
“…O
que há de errado com um pouco de apostas? O documento elaborado “O Ato de Jogos
de Azar de 1968” 1 vê os jogos de azar como algo a ser tolerado com relutância
e, portanto, a ser cuidadosamente regulado e controlado, porém, nos dias de
hoje, os Jogos de azar são vistos como
um lazer convencional. O Ato de Jogos de Azar de 2005 2 permite que cassinos
fiquem abertos 24 horas e com jackpots ilimitados, além de outros assuntos aprovados como um “super
cassino” na Grã-Bretanha. O projeto de lei sobre jogos de azar, originalmente,
incluía planos para permitir um número ilimitado de cassinos que poderiam ter
até 1.250 máquinas caça-níquel. Porém, os planos foram reduzidos, primeiro, a
oito cassinos, após a pressão dos sindicatos trabalhistas instituições de caridade e, depois, para um,
em acordo com a oposição. muitas
organizações, incluindo algumas igrejas, têm loterias, vendem rifas, ou jogam
bingo. Há 11 anos, temos a loteria nacional que, supostamente, é uma maneira
não prejudicial de levantar dinheiro para boas causas e dar um pouco de
vibração e emoção adicional à vida, porém, estão essencialmente rebaixando a
moral da nossa nação e cobrando impostos dos pobres para arrecadar dinheiro
para centros esportivos e etc. A loteria nacional é, hoje, a principal
instituição em nosso país. As vendas de bilhetes aumentaram de 55 milhões de
libras para 2,409 bilhões de libras no primeiro semestre do ano fiscal. Isso é
equivalente a 100 libras gastas por cada homem, mulher e criança na
Grã-Bretanha durante um ano. Entretanto, a maioria das pessoas não vê nada de
errado com a loteria.
O que há de errado
com os jogos de azar?
Richard
C. Leone, ex- comissário da Comissão Nacional de Estudos do Impacto dos Jogos
de Azar, do Congresso dos EUA, declara: “Na minha visão, as loterias estaduais
abriram o caminho para o grande aumento de jogos de azar legalizados. Elas
promovem a noção de superar as probabilidades, tendo a capacidade de anunciar
isso de um jeito que os outros não têm, além de propagar o mito de que os jogos
de azar são bons para a sociedade em geral e para o governo, em particular. As
loterias são, possivelmente, a forma mais difícil de jogo de azar para
justificar em termos do seu custo-benefício. Os melhores estudos apontam a
mesma direção: As loterias aprisionam os pobres e os não escolarizados.”
O que é um jogo de
azar?
Afinal,
o que é um jogo de azar? Em um folheto publicado pela Irish Reformed
Presbyterian Church, há essa definição: “Jogo de azar é um ato pelo qual uma
pessoa conscientemente arrisca seu dinheiro ou outra aposta, na esperança de
ganhar à custa de outra pessoa, sem dar nada de valor em troca.” Ao jogar em
máquinas caça-níquel ou na compra de um bilhete de loteria, alguém dá dinheiro
na esperança que ele ou ela irá receber mais dinheiro como retorno. Vejamos,
agora, os motivos bíblicos pelos quais os jogos de azar são errados.
Jogos de azar são
contrários à palavra de Deus
Se
você aposta em cavalos, coloca dinheiro em uma máquina caça-níquel, em uma
roleta ou compra um bilhete de loteria, tudo isso é jogo de azar, e jogos de
azar quebram pelo menos quatro dos dez mandamentos.
Quebra o 8º
mandamento
O
oitavo mandamento diz: “não roubarás”. Os jogos de azar são uma tentativa de
ter ganho material sem pagar um preço em troca. Paulo escreveu: “se um homem
não trabalhar, então não coma”. É o trabalho e a responsabilidade que
desenvolvem o caráter e reparam para o futuro. Não devemos tomar alguma coisa
na qual não podemos dar um valor em troca. O apostador que vence é um ladrão
assim como alguém que rouba sua carteira é um ladrão. Só porque o apostador é
protegido pela lei ou por um acordo entre cavalheiros, isso não o torna menos
ladrão. Por muitos anos, nós temos tido leis contra duelos, mesmo se ambas as
partes concordarem com isso. Quando alguém morre em um duelo, isso se torna
assassinato por comum acordo, porém, não deixa de ser assassinato. Portanto, o
jogo de azar é um roubo de comum acordo, e quebra do oitavo mandamento. De quem
o dinheiro é roubado? As pessoas mais atraídas pelas loterias e outras formas
de jogos de azar são os pobres, cujos recursos são limitados, que vêem o ganhar
como uma maneira de melhorar sua situação financeira, logo, é o dinheiro delas
que é tomado. Quem ganha está roubando, quem perde é roubado. Uma atividade
regressiva que suga o dinheiro daqueles que menos podem pagar.
Quebra o 10º
mandamento
O
décimo mandamento diz: “Não cobiçarás a casa do teu próximo; Não cobiçarás a
mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o
seu jumento, nem qualquer coisa do teu próximo.” Basicamente, cobiça é
ganância. Ganância é querer o que os outros têm e você não.
