o que quer que Tiago ensine no capítulo 2, está em harmonia com o que Paulo ensina, porque o Espírito não pode Se contradizer na Bíblia. Paulo está ensinando sobre a justificação quanto ao ato de Deus de nos absolver da culpa contando-nos justos. Isto é claro na linguagem de Paulo em Romanos 3 e 4: "imputa"; "perdoa"; "àquele que não trabalha, mas confia em Deus que justifica o ímpio" nosso pai Abraão não foi "justificado pelas obras" (Romanos 4 :1-8).
Em segundo lugar, Tiago está falando da justificação em um sentido diferente de Paulo.Tiago está falando da prova e demonstração do crente de sua gratuita justificação pela fé somente. O homem que foi justificado pela fé somente, mostrará esta justificação. Ele a mostrará a outros homens. Ele provará esta justificação a si mesmo. E ele mostrará esta justificação a Deus, seu juiz. Ele mostrará sua justificação pelas boas obras que são sempre o fruto da justificação.
Esta sempre foi a explicação dos pais reformados sobre Tiago 2. Em seu comentário sobreTiago 2:14-26, João Calvino escreveu que a justificação pelas obras em Tiago 2 está falando da "prova [que Abraão] deu a sua justificação". A justificação pelas obras em Tiago 2 significa "que a justiça é conhecida e provada por seus frutos".
A própria passagem mostra que este é o verdadeiro significado de TiagoTiago está argumentando contra os membros da igreja que, apesar de professarem a fé, na verdade têm uma fé "morta", uma fé que não produz nenhuma boa obra, mas se contenta em viver impenitentemente no pecado. Tiago desafia esse tipo de membro da igreja: "Mostre-me a sua fé sem obras", e acrescenta: "e eu lhe mostrarei a minha fé pelas obras" (v. 18).
O próprio Tiago chama a atenção para o fato de que Abraão foi justificado pelo ato legal de Deus de perdoar os pecados, e imputar a justiça pela fé, muito antes de Abraão ter oferecido seu filho Isaque na montanha. Bem no meio de sua doutrina da justificação,Tiago cita Gênesis 15:6:
"Cumpriu-se assim a Escritura que diz: Abraão creu em Deus, e isso lhe foi creditado como justiça."
Isso aconteceu muitos anos antes de Isaque nascer. Abraão creu na promessa de Deus. E a fé de Abraão, aparte de qualquer obra, incluindo o sacrifício de Isaque, foi imputada a Abraão como justiça.
Tiago está ensinando exatamente o que Jesus havia ensinado em Lucas 7:47 sobre a mulher pecadora que O amava porque Ele tinha perdoado todos os seus pecados, e que havia ungido os pés d'Ele com o óleo precioso: "Os muitos pecados dela lhe foram perdoados, pelo que ela amou muito". Ele não quis dizer que seu amor fora a base de seu perdão. Mas Ele quis dizer que o amor dela era a prova e a evidência do perdão dos seus muitos pecados. A segunda parte de Lucas 7:47 expõe, sem margem de dúvida, que isto era o que Jesus quis dizer: "Mas aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama".
Este é o ensinamento de Tiago 2. As boas obras, que não têm parte alguma no ato do pecador ser considerado justo perante Deus - pois isso é somente pela fé -, são o inevitável fruto e demonstração da justificação. Através das boas obras de terna gratidão Àquele que graciosamente perdoou seus pecados, Abraão, Raabe, e todo verdadeiro crente é justificado demonstrativamente.
Portanto, Tiago 2 é uma passagem importante, para nos ensinar a correta relação entre a justificação pela fé somente e uma vida de boas obras.

