RESENHA: BREVE INSTRUÇÃO CRISTÃ DE JOÃO CALVINO - Edu Marques

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1.      Conhecimento de Deus e de nós mesmos.
2.      Da Lei do Senhor.
3.      Da Fé.
4.      Da Oração.
5.      Dos Sacramentos.
6.      Da ordem na Igreja e na Cidade





No ano em que se comemora os 500 anos da Reforma Protestante, essa obra a Breve Instrução Cristã de João Calvino, caiu como uma luva pra  mim. A obra é fantástica do início ao fim, com grandes exposições das principais doutrinas bíblicas cristãs que conhecemos.
A obra começa com um prefácio, expondo desde o nascimento até a morte de João Calvino, e o quanto suas ideias e obras influenciaram não só no quesito religioso, mas também toda a vida humana naquela época. E, nos dias de hoje, desde a economia e na vida pessoal dos cidadãos. Conta-se também, com uma excelente Sinopse Cronológica, nos mostrando cada acontecimento detalhadamente, onde João Calvino expõe suas ideias e como influenciou na busca pela Reforma. Essa breve introdução, nos mostra como Calvino surge no palco europeu e que antes dele, com um intervalo de uns vinte anos, e sem nunca se terem encontrado, está Martinho Lutero. E antes de Lutero, outros.
Creio que, o ponto principal de toda a teologia de João Calvino, está baseado nessa primeira parte que é sobre o conhecimento de Deus e de nós mesmos. Onde Calvino afirma que devemos viver para conhecer a Deus e assim, conhecemos a nós mesmos, ele diz:

“Se não encontramos nenhum homem — por mais bárbaro e selvagem que seja — desprovido de sentimento religioso, a isto se deve: termos sido criados com o fim de conhecer a majestade do nosso Criador e, conhecendo-a, ter em relação a ela uma estima acima de tudo, honrando-a com todo o temor, amor e reverência.
Deixando de lado os infiéis, que não procuram senão apagar da sua memória esse sentimento de Deus que está plantado em seus corações, impõe-se-nos pensar — nós que fazemos profissão de piedade — que esta vida caduca e mortal, outra coisa não deve ser senão uma
meditação da imortalidade.
Ora, em nenhuma outra parte a não ser em Deus podemos encontrar a vida eterna. É, portanto, necessário que a principal solicitude e preocupa
ção na nossa vida seja procurar Deus, e a ele aspirar com o máximo afecto do nosso coração, não encontrando o repouso a não ser nele só.”(p.35.)


Calvino, também faz uma certa observação entre a verdadeira religião e a falsa, onde a verdadeira é baseada na piedade e no temor à Deus e não no medo.
Conhecemos à Deus pelas suas demonstrações invisíveis, através das obras da criação. Ainda que todas as coisas aparecem claramente a nós, é somente pela Palavra de Deus que entendemos o fim destas coisas, e também como o Senhor se manifesta em nós a sua vida, sabedoria, força e justiça.

“Contemplamos, pois, neste universo a imortalidade do nosso Deus — do qual procedem o começo e a origem de tudo o que existe —, a sua potência que criou e mantém um tão grande conjunto, a sua sabedoria que compôs e governa uma variedade tão grande e tão diversa segundo uma ordem muito matizada, a sua bondade que por si mesma fez com que todas estas coisas tenham sido criadas e subsistam, a sua justiça que se manifesta maravilhosamente na protecção dos bons e na punição dos maus, a sua misericórdia que, para nos exortar à correção, suporta as nossas iniquidades com uma tão grande doçura.”(p.37)


Ele deixa claro que, o homem foi feito a imagem e semelhança de Deus, mas, por  sua rebeldia se tornou escravo do pecado, e de suas vontades perversas.

“Mas porque — movido pelo seu coração corrompido — odeia profundamente a justiça de Deus, (além de fervoroso em toda a espécie de mal), dele se diz não ser livre para decidir entre o bem e o mal.”(p.38)


Que essa rebeldia nos leva pra bem longe de Deus, e que em nós mesmos, não existe força suficiente que possa nos levar de volta a sermos restituídos a salvação, comunhão e a vida com Deus.

