POR QUE TODOS OS ARMINIANOS SÃO CALVINISTAS – Mark Jones

Imagem relacionada





Quero apresentar um argumento contra o arminianismo, baseado em uma falha interna dentro do esquema arminiano de predestinação.

Meu argumento, simplesmente é:

"A posição Arminiana sobre a predestinação é inescapávelmente Calvinista (de todos os tipos). Por ser assim, a única opção é abraçar o teísmo aberto ou o calvinismo".

No século XVI, o teólogo dos jesuítas católicos romanos Luis de Molina (1535-1600) propôs a idéia do conhecimento médio, depois abraçado (mas modificado) por Jacob Arminius (1560-1609). Esta visão tornou-se conhecida como Molinismo. Pode ser que o "conhecimento médio" de Molina se refere à liberdade de escolhas e não à predestinação. Mais tarde, os Arminianos, provavelmente seqüestraram o conhecimento médio de Molina para seus próprios propósitos. Em outras palavras, Molina não é o maligno que acreditamos ser, o que coloca os Arminianos em uma posição precária de serem os inovadores.

Os Arminianos geralmente afirmam que Deus poderia saber, antes de escolher os indivíduos, o que um determinado número de seres humanos, que são livres, fará em certas circunstâncias. Em outras palavras, Deus sabe o que realmente acontecerá e o que pode acontecer em condições determinadas. Como resultado, para os Arminianos, Deus elege com base em seu "conhecimento médio" que certos indivíduos responderão favoravelmente ao evangelho em circunstâncias específicas. Deus não elege de forma independente e incondicional em Cristo, mas "reage" à escolha antecipada de um ser finito. Ele escolhe com base em um futuro condicional (escolha). Se a presciência de Deus depende de condições futuras, é preciso perguntar se ele permanece ignorante em algum sentido (daí, "teísmo aberto"). Mas esse é outro problema para outro momento.

No esquema Arminiano, Deus "vê" o que aconteceria com base em um futuro condicional e depois escolhe com base no que ele "vê" ter em um lugar no mundo puramente condicional. Neste esquema, Deus conhece os condicionais condicionalmente. Em suma, o arminianismo introduz uma categoria separada, na qual a decisão humana se torna o fator causal que determina o evento. É uma forma de semi-pelagianismo. No entanto, há uma falha em que eu gostaria de chamar a atenção neste esquema, e é aquele que eu não vi criado antes. Pode ser que alguém tenha, mas ainda não li este argumento em particular.

A Falha

Primeiro certamente que, concordaremos que Deus tem conhecimento de todos os mundos possíveis. Seu conhecimento não se limita a um mundo, mas a todos os mundos possíveis em que há um infinito número de possibilidades (por exemplo, sem cães em um determinado mundo). Por causa de sua liberdade absoluta, Deus não foi forçado a criar este mundo em particular em que vivemos. Teoricamente, ele poderia ter criado um mundo particular diferente baseado em seu conhecimento de um número infinito de outros mundos possíveis.

Ao eleger com base em um futuro condicional, Deus está a eleger com base em um certo mundo possível que ele optou por criar. Por isso, é esse mundo em que vivemos.

Neste mundo (ou seja, mundo possível A), ele escolhe { pessoa x } com base na fé prevista.

Mas neste mesmo mundo, ele não escolhe { pessoa y } porque não havia fé prevista.

A pessoa x é predestinada à vida eterna, mas a pessoa não está predestinada. Tudo porque a pessoa x acredita (fora da liberdade de sua vontade) com base em um futuro condicional.

No entanto, em outro mundo possível  (ou seja, mundo B possível), { pessoa y } acredita que { pessoa x } não.

Devemos nos fazer essa pergunta:

Por que Deus escolhe trazer à existência o mundo A, mas não é possível o mundo B?

Ele faz isso, diz o calvinista, por causa de sua decisão livre e soberana de criar o possível mundo A, mas não o mundo possível B. Mas o Arminiano deve conceder que Deus, portanto, elege um mundo no qual alguns acreditam e assim não quando ele poderia ser um eleito, em um mundo diferente em que os resultados seriam diferentes. No final, a eleição ainda é a escolha soberana de Deus.

Deus poderia ter criado o mundo B? Claro. O fato de ele não trazer à existência o mundo B possível mostra que ele está elegendo { pessoa x } sobre e contra { pessoa y } porque ele poderia ter trazido à existência um mundo possível diferente (possível mundo B) pelo qual { pessoa y } seria salvo.

No final, para o Arminiano, Deus ainda elege. Ele escolhe um certo mundo em que alguns terão uma fé prevista e outros não, quando na verdade ele poderia ter escolhido criar um mundo diferente no qual pessoas diferentes fossem salvas. O Arminiano não pode escapar da eleição soberana. Em certo sentido, o Arminiano ainda é calvinista, mesmo que sejam um "calvinista anônimo".

Claro, o conhecimento médio é tolo. É semi-pelágiano. Ele se encaixa ao deus da liberdade humana e faz de Deus o servo dos seres humanos. Mas mesmo quando isso é feito, o Arminiano não pode escapar de uma forma de Calvinismo onde, em última instância, Deus elege com base em sua própria escolha soberana. Não é de admirar, então, que tantos Arminianos tenham virado Socinianos ou se transformaram em Teístas Abertos. Ou eles se voltam para Leibniz e argumentam que Deus escolheu este mundo porque é o melhor de todos os mundos possíveis.



Via: https://calvinistinternational.com/2017/06/20/why-all-arminians-are-calvinists/?subscribe=success#blog_subscription-8
Tradução: Edu Marques


Comentários