Nota Introdutória por David Ponter:
1) Com Hodge, há essencialmente três questões para serem feitas com referência a natureza e extensão da morte de Cristo.
I. Por quem Cristo se engajou como uma garantia a fim de eficazmente salvar?
R: Pelos eleitos somente.
R: Pelos eleitos somente.
II. Por quem Cristo morreu?
R: Por todos os homens geralmente, mas pelos eleitos especialmente.
R: Por todos os homens geralmente, mas pelos eleitos especialmente.
III. Por quais pecados Cristo sofreu e suportou punição?
R: Cristo sofreu e suportou a punição pelos pecados devida a cada homem, isto é, todos os homens, mesmo os pecados do mundo todo.
R: Cristo sofreu e suportou a punição pelos pecados devida a cada homem, isto é, todos os homens, mesmo os pecados do mundo todo.
O leitor deve considerar essas três questões enquanto lê o material a seguir.
2) Para Hodge,
parece que quando a expiação é considerada em referência a pessoas,
ele prefere limitá-la a sua "apropriada" intenção e desígnio. Ao fazer
isso, ele limita a impetração de Cristo a aqueles a quem ela é
eficazmente aplicada. No entanto, ao considerar a expiação em
referência ao pecado imputado, Hodge busca falar em termos de carga da
lei contra categorias de pecado. A condenação devida a um homem era a
mesma condenação devida ao próximo, e ao próximo, e assim
sucessivamente. Portanto, a satisfação realizada por Cristo
sendo suficiente para o primeiro homem é necessariamente suficiente
para o segundo, e assim sucessivamente. Como Hodge diz, Cristo sofreu
a condenção da lei sob a qual todos os homens estão. E dessa maneira,
para ele, a expiação é um real sacrificio expiatório e satisfação pelos
pecados do mundo.
Hodge
expressamente repudia a idéia de que somente um montante determinado de
pecados de um montante determinado de pecadores foi imputado a Cristo.
Porque se esse fosse o caso, teria de conceder que 1) se Deus tivesse
eleito mais, a natureza da expiação teria mudado, e 2) não poderia
haver a mesma visão com o luteranismo sobre a natureza da expiação. O
efeito disso é que nós temos outra versão de expiação limitada que
provavelmente tem sua fonte em Jonathan Edwards e outros teólogos da
Nova Inglaterra. Isso também provavelmente tem como fundo a distinção
feita tanto por R L Dabney quanto por WGT Shedd, que a expiação é
ilimitada e que a redenção é limitada.
Segue o texto de Charles Hodge:
1.Estado da questão
Trata - se de uma questão entre
agostinianos e antiagostinianos. Os primeiros crêem que Deus, havendo
escolhido, desde a eternidade, alguns para a vida eterna, teve, na
missão e obra de seu filho, uma referência especial à salvação deles.
Os segundos, negando que houve tal eleição de uma parte da família
humana para a salvação, mantêm que a missão e obra de Cristo teve como
alvo a humanidade inteira.
Esta questão, portanto, não diz
respeito, em primeiro lugar, à natureza da obra de Cristo. É verdade
que, caso se negue que sua obra foi uma satisfação pelo pecado, e se
afirme que foi meramente didática, que sua vida, sofrimentos e morte
teriam o objetivo de revelar e confirmar a verdade, então seguir - se -
ia, naturalmente, que não faria referência a uma classe de homens mais
que a outra, ou aos homens mais que aos anjos, a verdade tem por
objetivo a iluminação das mentes às quais ela se apresenta. Mas
admitindo que a obra de cristo foi uma verdadeira satisfação pelo
pecado, seu propósito pode, todavia, ser uma questão aberta. Portanto,
os luteranos e reformados, ainda que concordem inteiramente quanto à
natureza da expiação, diferem no que tange a seu desígnio. Os primeiros
mantêm que ela teve a mesma referência a toda humanidade; os segundos,
que teve uma referência especial aos eleitos.
Em segundo lugar, esta questão
não prejudica o valor da satisfação de Cristo. Os agostinianos admitem
que esse valor é infinito. Seu valor depende da dignidade do
sacrifício; e não se pode colocar limite algum à dignidade do Eterno
Filho de Deus, que ofereceu a si mesmo por nossos pecados, de maneira
que não se pode delinear limite algum ao valor meritório de sua obra. É
uma grosseira distorção da doutrina agostiniana pretender que ela
ensine que Cristo sofreu certa medida em prol de determinada quantidade
de pessoas; que Ele teria sofrido mais se maior fosse o número incluído
no propósito da salvação. Esta não é a doutrina de nenhuma igreja sobre
a terra, nem jamais o foi. O que foi suficiente por um, foi suficiente
por todos. Nada menos que a luz e o calor do sol é suficiente para
qualquer planta ou animal. Mas o que é plenamente necessário para cada
um é sobejamente suficiente para o incontável número e variedade de
plantas e animais que enchem a terra. Tudo o que Cristo fez e sofreu
era necessário se apenas uma alma humana fosse objeto da redenção. E
nada diferente e nada mais seria necessário se cada filho de Adão fosse
salvo por seu sangue. Em terceiro lugar, a questão não tem nada que ver
com a adequação da expiação. O que foi adequado para um foi adequado
para todos. A justiça de Cristo, o mérito de sua obediência e morte,
são coisas necessárias à justificação de cada indivíduo de nossa raça, e
portanto necessária a todos. Não é mais adequada para uma pessoa que
para outra. Cristo cumpriu as condições do pacto sob o qual foram
postos todos os homens. Ele exerceu a obediência exigida de todos, e
sofreu a pena na qual todos haviam incorrido; e portanto sua obra é
igualmente adequada para todos.
