A Hipocrisia do "Confessionalismo" Seletivo: Uma Defesa da Verdadeira Ortodoxia de Westminster

  

ROTEIRO DA LIVE: O PROVIDENCIALISMO REFORMADO

 

INTRODUÇÃO: As Três Posições Atuais

O cenário teológico contemporâneo está polarizado e cego para a sua própria história, dividindo-se essencialmente em três posições.

1 - A primeira é o Hipercessacionismo, que defende que Deus não concede mais nenhuma manifestação extraordinária, considerando qualquer alegação atual inerentemente suspeita.

2 - A segunda é o Continuísmo Pentecostal, que argumenta que Deus continua falando frequentemente de forma direta, elevando profecias modernas a um nível de alta autoridade e tornando a experiência mística o centro da vida de fé.

3 - A terceira via, que defendemos aqui, é o Providencialismo Reformado. Esta posição afirma simultaneamente a suficiência absoluta das Escrituras, o fechamento definitivo do cânon e a continuidade da providência extraordinária de Deus em sua liberdade soberana. O objetivo desta apresentação não é propor uma "terceira via política" ou um meio-termo artificial, mas recuperar uma tradição esquecida da própria ortodoxia reformada clássica.

 

TEMA 1 & 2: Revelação vs. Providência e o Mito do Entusiasmo

Contexto histórico escocês

Explorar as profecias e o misticismo celta de São Columba (Columcille) na Escócia e de São Patrício na Irlanda é mergulhar em uma era onde as fronteiras entre o sagrado, a natureza e o sobrenatural eram fluidas. No cristianismo celta, a conversão dos povos não apagou o misticismo dos antigos druidas; em vez disso, os santos herdaram o respeito social pela clarividência e pelo domínio espiritual sobre os elementos.

Abaixo, divido a história, o contexto místico escocês e irlandês, as profecias emblemáticas de cada santo e suas respectivas referências bibliográficas.

O Contexto Místico Escocês e Irlandês

Para os celtas antigos, o mundo era povoado por forças invisíveis e os druidas atuavam como pontes entre os homens e os deuses. Quando a fé cristã se estabeleceu na Irlanda (século V) e na Escócia (século VI), figuras como Patrício e Columba foram absorvidas pelo imaginário popular como os "Super-Druidas" de Cristo.

Na tradição escocesa-gaélica, o misticismo é profundamente ligado ao conceito da Segunda Visão (An Dà Shealladh) — a habilidade involuntária de ver eventos futuros, mortes iminentes ou realidades espirituais paralelas. Columba é considerado o protótipo máximo desse dom na Escócia. Os mosteiros célticos (como Iona) eram vistos como "lugares finos" (thin places), onde a separação entre o Céu e a Terra era quase inexistente.

1. São Columba de Iona (A Escócia e os Pictos)

São Columba (Columcille) exilou-se na ilha de Iona em 563 d.C. Seu biógrafo, Adomnán, dedicou o Livro I inteiro de sua obra apenas para catalogar as visões e revelações proféticas do santo, que enxergava o presente e o futuro simultaneamente.

Principais Profecias e Citações

  • A Profecia sobre a Batalha dos Miathi: Enquanto estava fisicamente em Iona, Columba entrou em transe e chamou seu assistente, Diormit. Ele previu em tempo real uma batalha ocorrendo a quilômetros dali.

"Oremos agora pelos reis Aidan e seu povo, pois neste exato momento eles começaram a batalha contra os Miathi." Após rezar, ele declarou: "Os bárbaros foram colocados em fuga. E, embora seja uma vitória triste, o rei Aidan perdeu trezentos e três de seus homens."

  • A Visão do Rei Oswald da Nortúmbria: Columba apareceu em uma visão profética ao rei Oswald na véspera da Batalha de Heavenfield, prometendo-lhe a vitória mesmo com um exército menor.

"Seja forte e haja com coragem. Eis que estarei contigo. Esta noite o Senhor me revelou que teus inimigos serão dispersados."

  • A Profecia da Tinta Derramada (Cotidiano Místico): Columba frequentemente previa pequenos acidentes domésticos e visitas cotidianas, demonstrando que sua visão cobria tanto impérios quanto trivialidades.

"Um convidado apressado está prestes a chegar. Ao se aproximar de mim para me saudar, ele esbarrará no chifre de tinta (inkhorn) que está sobre a mesa e derramará todo o seu conteúdo." (Cumprido minutos depois).

  • O Encontro com o Monstro do Rio Ness: Embora frequentemente classificado como milagre, há um teor profético na ordenação dos eventos quando Columba antecipa e impede o ataque da criatura (o primeiro registro do Monstro de Loch Ness).

"Não vás mais longe, nem toques no homem. Volta imediatamente com toda a pressa!"

2. São Patrício (A Irlanda e os Reis de Tara)

A hagiografia de São Patrício é marcada por confrontos espirituais diretos com os druidas no topo da Colina de Tara e profecias sobre a linhagem dinástica da Irlanda.

Principais Profecias e Citações

  • A Queda dos Druidas e o Fim do Paganismo: Ao acender o Fogo Pascal na Colina de Slane antes que o rei pagão Loíguire acendesse o fogo real de Tara, os druidas do rei profetizaram o poder de Patrício, e o próprio santo profetizou sobre o destino do rei e sua linhagem.

"Se este fogo não for apagado esta noite, ele queimará para sempre nesta ilha e superará todos os costumes de nossos pais." (Profecia dos druidas sobre a vinda de Patrício). Patrício respondeu ao rei que se recusou a se batizar de coração: "Como resististe à minha doutrina... nenhum de teus descendentes ocupará o trono real de teu domínio para sempre."

  • A Profecia sobre as Linhagens de Munster: Ao abençoar os filhos do rei de Munster, Patrício profetizou que dali sairiam reis santos e dinastias duradouras que manteriam a fé firme contra invasões.
  • A Visão das Vozes de Foclut (Profecia de Vocação): Em seus escritos autobiográficos, ele detalha a visão profética noturna que o chamou de volta à Irlanda.

"Ouvi a voz daqueles que habitavam próximos à floresta de Foclut, perto do mar ocidental, e eles clamavam a uma só voz: 'Rogamos-te, santo jovem, que venhas e caminhes mais uma vez entre nós'." 

1.1. George Wishart (1513-1546)

George Wishart foi um dos primeiros reformadores escoceses e mártires. O cardeal David Beaton foi seu inimigo, o qual fez várias tentativas mal sucedidas na vida de Wishart. Eventualmente Beaton teve Wishart preso, tentado e condenado a ser queimado na fogueira por heresia em 1 de março de 1546. Howie observa:

Dois assaltantes vieram até ele e, colocando-o num casaco de linho preto, prenderam alguns sacos de pólvora ao redor dele, colocaram uma corda sobre o pescoço, uma corrente em volta da cintura e amarraram as mãos atrás das costas e nesse vestido eles o levaram à estaca, perto do palácio do cardeal. (HOWIE, 1999).

A torre dianteira, que era imediatamente oposta ao fogo, estava pendurada com tapeçarias e almofadas ricas eram colocadas nas janelas pela facilidade do Cardeal e prelados, enquanto contemplavam o triste espetáculo.

Quando acenderam o fogo, a pólvora explodiu, mas não matou Wishart. Logo antes que o executor tirasse o cordão do pescoço para acabar com sua vida, Wishart pronunciou estas palavras:

Esta chama queimou meu corpo, mas não desanimou meu espírito; Mas aquele que, de algum lado, nos contempla com tanto orgulho, morrerá dentro de alguns dias no mesmo, de forma tão imoral quanto agora se vê orgulhosamente para descansar. (AUTOR, 1999).

Em 28 de maio de 1546, menos de três meses após a morte de Wishart, aos cinquenta e dois anos de idade, o Cardeal Beaton foi assassinado no próprio palácio do qual ele observou a execução do mártir profético, cumprindo a última profecia de Wishart. (DEERE, 1999).

Howie (1999) observa que Wishart "possuía o espírito de profecia para um grau extraordinário".

A Alteração da Banner of Truth

Na edição modificada da Banner of Truth Trust, o texto principal foi alterado de forma a suavizar ou reinterpretar a palavra "profecia" como uma percepção espiritual aguçada ou providencial, e não como uma revelação direta futura.

A Nota de Rodapé do Editor

Para justificar a mudança teológica e blindar a biografia contra interpretações continuístas, o editor insere uma nota de rodapé explicativa sobre George Wishart e outros Covenanters que supostamente predisseram o futuro. A nota afirma essencialmente o seguinte:

    Nota do Editor: “Embora Howie e outros historiadores antigos usem termos como ‘espírito de profecia’ para descrever as surpreendentes antecipações ou previsões de homens como George Wishart e John Welch, isso não deve ser confundido com o dom de profecia inspirado e infalível do período apostólico. Trata-se, antes, de uma singular e extraordinária percepção espiritual (insight), fruto de uma comunhão íntima com Deus e de uma profunda aplicação das Escrituras à providência divina, combinada por vezes com livramentos e pressentimentos providenciais concedidos por Deus em tempos de severa perseguição.”

Dessa forma, a editora remove o peso da palavra "profecia" no sentido estrito e a recontextualiza dentro dos limites da teologia reformada cessacionista tradicional.

1.2. John Knox (1514-1572)

John Knox é talvez o mais famoso dos reformadores escoceses e desempenhou um papel de liderança na Reforma na Escócia.

John Knox era um eminente lutador com Deus em oração e, como um príncipe, prevaleceu. A própria Rainha-Regente havia lhe dado esse testemunho quando, em uma ocasião particular, ela disse que tinha mais medo de suas orações do que de um exército de dez mil homens. Ele também era caloroso e patético em suas pregações, nas quais expressões tão proféticas se tornavam a realização mais notável.

Como exemplo disso, quando ele estava confinado no castelo de St. Andrews, ele predisse tanto a maneira de sua rendição quanto a libertação da Gália francesa, e quando os Senhores da Congregação foram duas vezes incomodados pelo exército francês, ele assegurou-lhes que o Senhor finalmente prosperaria o trabalho da Reforma.

Mais uma vez, quando a rainha Maria se recusou a vir e ouvir o sermão, ele pediu que lhe dissesse que ainda seria obrigada a ouvir a Palavra de Deus ela queira ou não, o que aconteceu em sua disputa na Inglaterra.

Em outro momento, ele dirigiu-se ao marido da Rainha, Henry, Lord Darnley, enquanto estava no assento do rei na Alta Igreja de Edimburgo: "Vocês, por prazer daquela cínica dama, lançaram o livro do salmo no fogo? O Senhor atingirá tanto a cabeça como a cauda." Tanto o rei quanto a rainha, morreram de mortes violentas.

Ele também disse, quando o Castelo de Edimburgo sustentou a Rainha contra o Regente, que o castelo deveria deixar o capitão, Sir William Kircaldy de Grange, com vergonha, que ele não deveria sair no portão, mas sobre a parede e que a torre chamada Davis Tower, deveria desmoronar como um copo de areia [uma ampulheta]; o que se cumpriu alguns anos depois onde Kircaldy foi obrigado a vir sobre a parede em uma escada com um bastão em sua mão, e a dita frente do Castelo tombou como uma colina arenosa.

