“Ele está sempre...
num permanente devoto estado de espírito, tal qual eu devo desejar ter em meu
último momento”.
O período da Segunda Reforma
testemunhou muitas vidas eminentemente piedosas. Alguns destes foram
proeminentes na sociedade entre a nobreza. Sir Thomas Steuart de Kirkfield e
Coltness (1631-1698), sua esposa Margaret e sua grande família foram tais.
A Família Coltness
O pai de
Sir Thomas foi Sir James Steuart de Kirkfield
(1608-1681). Um proeminente líder e presbítero entre os covenanters [pactuantes] [1],
ele ocupou cargos políticos nas décadas de 1640 e 1650. Ele era um cristão
zeloso e guardava uma Bíblia em cada cômodo de sua grande casa. Um covenanter
convicto, ele foi demitido de seu cargo na Restauração de 1660. Ele sofreu por
ter sido preso duas vezes e pesadamente multado injustamente.
Sir James foi um amigo
próximo de muitos líderes covenanters. George Gillespie (1613-1648) elogiou sua
piedade em um trocadilho com relação ao seu sucesso como banqueiro.
"Sir James Steuart tem
mais religião esterlina em dinheiro que qualquer homem que eu já conheci. Ele
está sempre agradavelmente calmo e sereno, num permanente devoto estado de
espírito, tal qual eu devo desejar ter em meu último momento”.
Dizia-se que Thomas Steuart
era uma criança “santificada desde o ventre”. Durante a praga de 1645, em
Edimburgo, pensou-se que ele e outro jovem tinham sido infectados. Thomas encorajou
seu companheiro a confiar em Cristo e ambos ficaram de joelhos e se uniram na
“mais solene oração” com “muito conforto espiritual”. No devido tempo, eles
foram encontrados sem contaminação e liberados do confinamento.
Em 1655-1656, ele trabalhou
com seu pai para construir a paróquia da igreja de Coltness numa posição mais
central. Seu irmão mais jovem, Sir James Steuart de Goodtrees, foi um advogado
e autor do livro Naphtali. O livro descreveu e defendeu a luta dos covenanters.
Thomas se manteria livre de
conformar-se à reivindicação de supremacia do Estado sobre a igreja nos tempos
da perseguição. Em 1683, ele foi banido da Escócia e sua propriedade
apreendida. Isto aconteceu porque ele ajudou alguns dos covenanters que lutaram
na batalha Bothwell Bridge, em 1679.
Na Holanda, ele foi forçado
a fugir de um lugar para outro, quando ele foi rastreado por espiões do
governo. Embora, ele tenha podido testificar “que de acordo com o número de
provações, o fardo e o calor do dia, assim foram a paciência, força e
consolações proporcionadas”. Durante este período, ele encontrou grande
conforto e ajuda a partir do Salmo 107 como um cântico de ação de graças pela
boa Providência de Deus.
Thomas e Margaret tiveram
nove filhos e três filhas. John, um destes, foi notável como filho da Graça,
embora tenha falecido com apenas 10 anos de idade. Foi dito que ele “deu
sólidas e convincentes marcas da vida e obra do Espírito de toda a Graça em sua
alma.” “Ele era um gracioso cristão experiente pela distinta Graça celestial”.
Suas palavras ao falecer foram registradas e amplamente distribuídas. As
últimas palavras de sua própria mãe fazem referência a isso. A linguagem está
ligeiramente atualizada.
A Senhora Coltness
O seguinte relato das
últimas palavras da senhora Coltness é tanto comovente quanto edificante. É
dito que “ela foi realmente muito piedosa em toda sua vida, mas ela terminou
sua caminhada gloriosamente”.
Sir Thomas escreveu em seu
diário que “as últimas palavras de minha querida estão em muitas boas mãos cristãs”.
Ele notou que as últimas palavras dela e aquelas de seu filho John “pela benção
de Deus têm sido fortalecedoras, edificantes e reconfortantes para muitos”. Ele
foi confortado pelo bom efeito delas naqueles “descuidados e imprudentes nas
questões concernentes à religião”.