Em quarto lugar, a questão não
tem nada que ver com a aplicação real da redenção obtida por Cristo. As
partes desta controvérsia estão de acordo em que só uma porção da
humanidade esta salva de maneira real, e não toda ela.
De maneira que toda a questão se
reduz simplesmente ao propósito de Deus na missão de seu Filho. Qual
foi o desígnio da vinda de Cristo ao mundo, ao fazer e sofrer o que Ele
realmente fez e sofreu? Foi simplesmente tornar possível a salvação de
todos os homens, eliminando os obstáculos que obstruíam a passagem da
oferta do perdão e a aceitação dos pecadores? Ou foi especialmente
assegurar a salvação de seu próprio povo, ou seja, daqueles que o Pai
lhe deu?
Esta pergunta e respondida de
forma afirmativa pelos agostinianos, e em sentido negativo por seus
oponentes. É evidente que, se não há eleição de alguns para a vida
eterna, a expiação não pode ter referência especial aos eleitos. Deve
ter uma referência igual a toda a humanidade. Mas à afirmação de que
tem uma referência especial aos eleitos não se segue que não tenha
referência alguma aos não – eleitos. Os agostinianos admitem
francamente que a morte de Cristo teve uma relação com o homem, com toda
a família humana, que não teve com os anjos apóstatas. É a base sobre a
qual se oferece a salvação a toda a criatura debaixo do céu que ouve o
evangelho; mas não confere autoridade para tal oferta aos anjos
apóstatas. Além disso, assegura a toda a raça em geral, e a todas as
classes de seres humanos, inumeráveis bênçãos, tanto providenciais
quanto religiosas. Naturalmente, teve o desígnio de produzir tais
efeitos; e, portanto, Cristo morreu para obtê-los. Em vista dos efeitos
que a morte de Cristo produz na relação da humanidade com Deus, tem
sido em todos os tempos costumes dos agostinianos dizer que Cristo
morreu “sufficienter pro omnibus, efficaciter tantum pro electis”;
suficiente para todos, eficaz somente para os eleitos. Portanto, há um
sentido no qual Ele morreu por todos, e há um sentido no qual Ele morreu
somente pelos eleitos. A simples pergunta é: A morte de Cristo
teve uma referência para os eleitos que não teve para os outros homens?
Ele veio ao mundo para granjear a salvação dos que lhe foram dados pelo
pai, de maneira que os outros efeitos de sua obra são meramente
colaterais ao que foi feito para granjear tal propósito?
2. Prova da Doutrina Agostiniana
É evidente que estas perguntas devem ser respondidas em sentido afirmativo:
1. Pela natureza do pacto da redenção.
Admite-se que houve um pacto
entre o pai e o filho em relação a salvação dos homens. Admite-se que
Cristo veio ao mundo para pôr esse pacto em obra. Portanto, a natureza
do pacto decide o objetivo de sua morte.
[….]
Segundo os agostinianos, os
homens, por sua queda, sendo deixados em estado de pecado e miséria,
poderiam ser sido deixados, como os anjos apóstatas o foram, a perecer
em seus pecados. Deus, porém, em sua infinita misericórdia, havendo
determinado salvar uma multidão que ninguém poderia enumerar, deu-a a
Seu Filho como herança, providenciou para que Ele assumisse a natureza
deles e em seu lugar cumprisse toda a justiça. No cumprimento desse
plano, Cristo veio ao mundo e obedeceu e sofreu no lugar daqueles que
lhe foram dados e para a salvação deles. Esse foi o objetivo concreto
de sua missão, e por isso Sua morte teve uma referência a esses que não
pode ser feita àqueles que Deus decidiu entregar à justa recompensa de
seus pecados.
