DE
TITO
Por Prof. Moisés C. Bezerril
A NATUREZA DESTE TRABALHO
A proposta deste trabalho é de ser um manual prático, objetivo e simples na compreensão das dificuldades contidas no texto grego da epístola de Tito. Na verdade, os comentários reunidos aqui, foram direcionados para trabalhos exegéticos strictu sensu, com o objetivo também de disponibilizar informações importantes para o fiel pregador da epístola.
O material disponível nestes comentários consiste num auxílio prático para os pregadores que precisam de uma resposta rápida no preparo de seus estudos bíblicos e sermões, ao se depararem com as tradicionais dificuldades manuscritológicas da epístola de Tito.
COMO USAR ESTE MATERIAL CRÍTICO
Este comentário manuscritológico destina-se ao uso exclusivo com o aparato crítico do NA27. Todos os comentários aplicam-se tão somente às leituras variantes positivas e negativas comentadas pela comissão do NA27.
SUA JUSTIFICATIVA
Este trabalho justifica-se pela necessidade de respostas ao debate manuscritológico em Tito. Qualquer pregador da palavra de Deus deverá dar respostas à igreja pelas dificuldades causadas devido às diferenças entre as várias versões do Novo Testamento disponíveis em língua portuguesa
Neste trabalho não procuramos seguir qualquer linha manuscritológica sobre a identidade a identidade do Novo Testamento, adotando a perspectiva de que perderíamos muito se defendêssemos um ponto de vista em detrimento do outro. Todos os documentos do Novo Testamento têm seu valor para o trabalho de reconstrução do texto original. Em certas passagens alguns são prioritários sobre os outros em termos de data; em outras, a evidência interna é quem determinará o texto a ser seguido, não sendo respeitado qualquer tipo de discriminação ou rejeição de documentos do texto sagrado.
Em alguns lugares do texto bíblico, o autor deste trabalho segue orientação oposta à comissão do NA27, por entender que, a interpretação manuscritológica, naqueles locais, não atende às exigências de uma a análise rigorosa.
Este trabalho não pretende ser exaustivo, mas apenas uma incitação ao debate acadêmico em baixa crítica do Novo Testamento.
A EPÍSTOLA DE TITO
A epístola de TITO faz parte de um conjunto de três epístolas (I e II Timóteo, Tito) intituladas de Cartas Pastorais .Tais escritos receberam essa designação no século XVIII, por D.N. Bernot e seguido por Paul Anton[1]. Seu conteúdo é denatureza disciplinar eclesiástica que preocupa-se com asituação espiritual da igreja . Chama-se de Pastorais porque foram dirigidas a Tito e Timóteo, os quais tinham funções pastorais , e foram designados para nomear e ordenar outros oficiais . Pela unidade da doutrina apresentada nas três , elas foram um conjunto harmonioso de regras para a vida daigreja .
P32 (!), P6
a A C D F G H I Y 048 088 0240
0278
33 1739 1881
A comissão do NA27 fez apenas duas mudanças notexto do aparatus do NA25 para o NA27 em Tito 2:3 e 3:9, asquais serão comentadas no corpo deste trabalho .
COMENTÁRIO DO APARATUS CRÍTICO DO NA27
NA EPÍSTOLA DE PAULO A TITO
Tito 1:1
É evidente que as fórmulas apostoloV Ihsou Cristo e apostoloV Cristou Ihsou são usadas por Paulo umapela outra em todas as suas epístolas . Certamente , algum escriba quis dar um único formato às fórmulas paulinas encontradas em I e II Timóteo com a de Tito.
Tito 1:2
ep elpidi zwhV aiwniou hn ephggeilato o ayeudhV qeoV pro cronwn aiwniwn.
A preposição ep é substituída por en em F, G H, 365, emais alguns manuscritos sem muita importância , e ausente no 33 e alguns poucos .
A evidência externa para esta variante é muito recente .
TITO 1:4
Titw gnhsiw te knw kata koinhn pi stin cariV kai eirhnh apo qeou patroV kai Cristou Ihsou tou swthroV hmwn
Neste texto temos uma tradicional tentativa daunificação da fórmula cariV eleoV eirhnh apo qeou/de I e II Timóteo com temos cariV kai eirhnh de Tito.