Sir Thomas também menciona
Betéis [Gn 28:18-19] nas florestas e outros lugares isolados onde ele poderia
derramar seu coração em oração. Suas orações eram cheias de submissão à vontade
de Deus e de ação de graças pela segurança que sua esposa expressou por ocasião
de sua morte.
“Jamais alguém
terminou quaisquer de seus dias com mais marcas distintas de uma obra divina de
uma fé feliz e segura.”
“Oh meu querido
coração, lute com Deus para que eu não morra na escuridão”
Todos nós precisamos nos
preparar para a morte. Aqui está um relato de alguém que morreu bem. Ela morreu
feliz porque ela morreu na fé e na esperança.
Com temores em face da morte
Margaret deu à luz seu
décimo segundo filho no dia 27 de maio de 1675. Durante os próximos três dias,
sua recuperação parecia provável. No entanto, no quarto dia, ela desenvolveu
uma febre e expressou seus temores com seu marido sobre sua doença.
Ela também falou sobre o que
preocupava sua alma e pediu-lhe para lembrar de sua condição diante do Senhor.
Ela pediu-lhe, por amor ao Senhor, para não insistir que o Senhor poupasse sua
vida. "Eu não desejo viver, mas ore para que eu não morra na escuridão com
relação a verdadeira condição da minha alma".
"O Senhor tem, muitas
vezes, ouvido suas orações por livramentos em relação a mim quando eu perdi
toda a esperança, e Ele me trouxe de volta a você. Agora eu suplico que o
Senhor esteja comigo pelo Seu poder e Graça em meio a esta enfermidade. Se Ele
me deixar nesta nuvem, ainda assim não duvidarei da realidade das muitas
graciosas manifestações de Si mesmo que tive. Ele me tornou sinceramente
submissa para, de todo o coração, entregar-me a Ele. Eu não ouso negar Sua obra
graciosa. Mas, oh meu querido coração, lute com Deus para que eu não morra na
escuridão”.
Ela chorou e disse: “Não ore
por minha vida, pois você se desapontará. O diabo está bem ocupado tentando-me
fortemente. Ele está dizendo: ‘Tudo o que você teve foram apenas meros
momentos. Você foi apenas uma hipócrita, foi apenas formal e descuidada em tudo
o que fez.’ Oh, é tão verdadeiro. Mas o Senhor conhece minha sinceridade, ainda
que com fraquezas, a qual espero que Ele tenha aceitado.”
Oração em face da morte
Sua febre foi evidente
apenas em uma pequena medida. Todos concluíram que a ansiedade sobre a condição
de sua alma agravou fortemente sua condição. Ela estava em exercício espiritual
constante. Ela estava continuamente orando com grande confissão e sussurrando
"por contrição, contrição, contrição!"
Dois ministros, o sr.
William Vilant e o sr. John Inglis vieram visitá-la. Eles apresentaram a grande
e indescritível Graça de Deus e de Cristo revelada no Evangelho aos pobres
pecadores perdidos. Depois que eles foram embora, ela chamou seu marido. Ela
disse: "Bendito seja Deus. Eu nunca ouvi nada mais refrescante e de tanto
poder e peso".
Mas no dia seguinte sua
enfermidade se agravou e ela clamou ao seu marido: “Oh, Oh! Por segurança, se
Deus a desse a uma pobre pecadora que está desejosa e clamando, olhando para
Ele para obtê-la”, ela expressou veementemente.
Seu marido respondeu: “Minha
querida, Cristo não foi sempre a sua escolha e o mais preferível sobre todas as
coisas? Você ousa dizer, diante de Deus, que Ele não era tal para ti e queEle
não determinou que você faria dEle a sua escolha?”
Ela clamou com muito fervor.