Ora, esse plano apenas presume
que Deus decidiu, desde a eternidade, fazer o que se cumpriu realmente
no tempo. Se é justo que todos os homens deveriam perecer devido a seu
pecado, é justo deixar que parte da raça pereça dessa maneira, enquanto
a salvação da outra porção é uma questão de favor imerecido. Não se
poderá negar que Deus fez um pacto com Seu Filho nesse sentido. Ou
seja, Ele prometeu a salvação de Seu povo como recompensa de sua
encarnação e sofrimentos; Cristo entrou nesse mundo e sofreu e morreu
com base nessa condição, e, havendo cumprido essa condição, tem direito à
recompensa prometida. Esses fatos estão declarados na Escritura tão
nitidamente, e tantas vezes, que não admitem que sejam postos em
dúvida.
Mas, se esse é o plano de Deus
com respeito à salvação dos homens, segue-se necessariamente que a
eleição precede à redenção; que Deus determinou quem seria salvo antes
de enviar Seu Filho para salvá-los, portanto, Nosso Senhor disse que
aqueles que o Pai lhe dera esses com certeza viriam a Ele, e que Ele os
ressuscitaria no último dia. Esses fatos bíblicos não podem ser
admitidos sem se admitir, ao mesmo tempo, que a morte de Cristo teve uma
referência a Seu povo, cuja salvação Ele garantiu, que não teve para
outros aos quais Deus, por razões infinitamente sábias, decidiu deixar
entregues a si mesmos. Segue-se, pois, da natureza do Pacto da
Redenção, tal como se apresenta na Bíblia, que Cristo não morreu
igualmente por toda a raça humana, senão que se deu a Si mesmo por Seu
povo e pela redenção deles.
2. Argumento Derivado da Doutrina da Eleição
Isso se deduz quase
necessariamente com base na doutrina da eleição. Aliás, jamais se
negou que Cristo morreu especificamente pelos eleitos até que a própria
doutrina da eleição foi ela mesma rejeitada. Agostinho, seguidor e
intérprete de Paulo, ensinou que Deus, por Seu mero beneplácito,
escolhera alguns para a vida eterna, e afirmou que Cristo veio ao mundo
para sofrer e para morrer pela salvação desses. Comprou-os com Seu
precioso sangue. Os semi-pelagianos, ao negar a doutrina da eleição,
negaram naturalmente que a morte de Cristo tivera referência a uma
classe mais do que a outra.
A Igreja Latina embora
mantivesse a doutrina agostiniana da eleição, sustentou também a
doutrina agostiniana acerca do desígnio e dos objetos da morte de
Cristo. Ao longo da Idade Média, essa foi uma das doutrinas
distintivas dos que resistiram ao progresso do partido semi-pelagiano na
igreja ocidental. Na época da reforma, os luteranos, até onde se
aferraram à primeira doutrina, aferraram-se igualmente à segunda. Os
reformados, ao aderir, à doutrina da eleição, mantiveram-se fiéis à sua
negação da doutrina de que a morte de Cristo tivera a mesma referência a
toda a humanidade.
Não foi senão até que os
Remonstrantes da Holanda sob os ensinos de Armínio, rejeitaram a
doutrina da Igreja quanto ao pecado original, à incapacidade do homem
caído para o que é espiritualmente bom, à soberania de Deus na eleição e
à perseverança dos santos, que foi rejeitada a doutrina de que a obra
de Cristo tinha referência especial ao povo de Deus. Portanto, é
assunto da história que a doutrina da eleição e a doutrina agostiniana
concernente ao desígnio da obra de Cristo se mantinham inseparavelmente
unidas. Assim como essa conexão é histórica é igualmente lógica. Uma
doutrina pressupõe necessariamente a outra. Se desde a eternidade
Deus determinou salvar uma porção da raça humana e não outra, parece ser
uma contradição dizer que o plano da salvação tinha a mesma referência a
ambas as parte; que o Pai enviou Seu Filho para morrer por aqueles a
quem predeterminara não salvar de maneira tão certa e no mesmo sentido
em que Ele o deu por aqueles a quem decidira fazer herdeiros da
salvação.
3. As Declarações Expressas das Escrituras
E assim encontramos numerosas
passagens nas quais se declara que o desígnio da morte de Cristo é o de
salvar Seu povo de seus pecados. Ele não veio meramente para tornar
possível a salvação deles, mas para realmente libertá-los da maldição da
lei e do poder do pecado. Isso se acha incluso em todas as descrições
bíblicas da natureza e do desígnio de Sua obra. Ninguém paga um
resgate sem a certeza da libertação daqueles pelos quais ele é pago.
Não é um resgate até que realmente redima. E uma oferta não é
sacrifício a menos que expie e propicie verdadeiramente. O efeito de
um resgate e sacrifício pode certamente ser condicional, porém o
cumprimento da condição será assegurado antes de oferecer-se um
sacrifício tão caro.
Há também uma grande quantidade
de passagens nas quais se declara explicitamente que Cristo deu-Se a Si
mesmo por sua Igreja (Ef 5:25); que Ele deu suas vidas pelas ovelhas
(Jo 10:15); que deu Sua vida por seus amigos (Jo 15:13); que morreu para
reunir em um só rebanho os filhos de Deus que estavam dispersos (Jo
11:52); que foi a Igreja que Ele comprou com Seu sangue (At 20:28).