No dia 24 de janeiro de 1570, John Knox estava no púlpito e um papel foi colocado em suas mãos contendo os nomes de pessoas doentes para serem oradas. O artigo continha essas palavras: "Pegue o homem que você considerou outro Deus", aludindo ao conde de Moray, que foi morto no dia anterior. Depois de lê-lo, colocou em seu bolso sem mostrar o menor desconforto. Após o sermão, ele lamentou a perda que a Igreja e o Estado encontraram na morte desse digno nobre, mostrando que Deus retira os bons e sábios governantes de um povo em sua ira, e finalmente disse:

Há um na companhia que cometeu esse horrível assassinato, no qual todos os homens bons têm a ocasião de ter tristeza, o assunto de sua alegria. Eu digo a ele que ele morrerá em uma terra estranha, onde ele não deve ter um amigo perto dele para segurar a cabeça. (KNOX, 1999).

Thomas Maitland, o autor desse papel insultante, ouviu o que Knox disse, confessou tudo a sua irmã, a senhora Trabrown, mas disse que John Knox estava delirante. Para falar que ele não sabia quem era, ela respondeu com lágrimas que nenhuma das ameaças de John Knox veio ao chão. Mais tarde, este cavalheiro foi para o exterior e morreu na Itália, a caminho de Roma, sem ter homem algum para o ajudar.

Na sua execução em junho de 1581, o conde de Morton lembrou as palavras de John Knox e reconheceu que, no que ele o havia dito, tinha sido um verdadeiro profeta.

John Knox — A Godly Letter of Admonition (1554)

(Seção sobre os Pregadores e os Sinais do Julgamento)

    "Mas vós conheceis a certeza da minha fé; Deus conceda que você possa ouvir e acreditar na mesma. Minhas garantias não são os 'Mervallis of Merlin' [Prodígios de Merlin], nem as frases escuras de profecias profanas; mas (1.) o plano verdadeiro da Palavra de Deus; (2.) la justiça invencível do Deus eterno; e (3.) o princípio do curso ordinário de Seus castigos e pragas, que constituem a minha segurança. A Palavra de Deus ameaça a destruição de todos os desobedientes; Sua justiça exige o mesmo. Os castigos comuns e as pragas que já se mostram [plagues shawis] são evidentes. O que o homem, então, pode deixar de profetizar?

    Pois se a Grécia, a Itália, a África, a Alemanha e a França não escaparam da mão de Deus quando caíram na desobediência e no desprezo de Sua santa Palavra, como a Inglaterra haveria de ser poupada, estando afundada na mesma, ou melhor, em pior iniquidade? Estais vós esperando por mais profetas ou por mais sinais? Quase nada restou que não ocupe o lugar de aviso, pois os pregadores de Deus profetizaram e mencionaram claramente as pragas que já começaram, assegurando o fim de tudo para os impenitentes.

    O Mestre Grindal planejava e lamentava abertamente em seus sermões a morte da majestade do Rei, o bom Eduardo, vendo e consentindo que os seus servos e oficiais da casa eram tão perversos que nem sequer desembainhariam suas espadas ou moveriam um dedo para reverter o que ia contra a Palavra de Deus e contra as piedosas pregações do mesmo. Esse homem fervoroso de Deus levantou um aviso claro para a dissolução do bem comum, e as pragas agora passam a se mover sobre nós.

    Mestre Bradford (por quem Deus seja louvado por Cristo, Seu precioso Filho, nosso conforto até o fim!) não poupou os mais orgulhosos na corte, mas ousadamente declarou que a vingança de Deus estava prestes a cair como um ataque repentino sobre a Inglaterra, porque o povo e os nobres haviam detestado a Palavra do Deus eterno. E, entre muitos outros, quão firmemente aquela verdade continuará a ser o nosso alimento espiritual!

    Lembrai-vos do Duque de Somerset, que ficou tão frio ao ouvir a Palavra de Deus que, no ano em que se deu seu último mandato, ele teve que visitar sua paróquia e não se alegrou com ela, e com sua curiosidade e orgulho preferiu retirar-se ao seu salão privado a ouvir um sermão público. Deus o castigou por isso (disse o pregador devoto em suas advertências na época). Ele por acaso é aquele homem pequeno que discute para que você permaneça débil e seja o principal iníquo contra o Senhor? Não, ele não é! A soberba da nobreza e a apostasia do povo são os verdadeiros artífices de nossa ruína. Portanto, que ninguém se engane: o machado está posto à raiz da árvore, e aqueles que desprezaram a luz agora caminham sob as trevas do julgamento divino."

The Works of John Knox, editado pelo historiador David Laing para a Wodrow Society (Volume 3, páginas 165 a 215).

Na edição padrão dos escritos do reformador escocês, intitulada The Works of John Knox (coletada e editada de forma monumental por David Laing no século XIX e frequentemente reimpressa por editoras de linha cessacionista clássica, incluindo a Banner of Truth), a adulteração da intenção original não é feita alterando o texto que o próprio Knox escreveu, mas sim através da manipulação das introduções históricas e prefácios agregados à obra.

O caso mais emblemático de distorção teológica ocorre em torno do famoso prefácio escrito originalmente por David Buchanan em 1644 para a History of the Reformation in Scotland.

O Cenário Original (David Buchanan, 1644)

Na edição de 1644, Buchanan (que era muito próximo dos intelectuais e teólogos Covenanters, como o próprio James Guthrie e Samuel Rutherford) exaltava Knox diretamente como um profeta com revelações divinas sobre o futuro da Escócia. Buchanan afirmava textualmente que Knox possuía o espírito preditivo dado por Deus em tempos de crise.

A "Correção" Editorial (A Citação que Altera a Intenção)

Nas edições posteriores que compõem os Works, o tom de Buchanan e dos contemporâneos de Knox é duramente podado ou relativizado nas notas e ensaios biográficos introdutórios para evitar qualquer interpretação de que Knox de fato recebia profecias diretas.

    "Ele [Knox] era, estrutural e teologicamente falando, um pregador da justiça, não um vidente. Foram apenas os seus contemporâneos que, em sua admiração por sua extraordinária sagacidade e profundo discernimento da palavra de Deus, lhe conferiram o título de profeta. Suas predições nada mais eram do que a aplicação fiel das ameaças bíblicas aos pecados da época."

O Impacto da Adulteração Editorial

Ao inserir esse tipo de reducionismo crítico dentro de The Works of John Knox, os editores alcançam dois objetivos teológicos:

    Isolam o testemunho histórico: Argumentam que o título de "profeta" era uma linguagem puramente cultural, contextual e hiperbólica daquela geração (os "contemporâneos"), e não um fato teológico ou um dom espiritual real operante.

    Rebaixam a profecia à intuição: Transformam o que os antigos historiadores escoceses registravam como "revelações e previsões exatas do Espírito" em mera "sagacidade política" e "aplicação de textos bíblicos".

Essa blindagem cirúrgica garante que o leitor moderno consuma a teologia e a história de John Knox puramente sob as lentes do cessacionismo estrito, esvaziando o forte elemento profético que os Covenanters e os primeiros biógrafos puritanos viam claramente no Reformador da Escócia.

John Knox não só acreditava que fazia profecias, mas seus ouvintes também as consideravam isso.

1.3. Archibald Johnston

Ele ajudou Alexander Henderson a escrever o Pacto Nacional Escocês em 1638 e foi nomeado procurador do Kirk no mesmo ano. Ele disse ter apoiado as profecias de Margaret Mitchelson como verdadeiras. Johnston ajudou a negociar a pacificação de Berwick em 1639 e o tratado de Ripon em 1640. Ele foi Lord of Session como Lord Warriston em 1641. Em 1643, como comissário de Midlothian , ele se opôs à neutralidade nos assuntos ingleses . Ele desempenhou um papel proeminente na Assembleia de Westminster e, em 1644, tornou-se membro do Comitê de Ambos os Reinos representando a Escócia em Londres. Nomeado Advogado do Rei por Carlos I em 1646, ele resistiu ao noivado de 1648 e pode ter redigido o Ato de Classes em 1649. Ele foi nomeado Lord Clerk Register em 1649 e diz-se que deu conselhos fatais a Leslie na Batalha de Dunbar em 1650, após o que perdeu seus cargos.

Archibald Johnston, certamente está aberto à ideia de revelação profética. Em seu diário, Johnston revela uma profunda admiração por Margaret Michelson (ou Mitchell), uma mulher escocesa que se achava experimentar arrebatamentos proféticos. Margaret Mitchelson foi uma profetisa escocesa. Seu pai pode ter sido o ministro de East Lothian de Yester, James Mitchelson. Ela percebeu em setembro de 1638, quando alegou que sabia que o Pacto Nacional triunfaria sobre o Pacto do Rei. Ela teve o apoio do ministro Henry Rollock da paróquia do Trinity College em Edimburgo e do líder dos covenanters Archibald Johnston de Wariston. Ela atraia grandes multidões que viriam para ouvir e assistir enquanto ela sofria seus insights. Foi dito que suas palavras foram escritas e distribuídas para a multidão. Nenhuma de suas profecias parece ter sido publicada. Nada é falado dela   depois de 1638, mas é creditada a ela, sua ajuda para melhorar o moral dos Covenanters.

Ele reivindicou poderes proféticos mesmo em meados da década de 1660, acreditando que 1666 foi um ano importante no calendário profético. Em seu diário no dia 25 de maio de 1661 observa:

“Seu amigo entrou e me contou diversas profecias sobre a derrubada da religião e festas papistas em 1666, que eu disse a ele que coincidiam com algo que eu havia escrito ontem e que li para ele.”

No entanto, essas “profecias” diferiam das profecias extraordinárias dos profetas talentosos do Novo Testamento, na medida em que exigiam a concordância de um texto bíblico. Como já observamos, Johnston não está preparado para aceitar uma revelação profética dos Quakers pelo valor de um texto das Escrituras que o acompanha. Com uma natureza altamente carregada e experimental do seu cristianismo, Johnston ainda exige a conjunção da Palavra e do Espírito antes de reconhecer qualquer previsão como autenticamente dada por Deus.

1.4. Fenômenos Espirituais na Segunda Reforma Escocesa - A Profetisa Margaret Mitchelson e seu Impacto no Pacto Nacional

O período da Segunda Reforma não foi apenas um período de reforma radical e redescoberta da verdade bíblica na Igreja da Escócia. Foi também o período de maior avivamento em toda a nação que a Escócia já experimentou. A história de casos de possessão demoníaca na Escócia, nos quais jovens adolescentes, frequentemente do sexo feminino, caíam em transes visionários, assombrados por bruxas e pelo diabo, é bem conhecida. Mas será que também poderia ter havido algo na Escócia calvinista como uma possessão divina, onde se acreditava que o possuído era infundido e estava em contato direto com o divino? Como seria tal fenômeno?