"Oh, Ele sempre foi assim, Ele sempre foi assim para mim, mais desejável
para mim do que riquezas, honras, prazeres, coroas e todas as coisas! Senhor,
tu sabes. Quem tenho eu no céu senão a Ti ou na terra a quem eu deseje além de
Ti? Oh que eu estivesse contigo, onde eu não pecaria nem duvidaria nunca mais,
onde o exausto descansa!”
Estas palavras levaram um
cristão digno a dizer ao marido dela: “Você pode dizer que ela jamais duvidou
após ouvir estas palavras?” De fato, ela não o fez.
No dia seguinte, pôde-se
ouvir ela orando por muito tempo com fervor de espírito. Aproximando-se do fim,
ela soprou estas palavras:
“Senhor, Tu apareceste tão
maravilhosamente ao meu filho Johnie, que tinha apenas dez anos de idade. Todos
os que o viram, ouviram e testemunharam sua morte, ficaram maravilhados.
Senhor, Senhor! Aparece-Te a mim. Oh! É verdade que ele era apenas uma criança.
Ele não conheceu o pecado ou pecou como eu o tenho feito, eu que sou uma
pecadora de trinta e sete anos de idade. Mas Senhor, naqueles em quem Tu
puseste o teu amor, o pecado não será um obstáculo no seu caminho. Senhor,
Senhor, aparece-Te a mim.”
Segurança em face da morte
O relato seria de fato longo
se tudo o que ela disse desta natureza, durante sua enfermidade, fosse
registrado. Todas as suas palavras estavam cheias de Graça.
Na noite anterior à sua
morte ela começou a transpirar em meio a febre. Isto continuou por cerca de
oito ou nove horas e todos esperavam que isto fosse acalmar a febre. Embora ela
tenha tido algum alívio, ela ainda disse que não havia sentido em esperar por
sua recuperação. Ela ouviu o médico e outros que estavam presentes dizerem que
sua condição não era tão perigosa quanto ela acreditava.
“Oh! Por segurança,
se Deus a desse a uma pobre pecadora que está... olhando para Ele para
obtê-la”.
Ela, então, chamou seu
marido e disse: “Meu querido, você ficará desapontado. Deixe-me, deixe-me, pois
eu tenho deixado a ti e todos os meus filhos, e todo o mundo. Eu desejo, eu
desejo estar com Ele”. O médico disse: “Você não estaria disposta a ficar com
seu marido e filhos se fosse da vontade do Senhor?” Ela respondeu: “Eu poderia
me submeter à Sua vontade. Mas, oh! Eu desejo, desejo estar com Ele, isto é
melhor do que tudo!”.
Então, levantando ambas as mãos
ela disse: “Agora, oh meu Senhor! Eu venho a Ti. Tu sabes que em minha saúde eu
Te busquei, embora com grande fraqueza, mas com um coração sincero. Tu sabes o
quão frequentemente eu tenho me entregado a Ti com minha alma e coração? Agora,
não tenho nada para o que olhar, a não ser para o Teu livre amor, e a Tua livre
Graça. Oh, livre, livre amor! Eu olho, olho, olho para ele por misericórdia. Eu
olho para Tua justiça, a Tua justiça imputada. Eu olho para aquela satisfação
oferecida por pecadores. Teu sangue clama por coisas melhores do que o sangue
de Abel. Oh bendita justiça imputada! Oh bendita satisfação! ‘Todo o que vem a
mim, de maneira nenhuma o lançarei fora’ [Jo 6:37]. Oh, oh, oh! Livre Amor!
Pode ser que alguém ouse morrer por um homem justo, mas nosso Senhor morreu por
Seus inimigos. Oh maravilhoso amor! Senhor, Tu sabes todas as coisas, Tu sabes
que amo a Ti, não posso Te soltar agora.”
“Oh! Eu desejo,
desejo estar com Ele, o que é melhor do que tudo.”
Ela persistiu por um longo
tempo com expressões similares exaltando a livre Graça. Ela falou com tanto
fervor que era como se seu espírito tivesse saído juntamente com suas palavras.
