
“Se Jesus tivesse nascido a 30 anos atrás, a Fox News e o Partido Republicano iria rotulá-lo de um
homem perigoso do oriente médio que quer impor o socialismo no mundo e fortalecer os pobres”.
O meme acima está se popularizando no Facebook. Da última vez que eu verifiquei, não são os
judeus os quais estão decapitando os cristãos, incendiando as igrejas, sequestrando e matando
crianças cristãs nas escolas, engajando-se em “matanças por honra”, jogando ácido no rosto de
mulheres, voando aviões contra prédios, etc.
É a afirmação socialista que mais captou a minha atenção. Os pobres são fortalecidos quando o
mercado é livre da regulação opressiva, impostos são baixos, o governo é severamente limitado.
Essa não é a primeira vez que alguém tentou equiparar a teoria social do Novo Testamento com o
socialismo da modernidade na tentativa de tornar a Jesus num defensor de confiscação e
redistribuição de riqueza.
Jesus disse que ele não veio para “abolir a lei e os profetas” (Mat. 5:17). Uma dessas leis é “Não
furtarás” (Ex. 20:15), mesmo se a maioria do povo votar a favor de roubar. O socialismo é a
transferência de riqueza de algumas pessoas para outras pessoas por meio da força.
Nem Jesus em
particular, nem a Bíblia de forma geral, defendem um sistema como este.
A colheita no Velho Testamento era uma maneira de ajudar os pobres. Até mesmo os membros mais
pobres da sociedade tinham de trabalhar (Lev. 19:9-10; 23:22; Deut. 24:20-22). Jesus e os seus
discípulos praticavam uma forma de colheita enquanto andavam através das plantações de trigo
arrancando espigas para comer (Mark 2:23). A colheita era trabalho árduo, e não era um programa
governamental.
É verdade que Jesus disse que deveríamos cuidar “destes pequeninos” (Mat. 25:40). Quem são os
“destes”? O contexto deixa claro que a extensão de Jesus está limitada a “destes Meus irmãos”.
Como veremos, Jesus expande sobre aqueles os quais devemos ajudar.
Observe que não há nenhuma menção de programas governamentais, legislação ou mandatos. A
diretiva está mirada aos indivíduos, não burocratas sem face e sem nome. Certamente, Roma tinha
o poder de tributar (Lucas 2:1; Mat. 22:15-22) e, mesmo assim, Jesus nunca suplica ao Império para
forçar as pessoas a pagarem o “quinhão” delas no desenvolvimento de um Estado social.
Jesus
acreditava em governo limitado.
O bom samaritano é um exemplo de como a ajuda deveria ser realizada. O samaritano cuidou do
homem “meio morto” a partir de seu próprio bolso. Ele “enfaixou-lhe as feridas, derramando nelas
vinho e óleo. Depois colocou-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria”. E “No dia
seguinte, deu dois denários ao hospedeiro e disse-lhe: ‘Cuide dele. Quando voltar lhe pagarei todas
as despesas que você tiver’” (Lucas 10:30-37).
Até mesmo a passagem do jovem rico não é sobre o socialismo (Marcos 10:17-27).
Jesus não usou
o exemplo do jovem rico, o qual estava estrangulado em sua riqueza, para recorrer à Roma para
tributar os ricos para que os pobres sejam beneficiados. Se isso fora o objetivo de Jesus, então por
que Ele disse a mesma coisa a José de Arimatéia o qual é descrito como um “homem rico” (Mat.
27:57; Marcos 15:43)?
Apelos não podem ser feitos a Atos 2:44-45 e 4:32-37.
Esses cristãos primitivos venderam,
voluntariamente, as suas propriedades e usaram os proventos para ajudar aqueles que passavam
necessidade. Nem o Império nem a Igreja tinham qualquer participação na venda de propriedade.
John R. Richardson escreve:
“Ninguém era forçado a abrir mão de seus bens e posses. Não era o socialismo legislado por
parte da igreja ou Estado. Não assemelha-se ao comunismo moderno de nenhuma forma....
Ananias estava livre para manter ou vender a sua propriedade. Quando ele vendeu-a, ele tinha
o direito de determinar se ele a daria toda, ou parte dela, ou nenhuma parte dela, à tesouraria
da igreja para o alívio das necessidades dos pobres cristãos. J. W. Lipscomb está seguramente
correto quando diz: ‘O programa era uma expressão voluntária de preocupação cristã para as necessidades dos cristãos companheiros, e não era um programa para coletivismo compulsório
tal como escutamos ser defendido muito frequentemente hoje em dia’”.
2
Paulo realiza a coleta para a igreja de Jerusalém “para os santos” (1 Cor. 16.1-4, 2 Cor. 8:1-9, 15;
Rom 15:14-32). Eles deram “segundo as suas posses, e ainda acima das suas posses, deram
voluntariamente” (2 Cor. 8:3).
Paulo escreve em sua primeira epístola aos tessalonicenses:
“Contudo, vos exortamos, irmãos, a abundar cada vez mais e a diligenciardes por viver
tranqüilamente, E procureis viver quietos, e tratar dos vossos próprios negócios, e trabalhar
com vossas próprias mãos, como já vo-lo temos mandado; de modo que vos porteis com
dignidade para com os de fora e de nada venhais a precisar” (1 Tess. 4:10-12).
Também há a injunção de Paulo: “se alguém não quiser trabalhar, não coma também” (2 Tess. 3:10).
Tentativas num sistema econômico socialista têm sido repetidamente experimentadas com fracasso
abjeto.
Os peregrinos eram, inicialmente, organizados como uma sociedade coletivista como estipulado por
meio de contrato por parte de seus investidores. Não importava o quanto uma pessoa trabalhasse,
todas as pessoas receberiam a mesma quantia. Não demorou para os menos industriosos
reconhecerem que o seu trabalho reduzido os daria o mesmo resultado dos mais industriosos.
William Bradford, o governador em exercício da Colônia de Plymouth, escreveu o seguinte em sua
história de primeira mão de eventos:
“A experiência que tivemos nesta trajetória e condição comuns, testada por muitos anos....que
ao tirar-se a propriedade, e trazer a comunidade a uma riqueza comum, far-lhes-iam felizes e
florescentes — como se eles fossem mais sábios do que Deus”.
“Pois esta comunidade (na medida em que era) encontrou-se a gerar muita confusão e
descontentamento, e retardar muitos empregos os quais teriam sido por benefício e conforto a
eles. Pois jovens que eram mais hábeis e aptos para o labor e serviço queixaram-se que
deveriam gastar seu tempo e força para trabalhar para as esposas e filhos de outros homens
sem [serem pagos], que era tido como injustiça”.
“Isso [livre iniciativa] teve muito sucesso bom, pois fez todas as mãos serem industriosas, de
modo que muito mais milho foi plantado do que teria sido do contrário”.
O socialismo não somente é imoral; ele não funciona.
Gary DeMar possui M.Div. pelo Seminário Teológico Reformado, Jackson, Mississippi (1979), é
membro da Presbyterian Church of America (PCA) e é autor de mais de 27 livros.
2 Christian Economics: The Christian Message to the Market Place (Houston: St. Thomas Press, 1966), p. 60
1 E-mail do tradutor para contato: nhac27@hotmail.com.
Traduzido e publicado em janeiro de 2018. Esta tradução está
oficialmente disponível no blog monoergon.wordpress.com
Tradução: Nathan Cazé1
Fonte: https://garydemar.com/jesus-socialist-meme-lie/
Título original: THE “JESUS WAS A SOCIALIST” MEME AND LIE
Originalmente publicado em 10 junho 2014
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