Um possível candidato a tal fenômeno foram os discursos inspirados proferidos por uma jovem profetisa da Aliança Nacional, chamada Margaret Mitchelson, que se opôs à Aliança do Rei no outono de 1638, ajudando a fortalecer a determinação da Aliança em um momento em que se caminhava para a abolição do episcopado na Assembleia de Glasgow em dezembro de 1638.

Mitchelson ganhou fama por suas revelações extáticas. Ela operou sob os auspícios de Henry Rollock, pastor da paróquia do Trinity College, em Edimburgo, e do ativista da Aliança, Archibald Johnston, de Wariston . Dada a falta de legitimidade institucional do Pacto Nacional através dos canais habituais da coroa ou do parlamento, demonstrações públicas contínuas de sua legitimidade divina neste momento crucial eram de fato muito convenientes.

A idade de Mitchelson é desconhecida, mas se a identificação de David Stevenson como filha de James Mitchelson (1585-1625), ministro de Yester (ou Bothans), filho da família de Mitchelson de Middleton, estiver correta, então é possível dizer que ela não poderia ter menos de treze anos em 1638. Dada sua descrição como "donzela", é improvável que ela tivesse mais de vinte e poucos anos. Se for assim, então ela era órfã e havia perdido ambos os pais em 1627. Ela não estava em uma posição totalmente marginal, no entanto, já que um de seus irmãos tornou-se um burguês comerciante de Edimburgo e o tutor dos filhos menores da família era o irmão de seu pai, Samuel, provavelmente o senhor de Middleton.

Margaret Mitchelson era controversa, naquela época e agora. Segundo o historiador moderno David Mullan, seus discursos eram "delirantes", embora ele tenha escrito de forma mais gentil sobre ela em seu verbete para o Novo Dicionário Biográfico de Mulheres Escocesas, mencionando que Rollock "ficava fascinado por ela" e que "alguns nobres encontravam convicção cristã ao ouvi-la".

Margaret Mitchelson (1638) foi uma profetisa escocesa. Seu pai pode ter sido o ministro de Yester em East Lothian, James Mitchelson.

Ela ganhou destaque em setembro de 1638, quando afirmou saber que o Pacto Nacional triunfaria sobre o Pacto do Rei. Ela tinha o apoio de Henry Rollock, ministro da paróquia do Trinity College em Edimburgo, e do principal membro do Pacto, Archibald Johnston, de Wariston. Ela atraía enormes multidões que vinham ouvi-la e observá-la enquanto ela sofria convulsões. Dizia-se que suas palavras eram taquigrafadas e distribuídas à multidão.

Nenhuma de suas profecias parece ter sido publicada. Ela não é registrada após 1638, mas é creditada por melhorar o moral dos membros da aliança.

1.5. Margaret Mitchelson

Dos Anais Domésticos da Escócia:

"Em meio à agitação da época, uma jovem chamada Mitchelson, que sofria de convulsões, atraiu a atenção em Edimburgo ao se tornar uma espécie de profetisa ou pitonisa da Aliança. Ela conhecia as Escrituras e se interessava muito pela Aliança, e em suas convulsões falava muito a seu favor e muito mal aos seus opositores, sobre o que aconteceria, ou pelo menos desejava, com eles. Grande número de pessoas de todas as classes sociais eram seus ouvintes diários; e muitas do sexo devoto oravam e choravam, de alegria e admiração, ao ouvi-la falar. Quando suas convulsões a acometiam, ela era normalmente colocada em uma cama de penas, e ali, prostrada, com o rosto para baixo, pronunciava palavras que, por um tempo, eram cuidadosamente registradas por aqueles que eram hábeis em braquigrafia. ... Sua linguagem significava pouco: ela falava de Cristo e o chamava de Jesus da Aliança; que a Aliança era aprovada do céu; que a aliança do rei foi invenção de Satanás; que a Aliança prosperaria, mas os adeptos da aliança do rei seriam confundidos; ..." 

Esse trecho dá uma ideia de como Mitchelson operava: transes ("convulsões"), discursos proféticos (predições favoráveis ao Pacto Nacional, oposição ao Pacto do Rei, palavras gravadas por escrito (estenografia — "braquigrafia").

Em 1709, um grupo de profetas chegou a Edimburgo proclamando que Cristo havia aparecido para redimir as nações. Eles atraíram o interesse de uma comunidade de autodeclarados místicos. Os místicos sustentavam que os cristãos tinham o dever de se voltar para dentro e seguir o Espírito Santo em tudo o que fizessem e acreditavam que Cristo logo apareceria em espírito para converter o mundo às suas crenças. Alguns, portanto, aceitaram os profetas como arautos do milênio. Mas outros místicos permaneceram céticos e sustentaram que a reforma espiritual não se manifestaria por sinais e maravilhas exteriores. O artigo apresenta o desenvolvimento do misticismo na Escócia. Em seguida, examina o debate que surgiu depois que um grupo de místicos se converteu à causa dos profetas. Mostra como profetas místicos converteram com sucesso tanto místicos quanto profetas à sua causa. Para compreender a importância das divisões dentro do movimento, recupera o discurso do discernimento espiritual, que tem sido obscurecido por debates sobre razão e superstição. Os profetas precisavam provar aos seus irmãos místicos que eram inspirados por Deus e não pelo diabo.

1.6. John Livingstone

Ele também experimentou um avivamento em várias ocasiões durante sua vida. Uma vez estava em Six Mile Water em Ulster em 1625 e mais famoso no Kirk of Shotts em 1630, quando 500 pessoas foram convertidas. Ele lembrou uma ocasião em que o poder espiritual do avivamento era evidente durante o tempo de jurar o Pacto Nacional.

"Eu estava presente em Lanark, e em várias outras paróquias, quando, no sábado após o serviço matinal, a Aliança foi lida e jurada: e posso realmente dizer que em todo o meu tempo, exceto nos aguaceiros de Shotts, eu nunca vi tais movimentos do Espírito de Deus. Todas as pessoas geralmente e de bom grado concordaram. Eu vi mais de mil pessoas de uma só vez levantando as mãos, e as lágrimas caindo dos olhos.”

Johnston de Wariston registrou uma experiência semelhante na Igreja Paroquial de Currie, perto de Edimburgo. Havia "uma extraordinária influência do Espírito de Deus sobre toda a congregação". Isso aconteceu "em pé e levantando as mãos" "em um piscar de olhos". O Espírito de Deus trabalhou neles "derretendo seus corações congelados, regando seus contritos secos, mudando seus próprios semblantes como era uma maravilha de se ver".

Ele diz que o ministro estava quase sufocado com suas próprias lágrimas "e espantado com o movimento de todo o povo, sentou-se no púlpito com espanto". "Quando viu todas as pessoas se ajoelhando para chorar e orar", levantou-se e "orou por um quarto de hora... com muitos soluços, lágrimas, promessas e votos de ser grato e frutífero no tempo vindouro".

Em 1º de abril, ele testemunhou um evento semelhante em Edimburgo envolvendo muitos nobres. Havia na época de jurar tal abundância de lágrimas e "coragem celestial de suspiros e soluços, universalmente, em todos os cantos da igreja como o semelhante nunca foram vistos nem ouvidos falar".

"O Espírito do Senhor... encheu o santuário, aqueceu as afeições, derreteu os corações, dissolveu os olhos de todo o povo, homens e mulheres, pobres e nobres".

Por muito tempo ficaram parados com as mãos erguidas ao Senhor. Foi, disse Johnston, o dia mais glorioso que a capital já desfrutou.

1.7. Alexander Hnederson

Sobre as profecias, no caso de Alexander Henderson, e isso em parte, porque temos muito pouco da caneta dele. Mesmo que o dom do Novo Testamento tivesse cessado, como supunha a maioria dos reformados ortodoxos, Alexander Henderson ainda pode escrever em sua breve Reformation of Church Government in Scotland que se acreditava que os reformadores escoceses possuíam um "espírito profético":

Eles eram homens santos mas não instruídos, mas tinham algo em seu chamado, dons e zelo pela glória de Deus, mais do que comun: seus adversários não foram capazes de resistir à sabedoria e ao espírito pelo qual falavam; alguns deles tinham, um espírito profético que manifestou-se em diversas previsões particulares e maravilhosas, e algumas delas foram honradas por serem mártires, e selaram a verdade com seu sangue.

Posteriormente, “homens do mesmo espírito” também foram levantados e mantidos em contato com os teólogos de outras nações, 1063 embora Henderson não explique isso como um exemplo do dom de profecia no sentido do Novo Testamento. Uma análise de seu uso da palavra "profético", às vezes é usada por outros como inspiração imediata, é de pouca ajuda. Ocasionalmente, os reformados ortodoxos usavam o termo como sinônimo de inspiração imediata. Mas não sempre. Samuel Rutherford, por exemplo, o usa nos dois sentidos.  O que podemos dizer, porém, é que Henderson não faz alegações aqui que não poderiam se encaixar facilmente na explicação de Rutherford sobre a previsão contemporânea.

Embora tenhamos dados insuficientes de Henderson para concluir se ele relaciona ou não a previsão moderna a um dom espiritual definido no Novo Testamento, outros colegas produzem uma veia de argumentos potencialmente mais ricas. Robert Blair (1593-1666), moderador da Assembléia Geral em 1646, havia sido nomeado capelão real porque achou favor com Charles I. Blair assumiu um papel de mediador na disputa posterior entre os Resolutioners and Protesters*, que resultou que ambos os lados desconfiassem dele.  Ele também é um dos dois comissários que expressaram opiniões que não são tão facilmente reconciliadas com a perspectiva de Rutherford sobre profecia e com uma interpretação cessacionista do CFW.

1.8. Robert Blair

Como John Knox, Blair era outro escocês cujos supostos poderes proféticos eram aceitos como autênticos e o exercício deles, também foi registrado para as gerações subsequentes através do trabalho de Robert Wodrow. Wodrow conta uma história de Blair e outros a caminho da Nova Inglaterra por um navio, quando uma tempestade ameaçou dominá-los:

O Sr. Blair continuou ainda agradável e alegre, e disse: ‘Senhores, não há o que temer. Nasce em mim que, eu ainda pregarei antes de se erguer um exército na Escócia em favor do Pacto e da obra da Reforma do Pacto!’ 

Segundo Wodrow, Blair profetizou a libertação da Escócia pelo príncipe de Orange quando o príncipe ainda tinha apenas sete anos de idade.  Essa linha mística de Blair é confirmada em seu próprio relato autobiográfico de um sonho profético que ele experimentou sobre a morte de sua esposa. Quando Blair dá uma explicação de suas idéias proféticas de 1632, ele sente a necessidade de esclarecer suas alegações incomuns a seus parentes:

Se em alguma de minhas relações, alguém ler essas coisas e tropeçar, que até agora mencionei o que me foi revelado dos eventos futuros, vendo que revelações agora cessaram, e devemos nos ater à vontade revelada de Deus nas Escrituras para a nossa satisfação, respondo da seguinte forma: Se um anjo do céu revelar algo contrário às Escrituras, ou se oferecer algo a essa regra perfeita de fé e prática, ele deve ser amaldiçoado e muito mais se qualquer homem na terra fazer o mesmo. Essa maldita maneira de revelação deixamos aos papistas e a outros sectários. Mas, enquanto isso, não se deve negar que o Senhor se agrada às vezes, a seus servos, especialmente em condições de sofrimento, de revelar alguns eventos concernentes a si mesmos e à parte da Igreja de Deus em que vivem. 