A evidência externa para esta unificação deve-se, nasua maioria , à tradição bizantina , a qual é responsável por tentar harmonizar Tito com I e II Timóteo, sem levar em conta que , mesmo sendo uma carta pastoral como são as cartas a Timóteo, Tito tem características sui generis, as quais devemser consideradas, e que foram muito desrespeitadas pelos copistas .
TITO 1:5
Toutou carin apelipon se en Krhth ina ta lei ponta epidiorqwsh kai katasthshV kata polin presbuterouV wV egw soi dietaxamhn
No versículo 5 as variantes apelipon e apeleipon têm, basicamente, o mesmo apoio manuscritológico, sendo que ostestemunhos mais antigos dão suporte a apelipon . Mesmo que as variantes katelipon e kateleipon tenham apoio datradição bizantina e de uns poucos manuscritos recentes ,ainda assim seria improvável o emprego destes termos noverso 5, pois o verbo kateleipow aplica-se muito mais a “abandono ” do que a “deixar ”, sendo este último o sentido exigido pelo texto .
TITO 1:9
antecomenon tou kata thn didachn pistou logou ina dunatoV
h kai para kalein en th didaskalia thu giainoush kai touV
antilegontaV elegcein
No verso 9 temos apenas o códice A sustentando asubstituição de en th didaskalia th ugiainoush pela expressão touV em pash qliyei. É possível que o escriba fez a mudança de “exortar pelo ensino são ” para “encorajar aqueles em todas em todas as tribulações ” por causa doverbo parakalein. Fica evidente que este verbo compõe um período que trata de “exortar ”, e não “encorajar ” ou “confortar ” (o que pode ser claramente visto pela expressão kai touV antilegontaV elegcein
TITO 1:10
Eisin gar polloi kai anupotaktoi mataiologoi kai frenapatai malista oi ek thV peritomhV
No verso 10 a conjunção kai que era omitida no NA25,agora é inclusa no NA27, mesmo havendo um bom número de testemunhos antigos contra tal variante . Poucos manuscritos recentes e bizantinos dão sustento a estavariante . A razão para incluir esta variante deve ser tão somente advinda das considerações das evidências internas(kai é conectivo entre o verso 9 e 10). Ainda no verso 10 oartigo thV tem um bom apoio manuscritológico antigo ,enquanto é omitido pela tradição bizantina . Com base nasevidências internas, o uso de thV seria obrigatório , tendo em vista que Paulo está fazendo referência definida aomovimento da circuncisão .
TITO 1:11
ouV dei epistomizein oi tineV olouV oi kouV anatrepousin didaskonteV a mh dei aiscrou kerdouV carin
O verso 11 tem apenas um acréscimo no manuscrito 460 (séc XIII) ta tekna oi touV idioV goneiV ubrizonteV h tuptonteV apistomize kai elegce kai nouqetei wV pathr tekna.
TITO 1:12
No verso 12 apenas a preposição de é acrescentadaantes de tiV ex autwn idioV autwn profhthV por a* F G 81 epoucos manuscritos menos importantes ; por outro lado omanuscrito 103 acrescenta no mesmo lugar a conjunção gar.De acordo com as evidências internas, nenhuma dessasconjunções caberia dentro do argumento do apóstolo , e soariam como um péssimo grego .
TITO 1:13
h marturia auth estin alhqhV diV hn aitian elegce autouV apotomwV ina ugiainwsin en th pi stei.
Neste verso , o manuscrito a* e mais uns poucos omitem a preposição en, resultando a expressão th pi stei em um dativo instrumental que deveria ser traduzido por “sadios pela fé ”, o que ficaria sem sentido , pois o instrumento citado pelo apóstolo é a repreensão , e não a fé .
TITO 1:14
mh proseconteV IoudaikoiV mu qoiV kai entolaiV anqrwpwn apostrefomenwn thn alhqeian
Os manuscritos bizantinos F e G trazem entalmosin nolugar de entolaiV enquanto os manuscritos 075, 1908 e mais uns poucos de menor importância empregam o termo genealogiaV, está sendo praticamente insustentável . Quanto ao emprego de entalmosin é improvável , pois Paulo está falando de “mandamentos de homens ”, e não de “princípios de homens ”, pois ele está fazendo referência “aos dacircuncisão ” que eram peritos em criar leis e mandamentos (entolaiV).