Ela estendeu seus braços e agarrou com suas mãos como se ela tivesse visto a
Cristo. Ela exclamou: “Eu creio que Jesus Cristo está ao lado do Pai tão certo
como estou deitada aqui”.
Após isto, deitada em
silêncio, por um tempo, ela foi ouvida dizendo: "Senhor, me deste doze
filhos. A terceira criança eu entreguei a Ti e Tu a tomaste (este era John). O
meu sétimo filho eu entreguei a Ti e Tu tomaste ele e sua irmã também (Harry e
Margaret). Entreguei meu décimo segundo filho ao Senhor. O Senhor o abençoe. Eu
entreguei todos os meus filhos ao Senhor, logo que eles nasceram, e muito antes
de terem nascido. Tenho desejado apenas duas coisas da parte do Senhor para
eles. Primeiro, que O temam e que Ele possa colocar Sua imagem neles. Segundo,
eu nunca busquei riquezas ou honra para eles. Busquei apenas que o Senhor, na
Sua boa Providência, lhes desse emprego e chamados. Assim, eles iriam viver
honestamente e não seriam pesados aos seus amigos”.
Aqueles ao seu redor lhe
pediram para ficar em silêncio e descansar quando a ouviram ser capaz de falar
sem dificuldade. Eles ainda esperavam que ela pudesse se recuperar. Ela
levantou a voz e disse: "Senhores, vocês podem acreditar no que direi a
vocês? Esta noite estarei com meu filho Johnie. Venha logo para mim!
Venha logo para mim! Por que estou dizendo isso sobre o meu filho Johnie? Esta
noite eu estarei com meu Deus e meu Senhor Jesus naquela santa e gloriosa
companhia." Ela não estava delirando, embora algumas palavras inofensivas
e inocentes fossem pronunciadas durante seu sono. Suas mais frequentes palavras
foram: “Senhor me ajude, Senhor me ajude, não me deixe agora, guarde aquilo que
tenho entregado a Ti”.
Após isso, ela disse
novamente que seu fim estava próximo e assegurou aos presentes que assim seria.
Não era possível acreditar que estava tão perto, já que não havia nenhum sinal
exterior do mesmo.
Muitos estavam esperançosos
quando a ouviram dizer ao médico: "Em meio a tudo isto a minha cabeça está
bem, e eu sinto o meu coração firme." Ela foi instada a dormir e a não
desperdiçar seu espírito fraco e fatigado. Ela se recusou, dizendo: "Devo
dormir agora quando eu vou morrer? Que o Senhor perdoe a todos vocês. Eu lhes
asseguro, se eu cair no sono, eu nunca mais retornarei ". E isso aconteceu
em apenas algumas horas depois.
Ao mesmo tempo, ela disse a
seu marido: "Meu querido, você vai se surpreender”. Depois acrescentou,
com mais seriedade para o resto. "Vocês poderiam me impedir de falar
agora, quando não tenho mais de uma hora para falar neste mundo?”. Alguém que
ouviu isso pegou seu relógio e mostrou para alguns que estavam por perto. Todos
eles disseram que depois aconteceu exatamente como ela havia predito.
O fato de que ela tinha
pouca ou nenhuma dor fez com que muitos ficassem esperançosos. Pediram à ela de
novo para descansar. Ela disse com uma voz clara:
"Senhores, eu vos digo, que esta noite, quando o sol de vocês se puser o meu sol nascerá e nunca mais irá se pôr. O sol de vocês irá nascer e irá se pôr sobre vocês, mas meu sol vai nascer e nunca irá se pôr. Oh brilhante estrela da manhã!”
"Senhores, eu vos digo, que esta noite, quando o sol de vocês se puser o meu sol nascerá e nunca mais irá se pôr. O sol de vocês irá nascer e irá se pôr sobre vocês, mas meu sol vai nascer e nunca irá se pôr. Oh brilhante estrela da manhã!”
“Este dia virá sobre
vocês e vocês não sabem o quão breve também estarão nesta minha condição”.