Há uma série de fatores na declaração de Blair que devemos nos tornar cautelosos ao avaliar isso como uma reivindicação à revelação profética imediata, porque juntos a elas, demonstram que as experiências de Blair ainda podem ser reconciliadas com o tipo de cessacionismo evidenciado por Rutherford, Baillie ou Johnston.

Primeiro, em seu relato de seu sonho, Blair tem o cuidado de registrar um texto bíblico que confirma a perda iminente de sua esposa (Ezequiel 24:16). Isso indica, pelo menos naquela ocasião, que ele vê uma necessidade de vincular as Escrituras a essas "revelações" .

Em segundo lugar, embora a clara distinção de Blair entre revelação por questões de doutrina e revelação com o objetivo de orientação pessoal, sugere que ambas as idéias proféticas possam ser "imediatas". Blair não faz pretensões de possuir o dom espiritual de profecia do Novo Testamento como revelação "imediata".

Em terceiro lugar, sua profecia em seu relato autobiográfico ocorre muitos anos antes das deliberações sobre o CFW, e a referência a seus parentes podem indicar que ele não estava prevendo que seus comentários seriam publicados amplamente. Embora possamos apenas especular a essa altura, talvez seja o caso de ele ter percebido quantas pessoas leram o que ele havia escrito, ele poderia ter sido mais tímido ao expressar seus pontos de vista ou explicá-los mais plenamente.

Quarto, e mais significativamente, ele reconhece a visão padrão da época, que era a de que a cessação da revelação especial impedia a revelação profética também para orientação pessoal. O fato de ele sentir a necessidade de dar uma explicação para seus parentes deixa isso claro e sugere que ele estava preocupado com o fato de poder se contradizer com a visão oficial da igreja.

Como Deus governa toda a providência, pode-se dizer que uma premonição é uma revelação de Deus sem a necessidade de ser "imediata". Blair concebivelmente poderia manter a autenticidade de suas experiências reveladoras e ainda subscrever uma leitura cessacionista do CFW.

1.9. John Davidson (d. 1595)

John Davidson foi um ministro que sofreu por mais de 20 anos a partir de 1584 com o Raid of Ruthven. Como mais um número entre outros, ele recebeu revelações extraordinárias.

Ele também, em alguns casos, mostrou que era possuído, em uma medida considerável, pelo espírito de profecia. Em Preston, ele estava muito preocupado com a construção de uma igreja naquela paróquia e, por seus próprios meios particulares, contribuiu liberalmente para isso. Lord Newbattle, tendo um interesse considerável nessa paróquia, também prometeu sua assistência, mas depois retirou-se de seus compromissos sobre os quais Davidson disse-lhe que as paredes que eles começaram seriam testemunhas contra ele e que que Deus o tiraria dessa paróquia, de modo que ele não teria nem mesmo um pouco de terra no local, o que foi depois realizado.

Robert Fleming em seu Cumprimento das Escrituras relata outro exemplo notável desse mesmo tipo. Um cavalheiro estava relacionado a uma grande família na paróquia de Preston, mas era um dos homens mais perversos e violentos, sem a verdadeira piedade, e, por isso, batia em um pobre homem que morava lá mesmo que este não tivesse feito nenhuma provocação.

Entre as outras marcas que ele lhe deu, um era nas costas, dizendo: "Pegue isso para o Sr. Davidson". Esse maltrato, obrigou o pobre homem a ficar de cama, sofrendo a maior parte do tempo do golpe que recebeu em suas costas. No final do sermão no sábado, Davidson, falando sobre a opressão dos piedosos e a inimizade que os ímpios tiveram para tal de uma maneira particular, mencionou esta última instância, dizendo que havia sido um momento triste quando um homem profano se aventurou tão abertamente a liberar sua raiva contra os que procuravam de Deus em seu santo lugar, onde ele não poderia ter mais do que a aparência de Sua imagem. E então disse com grande audácia que aquele que fizera isso, sendo Laird ou seu irmão, antes que passassem alguns dias Deus lhe daria um golpe que todos os monarcas na terra não se atreveriam a desafiá-lo, o que consequentemente aconteceu no fim da mesma semana. Este cavalheiro foi atingido com um raio e teve todos os seus ossos esmagados enquanto estava de pé diante de sua própria porta.

1.10. John Welch (1570-1622)

John Welch nasceu por volta de 1570. Ele era o filho pródigo em seus primeiros anos, saindo de casa e vivendo como um ladrão. Welch então decidiu voltar para casa onde foi reconciliado com seu pai, entrou na faculdade e depois no ministério. Foi diligente não só na pregação e no estudo, mas também na oração, e teve muitas experiências extraordinárias em seu ministério.

De acordo com Howie, enquanto Welch estava em Ayr, o dia do Senhor foi muito profanado na casa de um cavalheiro a cerca de oito milhas de distância, devido a uma grande influência de pessoas que jogavam futebol e outros passatempos. Depois de escrever várias vezes para ele para suprimir a profanação do dia do Senhor em sua casa, o que ele desprezou já que não gostava de ser chamado de puritano, Welch veio um dia ao seu portão e, chamando-o, disse-lhe que tinha uma mensagem de Deus para mostrar-lhe. Porque ele desprezou o conselho que lhe foi dado pelo Senhor e não restringiria a profanação do dia do Senhor cometida em seus limites, o Senhor o expulsaria da sua casa e nenhuma de sua posteridade deveria apreciá-la. Isso aconteceu, pois, embora estivesse em uma boa situação externa no momento, ainda assim, todas as coisas foram contra ele, até que ele fosse obrigado a vender sua propriedade e, ao dar a posse do comprador, ele contou a sua esposa e filhos que achou Welch um verdadeiro profeta.

Embora John Welch por causa de sua santidade, habilidades e sucesso, tivesse adquirido de pessoas submissas um grande respeito, ele nunca ficou tão admirado da grande praga que se enfurecia na Escócia em seu tempo. Uma das causas era que os magistrados de Ayr, tanto quanto esta cidade sozinha, eram livres e o país a sua volta infectado, então achava adequado proteger os portos com sentinelas e vigias. Um dia, dois comerciantes itinerantes a cavalo, cada um com um pedaço de pano, chegaram à entrada da cidade para vender seus bens, produzindo um passe dos magistrados da cidade de onde eles vieram, que era então segura.

Apesar de tudo isso, as sentinelas os pararam até que os magistrados foram chamados, e quando eles vieram, não fizeram nada sem o conselho de seu ministro. Então John Welch foi chamado e sua opinião foi pedida. Ele demorou e afastou o chapéu olhando para o céu por um espaço de tempo. Embora não tenha pronunciado palavras audíveis, continuou em uma postura de oração e depois de um pequeno espaço disse aos magistrados que não fariam bem em descarregar estes viajantes em sua cidade, afirmando com grande conservação, que a praga estava nesses pacotes. Assim, os magistrados lhes mandaram que fossem embora e foram para Cumnock, uma cidade a cerca de vinte quilômetros de distância, e venderam seus bens, que acendiam naquele lugar uma infecção do tipo que os vivos dificilmente podiam enterrar seus mortos. Isso fez com que as pessoas começassem a pensar em Welch como um oráculo.

John Welch foi algum tempo prisioneiro no Castelo de Edimburgo antes de entrar no exílio. Uma noite sentado à ceia com Ochiltree, ele o entretinha com um discurso piedoso e edificante, como era o seu costume. Ele sempre era bem recebido por todos, exceto um cavalheiro chamado Popish, que às vezes ria e às vezes zombava e fazia caretas. Então Welch falou uma palavra inesperada e triste sobre sua companhia que ficou em silêncio e observou a obra do Senhor sobre aquele escarnecedor, o qual afundou-se e morreu embaixo da mesa, para o grande espanto de toda a empresa.

1.11. John Semple (d. 1677)

John Semple foi um dos fiéis manifestantes que foi preso em agosto de 1660. Segundo Howie, Semple era um homem que sabia muito da mente de seu Mestre, como evidentemente pode-se notar pela descoberta de vários eventos futuros.

Quando chegou a notícia de que Cromwell e os que estavam com ele estavam envolvidos no julgamento de Carlos I, algumas pessoas lhe perguntaram o que ele achava que seria do rei. Ele foi um pouco ao seu armário e, voltando, disse-lhes: "O rei se foi, ele não nos fará bem ou mal," o que de verdade aconteceu.

Em outro momento, passando pela casa de Kenmuir, enquanto os pedreiros estavam fazendo algumas alterações, ele disse: "Rapazes, vocês estão ocupados, ampliando e reparando a casa, mas serão queimados como um ninho de corvo em uma manhã nebulosa", o que consequentemente aconteceu, pois foram queimados em uma manhã nebulosa e escura pelos ingleses.

Em um determinado momento, quando um ministro vizinho estava distribuindo os elementos antes do Sacramento, e estava chegando o elemento para uma certa mulher, Semple disse: "Segure sua mão, ela já pegou muitos elementos. Ela é uma bruxa", que, embora ninguém a suspeitasse, confessou ser verdadeira e foi merecidamente condenada à morte pelo mesmo.

Em outro momento, um ministro no condado de Galloway enviou um de seus anciãos para Semple com uma carta, desejando sinceramente sua ajuda no sacramento que aconteceria três semanas depois. Ele leu a carta, foi ao seu armário e, voltando, disse ao ancião: "Lamento que você tenha chegado tão longe em uma tarefa desnecessária. Vá para casa e diga ao seu ministro que ele tenha todas as comunhões que ele tenha, porque ele é culpado de prostituição, e Deus o levará à luz antes desse tempo". Isso também aconteceu.

1.12. James Wood (163? -167?)

James Wood ministrou na década de 1650, foi feito o diretor do Old College of St. Andrews em algum momento depois de 1651 e também experimentou revelações extraordinárias.

Em uma ocasião, em companhia de Veitch, ele entrou na loja de James Glen, em Edimburgo, para ver Sharp, a quem ele não via desde que se tornou arcebispo e que era esperado para passar no treinamento do Comissário. Sharp entrou primeiro antes do treinamento e, descobrindo a cabeça para receber o Comissário, eles tinham uma visão completa de seu rosto, no qual Wood parecia muito sério e então, sendo muito afetado, pronunciou estas palavras: "Ó, você Judas e traidor apostatado, você traiu a famosa Igreja Presbiteriana da Escócia para a sua total ruína, tanto quanto puder. Se eu conheço alguma coisa da mente de Deus, não morrerás a morte ordinária e comum dos homens". Isso, embora falado 18 anos antes, foi exatamente realizado em 1679.

