Introdução à Filosofia Cristã - Dr. C. Matthew McMahon

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O seguinte artigo é um sumário do livro “Uma Introdução à Filosofia Cristã” [de Gordon H. Clark]

1ª- Palestra um: Filosofia Secular

A epistemologia secular (epistemologia é geralmente definida como “como o conhecimento é possível”) tenta definir o universo generalizadamente numa fórmula materialística. Todo pensamento requer algum tipo de classificação para realizar-se. Esse é o porquê das “Ideias” de Platão, ou as primeiras categorias de Aristóteles terem um proeminente lugar na filosofia secular como ponto de começo para a discussão. Tal empirismo, é necessário para compreender a visão secular do homem, como esses em suas explanações das ideias epistemológicas. Embora a lei da não-contradição destrua o empirismo dos antigos, para entender como o fluxo do pensamento progrediu através do tempos, deve-se levar um tempo para avaliar Platão e Aristóteles, para não falar de Hegel e Dewey.

Depois do empirismo, o filósofo responsável deve levar em conta a Ciência. A categoria a priori de causa de Kant era suposto a definir a estrutura para a ciência onde o ceticismo de Hume falhou. Se alguém aceita esses conceitos a priori, então nada mais do que uma quantia de empirismo é necessário para garantir a universalidade da lei física, e a possibilidade de predicação. Mas Kant só queria fazer que a física fosse possível, não real; mas isso rudemente falha nas categorias (categorias de Kant) e não faz a física possível. Isso leva os cientistas a confiar na escolha observacional, ao em vez de alcançar a verdade última. Ao fazê-lo, uma lei natural não pode ser determinada por eles em tudo – de jeito ou de outro. Não há nada nos métodos científicos que permitem que os cientistas determinem usar uma lei sobre a outra. As leis da física nem são descobertas nem descrições. O cientista tem um número igual de escolhas a fazer, e por causa disso, falha em determinar abrangir a lei correta. Somente alguém onisciente poderia fazer isso. Se a ciência não pode explicar as obras da natureza, ou identificar compreensivelmente os elementos de sua composição, então materialistas, naturalistas e ateístas, que tem muitas vezes aclamado de forma dogmática a autoridade científica para suas visões, são deixados sem nenhum fundamento para trabalhar. Por exemplo, se a ciência não pode estabelecer uma metafísica mecanicista, então também não pode estabelecer uma lei da gravidade ou a segunda lei da termodinâmica.

A ciência substituiu consistentemente velhas leis por outras novas, à medida que novas informações emergiram. Como resultado, a ciência não é cognitiva. Se a ciência é meramente reconhecida como manipulação, então alguém pode assumir que é surpreendentemente bem-sucedido. No entanto, a “ciência do cientismo” (naturalismo como um processo cognitivo) é um completo fracasso.

A filosofia secular também falha nas suas tentativas em Ética. Depois de Kant, o próximo grande domínio da filosofia era o utilitarismo, que ensina que o bem é o maior prazer. Mas isso imediatamente falha porque ninguém pode “prever” ou “estimar”, os prazeres e as dores que duas linhas de ação produzirá para ele, muito menos o grande bem de uma nação. O utilitarismo não produz a moralidade, ou fundamento da moralidade, que seu sistema assume. O que é bom? Como o bom é definido? No momento em que essas questões são colocadas, o utilitarismo desmorona. Moralidade não pode ser deixada a um código social. Os estupradores não tem o luxo de afirmar que a violação para eles é prazerosa, logo, é o bem supremo. Uma sociedade utilitarista não permitiria isso, e por não permitir isso, se tornaria evidente a sua própria inconsistência. Reduzir a ética à uma preferência pessoal, é embaraçoso para qualquer visão filosófica. O existencialismo também faz isso ao tentar discernir a ética, porque rejeita uma verdade última. Mas, então, como a verdade pode ser conhecida de qualquer maneira, ou melhor, a verdade da moral?

A filosofia secular falha em estabelecer o conhecimento em geral, e mais particularmente, a religião. A metafísica e a religião gira em torno de uma identificação pessoal com um ideal. No entanto, se o “ideal” é desconhecido  ou  indefinível  num sentido absoluto, ou que esse “ideal” não tenha comunicado alguma proposição reveladora ao sujeito, como poderia o “ideal” ser conhecido de qualquer maneira relevante? O humanismo realmente é a “religião” do mundo secular. O homem, neste caso, é o ideal. No entanto, o humanismo tenta criar ideais como amizade, verdade e beleza. Como a amizade, verdade e beleza são universalmente e absolutamente definidos? Eles são definidos por uma ordem social? Se assim for, eles falham novamente em estabelecer uma norma para todas as pessoas, para todos os tempos. De novo, o estuprador tem uma palavra a dizer e Hitler é seu amigo também.