Conselho em face da morte
Depois disso, ela
levantou-se para falar com seus filhos e parentes. Ela fez isso como se ela não
tivesse nenhuma doença, mas como se fosse fazer algo como uma pessoa saudável.
Pedindo um pouco de água de rosas e vinagre, ela disse: "Deixe-me
refrescar meu fraco espírito para o que eu tenho que fazer". Ela, então,
lavou as têmporas e o rosto com as próprias mãos e inalou um pouco de vinagre
em seu nariz.
Depois pediu a todos para
saírem do quarto, exceto seu marido e filhos, com os quais ela falou, um por
um, com aqueles que tinham atingido a idade adulta.
Ela se referiu às
disposições naturais deles. Eles foram instados a orar e a se guardarem contra
pecados que eles poderiam temer a estarem inclinados. Ela falou com cada um
deles especial e adequadamente. Foi dito com tanta graça pelo Espírito da Graça
que esperamos que eles sempre se lembrarão disto e evitarão as falhas
mencionadas. Ela falou com eles sobre deveres cristãos e tentou persuadi-los
com muitos motivos piedosos. Ela os advertiu contra muitos pecados e males com
grande autoridade.
Ela ordenou-lhes que se
abstivessem de companhias vãs e abominassem os males de uma tal geração
perversa. Eles foram ordenados a se guardarem contra toda impureza e falsidade.
Eles foram instados a firmarem-se na instrução que tinham recebido. “Ainda que
vocês não tenham caído em impurezas externas, isso não quer dizer nada. Aquele
que estiver de pé, cuide para que não caia [1Co 10:12]”.
Ela os advertiu a terem
cuidado com toda mentira, subterfúgios pecaminosos e equívocos. Eles não
deveriam afastar-se de Deus e retornar como o cão ao seu vômito e a porca
lavada ao espojadouro de lama.[2Pe 2:22] "Digo-vos diante do Senhor.
Deus exporá seus pecados em ordem diante de vocês. Vocês os verão, no grande
Dia do Senhor, tão claramente definidos diante de vocês como a luz que
brilha."
Ela os advertiu em relação
aos seus estudos. "Temam para que a aprendizagem e a filosofia não façam
vocês se tornarem ateus ou sem religião, como outros. O que é toda a grandeza e
toda a aprendizagem neste mundo sem a Graça? Lembre-se que ‘não muitos nobres,
nem muitos poderosos, nem muitos sábios são chamados’ [1Co 1:26] . Eu não digo
isso para desanimá-los acerca da leitura e da aprendizagem, mas não deixem que
estas coisas façam vocês negligenciarem seus deveres.”
"Conjuro-vos diante de
Deus e como que se vocês desejassem encontrarem-se comigo novamente em
felicidade. Sejam diligentes na leitura das Escrituras e na oração. Não fiquem
satisfeitos com suas orações matinais e vespertinas. Conjuro-vos diante do Senhor
e de Sua presença, que não julguem sua religião como verdadeira e sincera, se
esta não os leva para além das orações matinais e vespertinas".
"Em todas estas coisas,
digo-vos, serei uma testemunha contra vocês. Não considerem o que eu digo agora
como se fosse uma instrução e reprovação comum. As palavras que eu vos tenho
dito são as palavras de uma mãe moribunda. Peço ao Senhor que vocês nunca as
esqueçam.”
“Se vocês continuarem e
praticá-las, a bênção de Deus será com vocês e deixo-vos a minha bênção. Se
vocês não as fizerem, mas se se permitirem fazer aquilo que for a menor coisa
desagradável a Deus. Se vocês se afastarem dEle, a maldição do Deus eterno
cairá sobre suas cabeças, e a maldição de sua mãe moribunda estará sobre vocês.
Se vocês obedecerem e seguirem ao Senhor, as bênçãos do Deus eterno, as bênçãos
de Abraão, Isaque e Jacó e as bênçãos de sua mãe moribunda serão sobre suas
cabeças.”
Então, ela acrescentou:
“Tenho boas esperanças a respeito de vocês.”