“Conhecer isso — ainda que um tal conhecimento nos encha de terror e nos cumule de desespero — é-nos, contudo, necessário: será assim que, despojados da nossa justiça própria, privados da confiança na nossa própria força, afastados de toda a esperança de vida, poderemos aprender, mediante a percepção da nossa pobreza, miséria e ignomínia, a prostrarmo-nos diante do Senhor e — mediante o reconhecimento da nossa iniquidade, impotência e perdição — render-lhe toda a glória da santidade, da força e da salvação.”( p.39)

“Mediante esse conhecimento de nós mesmos — revelador do nosso nada se, verdadeiramente, entrou nos nossos corações — o acesso ao verdadeiro conhecimento de Deus torna-se-nos fácil. E esse Deus já nos abriu como que uma primeira porta no seu reino. E fê-lo ao destruir duas perniciosas pestes: a segurança contra a sua vingança, e a
falsa confiança em nós mesmos. Começamos então a levantar ao céu os olhos, fixados até essa altura na terra, e, em vez de repousarmos em nós mesmos, suspiramos pelo Senhor.”(p.39)

Visto que, quem nos restabelece é Deus por todos aqueles que Lhe agrada constituir herdeiros para a vida, e que sejam afligidos nos seus pensamentos com o peso de seus pecados, e que sejam estimulados a viverem uma vida plena de comunhão com Deus.



Nessa segunda parte, Calvino detalhadamente expõe a lei de Deus, da qual ela mostra o caráter Santo de Deus e a incapacidade humana de a cumprir.

“Na Lei de Deus é-nos dada uma regra perfeitíssima de toda a justiça, a que se pode chamar, com toda a propriedade, a eterna vontade do Senhor: efetivamente, tudo o que ele exige de nós está, de um modo pleno e claro, contido nas duas tábuas.
Na primeira tábua está prescrito, em poucos mandamentos, o serviço que lhe agrada que prestemos à majestade que é a sua. Na outra, quais as obrigações caridosas devidas ao próximo.
Escutemo-la pois, e veremos em seguida que doutrina, a partir dela, devemos adoptar; e ainda, paralelamente, que frutos deveremos colher daí.”(p.41)


Ele faz breves comentários do decálogo, e quero destacar alguns.
No Primeiro Mandamento, Calvino relata que esse mandamento afirma que, o Senhor nosso Deus tem todo o direito de ordenar e exigir obediência de seus filhos. Que invoca seus benefícios e a ingratidão do povo, e mostra a bondade de Deus ao tirar seu povo da escravidão do Egito.
No Segundo, Deus declara ser o único Deus e ordena como Ele quer ser adorado. Da qual, não pode ser adorado pelas imaginações humanas e nem comparado com a sua criação, e deixa bem claro o quão horrível é o desobedecer nesse assunto.

“Aprendemos, pois, com este mandamento que o serviço e a honra de Deus são espirituais: com efeito, em virtude de ele ser Espírito, quer ser servido e honrado em espírito e em verdade.
Ajunta em seguida uma ameaça terrível, com a qual declara o quanto ele é gravemente ofendido pela transgressão desse mandamento:
Porque sou o Senhor teu Deus, poderoso, ciumento, que visito a iniquidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me detestam, e  que faço misericórdia até à milésima geração daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos.”(p.43)

E:

“É como se nos dissesse que ele é o único a quem nos devemos ligar, não tolerando nenhum outro além dele. E ainda que vingará a sua majestade e a sua glória se alguns as transferirem para as imagens ou para uma qualquer outra coisa: e isso não somente uma única vez, mas ao longo das gerações, pais, filhos e descendentes, isto é, todos aquele— tantos quantos sejam — que imitem a impiedade dos pais. E que também, do mesmo modo, manifesta a sua misericórdia e doçura para com todos aqueles que o amam e guardam a sua Lei. E com isso declara-nos a grandeza da sua misericórdia que estende até mil gerações, enquanto a sua vingança não vai além de quatro gerações.”(p.43)

No Terceiro, é proibido abusar de seu Santo Nome, e se fazer juramentos vãos. E quando aprendemos isso, e nos prostramos e Lhe damos a devida honra, afirma que isso vai no sentido de nossa própria edificação. Quando não fazemos, Calvino relata o quanto isso é perigoso e nos diz que Deus anuncia uma severa punição, a fim  daqueles que profanam o Seu Nome.

