10 Razões para Rejeitar o Escrituralismo: Uma Resposta(7/10)




Por C.Jay Engel e Luke Miner

Objeção 7

A psicologia ocasionalista da crença está em conflito com a confiança dos escrituralistas na limitação internalista do conhecimento. Se alguém (incluindo o não-cristão) tem conhecimento, simplesmente em virtude de Deus, produzindo uma verdadeira crença nele, restrições adicionais no conhecimento são supérfluas. Em especial, a idéia de que alguém deve saber como sabe P ou que conhece P, para saber P, é falsificada por ocasionalistas. Portanto, uma pessoa independente de essa pessoa ter assumido a cosmovisão cristã, pode possuir bastante conhecimento. Naturalmente, se Deus produz uma crença verdadeira em alguém, isso não é suficiente para a produção do conhecimento, então o ocasionalismo não é nem mesmo uma teoria do conhecimento.

Resposta:

Esta objeção depende de uma má compreenção do escrituralismo. Rejeitamos a visão de que "alguém deve saber como conhece P ou que conhece P, para conhecer P" e a idéia de que se deve "assumir a cosmovisão cristã para ter conhecimento". Objetor parece estar em dúvida, isso não é objeção contra o escrituralismo.

Elaboração:

Na Parte 4 desta série, explicamos por que não é correto acusar os escrituralistas de acreditar que é preciso saber como ele conhece P para conhecer P. Além disso, como já mostramos na Parte 5, que os escrituralistas não são ocasionalistas. 
Como uma nota lateral, o oponente pode pensar que é importante afirmar que outros não-pressuposicionalistas podem ter conhecimento. Nós cordialmente concordamos. Como teólogos reformados, acreditamos que ninguém é salvo, a parte da fé salvadora (isto é, o conhecimento salvífico) que lhes é concedida pelo Espírito Santo. Portanto, todos os crentes, sejam eles empiristas, racionalistas, irracionalistas, etc., todos os crentes têm conhecimento, mesmo eles se autorefutando defendendo epistemologias inconsistentes.

Além disso, podemos ver como nossa negação da ideia de que é preciso "assumir a cosmovisão cristã para ter conhecimento" pode vir como uma surpresa para as pessoas que foram introduzidas a Clark através do pressuposicionalismo Vantiliano. O pressuposicionalismo Clarkiano ensina que uma crença é conhecida, se ela é verdadeira e foi obtida por um método que é garantido para excluir o erro. Portanto, se Deus comunica uma crença de Sua mente à nossa mente, essa crença é conhecida, por definição. O objetor está correto que nenhuma outra restrição é necessária. No entanto, acreditamos que uma pessoa deve assumir que a Bíblia é a Palavra de Deus se ela quiser construir uma boa defesa de sua fé. Talvez os Vantilianos confundam as linhas entre Epistemologia e Apologética quando dizem que se deve assumir a cosmovisão cristã para ter conhecimento. Talvez seja um pouco melhor dizer, como alguns deles, que é preciso assumir a cosmovisão cristã para justificar a sua reivindicação ao conhecimento. No entanto, isso é provavelmente impossível de provar. Em vez disso, o que realmente dizemos é que se pode justificar sua reivindicação ao conhecimento, se ele toma "A Bíblia é a Palavra de Deus" como seu axioma (isto é, pressuposto) e, como apologistas e evangelistas, procuramos mostrar como o conhecimento seria impossível se outras visões de mundo (tantos quanto nós sabemos) são verdadeiras.



Traduzido por: Natanael Benvindo

Revisão:Edu Marques

Comentários