Ela removeu sua mão de suas cabeças onde estava enquanto ela os abençoava. Assim, ela se despediu deles, beijando-os e abençoando-os.
Ela removeu sua mão de suas cabeças onde estava enquanto ela os abençoava. Assim, ela se despediu deles, beijando-os e abençoando-os.
Ministros e outros que
ouviram este relato se maravilharam diante de tão grande zelo por Deus. Sua
afeição natural por seus filhos sempre foi inteiramente amorosa e terna. No
entanto, apesar disso, ela lhes deu uma terrível maldição, caso abandonassem a
Deus. É como o exemplo de Moisés (veja Levítico 26 e Deuteronômio 28).
Após isso, ela falou
ternamente com seu marido. Ela disse que ele tinha sido um querido e amável
marido para ela. Ela instou com ele para que a deixasse partir livremente. Em
seguida, ela também lhe deu muitos conselhos sobre as crianças. Ela desejou que
ele os encorajasse no temor do Senhor.
Então ela chamou sua mãe e
quatro irmãs que estavam presentes. Elas receberam muita instrução séria e
conselhos. Estes foram dados com santa prudência e discrição. Foi adequado às
suas inclinações e condições, tanto às casadas quanto às solteiras. Ela
agradeceu a todas elas por sua ajuda para com ela e pediu perdão pelos
problemas que ela lhas tinha causado. Ela lhas exortou a uma santa diligência
na oração e leitura das Escrituras. Ela rogou que se protegessem contra todo o
pecado, mesmo o menor pecado. Ela corrigiu-se acerca do que disse: "O
Senhor me perdoe por chamar qualquer pecado pequeno, pois não há pecado
pequeno. Cada pecado merece a ira eterna".
“Assim como ela
viveu, ela morreu, assim como ela morreu, ela viveu e vive para sempre”.
Eles não deveriam pôr, em
demasia, seu coração em qualquer prazer terreno. Eles não sabiam quando o
Senhor poderia tirá-lo deles. Eles foram instados a fazerem bom uso
do seu tempo. Este dia virá sobre vocês e vocês não sabem o quão breve também
estarão nesta minha condição. Ela se despediu deles com muitas bênçãos
sinceras. Havia tais abraços mútuos, ternura e lágrimas que não podem ser
expressos. Com grande doçura e mansidão, ela terminou sua despedida com estas palavras:
"Rogo-vos a serem amáveis uns com os outros, compassivos, perdoando-vos
mutuamente. E sejam de apenas uma mente vivendo em paz, e o Deus do amor e da
paz estará convosco”.
Em todas essas coisas ela
não pareceu ser afetada pela menor dor ou doença, de modo que ninguém, a não
ser ela mesma, poderia imaginar que sua hora estava tão próxima.
Paz em face da morte
Após isso, ela disse:
"Eu busquei o Senhor muitas vezes para que a morte não me pegasse de
surpresa e ela não o fez. Também orei para que a morte não me fosse
aterrorizante, e isso também não é o caso. Também busquei que, morrendo eu, não
causasse temor aos outros. O Senhor me concedeu isto também”. Para mostrar sua
grande serenidade de espírito, ela também deu ordens sobre várias pequenas questões
relacionadas com a sua morte e sepultamento.
Agora muito fraca, ela
chamou seu sogro, e estendendo sua mão para ele, disse: "Segure a minha
mão, pois não posso segurar a sua". Ela, então, acrescentou: "Você
tem sido um pai muito bom para mim, um pai muito carinhoso e amável para mim.
Eu não posso dizer mais nada, mas o Senhor te recompense”.
Em seguida, voltando-se para
as suas outras relações, ela se despediu deles. Ela disse ao irmão de Allanton,
cuja esposa estava com suas filhas naquele momento: "Senhor, diga às suas
filhas, minhas queridas, que me lembrei delas, e ordeno-lhes a diligentemente
buscarem e servirem ao Senhor, e tomem consciência da leitura das Escrituras; e
a bênção do Senhor será com elas”. E assim ela se despediu dele, rogando-lhe que
ele mandasse suas lembranças para sua digna esposa. Após isso, ela chamou o
jovem responsável pelas crianças e disse-lhe: "Sr. William, você tem uma
grande responsabilidade agora, ambos os corpos e almas das crianças. Meu marido
retomará seus negócios e, temo eu, que não se demorará para vir após mim.”