No Quarto Mandamento, ele nos diz que esse é fruto dos três primeiros. Que em primeiro lugar, Deus prefigura Israel, ordenando um descanso no sétimo dia, Que houvesse um dia determinado para que seu povo pudesse se reunir e adorá-lo. E para aqueles que vivessem a serviços de outros, tivessem um descanso de seus trabalhos. Ele deixa claro, que isso era uma sombra do Cristo que havia de vir, a plena verdade Eterna, que com a sua morte, nós também fomos sepultados com Ele. Isso que se faz uma longa caminhada cristã, e que não devemos guardar esse dia de forma supersticiosa, mas em honra a Cristo.

“É assim que o dia observado pelos Judeus foi suprimido — o que foi útil para abolir a superstição — e um outro dia foi destinado para esse fim (coisa necessária para manter e conservar a ordem e a paz na Igreja).
Se, pois, a verdade foi dada aos Judeus sob a forma de figuras, a nós ela é revelada sem sombra alguma:
Primeiro, para que em toda a nossa vida meditemos um perpétuo sábado das nossas obras, a fim de que o Senhor opere em nós pelo seu Espírito.
Segundo, para que guardemos a ordem legítima da Igreja, a fim de ouvirmos a Palavra de Deus, recebermos os sacramentos, orarmos publicamente.
Terceiro, para que não oprimamos inumanamente pelo trabalho aqueles que nos estão sujeitos.”(p.44-45)


Do Quinto ao Décimo Mandamento, Calvino comenta sobre a real importância da comunhão com o próximo. Do amor que a Lei exige que devemos ter com nossos irmãos da fé, e que devemos tratá-los com mais honra do que a nós mesmos. Calvino comenta também, que Cristo resumiu os dez mandamentos em apenas dois:


“Nosso Senhor Jesus Cristo explicitou, de um modo suficientemente claro, para que tendem todos os mandamentos da Lei, ao ensinar que toda a Lei está contida em dois capítulos.
O primeiro, que amemos o Senhor nosso Deus, com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, com todas as nossas forças.
O segundo, que amemos o nosso próximo tanto quanto a nós mesmos. Uma tal interpretação extraiu-a ele da Lei ela mesma, pois a primeira parte encontra-se no capítulo 6 do Deuteronômio13, e à outra vêmo-la no capítulo 19 do Levítico.”(p.48)


E que a Lei, é Santa e Boa, e um modelo a ser seguido como um ensinamento da vontade de Deus ao seu povo, para viver uma vida santa e justa. E também, que Deus é justo e vingador, contra aqueles que as não cumpre pelas suas próprias obras, tudo o que lhes é ordenado a fazer. E que essa mesma Lei, é um caminho para mostrar ao homem, o quão corrupto é, e que nunca vai conseguir cumprí-la. Fazendo isso, apontando para a necessidade de um Salvador que é Cristo Jesus Nosso Senhor.

Porque se, na Lei, Deus aparece como o remunerador de uma perfeita justiça, da qual estamos totalmente desprovidos, e também como o Juiz íntegro e severo dos pecados — se isso é assim, já em Cristo, pelo contrário, a sua face brilha cheia de graça e de doçura, e isso para com miseráveis e indignos pecadores. Com efeito, deu este exemplo admirável do seu amor infinito ao entregar por nós o seu próprio Filho, tendo-nos aberto nele todos os tesouros da sua clemência e da sua bondade.”(p.50)




Sobre a fé, ele nos relata o quanto Deus Pai foi misericordioso conosco, enviando seu único Filho pela Palavra do Evangelho, para aqueles a quem Ele elegeu e predestinou desde a fundação do mundo, para herdar a vida eterna.
Descreve que estes, alcançam essa promessa pela fé, que é um dom de Deus, e é Ele quem nos dirige a isso. Que somente pela fé podemos entender as coisas espirituais, por que até então, o homem carnal não pode compreender.


“Se tivermos em conta, honestamente em nós mesmos, até que ponto o nosso pensamento é cego diante dos segredos celestes de Deus, e até que ponto o nosso coração é infiel em todas as coisas — se tivermos isso em conta, não duvidaremos de que a fé sobrepuja infinitamente todo o poder da nossa natureza, e é um dom extraordinário e precioso de Deus. Como o diz S. Paulo: «Se ninguém conhece as coisas do homem, a não ser o espírito do homem que está nele, também ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de
Deus.”(p.53)


Cristo, sendo o objeto dessa fé, é Ele mesmo que intercede pelos seus eleitos junto ao Pai, o qual enviou o seu Espírito Santo para santificar e nos ajudar a obedecer a sua Lei.


