OCASIONALISMO E SUA RELAÇÃO CAUSAL COM A HERANÇA ADÂMICA - Fabrício Bezerra

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Quando estudamos sobre hamartiologia (doutrina do pecado), vários assuntos podem ser abordados e refletidos, desde a soteriologia, até doutrinas como da santificação e justificação pela fé. Mas, teria a hamartiologia alguma ligação com o ocasionalismo Cristão? Bom, eu presumo que sim. Neste caso, gostaria de abordar um pouco sobre a relação do ocasionalismo com o pecado original nos homens, e a ausência do mesmo em Jesus.

Todos sabemos a luz das Escrituras que todo homem já nasce em pecado, isso é bem nítido nas Escrituras. O Salmista afirma categoricamente: “Sal. 51:5  Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.”_O apóstolo Paulo ainda reforça a verdade do pecado original, dizendo: _“Rom 5:12  Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram.” 

Não nos restam dúvidas de que o pecado original é uma verdade bíblica e clara.

Dado essas verdades estabelecidas, como resolver a problemática de Jesus não ter nascido em pecado? Um simples silogismo exemplifica:

I. Todo homem nasce em pecado.

II. Jesus nasceu homem (sem querer entrar no mérito da natureza divina)

III. Logo, Jesus “deveria” também nascer em pecado.

Esse silogismo parece verídico, mas se atentarmos para o ponto de que Jesus foi gerado através do Espírito Santo em uma virgem, já seria um campo vasto para trabalhar sobre a questão, e ponderar melhor, dado que seria uma aplicação vazia de lógica a ideia do pecado atingir o próprio Deus encarnado. 

O Escritor ao Hebreus por exemplo, afirma sobre Jesus: Hb 4:15  Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.

Hb 7: 26  Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus;
27 Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente por seus próprios pecados, e depois pelos do povo; porque isto fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo.

O Escritor aos Hebreus deixa clara a relação da expiação dos pecados dos crentes com impecabilidade de Jesus, dado que a impecabilidade do mesmo, resulta na possibilidade bíblica e lógica para a expiação  dos pecados daqueles que creem.

Poderíamos ver também Jo 8:46 onde Jesus desafia seus inimigos para que provassem que ele tinha pecado, obviamente ninguém foi capaz de suprir o desafio. Jo 8: 46  Quem de entre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, porque não credes?

Esses textos já seriam suficientes para provar a impecabilidade do nosso Senhor. Mas gostaria então de avaliar essa questão de uma perspectiva diferente, a saber, como o ocasionalismo se relaciona com tudo isso.

Reconhecendo inicialmente que não há conexões necessárias em si mesmas, entre causa e efeito. Podemos crer que um evento como o nascimento de Jesus depende necessariamente da causação divina em estabelecer a conexão da herança adâmica com o nascimento de Jesus, e vou além, até mesmo a conexão natural entre a herança adâmica e o nascimento em pecado de qualquer homem, carece necessariamente da causação divina em estabelecer a validade de causa e efeito. 

Bom, se tudo isso é verdade, nos resta assumir que a única razão de Jesus não ter nascido em pecado, é obviamente a causação divina, Deus não causou a aplicação da herança adâmica em Jesus Cristo, pois é o próprio Deus que valida qualquer causa e efeito. É Deus quem causa a manifestação da herança pecaminosa, como também, a aplicação da mesma na vida de qualquer homem, seja você ou Jesus. Deus tem que causar para que algo no mínimo exista.

Isso fica mais claro quando pensamos sobre a questão da “hereditariedade pecaminosa”, as Escrituras não ensinam que o pecador Adão transmitiu aos seus descendentes sua natureza pecaminosa através de uma espécie de “hereditariedade pecaminosa e biológica”, como se suas células e todo o conjunto de seu DND transmitisse aos seus descendentes a razão primeira e última dos mesmos se tornarem pecadores. 

Entendendo isso, levantamos aqui a bandeira do Poder de Deus (ocasionalismo cristão) que me parece ser a única razão de garantir a existência da manifestação pecaminosa em todos os homens, e de ausentar a mesma na pessoa de Jesus.

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