Então ela disse: "Tenho
apenas mais uma coisa a fazer". Virando-se para o marido, ela continuou:
"Meu querido, você tem sido um querido marido para mim, mas eu estou indo
para um mais querido. Exorto-te que não choreis por mim, estarei melhor.
Deixe-me, deixe-me. Agora, meu querido, entregue a minha alma a Deus.” O marido
dela, em grande tristeza disse: “Minha querida, eu não ouso e não posso. O
ministro irá fazê-lo”. Ela respondeu calmamente: “Que o ministro ore".
Depois que ele orou, ela disse a seu marido mais uma vez: "Meu querido,
entregue a minha alma a Deus. Você deve fazê-lo, você deve fazê-lo, e deve me
deixar. Eu já entreguei minha alma a Deus. Eu a recebi de Deus e a tenho dado
de volta para Ele novamente".
Então seu marido a obedeceu
e a entregou solenemente. Ele foi muito ajudado por Deus para fazê-lo. Ela
manteve suas mãos fracas levantadas durante todo o tempo. Aqueles que
observavam ficaram muito comovidos, já que depois que ele orou ela o abraçou
com ambos os braços sobre o pescoço, até que por fraqueza caíram.
Após isso, ela adormeceu.
Ela foi ouvida quietamente a expirar estas palavras em voz baixa: "Oh
tenro Sumo Sacerdote, guarde aquilo que tenho entregado a Ti". Ela morreu
no Senhor com muita paz, sem qualquer estremecimento ou soluço. Foi
precisamente quando o sol estava se pondo, como ela tinha predito. Enquanto
eles estavam fechando seus os olhos, alguns lembraram-se de suas palavras e
correram para a janela. Eles disseram que uma parte do sol estava se pondo e
desaparecendo à vista. Outra pessoa que não estava presente para ouvir suas
palavras, mas ouviu o choro acerca de sua morte, entrou e disse que o sol se
punha ao mesmo tempo.
Ela viveu por trinta e sete
anos, cinco meses e oito dias. Sua breve caminhada chegou a um fim gracioso e
glorioso. No entanto, sua vida também foi louvável.
Como ela viveu, assim ela
morreu, e como ela morreu, assim ela vivia e vive para sempre.
NOTAS
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[1] covenanters [pactuantes] - Presbiterianos escoceses
que aderiram ao Pacto Nacional e à Liga Solene e Aliança. Milhares
deles foram perseguidos e mortos por não negarem sua fé e o pacto
que haviam feito com Deus.
“para promover a restauração da igreja cristã na Escócia informando,
educando e promovendo a compreensão das realizações da Segunda Reforma na
Escócia. “
A
Segunda Reforma na Escócia foi um período de reforma radical e redescoberta da
verdade bíblica na Igreja da Escócia. Também foi o período de maior avivamento
em toda a nação que a Escócia jamais experimentou.
Nosso
objetivo é promover o conhecimento bíblico obtido naquele tempo.
As
realizações daquele período foram a uniformidade pactual em doutrina, adoração
e governo de igreja.
Isto
inclui os padrões bíblicos para a fé e adoração estabelecidos pela Assembleia
de Westminster.
Entre
estes está a Confissão de Fé de Westminster
que é o padrão doutrinário da igreja presbiteriana escocesa.
Estamos
convencidos que a igreja cristã na Escócia precisa arrepender-se e
comprometer-se com estes ensinos novamente. Fazendo isso, descobrirá as bênçãos
de Deus em obediência à Sua verdade.
As
verdades bíblicas recuperadas na Segunda Reforma são o único fundamento seguro
para o futuro da igreja escocesa.
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