
"E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais" (Ef 5.18,19); “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16).
A interpretação própria dos termos da Escritura requer que
descubramos não o que esses termos significam nos nossos dias, mas o que o autor inspirado quis dizer na época em que os empregou. E é uma coisa esquisita, na interpretação bíblica, que essa regra seja comumente observada com referência ao termo “salmos”, mas não com referência aos termos “hinos” e “cânticos”.Mas o fato é que todos os três termos são usados na Bíblia para designar várias seleções contidas no próprio Saltério do Antigo Testamento. Na versão grega do Velho Testamento, familiar aos efésios e aos colossenses, o saltério inteiro é chamado de “Salmos”. Em sessenta e sete títulos do livro dos Salmos usa-se a palavra “salmo”. No entanto, em sessenta títulos usa-se a palavra “hino” em vez de “salmo”, e em trinta e cinco aparece a palavra cântico”. E ainda mais importante, doze títulos usam os dois termos, “salmo”e “cântico”, e dois usam as palavras “salmo” e “hino”. O Salmo 76 é designado pelos três termos: “salmo, hino e cântico”. E no final dos primeiros setenta e dois salmos lemos: “findam-se os hinos de Davi, filho de Jessé” (Sl 72.20). Em outras palavras, não há motivo para pensar que o apóstolo referiu-se mais aos salmos quando usou a palavra “salmos” do que quando disse “hinos” e “cânticos”, pela simples razão de que, no livro dos Salmos, todos os três termos eram termos bíblicos usados para designar os salmos. Nós estamos acostumados a usar os termos “hinos” e “cânticos” para aquelas composições que não são salmos. Mas Paulo e os cristãos de Éfeso e Colossos usaram esses termos como a Bíblia mesma os usava, isto é, como títulos para vários Salmos no Saltério do Antigo Testamento. Para nós pode soar estranho, ou mesmo desnecessário, que o Espírito Santo tenha usado essa variedade de títulos para designar Suas composições inspiradas. Mas o fato é que Ele fez assim. Da mesma forma como o Espírito Santo fala de Seus “mandamentos e seus estatutos e juízos” (Dt 30.16 etc.) e de “milagres e maravilhas e sinais..." (At 2.22), assim Ele fala dos Seus “salmos, hinos e cânticos”. Como mandamentos, estatutos e juízos são leis divinas na linguagem das Escrituras, e milagres, maravilhas e sinais, são todos obras sobrenaturais de Deus na linguagem das Escrituras, assim salmos, hinos e cânticos são as composições inspiradas do Saltério na linguagem das Escrituras. As evidências do Novo Testamento sustentam essa conclusão. Na noite da última Ceia, Jesus e Seus discípulos cantaram um “hino” (Mt 26.30). Os expositores bíblicos afirmam que esse hino era “a segunda parte dos Salmos Hallel (Salmos 115 a 118) que era sempre cantada na Páscoa (New Bible Commentary, pág. 835).Mateus chama esse Salmo de “hino” porque, na terminologia da Bíblia, um Salmo é um hino. Nesse mesmo sentido, é feita a citação do Antigo Testamento no livro de Hebreus 2.12, em que a palavra grega “hino” é citada do Salmo 22.22. Nessa citação de um Salmo do Antigo Testamento, a palavra “hino” é usada para indicar o cântico de Salmos, porque o Antigo Testamento não faz distinção entre os dois.Mas se a própria Escritura diz que Salmos são hinos e hinos são Salmos, por que deveríamos fazer distinção entre eles? Assim como é ponto pacífico que o apóstolo usou linguagem bíblica com sentido bíblico, assim também é ponto pacífico que ele não estava falando de hinos não inspirados nesses textos (ou seja, Cl 3.16 e Ef 5.19). Ele não falou de salmos não inspirados, já que nas Escrituras os hinos são Salmos inspirados.
Rev. G. I. Williamson ( Igreja Presbiteriana Ortodoxa)
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