Deus é juiz justo, um Deus que se ira todos os dias.
Se o homem não se converter, Deus afiará a sua espada; já tem armado o seu arco, e está aparelhado.
E já para ele preparou armas mortais; e porá em ação as suas setas inflamadas contra os perseguidores.
Eis que ele está com dores de perversidade; concebeu trabalhos, e produziu mentiras.
Cavou um poço e o fez fundo, e caiu na cova que fez.
A sua obra cairá sobre a sua cabeça; e a sua violência descerá sobre a sua própria cabeça.
Eu louvarei ao Senhor segundo a sua justiça, e cantarei louvores ao nome do Senhor altíssimo.
Introdução
Nosso intuito, é refletir sobre a natureza do trabalho evangelístico, à luz da pressuposição de que Deus é soberano na salvação do homem. A verdade de Deus nunca é exatamente como o homem espera que seja e o nosso assunto é mais perigoso do que a maioria. Como conciliar a soberania de Deus e a nossa responsabilidade na evangelização? Vamos procurar através desse estudo, trazer a luz da palavra de Deus que não há nenhuma contradição entres esses dois termos, mas que também existem os dois lados sendo perigosos quando levados ao extremo.
As Escrituras nos ensinam que, como Rei, ele ordena e controla todas as coisas, inclusive todas as ações humanas, segundo o seu propósito eterno.
Vamos aos textos:
Assim não fostes vós que me enviastes para cá, senão Deus, que me tem posto por pai de Faraó, e por senhor de toda a sua casa, e como regente em toda a terra do Egito. Gênesis 45-8
Vós bem intentastes mal contra mim; porém Deus o intentou para bem, para fazer como se vê neste dia, para conservar muita gente com vida.
Gênesis 50:20
O coração do homem planeja o seu caminho, mas o Senhor lhe dirige os passos.
Provérbios 16:9
Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer.
Provérbios 21:1
Não se vendem dois passarinhos por um ceitil? e nenhum deles cairá em terra sem a vontade de vosso Pai.
Mateus 10:29
Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel;
Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.
Atos 4:27,28
Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra?
E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;
Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou,
Os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
Romanos 9:20-24
Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo;
Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
Efésios 1:3-5
As Escrituras também nos diz, que na condição de Juíz, ele considera todo o ser humano responsável pelas suas escolhas que fazem e suas formas que seguem:
Porque todos os que sem lei pecaram, sem lei também perecerão; e todos os que sob a lei pecaram, pela lei serão julgados.
Porque os que ouvem a lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados.
Porque, quando os gentios, que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei;
Os quais mostram a obra da lei escrita em seus corações, testificando juntamente a sua consciência, e os seus pensamentos, quer acusando-os, quer defendendo-os;
Romanos 2:12-15
E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
Apocalipse 20:11-13
Assim, os ouvintes do Evangelho são responsáveis por suas reações e se acaso rejeitarem as boas-novas, tornar-se-ão culpados por sua incredulidade:
Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.
João 3:18
Por outro lado, a quem foi confiado o evangelho, é responsável por pregá-lo e se negligenciar sua comissão será punido por infidelidade:
Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
1 Coríntios 9:16
A Soberania de Deus e a responsabilidade humana andam juntas como nos é ensinada nas Escrituras, e isso ocorre até mesmo na mesma passagem:
E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!
Lucas 22:22
O homem é um agente moral responsável e ainda assim, controlado pela autoridade Divina.
É claro que para a nossa mente isso pode parecer inexplicável, mas não é!
Paulo responde uma queixa que muitos levantam nos dias de hoje: Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade?
Romanos 9:19
Se Deus controla todas as coisas até mesmo as nossas ações, como podemos ainda ser considerados culpados por Ele? Ele responde:
Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?
Romanos 9:20
Meus amados irmãos, vimos nessas passagens que não há contradição alguma entre a Soberania de Deus e a nossa responsabilidade por nossos atos, mas quem elas são verdades que a Bíblia nos ensina. O que devemos fazer é nos submetermos ao ensino bíblico.
Mas também existem alguns perigos sobre isso. São aqueles que enfatizam mais um do que o outro, ou o outro do que esse. Então vamos procurar explicar aos irmãos o que devemos fazer e o que não devemos fazer.
1 - O Perigo da preocupação exclusiva da responsabilidade do homem.
Vimos que a responsabilidade humana é um fato, e é algo muito sério. A nossa responsabilidade em relação a Deus, é um fato essencial nas nossas vidas, mas também não pode ser levado a sério demais. Cada um de nós individualmente é responsável pela maneira que responde. Afinal, vivemos sob a lei dele, e teremos que responder ele por nossas vidas.
O homem sem Cristo é um pecador e vai responder a Deus por ter quebrado a sua lei, por isso precisa do Evangelho. Quando pregamos Cristo aos homens pecaminosos, é nossa tarefa em lhes dizer que, eles são responsáveis diante de Deus pelo modo que respondem ao Evangelho.
