
Um argumento muito comum contra a salmodia exclusiva está baseado na suposição de que as versões metrificadas dos salmos para o cântico (i.e., os salmos traduzidos de maneira que possam ser musicados e rimados, etc) realmente não são traduções dos salmos, mas, no melhor dos casos, são paráfrases grosseiras do original hebraico. Assim, argumenta-se que o cântico dos salmos metrificados é pouco ou nada diferente do cântico de hinos não inspirados baseados na Escritura ou que ensinam a história da redenção. Em outras palavras, também são composições humanas, e se elas são permitidas as outras também têm de ser. Embora comum, há muitos modos de refutar esse argumento. Primeiro, note que o argumento inteiro é baseado sobre uma analogia não-bíblica e imoral. O argumento assume que se um grupo de pessoas distorce o significado original dos salmos por meio de uma tradução ruim ou defeituosa essas pessoas permitam que outras utilizem hinos que são composições humanas. Em outras palavras, se um grupo A faz algo errado, o grupo B também pode fazer algo errado. Se realmente é verdade que alguns crentes reformados estão usando versões métricas defeituosas, malfeitas, dos salmos, então nossa resposta como cristãos nunca deve ser “Vamos fazer igual” ou “Nos deixe ir além ignorando completamente os salmos inspirados.” Mas deve ser, “Irmão, se arrependa! Há disponíveis saltérios excelentes, fidedignos. Você não precisa usa ruma tradução defeituosa!” Aos irmãos que usam esse argumento nós fazemos uma pergunta simples, “O fato de que algumas igrejas usam paráfrases terríveis da Bíblia para a leitura da Escritura no culto público justifica o uso de textos cristãos não-inspirados ao invés da Bíblia?” Não, é claro que não! Então, traduções pobres dos salmos não justificam hinos de autoria humana. Segundo, muitos que usam o argumento da métrica dos salmos assumem que as versões métricas dos salmos (em virtude do fato de que eles devem ser parafraseados para rimar e se ajustar à música) são necessariamente traduções ruins. Ou seja, é impossível ser fiel à Escritura com um salmo metrificado. Esse argumento deve ser rejeitado porque é baseado em uma falsa suposição. Os salmos métricos podem e têm sido traduzidos da língua original com fidelidade e precisão. Ademais, mesmo que não fosse assim, isto não justificaria o uso de hinos de composições humanas. Se um crente afirma que os salmos metrificados são inerentemente defeituosos e assim não-confiáveis para o mandamento bíblico de cantar salmos no culto, então ao invés de mudar trocá- los por canções não-inspiradas ele deveria, cantar durante o culto, os salmos em seu fraseado original (i.e., tirados de uma tradução mais literal da Bíblia).
Terceiro, o argumento dos salmos métricos, para ser consistente, requereria que
no culto público a leitura da Escritura fosse feita nas línguas originais (hebraico,
aramaico, grego). Qualquer um familiarizado com a tradução bíblica entenderia
que uma tradução absolutamente literal, palavra por palavra, do texto grego e
hebraico é impossível. Até as melhores, as mais literais traduções em uso hoje
(e.g., KHV, NKJV, ASV, NASB) tem de recorrer às vezes à uma frase ou
múltiplas palavras para designar com precisão o significado de uma única
palavra hebraica ou grega. Ademais, é importante que uma tradução procure o
tanto quanto possível a majestade de estilo e elegância da linguagem original.
Deus ordena seu povo a ler as Escrituras e a cantar os salmos. Isto requer
tradução. No caso dos cânticos isto pode às vezes requerer uma tradução
métrica. O importante é que a igreja de Cristo seja o tanto quanto for possível
fiel à linguagem original na tradução da palavra de Deus. Mas uma vez, se a
tradução da Bíblia ou dos salmos é imprecisa, defeituosa ou mal-feita, de
qualquer maneira a solução não é descartar as santas Escrituras, basta fazer
um trabalho melhor, uma tradução mais fiel. Precisão não é uma opção, mas
uma exigência. Enquanto elogiamos nossos irmãos por se preocuparem com a
questão da necessidade de traduções precisas dos salmos, devemos rejeitar
suas tentativas de driblar a exigência de Deus quanto ao cântico de hinos
inspirados na adoração pública.
3. CONCLUSÃO
Após examinar os argumentos mais comuns em uso hoje contra a salmodia
exclusiva, podemos chegar a somente uma conclusão. Os argumentos contra a
salmodia exclusiva não são baseados em uma exegese sã da Escritura. Mas
são tentativas vãs de justificar tradições humanas que não têm nenhuma
autorização divina. Pedimos a nossos irmãos que defendem o uso de hinos nãoinspirados
no culto para nos fornecer um mandamento bíblico ou exemplo
histórico que apoie sua posição. Não há nenhum. E como não encontramos a
mínima evidência bíblica para o uso de cânticos não-inspirados no culto público
da nova aliança, iremos permanecer fiéis a Escritura e aos feitos de nossos pais
espirituais reformados. A Confissão fala disto da seguinte maneira: “O Velho
Testamento em hebraico (que era a língua nativa do povo de Deus na antiguidade)
e o Novo Testamento em grego (que era a língua mais geralmente conhecida das
nações à época)... Mas porque essas línguas originais não são conhecidas por todo o
povo de Deus que tem interesse nas Escrituras e são ordenados a, no temor de
Deus, lê-las e estudá-las, esses livros têm de ser traduzidos na linguagem comum
de cada nação aonde chegarem, para de que pela Palavra de Deus, permanecendo
neles abundantemente, o adorem de uma maneira aceitável.” Retornemos ao
simples, ao culto sem adornos da igreja apostólica e aos padrões de
Westminster. (cf. Confissão de Fé, 21:5).
Salmodia Exclusiva - Brian Schwertley - CAPÍTULO 3: OBJEÇÕES À SALMODIA EXCLUSIVA-IV. O ARGUMENTO DA MÉTRICA DOS SALMOS – PÁG. 53-56
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