1.13. Richard Cameron (1655? -1680)

Richard Cameron pregou na década de 1670. Em sua vida há várias referências a revelações extraordinárias.

Quando Richard Cameron chegou a pregar e a falar em Cumnock, ele se opôs muito aos proprietários de terras de Logan e Horsecleugh, que o representavam como jesuítas e uma pessoa desprezível. No entanto, alguns do povo do Senhor que tinham mantido sua antiga fidelidade fizeram-lhe um apelo para pregar naquela paróquia. Quando ele começou, exortou as pessoas a se importar por estarem à vista e à presença de um Deus santo e que todos eles estavam se apressando para um estado interminável de bem ou de mal.

Andrew Dalziel, um zombador que estava na casa, sendo um dia tormentoso, gritou: "Senhor, nós não conhecemos você nem seu Deus". Cameron, meditando um pouco, disse: "Você e todos os que não conhecem o meu Deus de misericórdia o conhecerão em seus juízos, que serão repentinos e surpreendentes em alguns dias sobre você, e eu, como um servo enviado de Jesus Cristo, cuja missão eu tenho e cujo emblema eu uso em meu peito, dou-lhe aviso e deixo você para a justiça de Deus”. Em alguns dias depois, Andrew, que estava em perfeita saúde, tomou um abundante café da manhã, mas antes que ele se levantasse, vomitou muito e morreu de maneira assustadora. Esta passagem admoestadora, juntamente com o poder e a presença do Senhor que acompanha o Evangelho dispensado por ele durante o pouco tempo que lá estava fizeram com que os dois proprietários de terra pedissem uma conferência com ele, o que ele prontamente consentiu. Depois disso, foram obrigados a reconhecer que estavam errados e desejavam seu perdão. Ele disse que, de seu coração, perdoou-lhes os erros que haviam feito com ele, mas com relação aos erros eles haviam cometido contra Cristo, não era de sua competência perdoá-los e ele estava persuadido de que seriam marcados por isso. Para o proprietário de Logan, ele disse que deveria ser registrado sem filhos e ao de Horsecleugh que ele deveria sofrer queimando, o que aconteceu depois.

1.14. Alexander Peden (1626-1686)

Talvez, o mais famoso dos destinatários da revelação extraordinária foi Alexander Peden. Howie não fala de sua data de nascimento, mas podemos determinar o tempo aproximado de seu ministério pelo fato de que uma proclamação contra ele foi emitida em 1666. Howie, entretanto, lista algumas das onze profecias diferentes de Peden que foram cumpridas.

Uma é do ano de 1680, perto de Mauchline, no condado de Ayr, Robert Brown e Hugh Pinaneve esconderam seus cavalos onde Peden foi para uma feira. À tarde, quando vieram para levar seus cavalos, beberam um pouco. Nisso Hugh estourou em questões contra mártires sofredores, particularmente contra Richard Cameron, que havia recentemente sido morto em Airsmoss. Peden, estando em outra sala e ouvindo tudo, ficou tão triste que chegou à porta da câmara e disse-lhe: "Senhor, fique em paz! Antes das doze horas você saberá quem era Richard Cameron, Deus deve punir aquela sua boca blasfema de tal maneira que você deve acabar em ruínas." Robert Brown, conhecendo Peden, apressou-se em seu cavalo ciente de que sua palavra não viesse ao chão e, temendo também que algum problema pudesse acontecer com ele na companhia de Hugh, apressou-se para estar em sua própria casa. Já Hugh foi para Earl's, onde, tirando as botas, ele foi atingido por uma dor súbita através de seu corpo, com a boca bem aberta e a língua pendurada de medo. Eles o mandaram para Brown tirar uma amostra de sangue dele, mas foi em vão, pois ele morreu antes da meia-noite.

Depois disso, no ano de 1682, Peden casou um cristão singular, John Brown, em sua casa na cidade de Priesthill, na paróquia de Muirkirk, Kyle, com Isabel Weir. Depois do casamento, ele disse à noiva, Isabel: "Você tem um bom homem para ser seu marido, mas você não vai gostar dele por muito tempo. Preze por sua casa e mantenha o lençol de linho por você, pois você precisará disso quando não estiver procurando por ele, e será um maldito.” Isso, infelizmente, aconteceu no início de maio de 1685.

Uma última profecia de Peden é encontrada em Smellie's Men of the Covenant. É uma profecia proferida em relação à morte de John Brown. Mais uma vez, em um dos últimos dias de abril de 1685, Alexander Peden chegou à casa do transportador, em Priesthill. Ele sempre foi um amigo honrado, e permaneceu durante a noite, já que esse gracioso vidente da Aliança, em sua maior parte da vida, não tinha onde encostar a cabeça. No início da manhã de maio, ou seja, 1 de maio, manhã da morte de Brown, ele disse suas despedidas. Saindo da porta, foi visto repetindo a si mesmo: "Pobre mulher, uma manhã terrível!" Duas vezes estas palavras, e depois: "Uma manhã nebulosa e negra".

O assassinato foi cometido entre as seis e às sete da manhã. Alexander Peden estava a dez ou 11 milhas de distância. Antes das oito horas, ele se encontrou no portão da casa de um amigo, ergueu o trinco e entrou na cozinha, desejando permissão para orar com a família. "Senhor", ele disse, "quando você vai vingar o sangue de Brown? Deixe o sangue de Brown ser precioso à sua vista!” Quando a voz de anseio e súplica cessou, John Muirhead, o pai da casa, perguntou a Peden o que ele queria dizer com o sangue de Brown. Ele respondeu: "Claverhouse esteve em Priesthill esta manhã e matou John Brown. Seu cadáver está deitado no final de sua casa, e sua pobre esposa sentada chorando por seu cadáver, e não há uma alma para dar conforto a ela.” E então, levado para uma espécie de êxtase, ele continuou: "Esta manhã, depois do aumento do sol, vi uma aparição estranha no firmamento, a aparência de uma estrela muito brilhante, clara e brilhante, que caiu do céu para a terra. E, de fato, há uma luz clara e brilhante que caiu hoje, o maior cristão com quem conversei.” Nos olhos de Peden, do poço da vida, três gotas foram instiladas, seu coração, como disse o apóstolo, foi batizado em um senso de todas as condições, e viu, por uma intuição espiritual, as dores que estavam acontecendo em outras partes da vinha de Cristo.

Smellie indica que Brown tinha sido morto na presença de sua esposa fora de sua casa naquela manhã, assim como Alexander Peden havia dito.

John Howie faz um resumo significativo sobre Alexander Peden:

Assim morreu Alexander Peden, muito famoso por sua singular piedade, zelo e fidelidade, e infalibilidade no dever de oração, mas sobretudo, superando todos os que ouvimos nos últimos tempos, por esse dom de ver e prever eventos futuros para a Igreja, a nação da Escócia e da Irlanda, e pessoas e famílias particulares, vários dos quais já estão cumpridos. (HOWIE, 1999).

1.15. Robert Bruce (1554-1631)

O ministério profético de Robert Bruce também foi acompanhado por um ministério de cura.

Bruce era um homem que tinha espírito de discernimento de eventos futuros e falou profeticamente sobre várias coisas que depois aconteceram. Várias pessoas distraídas dizem que Fleming, em Cumprimento da Escritura, e aqueles que passaram por toda a recuperação com doença epiléptica ou doença de queda foram levados para ele e foram, após a oração por ele em nome de Cristo, totalmente restaurados dessas doenças. Isso pode parecer estranho, mas é verdade, pois ele era um guerreiro de Deus e tinha mais do que uma familiaridade comum com ele.

É importante notar que parece haver mais do que apenas uma providência extraordinária registrada sobre Robert Bruce em relação à cura. Muitas pessoas foram trazidas para ele e curadas por suas orações.

1.16. John Scrimgeour (Séc.16.)

John Scrimgeour viveu no final do século 16 e serviu durante algum tempo como capelão de James VI. Howie observa que ele tinha um talento particular para confortar os abatidos.

Scrimgeour também era um lutador eminente com Deus e tinha mais do que o poder ordinário e a familiaridade com ele como pode-se notar a seguir.

Quando ele era ministro em Kinghorn, havia uma certa mulher piedosa sob sua incumbência que adoeceu de uma doença muito persistente e foi atacada com fortes tentações, levando-a a pensar que ela era uma réproba, não obstante que toda a sua conversa colocou sem dúvidas a realidade da graça nela.

Ele frequentemente a visitou enquanto estava nesse exercício profundo, mas seus problemas e terrores ainda permaneceram. À medida que sua dissolução se desenrolava, seu problema espiritual aumentava. Ele foi com dois de seus anciãos para ela e começou primeiro, em sua presença, a confortar e orar com ela, mas ela ainda piorou. Ele ordenou que seus anciãos orassem e depois orou, mas nenhum alívio veio. Então sentindo-se pensativo por um pequeno espaço de tempo, ele quebrou o silêncio: "O que é isso? Nossas petições de conforto ante a ela não irão acontecer. A oração não o fará. Devemos tentar outro remédio. Esta é uma filha de Abraão, ele me enviou e, portanto, em nome de Deus, o Pai de nosso Senhor Jesus, que o enviou para redimir pecadores, em nome de Jesus Cristo, que obedeceu ao Pai, e veio para nos salvar e em nome do Espírito Santo e abençoado, nosso estimulante e Santificador, eu, o ancião, te ordeno, uma filha de Abraão, para ser liberta desses laços." E imediatamente a paz e a alegria se seguiram.

Scrimgeour teve vários amigos e filhos tirados pela morte. A única filha que naquele tempo sobreviveu e a quem ele amava, foi apreendida com o mal do rei, pelo qual ela foi reduzida ao ponto da morte, de modo que ele foi chamado para vê-la falecer. Ao encontrá-la nessa condição, saiu para os campos, como ele próprio disse durante a noite com grande dor e ansiedade e começou a se abrir com o Senhor, com expressões como para todo o mundo, e não ousou novamente. Em um ataque de desagrado, ele disse: "Tu, ó Senhor, sabe que eu te servi na retidão do meu coração, segundo o meu poder e medida. Nem fiquei admirado de declarar a Tua mente até o maior do tempo e vês que tenho prazer nesta criança. O que eu poderia fazer na sua mão, a fim de poupá-la?” E, estando em grande agonia de espírito, finalmente lhe foi dito pelo Senhor: “Eu ouvi-te neste momento, mas não use a ousadia com o tempo que vem, para tais particularidades.” Quando ele chegou em casa, a criança foi recuperada e sentada na cama, comeu um pouco de carne e quando ele olhou para o braço, estava completamente curado.

1.17. John Welch (1570-1622)

Já vimos a experiência de John Welch com revelação extraordinária. Howie também atribui uma das mais notáveis ​​instâncias de cura na história para John Welch.