Quando a humanidade fica
dividida em duas classes, a igreja e o mundo, os amigos e os inimigos de
Deus, as ovelhas e os cabritos, tudo o que se afirma de maneira
distintiva de uma classe é implicitamente negado em relação à outra.
Quando se diz que Cristo amou Sua igreja e por Ela se entregou, que Ele
deu Sua vida por Suas ovelhas, é óbvio que se diz algo concernente à
igreja e às ovelhas que não é verdadeiro em relação aos que não são nem
uma coisa nem outra. Quando se diz que um homem trabalha e sacrifica
sua saúde e energia pelos seus filhos, nega-se com isso que o motivo que
o controla é a mera filantropia, ou que o desígnio que ele tem em vista
é o bem da sociedade. Aliás, ele pode ser filantropo e reconhecer o
fato de que o bem-estar de seus filhos promoverá o bem-estar da
sociedade, mas isso não altera o caso. Permanecerá verdadeiro que o
amor por seus filhos é o motivo e seu bem é objetivo.
É difícil à luz de Efésios 5:25,
onde a morte de Cristo é atribuída ao Seu amor por Sua igreja e onde se
diz que foi para sua santificação e salvação, acreditar que Ele deu-Se a
Si mesmo em igual sentido pelos réprobos e por aqueles aos quais tinha a
intenção de salvar. Portanto, cada afirmação de que Cristo morreu por
um povo é a negação da doutrina de que Ele morreu igualmente por todos
os homens.
4. Argumento Derivado do Amor Especial de Deus
O Amor de Deus às vezes
significa sua bondade, da qual todas as criaturas sensíveis são objeto e
de cujos benefícios são todos recipientes Às vezes significa seu
especial respeito pelos filhos dos homens não só como criaturas
racionais, mas também como a progênie daquele que é o Pai dos espíritos
de todos os homens. Às vezes significa aquele amor peculiar,
misterioso, soberano, incomensurável que excede a todo o conhecimento,
do qual são seus objetos Seu próprio povo, a igreja do primogênitos
cujos nomes estão arrolados no Céu. Desse amor se ensina:
(1)Que é infinitamente grande.
(2)Que é discriminativo, fixado
em alguns, e não em outros dos filhos dos homens. É comparado ao amor de
um esposo para com sua esposa, o qual, por sua natureza, é exclusivo.
(3)Que é perfeitamente gratuito e
soberano, ou seja, não tem por base o atrativo particular de Seus
objetos, mas, como o afeto paternal, no mero fato de que são seus
filhos.
(4)Que é imutável.
(5)Que obtém todas as bençãos
salvíficas, inclusive todo o bem; de maneira que até mesmo as aflições
se encontram entre os frutos designados para o maior bem do sofredor.
Ora, é a esse amor, não à bondade geral, nem à mera filantropia que se
atribui constantemente o dom de Cristo.
Nisso consiste o amor, não em
que amassemos a Deus, mas em que Ele nos amou e enviou Seu Filho para
ser a propiciação por nossos pecados (I Jo 4:10).
Nisso conhecemos o amor de Deus
(ou, por meio desse fato conhecemos o que é o amor), porque Ele (Cristo)
deu sua vida por nós (I João 3:16).
Deus glorifica Seu amor para conosco pelo fato de que, sendo nós ainda pecadores, Cristo morreu por nós (Rm 5:8).
Ninguém tem maior amor que este,
dar a vida por seus amigos (Jo 15:13). Nada pode separar-nos do amor
de Deus que está em Cristo Jesus (Rm 8:35-39).
Aquele que não poupou a Seu
próprio Filho, antes o entregou por todos nós, como não nos dará com Ele
também todas as coisas? (Rm 8:32).
Todo o argumento do apóstolo em
Romanos 5:1-11, especialmente ao longo do capítulo oitavo, encontra-se
nesse finito e imutável amor de Deus por Seu povo. Sobre essa base,
ele argumenta para mostrar a absoluta segurança deles dentro do tempo e
por toda a eternidade. Porque Ele os amou de tal maneira, deu seu
Filho por Eles; e, havendo feito isso, propôs-se dar-lhes, com toda a
certeza, tudo o que é necessário para sua salvação. Nenhum inimigo
jamais prevalecerá contra eles; Ninguém jamais poderia separá-los de
Seu amor.
Todo esse argumento é
absolutamente irreconciliável com a hipótese de que Cristo morreu
igualmente por todos os homens. Sua morte é atribuída ao amor peculiar
de Deus por Seu povo e foi a garantia de todos os demais dons
salvíficos. Esse amor peculiar de Deus não se fundamenta no fato de que
seus objetos são crentes, pois ele os amou quando eram inimigos, quando
ainda ímpios, e deu Seu Filho para assegurar que seriam conduzidos à
fé, ao arrependimento e à completa restauração à imagem divina.
