O decreto da reprovação - William Perkins

Resultado de imagem para william perkins



O decreto da reprovação é uma obra da providência de Deus, segundo a qual, Ele decretou que certos homens, em oposição à sua graça sobrenatural e para a manifestação da sua justiça, receberiam a ira e sua devida destruição. É de sua vontade, pelo qual Ele faz com que alguns homens sofram e caiam em pecados, e assim, infligi o castigo da condenação.

Ele tem dois atos em semelhantes maneiras.

O primeiro propósito é o de abandonar alguns homens, e dar a conhecer a sua justiça neles. Este ato tem uma causa final, mas nenhuma causa impulsiva de Deus. Pois surge de Deus, apenas um bom prazer, e nenhum respeito ao que a criatura teve de bom ou mal. Pois a vontade de Deus é a causa das causas: portanto, devemos colocar nosso suporte nela, e fora disso, nenhuma razão deve ser procurada: sim, de fato, não há nada além disso que devemos procurar.

Além disso, cada homem (como Paulo descreve) é para Deus, como um pingo de argila na mão do oleiro; e, portanto, de acordo com sua autoridade suprema, ele faz vasos de ira, e não os achará feitos por si só. Mas ele não deveria fazê-los, mas encontrá-los feitos, se dissermos que Deus quis em seu conselho eterno, reprovar os homens por apenas que sejam pecadores e não as suas causas, embora desconhecidas para nós.

Em terceiro lugar, se Deus rejeitasse os homens, porque ele previu que o rejeitariam, a reprovação não dependeria de Deus, mas dos próprios homens. E isso, é como se um homem dissesse que Deus previu que alguns o escolheriam, e outros o recusariam. E o desprezo do Evangelho não acontece com os bebês que morrem fora da aliança do Evangelho.

Em quarto lugar, Paulo que era o mais hábil defensor da justiça Divina, em primeiro lugar exclui todas as obras desta maravilhosa eleição que de uma outra forma foi feita no conselho de Deus: não por obras, diz ele; e, portanto, exclui tudo a respeito do pecado; depois, sendo dominado pela admiração, ele se depara com a única vontade de Deus, “quem resistiu à sua vontade? Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?”
Mais uma vez, “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!”


Para concluir, se acreditamos que Deus criou este mundo, não mais devemos recorrer à mera vontade de Deus: e por que não devemos questioná-lo, se Deus elegeu um homem e abandonou o outro? Ele é o Autor e Senhor de uma parte da humanidade que é redimida, e de outra parte que perece. Mas quem pode dizer, por que Deus não se compadece deles e se compadece de outros? A razão da distinção é desconhecida, mas a distinção ou a separação  é conhecida.

O segundo ato é ordená-los à punição ou à devida destruição. Esta ordenação está em relação com a sua diversa consideração que pode ser distinguida: é simples ou comparativa. A ordenação simples é essa, por meio do qual, esses homens suponho eu que Pedro ou João, sejam ordenados a punição. E esta ordenação é da vontade mais justa de Deus, ainda não a respeito ao pecado original e real. Pois, como os homens são realmente condenados pelos seus pecados, assim Deus decretou condená-los pelos mesmos pecados. No entanto, apesar do pecado não ser a causa do decreto da reprovação, mas em relação à ordem, ele é conhecido previamente por Deus, tanto o primeiro como esse último ato. A ordenação, que se compara é a de que um homem e não outro é ordenado á punição, e este homem em vez disso, se encontra na mesma condição.

Isso serve para demonstrar a liberdade da vontade de Deus, na dispensação de benefícios sobrenaturais. Pois, na medida em que Deus escolhe esse homem e não outro, Ele declara a liberdade e a perfeição de Deus; e, portanto, sob o nome de um chefe de família, ele desafia o mesmo, quando ele diz: “Não posso fazer o que eu quero com esta lista?” E mesmo que, Deus destrua e condene todos aqueles a quem ele abandona, ainda assim Ele não é injusto. Pois nós mesmos, na matança diária e no massacre de animais consideramos isso injusto, nem nós somos em comparação com Deus, não valemos muito, somos como uma mosca em relação a nós. Se for lícito para você receber ou expulsar qualquer um da sua casa, porque você quer. Era um ponto de ousadia desesperada tomar o mesmo direito de Deus em sua casa.

Extraído: Perkins, William. A Christian and Plain Treatise of the Manner and Order of Predestination, Pg. 24-28.


Tradução: Edu Marques

Comentários