Havia em sua casa, entre muitos outros que embarcaram com ele para terem uma boa educação, um jovem cavalheiro de grande qualidade e expectativas adequadas, o herdeiro de Lord Ochiltree, Governador do Castelo de Edimburgo. Este jovem cavalheiro, depois de ganhar muito com as afeições de Welch, ficou doente de uma doença grave e depois de ter sido afetado por isso, fechou os olhos e expirou, à apreensão de todos os espectadores. Foi tirado da cama e colocado sobre uma plataforma no chão, para que seu corpo pudesse ser mais convenientemente vestido. Isto foi para Welch um sofrimento muito grande, ficando com o corpo por três horas, lamentando-o com grande ternura.

Após doze horas, os amigos trouxeram um caixão, em que pediram que o cadáver fosse colocado, como era o costume, mas Welch desejava que, para a satisfação de suas afeições, eles se abstivessem por um tempo, o que eles concederam e não retornaram até vinte e quatro horas após sua morte. Então desejaram com grande importunidade que o cadáver pudesse ser colocado no caixão e rapidamente enterrado por causa do clima extremamente quente. No entanto, ele persistiu em seu pedido, implorando-se com firmeza para desculpá-lo mais uma vez, então deixaram o cadáver no paletó durante trinta e seis horas. Mesmo depois de tudo isso, embora ele fosse instado não só com grande seriedade, mas desagrado, eles foram obrigados a tolerar mais doze horas. Depois de mais de quarenta e oito horas passadas, Welch ainda esticou contra eles e então seus amigos, percebendo que ele acreditava que o jovem não estava realmente morto, mas sob algum ajuste congestionado, propôs-lhe por sua satisfação que esse julgamento devesse ser feito em seu corpo por médicos e cirurgiões para ver se possivelmente qualquer faísca de vida poderia ser encontrada nele, e com isso ele estava contente. Então, os médicos se puseram a trabalhar, o beliscaram com pinças nas partes carnudas de seu corpo, e torciam uma corda de arco sobre sua cabeça com grande força, mas nenhum sinal de vida aparecera nele. Os médicos o declararam morto e, então, não houve mais demoras a serem feitas. No entanto, Welch implorou a eles uma vez mais que eles entrassem na próxima sala por uma hora ou duas, e deixassem-no com o jovem morto. E isso foi concedido.

Então Welch caiu diante da plataforma e gritou ao Senhor com toda a sua força e às vezes olhava para o cadáver, continuando a lutar com o Senhor, até que o jovem morto abriu os olhos e gritou para Welch, a quem ele conhecia claramente: "Ó senhor, eu estou completo, mas minha cabeça e pernas doem." E esses foram os lugares com os quais eles maltrataram com um beliscão. Quando Welch percebeu isso, ele convocou seus amigos e mostrou-lhes o jovem morto restaurado à vida novamente, para seu grande espanto. Esta história o próprio nobre comunicou a seus amigos na Irlanda.

Esta instância registrada da cura de John Welch levanta uma série de perguntas. Muitas vezes, os céticos sobre a continuação do charismata perguntaram se existem casos registrados de pessoas que foram restauradas da morte. Embora não tenha havido muitos na história da Reforma, há pelo menos essa.

1.18. Thomas Hog (1628-16 ??)

Thomas Hog nasceu em 1628 e foi ordenado para o ministério em 1654 ou 1655. Hog é notado pelos intensos trabalhos de seu ministério pastoral nas casas em sua paróquia. Ele também é conhecido pelo que chamaríamos de importante ministério de cura.

Tão logo agradou ao Senhor assim abençoar trabalhos paroquiais com uma mudança graciosa feita sobre um número considerável de pessoas. Ele tomou o cuidado de unir o mais criterioso nas sociedades para oração e conferência. Isso ele manteve sob sua própria inspeção, e concordou com eles de coração, pois ele mesmo estava no exercício desse dever e teve vários retornos notáveis ​​na oração, dos quais pode-se citar alguns.

Uma boa mulher estava lamentando dolorosamente que sua filha estava perturbada. Hog chamou uma ou duas pessoas devotas, já que frequentemente empregava tais em ocasiões extraordinárias, para separar um dia e uma noite para jejum e oração. E juntou-se a ele em oração com a serva no dia seguinte. Assim, quando essa nomeação foi realizada, ela recuperou os sentidos assim como antes.

Uma filha do laird(3) de Park, seu cunhado que se hospedou com ele, foi apanhada com uma febre alta, o que deixou pouca esperança de vida. Hog gostou muito da criança e, enquanto ele e sua esposa estavam suplicando ao Senhor em oração, reconhecendo a sua própria iniquidade e a infância, a febre imediatamente a deixou. Esta passagem foi encontrada em seu próprio diário, que ele conclui com admiração sobre a bondade de Deus, a quem ele atribui o louvor de todos.

Da mesma forma, um filho do Rev. Urquhart tendo estado a ponto da morte pressionou o Hog para orar, pois ele agora era tão estimado que nenhum outro, nesse caso, o faria, enquanto ele estava presente, sobre o qual ele solenemente os convocou a se juntarem a ele, e tendo lutado fervorosamente em oração e súplica por algum tempo, a criança teve sua saúde restaurada. Um exemplo semelhante é encontrado de uma criança de Kinmundy em seu próprio diário.

David Dunbar, que vivia distante, ficando frenético, veio à casa de Hog em um dos seus ataques. Hog fez com que ele se sentasse e se aconselhou com Fraser de Brea e alguns outros presentes sobre o que poderia ser feito para o rapaz. Alguns foram a favor de deixar o sangue, mas Hog disse: "Os prelados nos privaram de dinheiro, com o qual iam pagar os médicos, então empreguemos aquele que cura livremente", e depois colocou Fraser para orar, colocando-o de volta a si mesmo. Então, após ter mandado a pessoa enferma ficar quieta, orou fervorosamente pelo pobre homem, que imediatamente foi restaurado da mente. Isto é atestado fielmente por aqueles que eram testemunhas de olho e ouvido.

Hog uma vez foi ver uma mulher cheia de graça em grandemente angustiada, tanto de corpo como de mente, o qual orou com ela e para ela, usando essa expressão notável entre outras: "Ó Senhor, repreenda essa tentação e em seu nome, repreenda o mesmo", e imediatamente a mulher foi restaurada tanto no corpo como em sua mente.

Apesar de Senhor o ter honrado de tal maneira, é duvidoso que alguns, em seu dia sejam mais cuidadosamente guardados contra os delírios do que ele, sendo seu costume sempre que ele se curvou de joelhos para pedir para ser salvo das ilusões.

Mais uma vez, há várias observações a serem feitas. Hog reconheceu que algo do que ele era chamado a fazer era extraordinário. É interessante notar o uso de outras pessoas devotas junto com o uso do jejum. Também é interessante observar que ele foi reconhecido e estimado como tendo um ministério único nesta área. Nota-se ainda que Hog estava muito preocupado com delírios em qualquer coisa que ele estava fazendo e orava constantemente para não ser enganado. 

O tipo de ministério de cura experimentado é diferente do que é observado nos dias hoje, e no caso deles não houve nenhuma propaganda ou promoção deste ministério. No entanto, havia um dom de cura que era reconhecido como sendo possuído por esses homens.

O maior erro do cessacionismo moderno é confundir Revelação Canônica com Providência Extraordinária. O cessacionismo ataca os providencialistas achando que eles defendem uma nova revelação, mas erra o alvo. A Revelação Canônica — restrita às Escrituras — é inspirada, infalível, normativa, universal e obrigatória para toda a Igreja. A Providência Extraordinária, por outro lado, não traz nova doutrina, novo dogma ou nova regra de fé; ela é simplesmente Deus governando a sua criação de forma extraordinária. Documentos históricos como o Segundo Livro de Disciplina e os debates da Assembleia Geral de 1645 deixam claro que os ofícios extraordinários cessaram, "exceto quando Deus extraordinariamente se agradar" em agir.

O Segundo Livro de Disciplina, ratificado pela Igreja da Escócia em 1578, contém a seguinte declaração, a respeito dos oficiais extraordinários da Igreja:

No Novo Testamento e tempo do evangelho, ele [Cristo] usou o ministério de apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, e doutores na administração da palavra; o presbítero para o bem-estar e administração da disciplina; o diaconato para os assuntos eclesiásticos.

Algumas dessas funções eclesiásticas são ordinárias, e algumas são extraordinárias ou temporárias. Existem três funções extraordinárias: o ofício do apóstolo, do evangelista, e o de profeta, que não são perpétuos, e agora cessaram na Igreja Nacional da Escócia, EXCETO quando Deus extraordinariamente se agradar em os persuadir novamente por um tempo. Existem quatro funções ordinárias ou ofícios na Igreja Nacional da Escócia: o ofício de pastor, ministro ou bispo; o doutor; o presbítero ou ancião; e o diácono.

Esses ofícios são ordinários, e devem permanecer perpetuamente na Igreja Nacional da Escócia, se necessário para o governo e política da mesma, e não mais ofícios devem ser recebidos ou ocorridos na verdadeira Igreja Nacional da Escócia estabelecida de acordo com a sua palavra (The First and Second Books of Discipline, Dallas: Presbyterian Publications, 1993; Second Book of Discipline, Chapter 2, Of the Parts of the Policy of the Kirk, and Persons or Office-Bearers to Whom the Administration Thereof is Committed, pp. 127-28, ênfases acrescentadas).

A Forma de Governo da Igreja Presbiteriana declara:

Dos oficiais que Cristo designou para a edificação de sua igreja, e perfeição dos santos, alguns são extraordinários, como os apóstolos, evangelistas, e profetas, que já cessaram. Outros são regulares e perpétuos, como pastores, mestres, e outros líderes da igreja, e os diáconos (The Form of Presbyterial Church Government, in the Confession of Faith; the Larger and Shorter Catechisms, etc, Inverness: Publications Committe of the Free Presbyterian Church of Scotland, 1976; p. 398, ênfase acrescentada).

A Assembleia Geral da Igreja da Escócia, 10 de Fevereiro, 1645, Sessão 16, afirma que os Livros de Disciplina são uma parte de suporte na uniformidade pactual juramentada a ser respeitada na National and Solemn League and Covenant.

A Assembleia Geral sendo mais solícita e desejosa, não somente pelo estabelecimento e preservação da forma de Governo da Igreja da Escócia nesse reino segundo a Palavra de Deus, os livros de Disciplina, os Atos das Assembleias Gerais, e a Aliança Nacional, mas também pela uniformidade no Governo da Igreja da Escócia entre esses dois reinos, agora mais forte e diretamente unido pela última Liga Solene e Pacto… (The Acts of the General Assemblies of the Church of Scotland, 1638-1649 inclusive, p. 259, ênfase acrescentada).

Além disso, nosso Termos de Comunhão também nos permite afirmar tanto o Primeiro e Segundo Livros de Disciplina e a Forma de Governo da Igreja como autoritativo e concordante com a Palavra de Deus.