Portanto, ele não pode ser explicado como mera benevolência ou
filantropia geral.
É um amor que garantiu a
comunicação de Si mesmo a seus objetos e tornou sua salvação infalível;
e, conseqüentemente, não pode ser concedido a todos os homens
indiscriminadamente. Essa descrição é tão predominante nas Escrituras,
ou seja, que o amor peculiar de Deus por Seu povo, por Sua igreja,
pelos eleitos, é a fonte do dom de Cristo, da missão do Espírito Santo e
de todas as demais bençãos salvíficas, que não pode ser ignorado em
nenhuma visão do plano e propósito da salvação. Cada afirmação das
Escrituras deve ser consistente com essa descrição; e por isso é
anti-bíblica a teoria que nega essa grande preciosa verdade e que
pressupõe que o amor que assegurou o dom do eterno filho de Deus foi
mera benevolência que teve todos os homens como seu objeto, muitos dos
quais são deixados a perecer.
[…]
A Oferta Universal do Evangelho ¹
Nega-se que o esquema
agostiniano explica o fato de que sobre a base da obra de Cristo se
possa oferecer a salvação a todo ser humano; e que todos os que ouvem e
rejeitam o evangelho são com justiça, condenados por sua incredulidade.
Não se pode negar que esses são fatos bíblicos e, se a doutrina
agostiniana não fornecer explicação deles, então ela é falsa ou
defectiva. Há diferentes razões sobre as quais se presume que a
doutrina agostiniana não admite a oferta universal do evangelho. Uma
delas é a falsa suposição de que o agostinianismo ensina que a
satisfação de Cristo foi em todos os aspectos análoga ao pagamento de
dívida, uma satisfação à justiça comutativa ou comercial.
[….]
Às vezes, porém, a objeção é
apresentada de forma um tanto distinta. Admitindo-se que a satisfação
de Cristo seja em si mesma de valor infinito, como pode valer para os
não eleitos se não foi destinada a eles? Não vale para os anjos
apóstatas porque não foi destinada a eles; como, pois, pode valer pelos
não-eleitos, se não foi destinada a eles? Como pode um resgate, seja
qual for seu valor intrínseco, beneficiar àqueles por quem não foi pago?
Ao adquirir essa forma a objeção é muito mais ilusória, entretanto,
ela é falaz. Ignora a natureza peculiar do caso. Ignora o fato de
que toda a humanidade foi posta sob a mesma constituição ou pacto. O
que se exigia para salvação de um se exigia para a salvação de todos.
Exige-se que todos dêem satisfação às exigências da lei. Nem mais nem
menos. Se tais exigências são satisfeitas por um representante ou
substituto sua obra está igualmente à disposição de todos.
O propósito secreto de Deus ao
prover tal substituto para o homem não tem nada que ver com a natureza
nem com a apropriação de sua obra. Sendo a justiça de Cristo de
infinito valor ou mérito, e sendo em sua natureza precisamente do que
necessitam todos os homens, ela pode ser oferecida a todos. Portanto, é
oferecida aos eleitos e aos não-eleitos; e é oferecida a ambas as
classes de maneira condicional. Essa condição é uma sincera aceitação
dela como a única base para justificação. Se qualquer um dos eleitos
(sendo adultos) deixa de aceitá-la, ele perece. Se qualquer um dos
não-eleitos crer, então é salvo.
E o que mais qualquer esquema anti-agostiniano fornece?
Os defensores de tais esquemas dizem que o desígnio da obra de Cristo foi tornar possível a salvação de todos os homens. Tudo que podem querer dizer com isso é que, se qualquer pessoa (eleito ou não) crer, será salva com base no que Cristo fez. Mas
os agostinianos dizem o mesmo. Sua doutrina provê para essa oferta
universal de salvação tanto como qualquer outro esquema. Ensina que
Deus, ao concretizar a salvação de seu próprio povo fez tudo que é
necessário para a salvação de todos os homens, e portanto, que essa
oferta pode ser feita, e de fato se fez, no evangelho.
Se se soçobrar a nave em que
estavam a mulher e os filhos de um homem que está em terra, ele poderia
tomar uma barca e sair em busca de seu resgate. Seu motivo é o amor
por sua família; seu propósito é salvá-los. Mas a barca que ele tem
pode ser suficientemente grande para receber todos os ocupantes da nave.
Haveria alguma incongruência de que ele lhes ofereça uma chance de
escape? Ou demonstraria essa oferta de que não tinha nenhum amor
especial por sua própria família, nem desígnio especial para conseguir
salvá-los? E se alguns ou todos aqueles aos quais se lhes fizesse o
oferecimento recusassem aceitá-lo, alguns por uma razão, outros, por
outra; alguns porque não avaliaram o perigo em que se encontravam;
outros porque pensaram que poderiam salvar-se com seus próprios
recursos; e alguns por inimizade contra o homem de que proveio a
oferta, a culpa e insensatez dos mesmos seria tão grande como se o homem
não se sentisse movido de modo especial por sua própria família nem por
algum propósito especial para levar a bom termo o salvamento dela.