TITO 1:15
panta kaqara toiV kaqaroiV toiV de memiammenoiV kai apistoiV ouden kaqaron alla memiantai autwn kai o nouV kai suneidhsiV
No verso 15, contrariamente à decisão da comissão doNA27, é mais provável que men tenha sido empregado originalmente antes de kaqara, o que é sustentado pelos corretores a² e D² e pela tradição bizantina . A evidência externa para a omissão de men, em sua maioria , não é tão antiga , tendo apenas a* como o mais antigo , e A, C E D*.Como o texto de a tem uma correção , sua leitura original édiscutível .
A ausência de papiros nos faz recorrer às evidências internas, as quais dão sustento a inserção de men, por considerar o texto como um período de fortes contrastes , oque exige a presença do conjunto men..de.
TITO 1:16
qeon omologousin eidenai toiV de ergoiV arnountai bdeluktoi onteV kai apeiqeiV kai proV pan ergon agaqon adokimoi
A conjunção kai é omitida nas citações de Ambrósio e no a*, enquanto que agaqon está ausente em a* e no 81. Essas variantes não trazem nenhuma dificuldade para termos certeza de que o texto original , por suas evidências internas exige a presença dos dois termos ; do contrário a frase ficasem sentido .
TITO 2:3
presbutidaV wsautwV en katasthmati ieroprepeiV mhdiabo louV mh oi nw pollw dedoulwmenaV kalodidaskalouV
O termo ieroprepeiV (acusativo ) é substituído pelo dativo ieroprepei/ em C, 33, 81, 104 e uma minoria oposta àtradição bizantina , bem como a totalidade dos latinos , a siríaca peshito, a copta saídica e em Clemente. Pelasevidências internas podemos constatar que esta troca consiste num erro gramatical cometido pelos escribas que tentaram fazer a concordância dos dativos katasthmati ieroprepei ao invés da concordância dos acusativos presbutidaV ieroprepeiV. Desde o verso 2, Paulo costumausar os adjetivos sempre concordando em caso , gênero enúmero com presbutidaV o que , dificilmente seria diferente em relação ao mesmo termo no verso 3.
TITO 2:4
ina swfronizwsin taV neaV fila ndrouV ei nai filoteknouV
TITO 2:5
swfronaV agnaV oikourgouV agaqaV upotassomenaV toiV idioiV andrasin ina mh o logoV tou qeou blasfhmhtai
Os manuscritos a², D², H, 1739, 1881, Byz, e Cl preferem a leitura oikourouj “doméstica ” ou simplesmente “asque ficam em casa ”. Os manuscritos a*A, C, D*, F, G, I, Y, 33 81 e pc dão sustento a oikourgouV, “as que trabalham em casa ”. O léxico em língua portuguesa da editora Vida Nova refere-se aos dois termos como sendo usado um pelo outro, tanto no Novo Testamento como no texto de Tito 2:5. Essa afirmação é errônea, e baseia-se numa disputa não resolvidapor parte de alguns autores que preferem incluir tais termos como possíveis leituras no texto . Com base nas evidências externas , o suporte mais antigo é para oikourgouV. Asevidências internas do texto também apontam para estavariante , tendo em vista que as recomendações paulinas são para mulheres que trabalham no lar , ordenando-lhes que façam isso muito bem .
TITO 2:7
peri panta seauton parecomenoV tu pon kalwn ergwn en th didaskalia afqorian semnothta.
pantaV eauton
O escriba usa a terceira pessoa quando deveria ser aSegunda , e emprega o acusativo plural quando deveriaempregar o singular ;
panta eauton
O escriba emprega erroneamente a terceira pessoa ;
pantaV seauton
O escriba emprega erroneamente o acusativo plural ;
pantwn seauton
O escriba emprega erroneamente o genitivo plural . Esta variação ainda poderia ser uma possibilidade no texto de Tito,mas não tem apoio da evidência externa .
adiafqorian
Consiste de uma variante muito recente e aplica-se aoaspecto moral , e não seria consistente aplicá-la a ensino ,como é o caso do texto de Tito;
afqonian
Mesmo tendo um papiro (p³²) a seu favor , esta variante consiste em um erro visual que certamente foi transmitidopara outros documentos mais recentes . O significado destavariante (“liberdade de inveja ”) jamais faria sentido no texto de Tito.
afqarsian
A inserção desta variante foi um ato deliberado doescriba , pois este termo não faz sentido no contexto de Tito 2:7, tendo em vista que é mais um termo teológico daescatologia paulina. Esta variante é notoriamente umavariante de origem bizantina . Sua evidência externa é muito recente .
