O que alguns chamam de, "o conceito teológico de livre arbítrio",não deve ser visto como um problema em relação ao que outros chamam de "o conceito filosófico de livre arbítrio". Pelo menos não quando estamos tratando sobre a realidade antes da queda.
O primeiro conceito diz que o homem foi criado com livre arbítrio, a ideia de livre arbítrio nesse ponto é que Adão e Eva foram criados livres do pecado. Ou seja, tinham livre arbítrio em relação ao pecado, mas não em relação aos decretos de Deus.
Veja, essa posição não nega que o homem sofre influências externas e internas. A ideia é apenas que no momento antes da queda, Adão estava livre das influências do pecado.
Com isso estou dizendo que eles estavam livres do pecado até o momento que Eva creu nas palavras da serpente.
Vejamos: Gn 3
4 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. (Palavra da serpente)
5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. (palavra da serpente)
6a Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, (Parte do processo da queda, onde veio ser a cobiça)
b tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu. (consumação da queda)
Podemos observar claramente que o primeiro passo onde a liberdade do pecado começa a sumir, é quando nos verso 4 e 5 as palavras da serpente convence Eva, e Eva então passa a cobiçar o fruto e consequentemente comer e dar a seu marido.
1. Argumento da serpente para convencer.
2. Cobiça de Eva.
3. Queda de Adão e Eva.
Os pontos 1 e 2 relatam o precesso da queda. E o ponto 3 é simplesmente o resultado final, a saber, a própria queda.
Ou seja, não há uma defesa aí de livre arbítrio libertário, mas sim de livre arbítrio do pecado até o momento que Eva creu nas palavras da serpente.
O segundo conceito diz basicamente que livre arbítrio seria a capacidade de agir livre de quaisquer influências. Só que o melhor termo para o segundo conceito não deveria ser livre arbítrio, mas sim, livre arbítrio libertário, (algo que Adão e Eva não tinham) que é a capacidade de agir livre de quaisquer influências (seja do pecado ou de Deus)
Adão de fato tinha livre arbítrio em relação a algo (o pecado) até certo ponto. Mas nunca um arbítrio livre libertário, pois isso implicaria na ideia de serem livres dos decretos de Deus, algo que nenhum dos dois conceitos propõe defender.
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