"Senti lágrimas rolando-me pelo rosto, quando percebi o dano que pastores arrogantes, como eu mesmo, podem infligir aos filhos do Senhor. Algumas vezes estamos tão seguros de que sabemos as causas da dor ou da depressão de alguém! As pessoas, acreditávamos, melhorariam se seguissem nossas pequenas prescrições espirituais. Mas quando elas aceitavam nossos conselhos e não melhoravam, então nos irávamos contra elas. Pensei em todos os maus conselhos que eu dera àquela querida senhora, bem como em todos os anos de aconselhamento profissional a que se submetera. Percebi quão tolos nós, pastores e conselheiros, havíamos sido. Não se “aconselha” demônios a deixarem as pessoas. E nem os demônios saem quando alguém aceita nossos conselhos e torna-se mais disciplinado. Os demônios só saem através do poder do sangue de Cristo. Até o Dr. White chegar, nenhum dos pastores ou conselheiros tivera o discernimento para perceber a causa das aflições de Linda, pelo que ela tinha “sofrido muito às mãos de seus médicos”.
Foi naquele momento exato, pela primeira vez em que pude ter a certeza, que o Senhor falou comigo. As palavras soaram- me, não audíveis, mas tão claras como se fosse: “Você é um enganador e um manipulador; você está brincando de igreja”."
***
"Alguns minutos mais tarde, notei que ela estava na fila para falar com o Dr. White. Encaminhei-me na sua direção quando ela começava a contar sua história ao Dr. White. Visto que eu não tivera muito sucesso ao orar pelas pessoas, pensei que deveria ouvir o Dr. White orar por ela, para ver se aprendia alguma coisa.
“Muito bem, vamos orar por você, então”, disse ele à minha amiga.
Quando ela inclinou a cabeça, era mais como se a estivesse abaixando, envergonhada. O desespero parecia estar ao redor dela, alimentando a sua dor. Como um pai gentil, o Dr. White pôs a mão sob o queixo dela e levantou-lhe a cabeça. “Olhe para cima”, disse ele, “você não precisa mais fazer isso. Você é uma filha do Rei”.
Fiquei paralisado diante da cena. Pensei: “Esse é um toque excelente. Tenho que relembrar-me dessas palavras: Olhe para cima, você é uma filha do Rei”. Por esse tempo, eu ainda supunha que técnicas e fórmulas eram as chaves para a cura. Misericordiosamente, eu logo estaria livre dessa ideia.
Então ele pôs a mão de leve sobre um dos ombros dela e disse: “Senhor, leva tua serva Linda [não é seu verdadeiro nome] à tua presença agora, no nome de Jesus Cristo. Ela não sente o afeto do Senhor Jesus Cristo por ela. Permite que ela sinta em seu coração o quanto Jesus a ama”. Quando ouvi o Dr. White dizer isso, acendeu-se uma luz dentro de mim. E pensei: Naturalmente, é por isso que ela sente necessidade da aprovação de seus semelhantes. Ela não sente em seu coração o afeto que Jesus tem por ela. Se ela realmente se sentisse amada por Deus, a aprovação de outras pessoas não lhe seria tão importante.
Então o Dr. White orou: “Se existem quaisquer trevas que estejam manipulando essa dor, oro para que tu a desfaças agora”. Quando ele disse aquelas palavras, a cabeça de Linda começou a subir e a descer, e ela começou a lamuriar-se. Ela não podia parar. Eu nunca tinha visto nada como aquilo! Era como se aqueles sons tivessem vida própria. Ela parecia ter perdido a consciência, ou pelo menos o controle do corpo. Senti uma presença atormentadora em torno dela. Os que estavam no auditório ficaram chocados diante do que estava sucedendo. Eu nunca tinha visto um demônio, mas estava convencido de que estava olhando para a obra de um deles naquele momento.
