Não! Clark não era nestoriano – Fabrício Bezerra

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Primeiramente, Não! Clark não era nestoriano. O acusam disso por pura desonestidade intelectual, e também por acharem que o fato de Clark tentar trabalhar a questão de maneira que a divindade em si não sofreu na cruz necessariamente, o torna Nestoriano, o que é um equívoco.

 

1. Clark era confessional. Confissão de Westminster (8:2), que declara de Cristo que “as duas naturezas, inteiras, perfeitas e distintas — a divindade e a humanidade — foram inseparavelmente unidas em uma só Pessoa , sem conversão, composição ou confusão; essa Pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, porém, um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem”.

 

2. Clark acreditava no problema do nestorianismo, ele até fala sobre isso no seu livro "The Incarnation"(traduzido por nós IBETEC) onde ele crítica a questão da ausência de definições.

 

E isso aqui é importante mencionar. A preocupação de Clark era quanto a definição de termos. Em especial quanto a definição do que significa o termo "pessoa", onde Clark definia como “uma composição de proposições”. Ou seja, Clark entendia que Jesus é uma pessoa que tem proposições divinas e humanas, onde Cristo é o Deus homem, pessoa divina e humana. E ambas as naturezas, (divina e humana) neste caso, são composições de proposições.

 

Eis a diferença, os Nestorianos separam as duas pessoas de Cristo, Clark não faz isso, ele apenas faz uma "distinção" delas, a nível de definição de termos. Vale pontuar que há uma diferença entre separação e distinção.

 

John Robbins completou a posição de Clark sobre o assunto, e isso a pedido do próprio Clark, dado que Clark faleceu antes de poder concluir tal pensamento. Robbins então concluiu o posicionamento de Clark, dizendo:

 

"Se, como parece ser o caso, agora temos uma solução para os enigmas da Encarnação, uma solução que evita as contradições e as palavras sem sentido das formulações tradicionais, uma solução que é suportada pela própria Escritura, somos obrigados a aceitá-la. Jesus Cristo era e é Deus e homem, uma pessoa divina e uma pessoa humana. Negar isso é incorrer no erro. Uma vez que os termos-chave estão definidos e claramente entendidos, a Encarnação é ainda a mais estupenda e maravilhosa inspiração de milagre que a igreja tem até agora."

 

Jeusus era Divino? Sim! Humano? Sim! Portanto, era uma pessoa divina e humana. O problema em entender o que Clark disse, talvez esteja ligado também a questão de semântica. A ideia é justamente essa. "JESUS era Deus e homem, uma pessoa divina e humana" Ou seja, era humano e divino ao mesmo tempo. E torno a dizer, o Nestorianismo não fazia distinção, antes, fazia separação.

 

Clark não era contra nem a CFW, nem ao Concílio de Caledônia. Clark escreve:

 

"Esta doutrina de Calcedônia é necessária para suportar a função do ofício de Mediador de Cristo. A razão é que, se Cristo fosse um mero homem, ele não poderia funcionar como mediador; Nem poderia se ele também fosse simplesmente Deus. Em ambos os casos ele estaria confinado a um extremo e não conseguiria ligar os dois. Se Cristo estivesse nem em Deus nem no homem, mas um anjo ou qualquer outra coisa, ele seria uma barreira entre Deus e o homem, em vez de ser um mediador. Mas, como Deus e homem, como verdadeiramente Deus e como verdadeiramente homem, como Deus, Cristo pode ser o Mediador e unir os homens à Deus."

 

Portanto, é notório que o posicionamento de Clark não é nestoriano. Por mais que Clark tenha exposto as definições de termos e tenha buscado simplificar a questão, ainda assim, isso não o torna um Nestoriano, dado que a posição nestoriana é algo totalmente diferente do que Clark propôs.

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