“A obediência à Lei não é, pois, uma obra que dependa de nós, mas sim uma obra de que o poder vem do Espírito que purifica os nossos corações corrompidos, e amolece-os para que eles obedeçam à justiça.
Daí que a prática da Lei seja, para os cristãos, absolutamente impossível fora da fé. O ensino exterior da Lei, antes, não fazia senão acusar-nos de fraqueza e de transgressão. Mas, desde que o Senhor gravou nos nossos corações o amor da sua justiça, a Lei é uma lâmpada para guiar os nossos passos, a fim de não nos desviarmos do recto caminho; ela é a sabedoria que nos forma, nos instrui e nos encoraja a tornarmo-nos íntegros; ela é a nossa regra e não suporta ser destruída por uma má liberdade.”(p.55)


Além de fazer uma exposição do nosso símbolo de fé, que é o credo apostólico, e de sua clara importância para a Igreja do Senhor, Calvino dá esperança aos eleitos de Deus que tem e alcançam as promessas pela fé em Jesus Cristo.


“E assim como ninguém pode aguardar e esperar coisa alguma de Deus sem crer primeiro nas suas promessas, assim também é preciso que a fraqueza da nossa fé — que, cansada, não deve desfalecer — seja sustentada e conservada por uma esperança e uma espera perseverantes.”(p.65)






Nessa parte, Calvino expõe a importância da oração e o dever de todo crente perseverar nela. Colocando nossa vida e petições diante do Trono Santo de Deus, dizendo ser a oração uma comunicação com Deus e que através desse ato, seu povo recebe consolo nessa vida.


“Aqueles que invocam Deus e a ele oram, recebem uma singular consolação porque, agindo assim, sabem que fazem uma coisa que lhe é agradável. Assegurados na promessa, têm, além disso, a certeza de serem ouvidos. « Pedi e ser-vos-á dado. Batei e abrir-se-vos-á. Procurai e encontrareis»,41 diz o Senhor; e ainda: «Invocai-me no dia da tribulação; livrar-te-ei, e tu me glorificarás.”(p.67)



Também nos diz como deve ser a nossa oração, expondo a oração do Pai Nosso em que Jesus nos deixou como modelo a ser seguido. Sempre orando a Deus Pai em Nome de Cristo, reconhecendo a sua Santidade, Seu Reino Eterno e sua Soberania, de que nada acontece fora de sua vontade, louvando sua Providência nas nossas necessidades, pedindo perdão por nossas falhas e pecados, e nos ajudando a perdoar aqueles que nos ofende, e nos livrar de todo mal que pode nos causar, e sempre procurando em cada oração que fizermos, a nossa plena submissão e a vontade do Senhor que é perfeita.


“Ao terminarmos, impõe-se-nos observar que não devemos querer ligar Deus a nenhuma circunstância, do mesmo modo que nesta oração dominical é-nos ensinado a não o subtermos a nenhuma lei e a não lhe impormos nenhuma condição.
Antes de lhe dirigirmos uma qualquer petição em nosso favor, dizemos-lhe logo à partida: «Que a tua vontade seja feita.» Começamos assim por submeter à sua a nossa vontade, a fim de esta — controlada por uma espécie de freio — não alimentar a presunção de se colocar numa posição superior.”(p.73)






Sobre os Sacramentos, ele nos ensina a importância da correta administração deles, Batismo e a Ceia do Senhor.
Começa nos expondo o que é na verdade o Batismo, como um selo da Graça de Deus, e nos diz que o Batismo representa a purificação pelo sangue de Cristo e a mortificação  da nossa carne, e que isso é uma ordem direta de Jesus.