2ª- Palestra: O Axioma da Revelação

A experiência não pode dar uma maneira para julgamentos universais. Isso é uma impossibilidade porque nenhuma experiência é universal. Mesmo Hume demonstrou que nossa experiência é limitada ao passado e na inexistência do futuro, já que o futuro não aconteceu. Uma vez que tais pressupostos seculares defeituosos falharam em sua tentativa de justificar a realidade última, a única conclusão que se deixa é a revelação dada à humanidade.

A revelação torna o conhecimento possível ou estabelece normas éticas? Axiomas não podem ser deduzidos de teoremas anteriores. Isso significa que o axioma é julgado, não criado.
Pode-se tentar Deus ou tentar o ateísmo (que falha miseravelmente). Ou a revelação deve ser aceita como um axioma ou não há nenhum conhecimento possível de Deus (ou revelação natural ou revelação especial). Em ambos os caos, a revelação foi dada por Deus, através de Sua Palavra (ou a palavra falada na criação do universo ou o Logos e a revelação especial nas Escrituras). Um axioma abrangente desta maneira, engole todos os problemas que a filosofia secular traz à mesa de um só vez. A inspiração verbal não pode ser assumida antes de lhe dar e compreender a lei da não-contradição. As Escrituras sem lógica não poderia ter sentido. Esse é o ponto de João 1:1, “No princípio era [o logos]”. Literalmente isso é lógica. A lógica era, então, desde o princípio. Cristo é a eterna lógica de Deus. Essa lógica é conhecida ao homem (i.e. ilumina cada homem em sua racionalidade – a imagem de Deus é a sua lógica e a faculdade de pensamento sobre os animais (como Pascal disse “Toda a nossa dignidade consiste de pensamento”)), e revelado nas Escrituras mais especificamente. A Bíblia expressa a mente de Deus. Filipenses 2:5 “que a mesma mente esteja com vocês, como também estava em Cristo.” As Escrituras dão uma definição e conteúdo, sem a qual os axiomas são inúteis.

A religião cristã não é uma religião de emoções, mas fundamentalmente é aceitação de uma mensagem inteligível. Somente aqueles que imediatamente são trabalhados pelo poder Espírito Santo podem entender esta mensagem com uma mente transformada (João 3:3), mas é a fé derivada da mensagem da Bíblia que estabelece o que é para se crer.

3ª- Palestra: Várias Implicações

Várias tentativas na epistemologia “cristã” tem sido propagada. Herman Dooyeweerd tentou criar um axioma usando pontos históricos para o conhecimento. Mas por exemplo, Dooyeweerd deturpa o significado “histórico” e o que Gênesis é como uma narrativa. Como se pode determinar, de acordo com ele, a diferença entre um evento cósmico (que de acordo com Dooyeweerd era a base para todo ato temporal) e o que não é? Spengler e Toynbee também tentaram explicar como a história operava em relação à fé. Eles dizem que padrões na história são impossíveis, os eventos individuais não são importantes e toda explicação da história é subjetiva. Isso faz com que a história pareça bastante fraca, incluindo a natureza objetiva da cruz! Sem revelação, que é histórica, não há possibilidade de desenvolver qualquer significado para qualquer vida. Revelação explica o significado da história.

A revelação não só interrompe o humanismo da religião e da ética, mas também da política. Como se vê na natureza, isso determinará o governo e a política. Um é indispensável para o outro. A autoridade civil é determinada pelo decreto Divino, e sem esse decreto, qualquer um cairá nos apelos do totalitarismo ou na anarquia.

A teoria ética deve ter a vontade revelada de Deus para fazer sentido moral. Sem a revelação verbal a ética é impossível. A Escritura dá aos homens os requisitos necessários para determinar o que é verdadeiro ou falso baseado no conhecimento e no poder de Deus. Sem essa revelação, o subjetivismo governaria e a teoria ética de qualquer tipo é impossível, uma vez que se basearia na experiência subjetiva e não na verdade axiomática. Esse é o motivo, que os dez mandamentos provê uma base fundamental para o dever que Deus requer do homem,  e o motivo pelas quais os teóricos seculares fazem tudo que podem para destruir essas leis, a fim de estabelecer um subjetivismo e um relativismo que destrua as nações (Hilter, Stalin e Ghangis Khan).

Na religião, os axiomas são igualmente necessários. Eles são vitais. Sem um Deus que fale a verdade, alguém teria um deus que fala contradições que não se pode confiar, e de novo, uma volta ao subjetivismo ou existencialismo ou alguma forma de estrutura relativista para “cumprir”. Se Deus não deu ao homem uma revelação verbal para crer a respeito da verdade soteriológica, não haveria nenhuma maneira pelo qual o homem pudesse chegar a um completo conhecimento da verdade ou um axioma soteriológico sobre a verdade. A filosofia secular é demonstravelmente patética em suas tentativas para resolver os problemas relacionados ao conhecimento, história, ética e religião. A revelação verbal de Deus,  resolve todos esses problemas enfaticamente.


Tradução: Igor Wirandé

Revisão: Edu Marques

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