Ou, se a família de um homem
fosse, juntamente com outros, mantida em cativeiro, e movido de amor por
ela e com o propósito de redimi-la ele oferecesse um resgate suficiente
para a liberdade de todos os cativos, é óbvio que a oferta livremente
poderia estender-se a todos com base em tal resgate, ainda que
especialmente se destinasse só a parte de seu todo. Ou um homem
pode fazer uma festa para seus próprios amigos e a provisão ser tão
abundante que abra suas portas de par em par a todos que quiserem
entrar. Isso é precisamente o que Deus realmente fez, segundo a
doutrina agostiniana. Movido de especial amor por seu povo, e com o
desígnio de assegurar a salvação deles, Ele enviou Seu filho para fazer o
que justificasse a oferta de salvação a todos os que decidirem
aceitá-la. Cristo, pois, não morreu igualmente por todos os homens.
Ele deu a vida por suas ovelhas; entregou-se por sua igreja. Mas,
em perfeita consistência com isso, Ele fez tudo quanto era
necessário, no que diz respeito à satisfação feita à justiça, tudo o que
se requer para a salvação de todos os homens. De modo que todos os
agostinianos podem anuir-se ao Sínodo de Dort ao dizer: “Ninguém perece
por falta de uma expiação”.
[….]
Sendo tal a natureza da
satisfação judicial dada por Cristo à lei, sob a qual todos os homens
são colocados, pode ser sinceramente oferecida a todos os homens com a
garantia de que se crerem, o resultado será sua salvação. Sendo sua
obra especialmente designada para a salvação de seu próprio povo, esse
fato torna-se certo através das condições do pacto; mas isso é
perfeitamente consistente com o fato de ser a base da oferta geral do
evangelho. Os luteranos e reformados concordam inteiramente, como já se
afirmou, em seus pontos de vista sobre a natureza da satisfação de
Cristo e conseqüentemente, no que diz respeito a esse ponto existe o
mesmo fundamento para a oferta geral do evangelho segundo amos os
esquemas. O que os reformados ou agostinianos sustentam sobre a eleição
não afeta a natureza da expiação. Permanece a mesma, quer designada
para os eleitos quer para todo o gênero humano. Não deriva sua natureza
do propósito secreto de Deus quanto à sua aplicação.
Análise de Certas Passagens das Escrituras
Admitindo, não obstante, que a doutrina agostiniana de que Cristo morreu especialmente por seu próprio povo
explica o oferecimento geral do evangelho, como é possível conciliar
isso com aquelas passagens nas quais, de uma ou de outra maneira, se
ensina que ele morreu por todos?
Como resposta a esta pergunta,
deve-se observar que, em primeiro lugar, o agostinianismo não nega que
Cristo morreu por todos. O que ele nega é que ele morreu igualmente, e
com o mesmo propósito, por todos.
Ele morreu por todos: ²
a) para deter a execução
imediata da pena da lei sobre toda a nossa raça apóstata; a fim de
obter para os homens as inumeráveis bençãos que acompanham sua condição
na terra, o que, em um importante sentido, é condição de prova;
b) e a fim de poder lançar o
fundamento para a oferta do perdão e reconciliação com Deus, sob a
condição de fé e arrependimento.
Estas são conseqüências
universalmente admitidas de sua satisfação, e portanto todas entram
neste mesmo desígnio. Por meio dessa dispensação se faz manifesto a
cada mente inteligente no céu e na terra, e aos mesmos que persistem em
não arrepender-se, que a perdição dos que perecem é motivada por culpa
deles mesmos. Não querem atender a Cristo para terem vida. Recusam
aceitá-lo para que reine sobre eles. Ele chama, mas eles não querem
responder. Ele diz: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora”.
Cada ser humano que atende é salvo.
Isso é o que se diz quando se
fala ou se acha implícito na Escritura que Cristo se entregou a si
mesmo como propiciação, não só por nossos pecados, mas pelos do mundo
inteiro. Ele foi uma propiciação eficiente pelos pecados de seu povo, e
suficiente para o mundo inteiro. Os agostinianos não têm
necessidade alguma de afastar-se de seu princípio fundamental, a saber,
que é o dever dos teólogos subordinar suas teorias à Bíblia, e não
ensinar o que lhes parece certo ou razoável, mas simplesmente o que a
Bíblia ensina.