Nós
vivemos em uma cultura que estimula a ganância e o descontentamento.
Constantemente, e cada vez mais, somos bombardeados com isso em nossos jornais, revistas, rádios e televisão,
com mensagens gráficas: “Você precisa disso
para ser feliz! Você deve obter isso para encontrar satisfação! Você
precisa de outro destes!” A felicidade é apresentada como uma abundância de
coisas, havendo um convite constante para “comer, beber e ser feliz”. Jogos de
azar são apresentados como meios para desfrutar uma vida melhor; uma vez que
muitos de nossos vizinhos não olham a Palavra de Deus para se orientar, eles
dizem: “vamos nessa!”.
Você
raramente irá encontrar uma pessoa dizendo que vai comprar um bilhete de
loteria porque o dinheiro irá para uma boa causa. Se ela está realmente
preocupada com tal causa, pode dar
diretamente à causa, que receberá cada centavo. As pessoas não apoiam a loteria pelo que elas vão doar, pelo
contrário, é pelo que elas podem receber.
Como
cristãos, queremos não apenas nos manter longe de uma atitude de ganância.
Queremos ser bons mordomos do que Deus nos deu, como lemos em Atos 20.35:
“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os
enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais
bem-aventurada coisa é dar do que receber.” Cremos que tudo que temos vem de
Deus, portanto, em Sua providência Ele cuida do Seu povo. Por isso, não
queremos apenas dar de volta uma porção das coisas que Deus nos deu, mas também
queremos usar tudo o que Ele nos deu, de maneira que sejam agradáveis a Ele. O
fato de darmos 10% a Deus não quer dizer que somos livres para desperdiçar os
outros 90% de qualquer maneira. Somos mordomos dessa porcentagem também,
devemos usá-la com sabedoria, atendendo nossas necessidades e às necessidades
dos outros.
Jogos
de azar são uma má administração em nosso uso do dinheiro, como já dissemos, se
ganhamos, estamos roubando, se perdemos, estamos desperdiçando o que Deus nos
confiou.
Quebra o 1º
mandamento
O
primeiro mandamento diz: “Não terás outros deuses diante de mim.” Ao jogar, em
vez do verdadeiro Deus, o apostador se volta à sorte para resolver seus
problemas. Quanto mais profunda é sua necessidade, mais ele espera por uma
grande recompensa. Jogos de azar fazem do acaso um deus. As escrituras dizem
que Deus irá suprir nossas necessidades de acordo com Suas riquezas em glória
por Cristo Jesus – e não apenas nossas necessidades espirituais. Certamente
acreditamos em Cristo para a salvação e a vida eterna, mas também, acreditamos
nEle para nossas necessidades físicas. Quando oramos, como Jesus nos ensinou,
“O pão nosso de cada dia nos dai hoje”, estamos colocando nossas vidas, nossas
habilidades, nossas circunstâncias, nossas necessidades e nossos compromissos
nas mãos de Deus, confiando que Ele irá prover nossas necessidades.
Porém,
se apostamos, demonstramos que não consideramos a misericórdia de Deus, e não
confiamos completamente que Ele irá nos prover.
Quebra o 3º
mandamento
O
terceiro mandamento diz: “Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão.” O
Breve Catecismo de Westminster nos lembra que esse mandamento proíbe “toda
profanação ou abuso de qualquer coisa pela qual Deus se faz conhecido”
(Resposta 55). Uma vez que a providência de Deus é um dos meios pelo qual Ele
se revela, logo, a base dos jogos de azar é um mau uso e um abuso desta
providência.
Em
Provérbios 16.33, lemos: “A sorte se lança no regaço, mas do Senhor procede
toda a determinação.” O que as pessoas chamam de acaso, portanto, é um elemento
da providência de Deus; Ele controla cada evento, mesmo a escolha de um bilhete
de loteria. Não é o acaso, mas Deus que decide qual número irá ganhar. Isso foi
decidido por Deus no conselho da eternidade. O mesmo princípio é válido para o
lançamento de dados ou roletas. Jogos de azar em qualquer uma de suas formas
desonram a Deus, na medida em que, atribui ao acaso o que, na verdade, é Sua
providência.
Pode
parecer extremo dizer que aqueles que jogam são culpados de ateísmo ou de
profanação. Todavia, em ultima instância, isso é verdade. Se eles acreditam que
o resultado do jogo é totalmente dependente do acaso, eles são culpados de uma
espécie de ateísmo – acreditando que Deus não está no controle. Por outro lado,
se acreditam que o resultado dos jogos depende de Deus, são culpados de uma
espécie de profanação (o usar de Deus para lhes permitir roubar outra pessoa).
Os jogos de azar são errados porque são contrários à palavra de Deus.
Jogos de azar são
errados porque, na maioria das vezes, levam a pecados maiores
Isso
não é verdade apenas para os jogos profissionais, onde os jogos de azar
fornecem muito dinheiro para o submundo das drogas, prostituição e outros
crimes, porém, é igualmente verdade para aqueles que participam das chamadas
“formas inocentes de jogos de azar”.