O Termo de Comunhão nº 3 declara:

Que o Governo da Igreja Presbiteriana e a forma de culto são sozinhos de direito divino e inalterável; e que o mais perfeito desses modelos já alcançado, é exposto na forma de Governo e no Diretório para o Culto, adotado pela Igreja da Escócia na Segunda Reforma.

O Termo nº4 declara:

Que o pacto público e social é uma ordem de Deus, obrigatório nas igrejas e nações debaixo do Novo Testamento; que o Pacto Nacional e a Liga Solene são uma exemplificação dessa instituição divina; e que esses Escritos são de contínua obrigação sobre a pessoa moral; e em conformidade a isso, que a Renovação desses Pactos em Auchensaugh, Escócia, 1712 foi de acordo com a Palavra de Deus.

Todos estes documentos são citados para provar que nós devemos atentar-nos que (como parte de nosso pacto uniforme), “Essas são funções extraordinárias: o ofício de apóstolo, de evangelista, e de profeta, que não são perpétuos, e que agora cessaram na Igreja de Deus na Escócia, exceto quando ele (Deus) extraordinariamente se agradar em os persuadir novamente por um tempo.

Se nós, ao respeitar os Pactos, falharmos em manter a verdade que Deus pode e faz persuadir extraordinariamente por algum tempo algumas dessas funções proféticas extraordinárias, nós contradiríamos francamente o Segundo Livro de Disciplina e consequentemente seríamos culpados de subverter a intenção original do Pacto uniforme da Igreja da Escócia (1638-1649 inclusive) como juramentado em nossos Pactos.

Mais ainda, nós seríamos culpados de interpretar infielmente nosso terceiro e quarto termos de comunhão dado ao fato que juramos apoiar a Forma de Governo Presbiteriano e nossos Termos de Comunhão. Desejosos de aderir o mais fielmente quanto possível à Palavra de Deus, não temos a intenção de negar as declarações desses documentos que acreditamos ser consensuais à Palavra de Deus. Por consequência, todos os que deliberada e obstinadamente se expressarem em contrário ao mesmo seriam necessariamente excluídos de nosso Pacto de Renovação e de nossa mesa de comunhão. Aqueles que venham obstinada ou deliberadamente observar, publicar, ou promover a doutrina contrária seria disciplinado de acordo com a natureza dos seus pecados e excluídos da membresia da igreja.

Considerando que nossos antepassados claramente e autoritativamente afirmaram que Deus de fato extraordinariamente promove a função profética para além do tempo do fechamento do cânon da Escritura nossa próxima tarefa é discutir algumas boas precauções e limitações para prevenir extremos tanto de um lado quanto do outro nessa difícil questão.

1.19. George Gillespie

Ele aborda uma discussão dos oficiais extraordinários da Igreja em seu Miscellany Questions. Ele sustenta que profetas são homens ‘extraordinariamente inspirados pelo Espírito Santo, e devem ser reconhecidos entre essas outras administrações que não eram de contínuo, ou para ser ordinária na igreja’ (George Gillespie, Miscellany Questions, Works, Vol. 2, Chapter 5, section 1, point 3, p. 28).

Escrevendo a respeito do assunto de profetas e evangelistas, Gillespie registra:

Esta questão parece ser muito complexa e espinhosa, todavia eu sou levado pelas controvérsias de tempos, relativas a necessidade da missão e ordenação a todos os ministros das coisas santas, e de igual forma por aquelas mantidas por alguns homens de conhecimento, de que ainda existem, ou talvez, evangelistas na igreja. Calvino disse, na verdade, que em seus dias, Deus levantou evangelistas para resgatar a igreja do papado, (Institutes, lib. 4, cap. 2, sec.4)

… a respeito de Profetas, eu já antes mostrei Justino Mártir (Dial. Cum Tryph. Jud.) que, nos dias dele, ainda havia alguns na igreja que tinham um extraordinário dom de profecia, e tal também existia em outros lugares, e noutros tempos; que pode haver diversos exemplos a serem dados.

… novamente eu digo, a obra de profetas e evangelistas era extraordinária; para a distinta ou característica própria de um profeta, i.e., o máximo que ele poderia fazer que não poderiam os oficiais ordinários, e nem nenhum outro exceto um apóstolo, é revelar grandes segredos, ou coisas futuras, pela inspiração especial e extraordinária do Espírito Santo. Suas designações tão próximas, para propheetees e pheeteuo se origina de  propheemi,  eu profetizo.

Mas qual era a obra distinta e propriamente característica de um evangelista, i.e., que um pastor ou mestre não poderiam fazer, e que ninguém mais poderia fazer exceto um apóstolo ou profeta? Falando claramente, deve ser lembrado que a palavra evangelista não é aqui tomada naquele reduzido senso comum, como do Espírito Santo escrevendo o evangelho pela mão de um escritor, porque neste sentido existiram quatro evangelistas, e dois deles apóstolos. Mas essa não é a noção da Escritura, que nos diz que Felipe e Timóteo eram evangelistas, Atos 21.8; 2ª Tm 4.5; e que Cristo deu evangelistas a sua igreja para o trabalho do ministério, Ef 4.11-12.

Agora, se consideramos a palavra como a Escritura o faz, o trabalho próprio de um evangelista, i.e., aquele que ninguém exceto um evangelista, ou aquele que era mais que um evangelista, poderia fazer, eu levo em conta: primeiro para lançar os fundamentos da igreja, e pregar Cristo a um povo incrédulo, que não havia ainda recebido o evangelho, ou pelo menos ainda não tinha a verdadeira doutrina de Cristo entre eles. Assim, Filipe, o evangelista, pregou o evangelho de Cristo a cidade de Samaria e batizou-os antes de qualquer outro apóstolo ir até eles, Atos 8.5, 12. E se os 70 discípulos, Lucas 10, eram evangelistas (como muitos acreditam, e Calvino, Institutas, lib. iv, cap 3-4, acha provável), a própria obra deles de evangelista era pregar o evangelho àquelas cidades que não o havia recebido ainda.

O segundo trabalho deles é itinerante e de negociações como mensageiros e agentes em ocasiões extraordinárias e de emergência, com frequência entre uma e outra igreja, e muito distinta da primeira, deslocando-se entre elas. Dessa segunda existem diversos exemplos na Escritura, como 2 Co 8.23; Fl 2.19, 25; 2Tm 4.9; Tt 3.12; At 15.22, 25.

Agora quando eu chamo estas obras e administrações dos profetas e evangelistas extraordinários, não significa que eles sejam todos e em todos os sentidos extraordinários, até como apostolado; e não ouso dizer que desde os dias dos apóstolos nunca houve, ou que até o fim do mundo não haverá, ninguém levantado por Deus com tais dons, e para tais administrações, como eu agora descrevi ser próprio dos profetas e evangelistas, i.e., revelar coisas futuras, deslocar-se entre os não crentes para converte-los pela pregação do evangelho, e entre uma e outra igreja, com extraordinárias incumbências. Mas chamo o trabalho dos profetas e evangelistas extraordinário no sentido de Calvino (registrado por ele onde mencionei antes), i.e., não é comum como pastores e mestres, que tem lugar constante nas melhores formadas e constituídas igrejas. Logo, eu uso a palavra extraordinária aqui, não porque cessou na primeira era da igreja Cristã, mas porque não é, nem precisa ser, ordinária; assim como a obra deles (Miscellany Questions, Chapter 7, p.39, ênfase acrescentada).

Antes de passar para outros reformadores seria esclarecedor examinar o que Gillespie declarou. Primeiro, Gillespie (concordando com Calvino) interpreta a palavra “extraordinário” em um sentido limitado.

Agora quando eu chamo estas obras e administrações dos profetas e evangelistas extraordinários, não significa que eles sejam todos e em todos os sentidos extraordinários, até como apostolado… Mas chamo o trabalho dos profetas e evangelistas extraordinário no sentido de Calvino (registrado por ele onde mencionei antes), i.e., não é comum como pastores e mestres, que tem lugar constante nas melhores formadas e constituídas igrejas.

De acordo com Gillespie e Calvino, a distinção que é feita é entre o que é constante (ordinário) na igreja e o que não é constante (extraordinário) na igreja. Não é para entender como diferenciação entre o que é existente após o fechamento do cânon da Escritura (ordinário) versus o que é não existente após o fechamento do cânon (extraordinário). Em meu julgamento Gillespie e Calvino estão corretos. Isto também está de acordo com o acima citado Segundo Livro de Disciplina que estabelece que os dons proféticos já cessaram, “exceto quando ele extraordinariamente se agradar em os persuadir novamente por algum tempo.” Se a palavra “extraordinário” nesse trecho do Segundo Livro de Disciplina, significa “não existente após o fechamento do cânon” a frase seria lida da seguinte forma:

Há três ofícios não existentes (após o fechamento do cânon de Escritura): o ofício de apóstolo, de evangelista, e de profeta, que não são perpétuos, e agora já cessaram (inteiramente sobre todas as circunstâncias) na igreja da Escócia, exceto quando ele se agradou fazê-los não existentes após o fechamento do cânon para persuadir alguns deles novamente.

É evidente que isso não poderia ser o que desejaram dizer os nossos Reformadores Escoceses. De efeito, isso prova que a Igreja da Escócia não desejava sustentar a posição de que o fechamento do cânon causou o cessar de todas expressões proféticas. Assim, arguindo que o fechamento do cânon necessariamente vincula a mão de Deus a totalmente cessar o derramamento do dom extraordinário de profecia sobre a igreja é contrário a Escritura (que em lugar nenhum proíbe a profecia extraordinária após o fechamento do cânon), contrário as normas de nossa igreja (que diretamente dá permissão a isso), e contrário ao histórico conhecimento do testemunho de muitos de nossos ilustres santos.

Mais ainda, note-se a relutância de Gillespie em dizer que a extraordinária revelação de coisas futuras tenha cessado com o fechamento do cânon:

… pois não ouso dizer que desde os dias dos apóstolos nunca mais houve, ou que até o fim do mundo nunca haverá de ter, ninguém levantado por Deus com tais dons, e para tais administrações, como eu tenho agora descrito ser próprio aos profetas e evangelistas, i.e., profetizar as coisas que virão ocorrer… (George Gillespi, Miscellany Questions, Chapter 5, section 7, p.30)

Embora Gillespie não irá “ousar dizer” que o dom extraordinário de profecia cessou com o fechamento do cânon da Escritura, note que ele acredita que ele ‘deve dizer’:

Eu devo dizer isto, para a glória de Deus, existiram na igreja da Escócia, tanto no tempo de nossa primeira reforma, e após a reforma, tais homens extraordinários que eram mais que pastores e mestres ordinários, até santos profetas recebendo revelações extraordinárias de Deus, e profetizando diversas coisas desconhecidas e surpreendentes, que em conformidade vieram a ocorrer pontualmente, para a grande admiração de todos os que conheciam os detalhes. Tais foram o Sr. Wishart o mártir, Sr. Knox o reformador, também o Sr. John Welsh, Sr. John Davidson, Sr. Robert Bruce, Sr. Alexander Simpson, Sr. Fergusson, e outros. Levaria muito tempo fazer aqui uma narrativa de todos as informações, e muitas delas são estupendas, que para falar de algumas, pode parecer derrogar as demais, mas se Deus me der oportunidade, eu deverei considerar valer fazer uma compilação destas coisas (George Gillespi, Miscellany Questions, Vol. 2, Chapter 5, section 7, p.30).