Portanto ide, fazei discípulos
Mateus 28:19
Precisamos nos lembrar que pregar sobre a salvação é nossa responsabilidade, mas que, quem salva é Deus. Deus é quem conduz as pessoas ao Evangelho, é ele que os conduz a fé em Cristo. O poder não está nas mãos dos instrumentos, e sim daquele que usa os instrumentos. Não podemos esquecer disso. O perigo está quando nos esquecemos disso, começamos achar que é nosso dever garantir o sucesso na evangelização, fazendo isso, acabaremos achando que a conversão não depende de Deus e sim de nós e como fazemos ela. Esse tipo de pensamento nos leva a abandonar os ensinos das Escrituras e acabamos procurando meios que na verdade não são bíblico, mas que podem dar certo, é o que chamamos de pragmatismo, ou seja, não importa se é certo o importante é que dá certo. Muitos vão dizer, o que tem a ver, os jovens gostam disso, o importante é que a igreja está cheia, todos estamos alegres, temos teatros para entreter, temos danças com as meninas da igreja, mas lembre-se, métodos carnais somente atraem pessoas carnais e com interesses carnais, e não existe nenhum ensinamento bíblico feito por Jesus ou os apóstolos para podermos fazer isso, isso é trazer práticas antibíblicas e anticristãs para dentro da igreja de Deus, e isso é pecado, lembra de Nadabe e Abiú que ofereceram fogo estranho diante do Altar do Senhor, e o que aconteceu à eles?. Lembrando que Cristo não é apenas um produto a se oferecer, ele é a solução para as nossas almas. O espírito de auto confiança é uma influência maligna.
2 - Os perigos de nos preocuparmos somente com a Soberania de Deus
Existem aqueles que na hora da evangelização, se preocupam demais com a soberania de Deus e não levam em conta a sua responsabilidade na pregação. Para muitos a soberania de Deus veio com impacto sobre as suas vidas. Muitos que acreditavam que Deus era apenas um mero espectador dos eventos da terra, tinham uma visão de que o homem era o centro de tudo, mas quando conheceram as verdades bíblicas sobre a soberania de Deus, viram que aquele ensino é anti-bíblico e pecaminoso.
Mas tem também um perigo nisso, seu zelo por glorificar a soberania de Deus, recusam- se a imaginar que seus serviços são indispensáveis. Fazendo isso, perdem avisão de evangelismo da Igreja. Dizem:
“O mundo é incrédulo mas quando Deus quiser, ele intervirá nele”.
“O importante é deixar tudo nas mãos de Deus, pois ele é soberano”.
“Sente-se meu jovem, quando Deus quiser salvar os pecadores ele fará, sem mim ou sem você”.
Alguns são assombrados com o trabalho evangelístico pensando que isso exalta o homem, mas na verdade isso está errado. O equívoco está em não levar a sério a responsabilidade da igreja no evangelismo. Alguns podem esquecer que os meios que Deus usa para salvar pecadores, é enviando seus servos ao campo missionário evangelístico.
A ordem é pregar à todos, à toda criatura, devemos usar os nossos recurso a iniciativa de fazer o Evangelho conhecido à todos e à todas as pessoas possíveis.
Mateus 25.14-30 diz sobre os servos bons e fiéis, são aqueles que promoveram os interesses de seu senhor, fazendo o uso legal que lhe foram confiados. No caso do outro servo, ele por estar pensando em ser zeloso com o que lhe foi entregue, ele apenas enterrou o talento, e o seu senhor o chamou de negligente e inútil.
Cristo nos deu para o nosso uso e para ser usado na forma correta. Não podemos apenas enterrara a verdade do Evangelho, devemos preservá-la claro, mas também temos que compartilhar com os outros. Cristo diz que devemos ser a “Luz do mundo”(Mat.5.14-16) não podemos ficar escondidos. Todos que estão deixando de se dedicar a esse chamado, estão negando o papel de servo bom e fiel de servos de Jesus Cristo.
Conclusão
Viram os perigos que podemos cair? Mas o que fazer sobre esse ensino? Existe contradição entre a soberania de Deus e a nossa responsabilidade na pregação do Evangelho?
Na verdade não! Ambas se unem, também isso nos ajuda a não cair nos extremismos de ambos os lados. Mas então,o que fazer?
Em outras palavras devemos crer em ambas as doutrinas reveladas nas Escrituras com todas as nossas forças, para orientação e governo das nossas vidas.
Em outras palavras devemos crer em ambas as doutrinas reveladas nas Escrituras com todas as nossas forças, para orientação e governo das nossas vidas.
Charles Spurgeon certa vez foi perguntado sobre isso, em como reconciliar essas verdades, ele respondeu: “Eu nem ousaria tenta-lo", “ Eu não reconcilio amigos”. Amigos? – isso mesmo amigos. Isso é o que precisamos entender.
Na Bíblia, não há nenhuma inimizade entre a soberania de Deus e a responsabilidade humana. Elas não são vizinhas briguentas, não estão em guerra. Na verdade são amigas e trabalham juntas.
Baseado em um estudo feito para os jovens e adolescentes com suas sociedades internas(UPA,UMP) no acampamento nos dias 13,14 e 15 de Abril na Igreja Presbiteriana de Estreito MA.
Adaptado da Fonte: Evanegelização e a Soberania de Deus de J.I.Packer,p.17-34.Editora Cultura Cristã.
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