
Devo iniciar com um esclarecimento: que o que importa aqui não é se seu pastor não está pregando do jeito que você gostaria, com o estilo de pregador que você admira. Seu pastor não é obrigado a encenar Paul Washer, John Piper ou Augustus Nicodemus. Também não importa se ele não está pregando sobre os temas que você tem interesse ou sobre os livros que você tem dúvida. Não há um mandamento para que toda mensagem gire em torno de um dos 5 Pontos do Calvinismo, sobre o Problema do Mal ou a Carta aos Romanos. Estou me referindo nesse texto a pastores que estão trazendo mensagens mau elaboradas ao púlpito. Homens que podem até não ensinar heresias, mas também não conseguem tornar o texto bíblico claro e acessível aos seus ouvintes. A igreja não é edificada se não compreende a Palavra de Deus. Alguém já disse que sermões fracos produzem igrejas fracas.
Dito isto, é preciso destacar primeiramente que se seu pastor é um fraco comunicador, mas, no pouco que se entende de seu sermão, é bíblico, ainda é uma bênção tê-lo como pastor. Muitos púlpitos hoje são ocupados por mensagens rasas e anti-bíblicas (ter uma que seja rasa, mas bíblica é quase o céu em alguns contextos). Porém, se há realmente grandes problemas de comunicação em seu pastor, algumas coisas precisam ser observadas para o bem dele e da igreja:
1) Seu pastor sempre pregou mau? Pode ser então que o caso dele seja o de falta de vocação. Não é porque alguém seja um ótimo crente que necessariamente será também um ótimo pastor. Bons crentes podem assumir funções para as quais não possuem dons e se tornarem maus obreiros.
2) Pode ser que seu pastor esteja super-atarefado ou passando por problemas que o impedem de preparar-se adequadamente para a pregação. A igreja tem de estar atenta e sensível a isso para aliviar as cargas de seu pastor a fim de que ele possa servir bem na vocação que o Senhor o concedeu.
3) Pode ser que ele esteja confiante demais nos dons que possui e tenha relaxado no preparo dos sermões. Ele se acostumou com o púlpito e não gasta mais o mesmo tempo se preparando como quando ainda era um homem inexperiente.
O que fazer diante desse cenário? Em Rom. 15:14 Paulo esperava que os irmãos estivessem aptos a “admoestar” ou “aconselhar” uns aos outros. O pastor, assim como qualquer outro crente, também precisa de admoestação ou conselho de vez em quando. A única maneira de resolver esse problema, portanto, é conversando francamente, amorosamente e debaixo de muita oração prévia com o pastor. O objetivo não é meramente fazer com que o pastor perceba quão ruins têm sido suas pregações, mas encorajá-lo a corrigir isso. Uma conversa desse tipo é a coisa certa a ser feita.
Antes desse passo, porém, creio que seria sábio a seguinte ponderação: Há pessoas maduras na igreja que têm demonstrado essa mesma percepção acerca das pregações do pastor? Às vezes, o problema pode estar em você e não no pastor. Seu julgamento é que pode estar sendo direcionado por falsas expectativas. A opinião de outros homens maduros será extremamente útil. Entretanto, não é sábio sair entrevistando os irmãos a esse respeito, pois 1) você pode ser mal interpretado ou 2) pode produzir em outros irmãos sentimentos negativos com relação ao pastor que antes não estavam em seus corações. É bom tentar apenas perceber a reação da igreja às mensagens. Se ele realmente estiver pregando muito ruim, não será difícil ver que outros também perceberam.
Retomando nosso assunto principal, gostaria de alertar: não espere que seu pastor reaja bem às suas críticas. É natural que os homens fiquem na defensiva quando confrontados. “Nenhuma disciplina parece ser motivo de alegria no momento, mas sim de tristeza” (Heb. 12:11). Porém, deixe que ele se expresse sem tentar contra-argumentar. Ao final, apenas o faça saber que outras pessoas expressaram a mesma opinião que você e, se mais de uma pessoa percebe o mesmo problema, seria sensato pensar a respeito. Além disso, deixe claro para ele seu desejo de vê-lo crescer e sua disposição de ser paciente no processo.
Se seu pastor for realmente um crente, ele vai acabar refletindo sobre sua exortação e bons frutos virão daí. Ele provavelmente dirá que se esforçará mais daqui pra frente e isso será excelente pra igreja, pois é possível que os sermões voltem a se desenvolver. A exortação também é eficaz em quebrar nosso orgulho e nos levar para mais perto do Senhor, além de pôr em relevo o que precisa ser melhorado e/ou abandonado em nossas vidas. Outro efeito benéfico que pode advir de uma conversa assim é que o pastor talvez não seja mesmo vocacionado para o ministério. O próprio pastor podia já estar alimentando dúvidas quanto a isso há algum tempo e ele precisava apenas de uma confirmação. Se esse for o caso, deixar o ministério e um peso que não havia sido preparado para ele o fará florescer novamente na fé, e um outro ministro vocacionado poderá ocupar seu lugar para a edificação da igreja.
Por fim, gostaria apenas de aconselhar uma postura de humildade, amor e paciência ao longo de todo esse processo. Se comprometa a orar por seu pastor e apoiá-lo nesse novo desafio de aperfeiçoar a pregação. Ele se sentirá sob pressão depois de uma conversa assim e será bom saber que você torce por ele e não contra ele. Se após alguns meses ou um ano as coisas continuarem exatamente como estavam, então você deve 1) preparar-se para uma nova conversa; 2) repensar sua permanência sob o ministério desse pastor (pois ele não demonstrou qualquer interesse visível por verdadeira mudança); ou 3) repensar a permanência do próprio pastor à frente de sua igreja local (mas isso só se você for parte da liderança ou perceber que a insatisfação da igreja é pública e generalizada, pois do contrário você só conseguirá mais contendas).
Via:Perfil do Facebook do Autor
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