Por que as mulheres não falam e nem oram em público em nossa igreja? - Josafá Vaconcelos

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Seria uma decisão radical e machista da nossa Igreja? Qual o  fundamento bíblico para agirmos assim? Gostaríamos de iniciar essa série  de estudo sobre esse importante assunto, desde o Velho Testamento.
A  submissão da mulher compreende dois aspectos, primeiro o natural,  conforme sua própria constituição física,“vaso mais fraco” (I Pedro 3:7)  cuja função estabelecida na estrutura familiar era, “auxiliadora  idônea”(Gênesis 2:20), e “glória do seu marido” (I Coríntios 11:7), mas com o  advento do pecado, conseqüências drásticas foram impostas ao primeiro  casal e à mulher lhe coube as dores do parto e um agravante na  submissão: “E à mulher disse: multiplicarei grandemente a dor de tua  concepção; em dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu  marido, e ele te dominará” (Gênesis 3:16).
Isto não  significa em absoluto direito de propriedade, nos moldes escravagista,  como atribuem alguns ignorantes chauvinistas, mas sim uma liderança de  amor e responsável por parte do marido. Contudo, este princípio de  submissão, extrapola os limites do lar e é observado por toda a  Escritura. Foi assim com Sara, elogiada pela sua submissão e piedade  (I Pedro 3:5,6), Rebeca, Raquel, todas se ativeram à sua condição,  submissas à liderança espiritual de seus maridos patriarcas, cumprindo  sua missão de mãe.
Alguns argumentam de modo  contrário lembrando das mulheres que foram profetizas no Velho  Testamento e especificamente citam o caso de Débora que julgou Israel no  tempo dos juízes. Quanto às profetizas, o ofício não exigia o exercício  de autoridade, mas apenas entrega, com fidelidade daquilo que o Senhor  dizia por seu intermédio, não era ensino autoritativo, nem  interpretativo. Quanto ao caso de Débora, é claro que se tratou do juízo  de Deus ao Seu povo num momento de confusão e clara  desobediência.”Naqueles dias não havia rei em Israel; e cada um fazia o  que parecia bem aos seus olhos” (Juiz 21:25). Débora convocou a Baraque  para liderar as milícias do Senhor, este recusou ir só e exigiu a  companhia de Débora, que o advertiu: ”certamente irei contigo; porém não  será tua a honra desta expedição, pois à mão de uma mulher o Senhor  vencerá Sísera” (Juiz 4:9), e de fato coube à Jael a glória da morte do  general inimigo. Mas ao final, no seu cântico de vitória, Débora  conclama os homens, juízes, líderes naturais das tribos de Israel a  reassumirem seus cargos de honra na condução do povo de Deus. É  interessante notar que o livro de Juízes, relata a história de um rei  que pediu ao seu escudeiro que o matasse a espada, porque havia sido  ferido mortalmente na cabeça por uma pedra lançada por uma mulher (Juiz  9:53,54). Tudo isso para mostrar, que era juízo de Deus a liderança de  mulheres, ou ser derrotado por elas. No livro do profeta Isaias, este  opróbrio é confirmado: “Quanto ao meu povo, crianças são os seus  opressores e mulheres dominam sobre eles, Ah! Povo meu!, os que te guiam  te enganam e destroem o caminho das tuas veredas” (Isaías 3:12).
Não  é propósito de Deus, portanto, que as mulheres exerçam autoridade de  homem. Nem estejam à frente no governo quer dos negócios do mundo ou da  Igreja. Orar em público, liderar, governar, ensinar homens, são  exercícios de autoridade  reservados aos homens. O princípio de  submissão que lhe coube por causa do pecado se estende a todos os  lugares, inclusive na Igreja. Sobre elas pesa a sentença do Gênesis:  “Teu desejo será para o teu marido e ele te governará…”
Tendo  visto o que o Velho Testamento ensina a respeito do lugar próprio da  mulher nos propósitos de Deus e como é vedado a elas o exercício da  autoridade de homem, passamos agora às considerações do assunto no Novo  Testamento.
Na primeira carta à Timóteo, no  capítulo 2, o apóstolo estabelece como deve ser o  procedimento no culto  público de Deus dizendo o seguinte:
“Quero,  pois, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira  nem contenda.Quero, do mesmo modo, que as mulheres se ataviem com traje  decoroso, com modéstia e sobriedade, não com tranças, ou com ouro, ou  pérolas, ou vestidos custosos, mas como convém às mulheres que fazem  profissão de servir a Deus com boas obras. A mulher aprenda em silêncio  com toda a submissão. Pois não permito que a mulher ensine, nem tenha  domínio sobre o homem, mas que esteja em silêncio. Porque primeiro foi  formado Adão, depois Eva. E Adão não foi  enganado, mas a mulher, sendo  enganada, caiu em transgressão; salvar-se-á, todavia, dando à luz  filhos, se permanecer com sobriedade na fé, no amor e na santificação.”  (I Timóteo 2:8-15)