TITO 2:8
logon ugih akatagnwston ina o ex enantiaV entraph mhden ecwn legein peri hmwn faulon
TITO 2:9
doulouV idioiV despotaiV upotassesqai en pasin euarestouV ei nai mh antilegontaV
Tendo em vista a transposição verificada dosdocumentos A, D, P, 326, 1739, 1881 e alguns poucos sem muita relevância , e notando a sua modernidade em relação àescrita vista no texto , defendida por a, C, F, G, Y, e Mj,constata-se a superioridade da opção textual no NA27 tanto pela antiguidade quanto pela quantidade de testemunhos aseu favor .
No contexto do verso , a probabilidade maior , a qual é exigida pela lógica do argumento , é que idioiV sejaempregado com função atributiva, o que exigiria a ordem idioiV despotaiV.
Há ainda no mesmo verso uma conjectura de pontuação diferente do texto adotado pela comissão , que sugere oemprego de uma vírgula no seguinte local :
upotassesqai, en pasin. Este emprego da vírgula é umaincoerência , pois não seria uma ordem dada a escravos .
TITO 2:10
mh nosfizomenouV alla pasan pi stin endeiknumenouV agaqhn ina thn didaskalian thn tou swthroV hmwn qeou kosmwsin en pasin
1 mhde – em C², D*, F, G, 33, pc syp
2 pasan endeiknumenouV pi stin agaqhn em F, G
3 pasan agaqhn pi stin endeiknumenouV agaqhn em 629
4 pi stin pasan endeiknumenouV agaqhn em Y e Mj
5 pasan endeiknumenouV agaqhn em a*
6 pasan pi stin endeiknumenouV agaqhn em 33
7 thn didaskalian tou swthroV em 1739, 1881, Mj
· Quanto à variante 1, o escriba empregou mhde para não repetir mh no verso 10, mas fazendo isto incorreu num erro gramatical , pois o segundo mh(no v. 10) contrasta com alla, e não com mh noverso 9. Sua evidência externa é muito recente .
· Quanto às variantes 2, 3, e 4, a evidência externa émuito fraca e recente , não tendo apoio dedocumentos importantes .
· Quanto às variantes 5 e 6, elas constituem erros importantes . Em a*o escriba deixou a frase sem sentido quando suprimiu pi stin; e no 33 o escriba cometeu dois erros ao suprimir pi stin e aoacrescentar agaqhn (o que possivelmente foi um erro auditivo ).
· Quanto à variante 7, a omissão do artigo thn muda completamente a compreensão da expressão “adoutrina , a que é de Deus ” (thn didaskalian thn touqeou), para “a doutrina de Deus ” (thn didaskalian tou qeou). Com a ausência do artigo, Paulo estaria tratando apenas de teontologia; mas é evidente que o apóstolo refere-se a toda arevelação de Deus . A evidência externa não dásuporte muito importante a esta variante .
Tito 2:11
Epefanh gar h cariV tou qeou swthrioV pasin anqrwpoiV
A evidência externa indica que a variante swthroV é a mais antiga de todas, embora esteja em um manuscrito com correção. É possível que o escriba tenha acrescentado i na variante swthroV.
A suspeita de que houve alguma melhoria na varianteswthroV é que a variação dela (swthrioV) é uma variante Bizantina. O adjetivo swthroV é mais usado em Paulo para qualificar qeoV, do que cariV. Isso podemos deduzir do próprio contexto de Tito 2, no qual encontramos a expressãoθεou swthroV em 1: 3, 4; 2: 10, 13; 3: 4, dando a entender que o Apostolo Paulo, possivelmente, usa swthroV para enfatizar o atributo salvador do Pai e do Filho, e nunca da graça. Uma prova disso é que a expressão swthroV qeoV ou qeoV swthroV ocorre nas pastorais por oito vezes, e nenhuma com swthroV.
