Por C.Jay Engel e Luke Miner
Objeção
7
A
psicologia ocasionalista da crença está em conflito com a confiança dos
escrituralistas na limitação internalista do conhecimento. Se alguém (incluindo o
não-cristão) tem conhecimento, simplesmente em virtude de Deus, produzindo uma
verdadeira crença nele, restrições adicionais no conhecimento são supérfluas. Em especial, a idéia de que alguém deve saber como sabe P
ou que conhece P, para saber P, é falsificada por ocasionalistas. Portanto, uma
pessoa independente de essa pessoa ter assumido a cosmovisão cristã, pode possuir
bastante conhecimento. Naturalmente, se Deus produz uma crença verdadeira em
alguém, isso não é suficiente para a produção do conhecimento, então o ocasionalismo
não é nem mesmo uma teoria do conhecimento.
Resposta:
Esta objeção depende de uma má compreenção do escrituralismo. Rejeitamos a
visão de que "alguém deve saber como conhece P ou que conhece P, para
conhecer P" e a idéia de que se deve "assumir a cosmovisão cristã
para ter conhecimento". Objetor parece estar em dúvida, isso não é objeção
contra o escrituralismo.
Elaboração:
Na Parte 4 desta série, explicamos por que não é correto
acusar os escrituralistas de acreditar que é preciso saber como ele conhece P
para conhecer P. Além disso, como já mostramos na Parte 5, que os escrituralistas
não são ocasionalistas.
Como uma nota lateral, o oponente pode pensar que é
importante afirmar que outros não-pressuposicionalistas podem ter conhecimento.
Nós cordialmente concordamos. Como teólogos reformados, acreditamos que ninguém
é salvo, a parte da fé salvadora (isto é, o conhecimento salvífico) que lhes é
concedida pelo Espírito Santo. Portanto, todos os crentes, sejam eles
empiristas, racionalistas, irracionalistas, etc., todos os crentes têm
conhecimento, mesmo eles se autorefutando defendendo epistemologias
inconsistentes.
Além
disso, podemos ver como nossa negação da ideia de que é preciso "assumir a
cosmovisão cristã para ter conhecimento" pode vir como uma surpresa para
as pessoas que foram introduzidas a Clark através do pressuposicionalismo Vantiliano.
O pressuposicionalismo Clarkiano ensina que uma crença é conhecida, se ela é
verdadeira e foi obtida por um método que é garantido para excluir o erro.
Portanto, se Deus comunica uma crença de Sua mente à nossa mente, essa crença é
conhecida, por definição. O objetor está correto que nenhuma outra restrição é
necessária. No entanto, acreditamos que uma pessoa deve assumir que a Bíblia é
a Palavra de Deus se ela quiser construir uma boa defesa de sua fé. Talvez os
Vantilianos confundam as linhas entre Epistemologia e Apologética quando dizem
que se deve assumir a cosmovisão cristã para ter conhecimento. Talvez seja um
pouco melhor dizer, como alguns deles, que é preciso assumir a cosmovisão
cristã para justificar a sua reivindicação ao conhecimento. No entanto, isso é
provavelmente impossível de provar. Em vez disso, o que realmente dizemos é que
se pode justificar sua reivindicação ao conhecimento, se ele toma "A
Bíblia é a Palavra de Deus" como seu axioma (isto é, pressuposto) e, como
apologistas e evangelistas, procuramos mostrar como o conhecimento seria
impossível se outras visões de mundo (tantos quanto nós sabemos) são
verdadeiras.
Fonte original: http://scripturalism.com/10-reasons-to-reject-scripturalism-a-response-part-7-of-10/
Traduzido por: Natanael Benvindo
Revisão:Edu Marques

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