Em segundo lugar, porém, deve-se
observar que os termos gerais são empregados indefinidamente, e não
inclusivamente. Significam todas as classes ou tipos, e não cada
indivíduo. Quando Cristo diz: “Quando for elevado da terra, atrairei a
mim todos os homens”, ele quer dizer todos homens de todas as épocas,
classes e condição, e não cada pessoa individualmente. Quando Deus
prediz que no advento do Messias ele derramaria seu Espírito sobre toda a
carne, tudo o que foi predito consiste na efusão geral do Espírito
Santo. E quando é dito que todos os homens verão (experimentarão) a
salvação de Deus, isso não significa que serão salvos todos os homens
individualmente, mas a grande multidão de todas as classes. A mesma
observação se aplica ao uso do termo mundo. Significa os homens, o
gênero humano, como raça ou ordem de seres. Ninguém hesitaria em
chamar o Senhor Jesus de o “Salvator hominum”. Ele é assim saudado e
adorado onde quer que se conheça seu nome. Mas ninguém pretende dizer
com isso que ele realmente salva todo o gênero humano. O que se quer
dizer é que ele é o nosso Salvador, o Salvador dos homens, não dos
anjos, não exclusivamente dos judeus, nem ainda somente dos gentios, não
apenas dos ricos ou apenas dos pobres, não exclusivamente dos justos,
mas também dos publicanos e pecadores. Ele é o Salvador de todos os
homens que vêm a ele. E assim, quando ele é chamado de o Cordeiro de
Deus que tira o pecado do mundo, tudo o que se quer dizer é que ele tira
o pecado dos homens; que ele veio como oferta pelo pecado, levando não
propriamente os seus pecados, mas os pecados dos outros.
Em terceiro lugar, esses termos
gerais devem ser sempre entendidos em referência às coisas expressas no
contexto. Quando se diz que todas as coisas, o universo, serão postas
em sujeição a Cristo, naturalmente se deve entender o universo criado.
Em I Coríntios 15:27, Paulo expressamente menciona essa limitação, mas
em Hebreus 2:8 ela não é mencionada. Entretanto, ela se acha envolvida
tanto em uma passagem quanto na outra. Quando em Romanos 5:18 lemos
que, pela justiça de Cristo, o dom gratuito da justificação da vida veia
a todos os homens, necessariamente isso se limita a todos os que estão
em Cristo, de quem fala o Apóstolo. Assim também em 1 Coríntios 15:22,
“Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão
vivificados em Cristo” é em ambas as partes da oração certamente não
todos, mas todos os que estão em Adão e todos os que estão em Cristo.
Isso é ainda mais evidente em Romanos 8:32, das onde se diz que Deus deu
seu Filho por todos nós. O “nós” é um referência à classe de pessoas
das quais trata todo o capítulo, ou seja, aqueles para quem não há
condenação, que são guiados pelo Espírito, por quem Cristo intercede,
etc. Efésios 1:10 e Colossenses 1:20 são textos favoritos para os
universalistas, pois ensinam que todos no céu e na terra estão unidos a
Deus por intermédio de Jesus Cristo. Eles estão certos ao entender
essas passagens como que ensinando a salvação de todos os homens, se
pelo termo “todos”, nesta conexão, devemos entender todos os seres
humanos. Mas por que limitar o termo a todos os homens? Por que não
incluir os anjos e ainda as criaturas irracionais? A resposta é:
porque a Bíblia ensina que Cristo veio para salvar os homens, não os
anjos nem os animais irracionais. Equivale simplesmente a dizer que
todos deve limitar-se aos objetos da redenção. Quem são eles, deve ser
descoberto não através desses termos gerais, mas através do ensino
geral das Escrituras. Esses todos que se acham unidos em um só corpo
harmonioso por intermédio de Jesus Cristo são todos aqueles a quem ele
veio salvar. A mesma observação se aplica a Hebreus 2:9: Cristo
experimentou a “morte por todo homem”. É bem notório que Orígenes
entendeu isso como falando de cada criatura; outros, de cada criatura
racional; outros, de cada criatura racional apostatada; outros, de
cada pessoa; outros, de cada um daqueles que foram dados pelo Pai ao
Filho. Como decidiremos qual dessas interpretações é correta? No que
diz respeito à mera significação das palavras, tanto é correta uma
quanto a outra. É somente pela analogia das Escrituras que o
significado do escritor sacro pode ser determinado. Cristo provou a
morte em favor de cada um dos objetos da redenção. Se ele veio redimir
todos os seres sensíveis criados, ou todas as criaturas racionais, ou
todos os homens, ou todos quantos foram dados ao Filho nos concílios da
eternidade, quem decide é a Bíblia. A grande maioria das passagens
citadas para provar que Cristo morreu igualmente por todos os homens vem
sob uma ou outra das classes supramencionadas, e não tem nenhum apoio
real sobre a questão concernente ao desígnio de sua morte.