Tito 2:13
prosdecomenoi thn makarian elpida kai. epifaneian thV doxhV tou megalou qeou kai swthroV hmwn Ihsou Cristou
Embora a evidência externa seja fraca para determinar a melhor variante como sendo Iesou Cristou -pois os documentos são tardios e Bizantinos (a 2 A C D y0278, 33.1881. M bat Sg; Cl Lf Ambst Epiph) - a evidência interna indica que essa variante é o texto original do apóstolo Paulo, pelo fato de podermos encontrá-la 23 vezes nas epístolas pastorais (dez vezes em I Tm; onze vezes em 2 Tm; e duas vezes em Tt). O estilo paulino é Ιησοῦ Χριστουnas pastorais.
Tito 2:15
Tauta lalei kai. parakalei kai elegce meta pashj epitaghV mhdeiV sou perifroneitw
Quanto a variante didaske, encontrada apenas no códice Alexandrino, sua evidência documental não é suficiente para credenciá-la como uma leitura original. Já no caso da variante katafponeitw. A evidência externa é de segunda ordem, limitada apena ao códice (025) P e em poucos manuscritos de pouco valor documental que diferem da tradição Bizantina. Os dados apontam para o fato de que o verbo katafponew é paulino (Rm. 2.4; 1 Cor. 11.22; 1 Tm. 4.12, 6.2), enquanto perifronew aparece unicamente (segundo NA27) em Tito 2.15. Como não provas de que uma variante, é mais seguro sugerir que a evidência externa é decisiva em determinara a originalidade de perifronew .
Tito 3:1
Upomimnh|ske auvtouV arcaiV exousiaiV upotassesqai peiqarcein proV pan ergon agaqon etoimouV einai
Este texto nos apresenta duas possíveis leituras. A primeira com a adição da conjunção kai, variante caracteristicamente bizantina. A segunda omite kai, tornandoarcaiς exousiaiς como um único grupo. Esta última se firma no argumento de que Paulo, por não ter empregado kai após os infinitivos seguintes do mesmo texto, possivelmente não a empregou também entre arcaiς exousiaiς dando-nos a entender que o apóstolo pretendia dizer “aos que governam as autoridades”. Embora à evidência externa aponte a leituraarcaiς exousiaiς como sendo a mais antiga, é provável que Paulo não a tenha empregado.
A leitura original parece ter sido arcaiς kai exousiaiς, pois encontramos essa variante em Ef. 3.10 e Col. 2.15, embora essas duas ocorrências se apliquem a forças espirituais. É possível, pois, que o escriba tenha acidentalmente omitido a conjunção kai na variante arcaiςkai exousiaiς na hora em que estava transcrevendo o texto.
Quanto às variantes de substituição kai peiqarcein epeiqarcein kai não há evidência externa ou interna confiável que Paulo não tenha empregado a conjunção kai nessas variantes.
Tito 3:3
Hmen gar pote kai hmeiV anohtoi apeiqeiV planwmenoi douleuonteV epiqumiaiV kai h`donaiV poikilaiV en kakia kai fqonw diagonteV stughtoi misounteV allhlouV
A inserção de kai neste texto é improvável, tendo em vista que Paulo, aqui, parece está listando as perversões gentílicas de quando ele e todos os outros crentes inda não tinham sido transformados pelo evangelho.
Apenas um manuscrito grego de primeira ordem sustenta a inserção, apoiado pela tradição latina.
Tito 3:5
ouk ex ergwn twn en dikaiosunh a epoihsamen hmeiV alla kata to autou eleoV eswsen hmaV dia. loutrou paliggenesiaV kai. anakainwsewV pneumatoV agiou
A variante wn é, indubitavelmente uma variante bizantina. Não há qualquer documento antigo que sustente tal variante, a não ser a própria tradição bizantina. O estilo bizantino pode ser percebido no tipo de conexão gramatical detalhada, no qual o conector está preocupado com a concordância do pronome relativo wn com o substantivoergwn, ambos no genitivo plural. Este tipo de conexão é caracteristicamente bizantino, não podendo corresponder ao texto original.