“Em nome de Jesus, eu te ordeno que a deixes em paz agora”, disse simplesmente o Dr. White. E tudo parou prontamente. Ele não permitiria que o demônio a humilhasse diante de toda aquela gente. Mais tarde, minha amiga recebeu oração em particular, a fim de que o espírito maligno se afastasse definitivamente. Atualmente, Linda ministra poderosamente no ensino e na cura.
Por que eu estava tão certo de que acabara de presenciar um espírito mau em ação? Porque aquela mulher nunca agiria daquele modo em público, e nem faria coisas tão embaraçosas. Ela não tinha formação carismática. Não havia a mínima possibilidade de ser aquela uma conduta aprendida. Posteriormente, ela me disse que uma força “tinha subido” e a agarrado, e que ela sentira-se impotente. Somente o nome do Senhor Jesus trouxe-lhe de volta o controle. Enquanto eu a via sendo atormentada, pensei em todos os anos que ela havia passado em aconselhamento cristão, sem qualquer melhoria significativa. Ela havia seguido orientações espirituais de seus pastores, e até recebera julgamentos de alguns deles. Todavia, embora orasse e lesse a Bíblia fielmente, ela nunca demonstrara melhora e a razão é simples: havia um poder demoníaco por detrás de grande parte de sua depressão e temor."
***
"Tivesse sido eu um melhor estudante da história do reavivamento, teria compreendido que aquele fenômeno já havia ocorrido em inúmeras ocasiões durante períodos de reavivamento, em que o Espírito Santo fora derramado sobre alguma igreja ou cidade. Eu não sabia, mas o Espírito Santo fora derramado sobre a minha igreja! Era como se o próprio Deus tivesse tirado a rolha da garrafa dando ao povo permissão para exprimir toda a dor que estava guardada lá dentro por tão longo tempo. A honestidade e a coragem que foram necessárias para confessarem seus pecados e suas dores indicavam realmente a presença do Espírito entre nós naquele dia.
Eu não tinha certeza de quanto gostava de tudo aquilo — mas o pior ainda estava por vir."
***
"As primeiras três sessões ocorreram conforme o esperado. Mas, no sábado à tarde, o Dr. White apresentou a sua última preleção, a respeito da autoridade de Cristo sobre as enfermidades. Havia aproximadamente 300 pessoas na audiência. Após um tempo de perguntas, no final de sua preleção, ele convidou as pessoas virem à frente, para orar pelas suas necessidades espirituais e físicas. Pensei que uma ou duas pessoas fossem corresponder. Ao invés disso, aproximadamente uma terça parte do auditório literalmente correu para a frente. Alguns pastores e anciãos também desceram para ajudar o Dr. White a orar por aquela gente.
Eu não podia acreditar no que via! Pessoas que eu conhecia bem, que pareciam tão no controle de suas vidas, estavam de joelhos, clamando e pedindo orações. Lembro-me de uma mulher rica confessando que não se sentia amada por ninguém, exceto por seu marido. Ela pedia que o Senhor removesse aquela barreira que sentia em redor dela. Lembro-me de um outro homem muito forte, de joelhos, confessando que estava consumido de inveja por causa do sucesso de um de seus amigos, e por causa de seu próprio insucesso. Até parecia que todas as pessoas ao meu redor estavam sofrendo. Eu estava perplexo e meio repugnado.
Minha primeira reação foi taxar aquilo tudo de emocionalismo. Mas o emocionalismo é sempre despertado por alguma forma de manipulação. Nesse caso, tínhamos ouvido apenas uma bem pouco emocionante preleção sobre curas, seguida por uma sessão bastante acalorada de perguntas e respostas, durante a qual alguns de meus amigos tinham dito coisas muito pouco efusivas ao Dr. White (o qual, a propósito, em momento algum perdeu o autocontrole ou respondeu de modo brutal)." E, ao encerrar a sessão, o Dr. White fizera um convite bastante realista, sem qualquer música ou apelo emocional, a qualquer um que quisesse oração. Como explicar as lágrimas, as confissões e a honestidade quase chocante do que estava acontecendo na minha frente?"
---------
Surpreendido pelo poder do Espírito | Jack Deere
Comentários
Postar um comentário