Há outra classe de passagens
com as quais, dizem, não se pode conciliar a doutrina agostiniana; as
que falam que podem perecer aqueles por quem Cristo morreu. Com
referência a essas passagens, pode-se observar, primeiro, que há certo
sentido, como já se disse antes, em que Cristo morreu por todos os
homens; e, naturalmente, foi designada para que tivesse tal efeito.
Portanto, ele morreu suficientemente por todos. Em segundo lugar,
essas passagens são, pelo menos em alguns casos, hipotéticas. Quando
Paulo exorta os coríntios a não fazer perecer aqueles por quem Cristo
morreu, ele está simplesmente exortando-os a não agir egoisticamente em
relação àqueles por quem Cristo demonstrou a mais profunda compaixão.
Esta passagem não declara nem implica que algum daqueles por quem Cristo
morreu realmente perece. Ninguém perecerá dos que ele veio salvar;
multidões perecem daqueles aso quais tem sido oferecida a salvação com
base em sua morte.
Como Deus, no curso da natureza e
na dispensação de sua providência, move-se em majestade imperturbável,
pouco se preocupa com a aparente complicação ou mesmo aparente
inconsistência de um efeito ou de uma dispensação com a outra; assim o
Espírito de Deus, na Bíblia, exibe os propósitos, as verdades e as
atividades de Deus, precisamente como são, seguro de que mesmo as mentes
finitas por fim serão capazes de ver a consistência de todas as suas
revelações. As doutrinas da preordenação, soberania e eficaz controle
providencial seguem de mãos dadas com as doutrinas da liberdade e da
responsabilidade das criaturas racionais. Ficam fora os que dispensam a
lei, a salvação pela fé sem as obras e a absoluta necessidade de vida
santa. Na mesma página encontramos a garantia do amor de Deus para
com os pecadores e declarações de que ele deseja que todos os homens
venha a Ele e vivam, com afirmações explícitas de que Ele determinou
deixar as multidões perecer em seus pecados. De igual modo, as
declarações expressas de que foi o amor incompreensível e peculiar de
Deus por seu próprio povo que o induziu a enviar seu Filho para a
redenção deles; que Cristo veio ao mundo com esse objetivo específico;
que ele morreu por suas ovelhas; que ele se deu por sua igreja; e que a
salvação de todos por quem ele assim se ofereceu tornou-se infalível
pelo dom do Espírito, trazendo-lhes a fé e o arrependimento, se
entrelaçam com declarações de sua boa vontade para com toda a
humanidade, com ofertas de salvação para todo aquele que crer no Filho
de Deus, bem como anúncios de ira contra os que rejeitam tais
oferecimentos de mercê. Tudo o que temos de fazer é não ignorar nem
negar quaisquer desses modos de descrição, mas abrir bem amplamente
nossa mente para receber ambos e conciliá-los o melhor que pudermos.
Ambos são verdadeiros, em todos os casos supramencionados, vejamos ou
não sua consistência.
Recapitulando esta questão, é
óbvio que a doutrina de que Cristo morreu igualmente por todos os homens
com o propósito de tornar possível a salvação de todos não tem
vantagens sobre a doutrina de que ele morreu especialmente por seu
próprio povo, e com o propósito de tornar certa a salvação deles. Isso
não apresenta uma visão mais elevada do amor de Deus nem do valor da
obra de Cristo. Não estabelece uma base mais sólida para a oferta da
salvação “a toda criatura”, nem torna mais evidente a justiça da
condenação dos que rejeitam o evangelho. São condenados por Deus,
pelos anjos e pelos homens, e por sua própria consciência, por recusarem
crer que Jesus é o Filho de Deus, Deus manifesto em carne, e
conseqüentemente amá-lo, adorá-lo e nele confiar e a ele obedecer. A
doutrina oposta, anti agostiniana, tem por base uma compreensão parcial
dos fatos do caso. Ignora o amor especial de Deus, claramente revelado,
por seu povo peculiar; a união entre Cristo e seus eleitos; o caráter
representativo que assumiu como Substituto deles; a eficácia certa de
seu sacrifício em virtude do pacto da redenção; e a relação necessária
entre o dom de Cristo e o dom do Espírito Santo. Além disso, conduz a
perspectivas confusas e inconsistentes do plano da salvação e a teorias
antibíblicas e perigosas concernentes à natureza da expiação. Portanto,
é um esquema limitado e pobre; enquanto a doutrina ortodoxa é
universal e inclusiva; cheia de consolação e de poder espiritual, bem
como de justiça para toda a humanidade.
¹título adicionado.
²as letras (a, b) foram adicionadas
Fonte: Charles Hodge. Teologia Sistemática. Capítulo VIII. Editora Hagnos
Nota do blog: Essa postagem
traz o texto quase completo do capítulo 8 da Teologia Sistemática de
Charles Hodge. Algumas partes foram omitidas unicamente porque não vi
necessidade das mesmas, ou porque já foram ou serão adicionadas
posteriormente em postagens distintas.
Via: http://mortoporamor.blogspot.com
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