Como já vimos, o Batismo, na dispensação neotestamentária, bem como a Circuncisão, na dispensação veterotestamentária, constituem o sinal do pacto da graça. Já notamos o sentido do pacto relacional entre Deus e os crentes, bem como entre Deus e os filhos dos crentes. Por razões apropriadas, o Batismo da nova dispensação veio suceder a Circuncisão da antiga. Deve-se manter a mesma distinção entre as criancinhas e os adultos como recipientes apropriados. Deus decretou esta ordenança sacramental para os adultos que entram em relação pactual mediante o arrependimento e a fé, e para seus filhos menores, ainda não cônscios de arrependimento e de fé. Por analogia, inferência e dedução, a doutrina do Batismo neotestamentário se funda solidamente no Antigo Testamento. Sendo obviamente verídicas certas partes da analogia, as outras partes devem harmonizar-se. Desde que ambos, a Circuncisão e o Batismo, são evidentemente ordenanças sacramentais que, em suas respectivas dispensações, continuam sendo o sinal e o selo da admissão no pacto e em seus privilégios, a correspondência, em todos os seus pontos, deve ser discernida com um pouco de estudo. Desejamos demonstrar esse fato a seguir. Por que se exigiu de Abraão que cresse para que pudesse receber o sinal, quando seu filho Isaque o recebeu antes mesmo de estar capacitado a crer? Porque, da mesma forma, o adulto que não é membro do pacto deve antes conhecer e crer para entrar nele e receber seu sinal. E uma vez que Abraão foi o primeiro com quem Deus fez um pacto de relação e impôs um sinal pactual, a fé de Abraão tinha de preceder o sinal. Ele tinha que preencher os mesmos requisitos que hoje se aplicam aos adultos convertidos. Isaque, porém, estava na mesma posição de todas as crianças que nascem numa família pactual. Como herdeiro da família pactual, ele desfrutava do direito de receber o sinal. Não existe equívoco algum; a única base para o Batismo das crianças e dos adultos, igualmente, é sua relação com o pacto da graça. Para os adultos conversos, o Batismo segue a fé e é o sinal e o selo que representam e certificam essa fé. No entanto, para os filhos pequenos dos crentes, o Batismo precede a fé, é o sinal de que são herdeiros do pacto da promessa e significa que é o meio de graça para atrair as crianças à fé em Cristo. Os que negam o Batismo infantil, só são consistentes se negarem também a Circuncisão dos recém-nascidos do sexo masculino do antigo pacto. Qualquer argumento empregado contra o Batismo infantil pode ser empregado, com igual força, para a Circuncisão de crianças. No entanto, a prática veterotestamentária ratifica a prática neotestamentária. É possível perceber a falácia da afirmação de que o Batismo infantil é uma estultícia, visto que uma criança não tem consciência do que está acontecendo. Esta objeção põe em xeque a sabedoria e as instruções divinas. Porque, se é fútil borrifar um pouco de água sobre a cabeça de uma criancinha num rito pactual, então é um crime mutilar uma criança pela Circuncisão num rito pactual! Uma vez admitido que uma criança não sabe o que está acontecendo ou por que se faz isso, no entanto os pais o sabem. E Deus muito mais! E futuramente a criança discernirá esse ato. Ninguém discutirá que o Antigo Testamento ensinava a Circuncisão somente dos crentes. É preciso ver igualmente que, embora o Novo Testamento ensine o “Batismo de quem crê”, ele não ensina o Batismo “exclusivamente” de quem crê. A inferência neotestamentária se baseia solidamente sobre fato e princípio veterotestamentários. A única conclusão lógica é que o mesmo princípio e prática devem ser mantidos válidos na nova dispensação, a menos que haja uma revogação expressa. Posto que não existe tal revogação, a doutrina bíblica exige a analogia entre a Circuncisão e o Batismo do único pacto da graça e a identidade essencial da igreja através de todas suas dispensações distintas, como comunidade pactual de Deus. O argumento de que as Escrituras exigem fé antes do Batismo é igualmente falaz. É indubitável que as Escrituras exigem fé e arrependimento antes do Batismo – mas, de quem? Naturalmente, dos adultos! As Escrituras não exigem arrependimento e fé de ninguém mais além dos adultos. Ninguém, em bom senso, inferiria que o que se requer, necessariamente, dos adultos se deva também requerer dos que não são adultos. Isto não é lógico, e sim ilógico! É princípio de lógica que, posto que uma conclusão deriva-se de certas premissas, tal conclusão não deve exceder as premissas. Sobre este princípio, as condições de Batismo requeridas dos adultos só podem provocar uma conclusão que diga respeito aos adultos. Ninguém pode provar que o Batismo de crianças é errôneo, provando que o Batismo dos adultos é correto. Talvez esta ilustração nos ajude. A Escritura diz que “se alguém não quiser trabalhar, que também não coma” (2Ts 3.10). De fato, isto constitui um mandamento! Mas, aplique-se algo da chamada lógica e veja-se o que sucede. As crianças não podem trabalhar. Então, por isso também não devem comer? Para longe tal ideia! Por quê? Porque isso obviamente não pode aplicar-se às crianças. Por que não? Porque esse princípio só se aplica a quem é capaz de trabalhar; e as criancinhas não podem trabalhar. Alguém pode insistir, dizendo que não está escrito que tal princípio só se aplica aos adultos. E então devemos explicar que não é necessário que isso estivesse escrito, posto que a inferência é óbvia. E assim o mandamento é limitado por uma dedução natural. E isso é legítimo? Sim, naturalmente que é. Tomemos o caso correspondente ao Batismo. O arrependimento e a fé só são aplicáveis aos que são capazes de arrependimento e de fé. Portanto, este requisito não tem aplicação alguma às crianças, pois elas não podem arrepender-se nem exercer fé. Os requisitos aplicáveis às crianças devem ser encontrados em alguma outra parte. Em outros termos, de acordo com nosso princípio de lógica, se as criancinhas não estão inclusas na premissa, então elas não podem estar compreendidas na conclusão. Devemos insistir em que as Escrituras que só podem aplicar-se aos adultos não podem ser usadas para quem não é adulto. Posto ser este um ponto importante, consideraremos outra ilustração da Escritura. Lemos em Romanos 2.25: “Porque a Circuncisão tem valor se praticares a lei; se és, porém, transgressor da lei, tua Circuncisão já se tornou incircuncisão. ” Ora, ilógico seria proceder desta forma: a Circuncisão é proveitosa se guardares a lei; as crianças, porém, não podem guardar a lei, por isso sua Circuncisão não lhes traz nenhum proveito. Que absurdo! Ou tome a segunda metade do versículo e a aplique ao mesmo sistema ilógico: se és um infrator da lei, então tua Circuncisão se converte em incircuncisão; mas as crianças não podem transgredir a lei, portanto sua Circuncisão não pode converter-se em incircuncisão. A mesma falta de lógica pode provar, no mesmo versículo, que a Circuncisão das crianças constitui ambas as coisas: nada e alguma coisa! A lógica genuína exige que as condições do pacto, aplicáveis aos adultos, não devem aplicar-se às crianças. As duas categorias de recipientes, adultos e crianças, devem ser mantidas separadamente.
Fonte: As Bases Bíblicas para o Batismo Infantil-
Dwight Hervey Small
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