Quanto ao de dea, a evidência interna não esclarece, sendo possível o emprego dessa preposição, embora indubitavelmente a evidencia externa o reprove.
Tito 3:7
ina dikaiwqenteV th ekeinou cariti klhronomoi genhqwmen kat elpida zwhV aiwniou
A dificuldade com as variantes genhqwmen e genwmeqa é saber se a variante desse texto baseada em motivação teológica. Enquanto genhqwmen dá ênfase a não participação do homem na benção de tornar-se um herdeiro, genwmeqaaponta na direção arminiana, na qual o homem é participante ativo na aquisição do titulo de herdeiro. Como a variantegenwmeqa é bizantina, e recente, é bem provável que estejamos diante de uma variante teológica. A melhor leitura, portanto, é genhqwmen, sustentado por uma evidencia textual mais antiga.
Tito 3:8
PistoV o logoV kai peri toutwn boulomai se diabebaiousqai ina frontizwsin kalwn ergwn proistasqai oi pepisteukoteV qew tauta estin kala kai wfelima toiV anqrwpoiV
A variante ta é uma variante bizantina. É de natureza teológica, com a qual os escribas bizantinos tentaram dar um grau de importância maior às coisas referidas por Paulo no capitulo 3: 1-7. Pela evidencia externa não há documentos antigos que deem sustentação a esta variante, sendo a mesma encontrada apenas em documentos bizantinos posteriores ou recentes. Além disso, é duvidoso que Paulo tenha selecionado apenas as coisa referidas em 3: 1-7 como sendo os únicos e úteis para a vida cristã, considerando uma lista muito maior nas suas epistolas pastorais.
Tito 3.9
mwra.V de zhthseiV kai genealogiaV kai ereiV kai. macaV nomikaV periistaso eisin gar anwfeleiV kai mataioi
Temos aqui duas variantes de substituição. A primeira delas, logomaciaV encontrada apenas nos manuscritos F eG, é, claramente, uma harmonização com 1 Tm. 6.4, não sendo a leitura original. A segunda variante sugere que algum escriba tenha adicionado ereiV, plural, para concordar com as outras palavras antes e depois, que também estão no plural. Isso é improvável, pois, ao escrever sua carta, Paulo usaria termos mais abrangentes, que por sua vez teriam que ser no plural. A evidência externa para ereiV é esmagadora, emboraerin esteja no manuscrito mais antigo corrido, a*. PortantoereiV tem mais sustentação para ser a leitura original.
Tito 3.10
airetikon anqrwpon meta. mian kai deuteran nouqesian paraitou
A variante predominante neste texto é de ordem das palavras, com pouca evidência externa em desacordo com a tradição do NA27. Embora os pais da igreja (Irineu, Tertuliano, Cipriano e Ambrosio) tenham feito opção por apenas uma advertência do homem faccioso, as tradições manuscritológicas mais antigas trazem a ideia de que Paulo ordena duas admoestações, o que é largamente defendido pelas tradições manuscritológicas mais antigas, incluindo a tradição bizantina. A evidência externa é esmagadora, embora não tenhamos um texto bíblico de Paulo além de Tito 3: 10 que o fundamente mais ainda.
Tito 3.13
Zhnan ton nomikon kai Apollwn spoudaiwV propemyon ina mhden autoiV leiph
È possível que a variante pretendida por Paulo tenha sido leiph (presente do subjuntivo) pelas seguintes razões: O escriba poderia ter alterado leiph por liph da seguinte maneira:
1. O “e” poderia esta em péssimo estado, de tal maneira que o escriba se deteve apenas no “i”.
2. O escriba pode ter saltado mentalmente do “l” para o “i”,esquecendo o “e”;
3. Possivelmente a mente paulina de visão missionária estivesse pensando em um “estado” de suprimento das necessidades dos enviados, e não apenas de um momento de necessidade suprida; isso requereria o emprego do presente subjuntivo, e não o aoristo.
4. A evidência externa da pouca fundamentação ao aoristo subjuntivo.
Via:http://osignificadodabiblia.blogspot.com.br/
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