
Quero apresentar um
argumento contra o arminianismo, baseado em uma falha interna dentro do esquema
arminiano de predestinação.
Meu
argumento, simplesmente é:
"A
posição Arminiana sobre a predestinação é inescapávelmente Calvinista (de todos
os tipos). Por ser assim, a única opção é abraçar o teísmo aberto ou o calvinismo".
No século XVI, o teólogo dos
jesuítas católicos romanos Luis de Molina (1535-1600) propôs a idéia do
conhecimento médio, depois abraçado (mas modificado) por Jacob Arminius
(1560-1609). Esta visão tornou-se conhecida como Molinismo. Pode ser que o
"conhecimento médio" de Molina se refere à liberdade de escolhas e
não à predestinação. Mais tarde, os Arminianos, provavelmente seqüestraram o
conhecimento médio de Molina para seus próprios propósitos. Em outras palavras,
Molina não é o maligno que acreditamos ser, o que coloca os Arminianos em uma
posição precária de serem os inovadores.
Os Arminianos geralmente
afirmam que Deus poderia saber, antes de escolher os indivíduos, o que um
determinado número de seres humanos, que são livres, fará em certas
circunstâncias. Em outras palavras, Deus sabe o que realmente acontecerá e o
que pode acontecer em condições determinadas. Como resultado, para os Arminianos,
Deus elege com base em seu "conhecimento médio" que certos indivíduos
responderão favoravelmente ao evangelho em circunstâncias específicas. Deus não
elege de forma independente e incondicional em Cristo, mas "reage" à
escolha antecipada de um ser finito. Ele escolhe com base em um futuro
condicional (escolha). Se a presciência de Deus depende de condições futuras, é
preciso perguntar se ele permanece ignorante em algum sentido (daí, "teísmo
aberto"). Mas esse é outro problema para outro momento.
No esquema Arminiano, Deus
"vê" o que aconteceria com base em um futuro condicional e depois
escolhe com base no que ele "vê" ter em um lugar no mundo puramente
condicional. Neste esquema, Deus conhece os condicionais condicionalmente. Em suma,
o arminianismo introduz uma categoria separada, na qual a decisão humana se
torna o fator causal que determina o evento. É uma forma de semi-pelagianismo. No
entanto, há uma falha em que eu gostaria de chamar a atenção neste esquema, e é
aquele que eu não vi criado antes. Pode ser que alguém tenha, mas ainda não li
este argumento em particular.
A
Falha
Primeiro certamente que, concordaremos
que Deus tem conhecimento de todos os mundos possíveis. Seu conhecimento não se
limita a um mundo, mas a todos os mundos possíveis em que há um infinito número
de possibilidades (por exemplo, sem cães em um determinado mundo). Por causa de
sua liberdade absoluta, Deus não foi forçado a criar este mundo em particular
em que vivemos. Teoricamente, ele poderia ter criado um mundo particular
diferente baseado em seu conhecimento de um número infinito de outros mundos
possíveis.
Ao eleger com base em um
futuro condicional, Deus está a eleger com base em um certo mundo possível que
ele optou por criar. Por isso, é esse mundo em que vivemos.
Neste mundo (ou seja, mundo
possível A), ele escolhe { pessoa x } com base na fé prevista.
Mas
neste mesmo mundo, ele não escolhe { pessoa y } porque não havia fé prevista.
A
pessoa x é predestinada à vida eterna, mas a pessoa não está predestinada. Tudo
porque a pessoa x acredita (fora da liberdade de sua vontade) com base em um
futuro condicional.
No
entanto, em outro mundo possível (ou
seja, mundo B possível), { pessoa y } acredita que { pessoa x } não.
Devemos
nos fazer essa pergunta:
Por que Deus escolhe trazer
à existência o mundo A, mas não é possível o mundo B?
Ele faz isso, diz o
calvinista, por causa de sua decisão livre e soberana de criar o possível mundo
A, mas não o mundo possível B. Mas o Arminiano deve conceder que Deus,
portanto, elege um mundo no qual alguns acreditam e assim não quando ele
poderia ser um eleito, em um mundo diferente em que os resultados seriam
diferentes. No final, a eleição ainda é a escolha soberana de Deus.
Deus poderia ter criado o
mundo B? Claro. O fato de ele não trazer à existência o mundo B possível mostra
que ele está elegendo { pessoa x } sobre e contra { pessoa y } porque ele
poderia ter trazido à existência um mundo possível diferente (possível mundo B)
pelo qual { pessoa y } seria salvo.
No final, para o Arminiano,
Deus ainda elege. Ele escolhe um certo mundo em que alguns terão uma fé
prevista e outros não, quando na verdade ele poderia ter escolhido criar um
mundo diferente no qual pessoas diferentes fossem salvas. O Arminiano não pode
escapar da eleição soberana. Em certo sentido, o Arminiano ainda é calvinista,
mesmo que sejam um "calvinista
anônimo".
Claro, o conhecimento médio
é tolo. É semi-pelágiano. Ele se encaixa ao deus da liberdade humana e faz de
Deus o servo dos seres humanos. Mas mesmo quando isso é feito, o Arminiano não
pode escapar de uma forma de Calvinismo onde, em última instância, Deus elege
com base em sua própria escolha soberana. Não é de admirar, então, que tantos Arminianos
tenham virado Socinianos ou se
transformaram em Teístas Abertos. Ou
eles se voltam para Leibniz e argumentam que Deus escolheu este mundo porque é
o melhor de todos os mundos possíveis.
Via: https://calvinistinternational.com/2017/06/20/why-all-arminians-are-calvinists/?subscribe=success#blog_subscription-8
Tradução: Edu Marques
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