Dons Do Espírito - Línguas (1Co12.28) - Leandro Lima

O livro de Atos estabelece que o Dom de Línguas consistia em falar idiomas de outros povos (At 2.6,8,11). Quando judeus estrangeiros estavam em Jerusalém no Pentecostes, eles ouviram os discípulos proclamando as maravilhas de Deus em suas línguas nativas (Ver At 2.8-11). As línguas de Atos e dos Corintios são necessariamente as mesmas, pois a Bíblia não dá qualquer evidência de que o dom tenha mudado de Atos 2 para 1Corintios 12.14.O dom de línguas é uma capacidade de falar idiomas das nações, e é um dom de menor importância (1Co 12.28). Além disso, nem todos os crentes possuíam esse dom (1Co 12.29-30). Logo, a exigência para que se fale em línguas a fim de comprovar o batismo com o Espírito Santo, como se vê nos dias atuais, é completamente sem sentido e anti-bíblica. Apesar de que, muitos dos batizados com o Espírito no livro de Atos falaram em línguas, isso não aconteceu com todos (Ver At 4.31; 8.17; 9.17-19). Como os dons de milagres, o dom de línguas foi usado para autenticar a mensagem apostólica, e também para facilitar o entendimento dos estrangeiros. No dia do Pentecostes os estrangeiros (judeus e estrangeiros) ouviram os apóstolos falando sobre as grandezas de Deus e puderam entender em suas próprias línguas nativa. Línguas foram usadas como um sinal para os judeus incrédulos e, nesse sentido, foram usadas no evangelismo. Paulo diz: "Na lei está escrito: Falarei a este povo por homens de outras línguas e por lábios de outros povos, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor.De sorte que as línguas constituem um sinal não para os crentes, mas para os incrédulos; mas a profecia, não é para os incrédulos, e sim para os que creem" (1Co 14.21-22). Quando um judeu incrédulo entrasse na igreja e ouvisse alguém falando numa língua estrangeira, seria um sinal de que Deus estava fazendo uma obra no meio deles (Is 28.11-12). Esse sinal poderia levar o judeu a crer no Messias.
Alguns defendem que hoje existe um dom de línguas extáticas, baseado em 1Coríntios 14.2 que diz: "Pois quem fala em outra língua não fala a homens, senão a Deus, visto que ninguém o entende, e em espírito fala mistérios". Porém, esse texto diz apenas que a pessoa que está falando em línguas está dizendo algo misterioso para aquele que está ouvindo, porque aquela pessoa não entende a língua. Não é um mistério para Deus pela simples razão de que Deus entende todas as línguas. Por isso essa pessoa, as falar em línguas, fala somente a Deus e não aos homens. O fato de 1Coríntios 14.4 dizer que quem fala em línguas "edifica-se a si mesmo" levou muitos a pensarem que esse dom foi dado para benefício próprio. Entretanto, claramente a Bíblia diz que a edificação da igreja deve ser preferida e não a pessoal (14.12; Ef 4.11-12), pois os dons não são para uso próprio.
Paulo diz que falar em línguas na igreja não traz qualquer proveito (1Co 14.6), pois é como se alguém tocasse instrumentos sem saber tocar (1Co 14.7-9). Ele diz ainda que quando alguém orava em outra língua, apenas seu espírito estava participando, e isso não era desejável, pois a mente também precisava ser edificada (1Co 14.14-17). Essa última colocação sugere que a pessoa que falava em línguas não tinha o entendimento do que estava dizendo. Pensa-se que isso não se encaixe com a descrição do Pentecostes, mas não há nada no texto de Atos 2 que sugestione que os discípulos entendiam o que estavam dizendo. Eram os estrangeiros que entendiam, pois ouviram os discípulos falando em suas línguas maternas. Também deve ser dito que essa é a razão pela qual, em Atos 2, não havia a necessidade de intérprete, como Paulo exige em 1Coríntios 14.27-28). Essa última ocasião era dentro da igreja, com pessoas da mesma nacionalidade, enquanto que a primeira foi diante de estrangeiros que já conheciam aquelas línguas (At 2.8). Por fim, Paulo diz que falava em muitos idiomas, porém, preferia falar na igreja, em língua compreensível, cinco palavras do que dez mil em língua incompreensível (1Co 14.18-19). A comparação é bastante sugestiva.
O ataque mais frontal ao uso de línguas sem interpretação na igreja é uma afirmação de que, falar em línguas denigre o Evangelho causando escândalo entre os incrédulos (1Co 14.23). Porém, como o dom ainda estava em operação naqueles dias, Paulo o regulamenta dizendo: "No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente , e haja quem interprete. Mas, não havendo interprete, fique calado na igreja, falando consigo mesmo e com Deus" (1Co 14.27-28). Esta é uma ordem que não admite objeção. Em hipótese alguma mais do que três pessoas poderiam falar em línguas no culto. Além disso, deveriam falar uma após a outra, e nunca simultaneamente. E ainda um terceiro requisito era necessário, a necessidade de tradução. Sem tradução, sem línguas.


Livro Razão da Esperança - Leandro Lima.

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