“O Senhor ordenou que os seus fossem baptizados para a remissão dos pecados.45 E S. Paulo ensina que Cristo santifica pela Palavra da vida, e purifica pelo batismo da água, a Igreja da qual ele é o esposo.46
S. Paulo expõe também que somos baptizados na morte de Cristo ao sermos sepultados na sua morte para andarmos em novidade de vida.47
Isto não quer dizer que a água seja a causa, nem sequer o instrumento, da purificação e da regeneração, mas somente que o conhecimento destes dons é recebido neste sacramento. É-nos dito que recebemos, obtemos, impetramos o que cremos nos ser dado pelo Senhor, que conheçamos estes dons pela primeira vez, quer, tendo-os já conhecido, fiquemos, a seu respeito, mais seguramente persuadidos.”(p.75)



E que na Ceia, seu povo quando reunido, alimenta a sua fé e confiança em Cristo, e que participar dela, além de ser uma ordem direta de Cristo,  vai nos fortalecer na nossa vida espiritual. Tanto o sangue e o corpo, são representados sob o pão e o vinho, tudo o que precisamos na caminhada cristã.


“É por isso que o corpo e o sangue são representados sob o pão e o vinho, a fim de aprendermos não apenas que eles são nossos mas também que eles são para nós vida e alimento. Assim, quando vemos o pão consagrado ao corpo de Cristo, impõe-se-nos nesse mesmo instante conceber esta similitude: assim como o pão nutre e conserva a vida do nosso corpo, assim também o corpo de Cristo é o alimento e a proteção da nossa vida espiritual. E quando o vinho nos é apresentado em sinal do sangue, temos igualmente de considerar que recebemos espiritualmente do sangue de Cristo os mesmos benefícios que o vinho transmite ao corpo.”(p.76)





Na parte final do livro, Calvino nos fala sobre a ordem na igreja e na cidade, que os pastores tem a autoridade sobre o povo de Deus, desde quando estejam fiéis a Palavra  de Deus. E que não devemos considerar como regra de fé para a Igreja, as tradições humanas, que podem servir de elo para manter a ordem. Devemos resistir a essas ordenanças e nos submeter plenamente a Palavra de Deus.
Nos ensina também, que aqueles que vivem uma vida devassa, devem ser excomungados na presença dos fiéis, mostrando o rigor que é servir a Deus com toda reverência, e fazendo isso, mostrando a disciplina do Senhor indispensável para esses que cometem tais práticas e não se arrependem de forma alguma.


“Trata-se de uma disciplina indispensável entre os fiéis, pois a Igreja é o corpo de Cristo e não deve ser maculada e contaminada por tais membros fétidos e corrompidos que desonram o Chefe. Os santos não devem ser corrompidos e estragados (como acontece) pelo convívio com os maus. Aliás, o castigo da sua malícia é proveitoso aos próprios maus, enquanto a tolerância torná-los-ia mais obstinados. Ao serem confundidos pela vergonha aprendem a emendar-se.
Se os maus se emendam, a Igreja recebe-os de novo com doçura na sua comunhão e na participação da unidade de que tinham sido excluídos.”(p.80)



E que, os Magistrados Civis, foram ordenados e instituídos por Deus para punir os maus e perversos que praticam e tem prazer na violência. E devem exercer seus cargos debaixo da orientação da Palavra de Deus com piedade, e proteger os inocentes. E também, os súditos devem reverenciar e honrar os Magistrados.


“Não somente devemos obediência aos magistrados que exercem a sua     autoridade segundo o direito e de acordo com os seus deveres, mas é-nos também necessário suportar aqueles que abusam tiranicamente do seu poder até que, por ordem legítima, sejamos libertados do seu jugo. Porque se um bom príncipe é um testemunho da bondade divina em vista da salvação dos homens, um príncipe nocivo e mau é um flagelo de Deus para castigar os pecados do povo. Deve, contudo, ser geralmente tido por certo que a autoridade é dada a uns como aos outros por Deus mesmo, e que não podemos resistir-lhes sem resistir à ordem de Deus.”(p.82)


“Enfim, não é de nenhum outro modo senão em Deus que somos submetidos aos homens que foram estabelecidos acima de nós. E se eles nos ordenam algo contra o Senhor, não devemos ter isso em conta, pondo antes em prática esta máxima da Escritura: «Impõe-se-nos mais obedecer a Deus do que aos homens.”(p.82)


Bibliografia

Calvino, J. (2009). Breve Instrução Cristã.

          INSTITUTO REFORMADO SANTO EVANGELHO
                              BACHAREL EM TEOLOGIA
                                   Carlos Eduardo Marques

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