O texto fala  por si mesmo, mas algumas pessoas o interpretam usando o argumento  cultural: “Paulo diz isso por causa da cultura do seu tempo! Naquela  época as mulheres não falavam em público mesmo!” – dizem; contudo, esse  tipo de interpretação violenta o texto, porque o próprio apóstolo deixa  claro a razão de sua proibição veemente, e esta não é cultural mas  teológica! “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva. E Adão não foi  enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão!”  Portando, não é uma questão cultural, mas espiritual.
Na  primeira carta do apóstolo aos Coríntios, corrigindo a grande confusão  que aquela igreja agia com relação ao culto, no capítulo 11 ele estranha  que mulheres se manifestassem no culto para orar em línguas e  profetizar sem o uso do véu.
Devemos nos lembrar  que profetizar, como faziam também algumas mulheres no Velho Testamento, não era um  exercício de autoridade, elas não interpretavam nem ensinavam, mas  apenas repetiam a palavras inspiradas. Mesmo assim seria um absurdo  fazê-lo sem ter sobre si o sinal de submissão, o véu; mas hoje, não  temos mais o exercício desses dons de revelação e as mulheres não  necessitam mais usar véu, uma vez que não irão mesmo falar em público.  Por isso, na mesma carta, no capítulo 14, logo a seguir, tratando do  mesmo assunto, ordem no culto, nos versos 34 e 35 ele diz: “As mulheres  estejam caladas nas igrejas; porque lhes não é permitido falar; mas  estejam submissas como também ordena a lei. E, se querem aprender alguma  coisa, perguntem em casa a seus próprios maridos; porque é indecoroso  para a mulher o falar na igreja” A razão também nos é revelada, e não é  cultural, mas sim espiritual “como também ordena a Lei”, isto é, o Velho  Testamento, certamente se referindo ao livro do Gênesis.
E qual seria então as atividades das mulheres na Igreja?
Bem,  primeiro, elas devem cantar, participando assim do canto  congregacional. Ensinar crianças, como mães, e outras mulheres, como diz  o texto:
“As mulheres idosas, semelhantemente,  que sejam reverentes no seu viver, não caluniadoras, não dadas a muito  vinho, mestras do bem, para que ensinem as mulheres novas a amarem aos  seus maridos e filhos, a serem moderadas, castas, operosas donas de  casa, bondosas, submissas a seus maridos, para que a palavra de Deus não  seja blasfemada.” (Tito 2:3-5)

Além  disso, há muito trabalho indispensável na Igreja, que estas santas  mulheres podem fazer servindo a Deus. O Senhor Jesus foi servido por  elas, de modo a não lhe deixar faltar nada: “Também ali estavam algumas  mulheres olhando de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de  Tiago o Menor e de José, e Salomé; as quais o seguiam e o serviam quando  ele estava na Galiléia; e muitas outras que tinham subido com ele a  Jerusalém.” (Marcos 15:40-41)
O apóstolo Paulo, em  sua saudação final na carta ao Romanos, faz menção de uma tal “Febe”,  que alguns pensam ser uma diaconisa da Igreja de Cencréia (ou Corinto),  porque ele usa a palavra “serva” que no grego é “diaconon”. No entanto,  não há porque concluir isso, uma vez que não há qualquer outro texto  para confirmar essa interpretação e o que Paulo está dizendo é tão  somente que esta irmã atuava de forma extraordinária na Igreja inclusive  lhe sendo muito útil e portanto deveria ser recebida pela Igreja de  Roma com deferência:“Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que é serva da  igreja que está em Cencréia; para que a recebais no Senhor, de um modo  digno dos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar;  porque ela tem sido o amparo de muitos, e de mim em particular.” (Romanos  16:1-2)
As irmãs, devem participar das reuniões  de oração da Igreja, onde homens estão presentes, fazendo seus pedidos e  acompanhando as orações em silêncio.
O ato de  orar em público, é um exercício de autoridade, porque aquele que ora,  está elevando toda congregação, até o trono de Deus e intercedendo pela  Igreja. Por isso o apóstolo diz: “Quero que os varões orem…”. Isto não  impede, que as mulheres tenham suas próprias reuniões de oração e se  reúnam, sob a supervisão do Conselho, para interceder pela Igreja, pelos  seus maridos, filhos, etc.

Concluo lembrando que  as mulheres sempre foram muito ativas e de grande importância na vida  da Igreja ao longo de sua história. Sempre agiram, santa e piedosamente,  nos bastidores, para prover tudo que fosse necessário, sem reivindicar  direito de ofício. Não há na Bíblia qualquer indício de ter havido  Apóstola, Bispa, Pastora, Presbítera ou Diaconisa, no entanto, todos nós  sabemos que a Igreja não chegaria aonde chegou sem a atuação delas.  Deus as têm usado e ainda as usará, dentro dos limites que Ele mesmo  ordenou e instituiu na Sua Palavra. Qualquer coisa que passar disso é  invenção dos homens, influenciados pela psicologia moderna e pelo  feminismo.


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