Cosmovisão Cristã - Carl F. H. Henry

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Os cristãos não necessitam vindicar os dogmas cristãos e os remover da suspeita secular submetendo-os a critérios restritivos e enquadrando-os nas concepções rivais imperiosamente asseveradas por neo-kantianos, positivistas lógicos, existencialistas ou outros. Sancionar a “credibilidade” da investigação cristã, exibindo em primeiro lugar sua compatibilidade com teorias estranhas, significa apenas mercadejar a singularidade do cristianismo. Damos a kantianos e positivistas liberdade para a enunciação de suas suposições; de fato, estamos ávidos para ouvir o que dizem. De modo similar, os cristãos devem apresentar sua distintiva maneira de ver a verdade, que engloba o Deus que cria e ilumina nossos mecanismos formadores de crença. Os cristãos não devem sentir compulsão alguma para afinar sua epistemologia teística transcendente para coincidir com as preferências de filósofos hostis.

O intelectual estará totalmente nos limites da legitimidade filosófica e teológica caso creia na existência de Deus e assevere sua existência mesmo na ausência de prova empírica. Não existe base racional para restringir as proposições críveis só às que envolvem evidências do tipo que impressionam em especial os físicos ou antropólogos. A propriedade epistêmica da crença em Deus independe de considerações empíricas ou comprobatórias de suporte.

Por toda a sua longa história, a filosofia sempre reconheceu a legitimidade de, sem prova, admitir a hipótese de um axioma filosófico ou princípio postulatório como base inicial de raciocínio. Demócrito jamais demonstrou que a substância consiste em partículas indivisíveis e imperceptivelmente pequenas; ele postulou a premissa e tentou explicar toda a existência de modo consistente em seus termos. Platão nunca demonstrou a existência independente do mundo invisível das Ideias Eternas; ele arrazoou que a existência inferior nelas participa ou as espelha. Ademais, é provável que ele teria rejeitado como sofista e não merecedor de atenção quem, na ausência de provas empíricas da existência das Ideias Eternas, privasse-o de ser ouvido.

Ao tentar explanar o todo da realidade e da vida, a história da filosofia em grande medida gira em torno de princípios explanatórios abrangentes postulados por uma sucessão de filósofos. As teorias seculares que emulam o teísmo cristão são divergentes e instáveis. Muitas são incoerentes em sentido autorreferencial. Sequer conseguem satisfazer aos padrões ou testes epistêmicos propostos pelos promotores para distinguir a verdade da falsidade; ou seja, nem mesmo podem justificar os próprios princípios básicos pelos critérios especificados. Suas especulações acerca da verdade e sua verificação não devem ser consideradas autorizadas de forma autoevidente; elas apenas gozam de aceitação convencional.

[ O Resgate da Fé Cristã / Carl F. H. Henry, pág 31 ]

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