A Relação entre Justificação e Obras

As boas obras, de fato, uma vida toda consistente com boas obras - boas obras na vida pessoal, boas obras na escola, boas obras no namoro, boas obras no casamento, boas obras na casa e na família, boas obras no trabalho, boas obras na igreja, boas obras em meio e contra os ímpios, uma cultura depravada e uma sociedade em que temos o privilégio de brilhar como a luz na escuridão - ou seja, as boas obras são frutos da justificação pela fé somente. Elas são frutos e evidências de nossa justificação pela fé somente. Nossas boas obras não são a condição para a justificação, nem a base para justificação, nem o conteúdo da justificação, mas seus frutos.
As boas obras são os frutos da justificação de duas maneiras.
Primeiro, a fé pela qual somos justificados é uma fé viva e verdadeira. Sendo uma fé viva e verdadeira, ela nos une ao ressurreto e vivo Jesus Cristo, a fim de que por meio da fé nós também possamos receber a graça purificadora e fortalecedora de Cristo, para viver uma vida piedosa. Quem Ele justifica, Ele também santifica. Embora nós sejamos justificados pela fé sem obras, a fé que justifica nunca fica sem suas obras.
Segundo, as boas obras são frutos da justificação desta forma: o pecador perdoado, livre da culpa e vergonha do pecado, e, portanto, livre da morte e do inferno, e para quem agora o céu está aberto, e sobre quem a alegre face de Deus agora brilha, adorará o seu gracioso Salvador. E este amor grato por Deus é o motivo de uma vida de boas obras. Oh, ele é um forte motivo para o zelo por boas obras. Este foi o ensinamento de Jesus sobre a relação entre a justificação e as boas obras na parábola dos dois devedores em Lucas 7:42: "Nenhum dos dois tinha com que lhe pagar, por isso perdoou a dívida a ambos. Qual deles o amará mais?". Se somos perdoados, amaremos. E se somos perdoados muito, amaremos muito. Sem o amor por Deus por uma justificação graciosa, nem sequer uma boa obra é possível. Devemos ouvi-Lo dizer à nossa alma: "Meu filho, minha filha, adotado na cruz, eu livremente perdoo todos os seus pecados. Eu concedo a ti a justiça de Meu Filho". Então seremos zelosos por boas obras - não podemos fazer nada mais, senão, ser zelosos por boas obras.
O fato é que - e que os defensores da justificação pelas obras ouçam - cada obra que é feita a partir da motivação de ganhar, da motivação de reembolso, da motivação de cumprir uma condição, da motivação de se tornar digno, da motivação de fundamentar nossa salvação, a fim de fazer uma promessa universal graciosa eficaz para si mesmo, cada tipo de obra como esta é má, é pecado. O amor trabalha na única maneira agradável a Deus. E o amor confessa a verdade da salvação pela graça somente. O amor obedece à lei. O amor presta atenção aos preceitos e segue o exemplo de Jesus no Evangelho.
O pregador não tem razão para temer que, se ele pregar a justificação pela fé somente, a doutrina produzirá negligência em sua congregação.
Isso não quer dizer que não haverá aqueles que abusam da doutrina, mostrando-se negligentes em suas vidas. O fato de alguns fazerem isso explica a presença de Tiago 2na Bíblia.
Não pode ser esquecido que Tiago 2 é um aviso necessário sobre justificação e boas obras. Havia na igreja daquele momento, aqueles que estavam confessando em alta voz a salvação graciosa, mas não estavam conseguindo viver em boas obras, sobretudo estavam tratando com crueldade os membros da igreja. Ainda há tais pessoas dentro da igreja. Eu mesmo já argumentei contra essas pessoas, e esses foram alguns dos conflitos mais ferozes de todo o meu ministério. Oh, como eles falavam da graça soberana. Mas então, em suas vidas não mostravam nenhum fruto de boas obras. O pregador e a assembleia devem admoestá-los em uma linguagem forte:
"Você faz uma confissão ortodoxa, enquanto vive perversamente? Satanás também o faz. Você não sabe, oh homem fútil, que a fé sem obras é morta?"


Por meio desta própria advertência, escrita nas páginas da inspirada Escritura, que vem a todos nós, nós que temos uma fé viva somos despertados mais ainda a uma vida de boas obras, a fim de mostrar a nossa fé. Isto glorifica a Deus, que salva, não só do castigo do pecado, mas também da poluição e escravidão do pecado. E Ele salva da poluição e poder do pecado, da mesma forma que Ele salva da culpa do pecado: por meio do Evangelho da graça, não pela lei.


10 A palavra mais próxima do original é "constituídos" e não "feitos", como aparece na maioria das versões.
11 Tradução livre.
12 Catecismo de Heidelberg, Q&R. 60.
13 Ibid, Q&R. 60.
14 Confissão Belga, Art. 24.
15 Tradução: Igreja Presbiteriana Ortodoxa.
16 Tradução: Igreja Presbiteriana da América.
17 Tradução: Igreja Reformada Unida.
18 Tradução: Igreja Cristã Reformada Ortodoxa.
19 Catecismo de Heidelberg, Q. 64.
20 Cânones de Dort, Cap. 2, Rej. de Erro 4.
21 Tradução: O Pacto de Deus e os Filhos dos Crentes.
22 Os arminianos são 90% ou mais dos cristãos professos na América do Norte que se chamam evangélicos e fundamentalistas.
23 Tradução: Igrejas Protestantes Reformadas.
24 Catecismo de Heidelberg, Q&R. 63.
Via:cprf.co.uk


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