Por
exemplo: A loteria frequentemente é vista como sendo algo inocente, contudo,
muitas vezes, o dinheiro que deveria ser gasto com mantimentos e outras
necessidades é usado para comprar bilhetes de loteria. Embora se possa argumentar
que o dinheiro gasto é pequeno, existem muitas famílias onde 10 ou 15 libras
podem afetar, e muito, o orçamento. Isso é particularmente verdadeiro em casas
de famílias mais pobres, pois elas podem ser grandemente tentadas a jogar na
loteria para aliviar sua pobreza. As tensões podem aumentar em suas casas,
levando à separação ou ao divórcio.
Ganhar
dinheiro na loteria, para muitos, não tem sido a panaceia que esperavam.
Literalmente, centenas de milhares de casas têm sido destruídas porque o marido
ou a esposa são jogadores. Mesmo as pequenas quantias gastas na loteria
alimentam o vício no jogo. Perdas em jogos, frequentemente, levam à apropriação
indevida de valores (apropriação indébita) e ao furto, e podem até mesmo levar
ao assassinato ou suicídio. Essa é a maneira que o pecado funciona, um pecado
sempre leva a outros pecados maiores, e os jogos de azar não são uma exceção.
Precisamos distinguir
entre apostas e tomar decisões
Inevitavelmente,
seremos questionados: “Mas a vida não é uma aposta? O seguro não é uma aposta?
Os negócios não são uma aposta? A bolsa de valores não é uma aposta?” Na vida,
seguro, negócios, bolsa de valores, como cristãos, aplicamos os princípios da
palavra de Deus. Acreditamos nEle e colocamos nossas vidas em Suas mãos.
Tomamos decisões, mas elas são baseadas em fatos que conhecemos, ou são
cuidadosamente projetadas a partir do que já sabemos. Tomamos precauções em
áreas onde há incertezas. Não saímos correndo para frente de um caminhão em
alta velocidade, ensinamos nossos filhos a olharem para ambos os lados antes de
atravessarem a rua e esperar até que esteja segura para atravessar. A maioria
de nós, cristãos, não participa de esportes radicais que ameaçam nossas vidas.
Lavamos nossas mãos se estivermos perto de doenças infecciosas, e recebemos uma
injeção anti-tétano se pisarmos em alguma coisa enferrujada.
Quando
adquirimos um seguro, reconhecemos uma potencial fragilidade ou perigo. Quando
vamos para os negócios, planejamos cuidadosamente, estudando todos os
princípios de fabricação ou comercialização, e procuramos o conselho de outros
que têm negócios similares. E, mesmo na bolsa de valores, estudamos fatos sobre
a companhia que envolve o investimento e procuramos a ajuda de um consultor
financeiro.
Em
negócios ou investimentos, olhamos para ganhos razoáveis, se a companhia está
indo bem, é razoável que tenhamos lucro. A parábola de Jesus sobre os talentos
parece sugerir Sua aprovação em um bom investimento.
Jogos
de azar não são baseados em planejamentos ou desenvolvimentos razoáveis.
Raramente, existe uma habilidade envolvida, não existe desenvolvimento mental
ou físico, não existe construção de caráter ou fortalecimento de valores
morais. Jogos de azar podem parecer somente vazios e inúteis, mas a bíblia
mostra que isto é pecado, e deixa claro suas características degradantes.
Conclusão
Para
terminar, volte seu pensamento para o lugar no qual muitas pessoas não pensam
quando tentam justificar seus jogos, o Calvário. Lá vemos nosso Senhor
pendurado na cruz, os pregos em Suas mãos e pés, a coroa de espinhos
pressionando Sua cabeça, Seu sofrimento é indescritível, todavia, Ele está
dando Sua vida pelo Seu povo para que fôssemos salvos e tivéssemos vida eterna.
Embaixo
dEle, estão os soldados que O crucificaram, aqueles que martelaram os pregos e
ergueram a cruz. O que eles estão fazendo? Eles estão apostando pelas vestes de
Cristo. Até no maior evento da história da humanidade, a aposta estava
ocorrendo. Onde permaneceremos? Com Cristo em Sua morte, ou com os soldados que
estavam apostando Suas vestes?
Em
tudo que fazemos, devemos honrar nosso Senhor Jesus Cristo; devemos procurar
obedecer a Sua Palavra; devemos procurar ser mordomos fiéis de tudo o que Ele
nos deu; devemos estar preocupados com a necessidade dos outros. Tal qual o
nosso Senhor, devemos mostrar, tanto com palavras quanto por ações, o que ele
disse: “Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.”
Notas
1
Projeto de lei aprovado pelo parlamento do Reino Unido para regularizar os
jogos de azar e cassinos.
2
Uma adaptação da lei aprovada em 1968 pelo parlamento do Reino Unido.
William
Macleod – Gambling (Jogos de Azar)
Tradução:
IPRB
O
artigo acima foi reproduzido da Free Church Witness com permissão. O autor se
inspirou fortemente em um excelente artigo de Bruce C. Stewart, escrito na
Reformed Presbyterian Witness (Fevereiro de 2005).
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