Nós entendemos a correta interpretação do Segundo Livro de Disciplina e a Forma de Governo da Igreja Presbiteriana como sendo:

Profecia, entendida como uma imediata e ordinária revelação de nova verdade e mistérios do evangelho, tais como a de 1ªCo 14, cessou; e não há tal dom, nem tal ofício desde o fechamento do cânon da Escritura. Profecia entendida como uma insondável, extraordinária particular revelação de eventos futuros não cessou desde o fechamento da Escritura, e de tais ocasionais favores de Deus não necessitam de nossa aprovação aqueles que receberam tais revelações como sendo possuidores do dom de profecia Escritural ou do ofício de Profeta. Assim a vital distinção entre ordinária e extraordinária profecia permanece e as passagens relevantes das normas de nossa igreja são reconciliadas.

 

1.21. Samuel Rutherford

Ele divide a revelação interior em quatro categorias:

(1) Revelação Profética

(2) Revelação especial apenas para os eleitos

(3) Revelação de alguns fatos para homens piedosos

(4) Revelação falsa e satânica

    Revelação profética é aquela difusão no espírito que o Espírito Santo faz no espírito e juízo do homem que escreve a santa escritura, seja profeta ou apóstolo e, isso por uma imediata inspiração da mente e vontade de Deus neles, seja por visões, sonhos, ou qualquer outra forma, sem os homens, ou a ministração ou ensino de homens, como ele fez com Isaías, Jeremias, Is 1.1; Jr 1.1 ou a Paulo Gl 1.1

    Existe uma revelação interna especial, feita de coisas da escritura, aplicadas em particular às almas dos crentes eleitos, pela qual, tendo ouvido e aprendido a respeito do Pai, Jo 6.4; que se revela e se faz conhecido a eles; pelo Espírito de sabedoria e revelação, que é a esperança da vocação deles, e riquezas da glória da sua herança nos santos, Ef 1.17-19, e que revelou-se a eles, e que carne e sangue não podem revelar, mas o Pai de Cristo, Mt 16.17. E que o Pai revela aos pequeninos, mas esconde dos sábios e entendidos, Mt 11.25-26 (Samuel Rutherford, A Survey of Spiritual Antichrist (London, 1648), p.39-40).

George Gillespie, Samuel Rutherford e James Durham tem pensamentos semelhantes.

1.22. James Durham

“…Profecia, recebida por uma revelação imediata da verdade do evangelho e mistérios, como a que está em 1 Cor. 14, e o que era frequente nos tempos apostólicos, agora cessou; e não há tal dom nem ofício”

“No entanto, se tomarmos a profecia para a compreensão da mente de Deus, e para alcançar a boa familiaridade com os mistérios de Deus, por um modo mediato; sim, e que para além dos meios aplicados, ou ter um dom e capacidade para discernir estas coisas com pequenas dificuldades, e além do que alguns outros podem alcançar por qualquer esforço, nós concebemos, que neste sentido, profecia e profetas, pode ser dito que deve continuar na igreja; e tais Deus levantou no momento da reforma, homens singularmente dotados com um espírito profético, nesse sentido, o que pode ser o cumprimento disto profetizado neste capítulo”.

“(…) e desse tipo havia muitos na revitalização da luz do evangelho que, ao predizer eventos específicos, foram famosos, como a predição de John Huss, dentro de cem anos depois dele seguiu-se o irromper da reforma; tal, é provável, foi Jerônimo Savonarola, que foi queimado pelo Papa, não por predições de eventos falsos, como eles imputaram a ele, por meios ilícitos, mas por repreender fielmente seus erros, como ele é descrito por Philip de Cumius, e outros autores: muitos tais homens estavam nesta terra, como os Srs Wishart, Knox, Welch, Davidson, etc… e isso não pode ser por completo anulado; pois, embora Deus já fechou o Cânon da Escritura, Ele deve, ainda, ser contido em sua liberdade de se manifestar a Si mesmo, portanto, não há motivo convincente para negá-lo, especialmente quando a experiência muitas vezes provou o contrário nos homens mais piedosos.”…

James Durham – Commentary upon the Book of Revelation, Glasgow, 1788 edition.

Agora prosseguimos com a terceira categoria de Rutherford da revelação interna de alguns fatos peculiares a homens piedosos:

    Existe uma 3ª revelação de alguns homens em particular, que prenunciaram coisas que viriam a acontecer mesmo depois do encerramento do cânon da palavra, como John Huss, Wycliffe, Lutero que falaram sobre coisas que aconteceriam, e elas certamente sucederam. E, em nosso país, a Escócia, o Sr. George Wishart profetizou que o Cardeal Beaton não passaria vivo pelos portões do Castelo de St. Andrews, mas que ele sofreria uma morte vergonhosa, o que aconteceu. O Sr. Knox profetizou sobre o enforcamento do Lord of Grange. O Sr. John Davidson profetizou, conhecido por muitos do reino, diversos santos e torturados pregadores na Inglaterra fizeram o mesmo (Samuel Rutherford, A Survey of Spiritual Antichrist, 1648, p.42)

A posição de Rutherford é clara o bastante. Ele francamente afirma que a revelação extraordinária ocorreu mesmo após o fechamento do cânon.

Finalmente, Rutherford ataca o excesso e abuso dos heréticos de seus dias enquanto descreve sua quarta e final categoria de revelação interna – falsa e satânica revelação.

    Nenhum Familista ou Antinomianos – nem David George, ou H. Nicholas, nenhum homem daquele grupo, Randel ou Wheelwright, ou Den, ou qualquer outro – que eu tenha ouvido, sendo dedicado ao caminho familístico, nunca prenunciaram nada, mas uma quarta espécie de mentiras e falsas inspirações. A Sra. Hutchison disse que ela teria um miraculoso livramento no Tribunal de Boston tal qual Daniel teve dos leões, o que se provou falso. Becold profetizou da libertação da cidade de Munster que foi entregue aos seus inimigos, e ele e seus profetas torturados e enforcados. David George profetizou da sua própria ressurreição, o que nunca se cumpriu (Samuel Rutherford, A Survey of Spiritual Antichrist, 1648, p.42);

Rutherford agora se volta para o coração de nossa pergunta já que ele diferencia revelação extraordinária de alguns fatos peculiares a homens piedosos e falsas e satânicas revelações.

Agora em relação as diferenças entre a terceira e quarta revelações, eu digo que:

    Estes dignos Reformadores não levaram nenhum homem a crer em suas profecias como escrituras. [Esta informação é primordial e deve ser mantida em todas as circunstâncias-PRCE]. Devemos dar crédito as predições dos profetas e apóstolos, profetizando coisas que viriam a acontecer, como verdadeira palavra de Deus; eles [os reformadores-PRCE] nunca consideraram a si mesmos como organismos imediatamente inspirada pelo Espírito Santo, como os profetas fazem, e Paulo fez, Rm 11, profetizando o chamado dos Judeus; Ap 1.10, e por todo o livro. Ainda, eles nunca condenaram aqueles que não acreditaram em suas predições, desses fatos e eventos particulares, sendo esses fatos e eventos particulares, como os profetas e apóstolos fizeram. [Aqui Rutherford coloca essas predições em uma classe inferior do que o profetizar daqueles imediatamente inspirados pelo Espírito Santo. Os homens não são dados a acreditar neles, e nem são os homens que duvidam condenados ou disciplinados – elas não são uma regra obrigatória ou compulsória – PCRE]. Mas a Sra. Hutchison disse (Levante, Reine, 61, art 27): Que suas particulares revelações sobre eventos futuros eram infalíveis como qualquer Escritura, e que ela é obrigada a crer nelas como Escritura, pois o mesmo Espírito Santo é o autor de ambos. Familistas tomam a palavra pregada como cartas ou o bom evangelho. Temos isso como carta e sã pregação, já que contempla ser: testemunhar Cristo e todas as suas promessas, do ouvir o bom evangelho que trabalha muitos anos após ter sido pregado; e a palavra pregada muito tempo atrás pode ser despertada por uma triste aflição, uma inspiração de Deus, e produz o trabalho da conversão, e ainda é a palavra da verdade na Escritura que produz fé e é a mesma semente que repousa muitos meses debaixo da terra e cresce e produz fruto. E sabemos que Antinomianos rejeitam as Escrituras e constroem sobre as revelações internas, como suas compulsórias e obrigatórias regras.

    Os eventos revelados às testemunhas piedosas e ouvintes de Cristo não são contrários a palavra. [Esta é outra regra invariável-PRCE]. Mas Becold, John Mathie e John Schykerm (que matou seu irmão sem motivo) e outros entusiastas daquele assassinato pelo espírito de Satanás, que matou homens inocentes, expressamente contra o sexto mandamento, Não Matarás; e ensinou os Camponeses da Alemanha a se levantarem e a matar todos os magistrados, porque eram magistrados; sob o pretexto de incentivos e inspirações do Espírito Santo foram mobilizados contra a palavra de Deus. Todos os Reformadores piedosos previram o fim trágico dos proclamados inimigos do evangelho; nem iria o Sr. Wishart comandar ou aprovar que Norman e John Leslie devessem matar o Cardeal Beaton como fizeram.

    Eles tinham um preceito geral junto com aquela maligna caçada ao homem perverso: só um inofensivo mistério, senão um extraordinário forte impulso, ou um espírito da Escritura a os guiar, os conduziu a aplicar um preceito geral de justiça divina, no que previam, a particulares homens ímpios, e eles mesmos sendo apenas preditores, não coparticipantes do ato. [Rutherford define o tipo válido da revelação extraordinária como ‘um forte impulso’ ou ‘espírito da escritura guiando-os’. É notável que ele deixa claro e condena a ideia de que essas profecias são imediatamente inspiradas. Parece que Rutherford alega que o Espírito de Deus extraordinariamente exercita a intuição do homem e de predisposição Escritural a informá-lo dos eventos futuros fazendo o homem aplicar preceitos gerais de justiça divina, ao invés de comunicar essa informação diretamente por uma voz audível ou visão. A explicação de Rutherford é segura e plausível, mas por causa da natureza insondável da real dinâmica envolvida não é necessariamente conclusiva –PRCE].

    Eles [os Reformadores – PRCE] eram homens sólidos na fé ao contrário do Papismo, Prelazia, Socianismo, entusiastas sem lei, Antinomiano, Arminianos, Arianismo e tudo o que é contra a sã doutrina. Disso sendo todos estes carentes, eles estão nesse quarto tipo de revelações, não podemos julgá-los exceto como de índole satânica. [Aqui uma outra regra geral é proposta. Aqueles que clamando à profecia, e sendo frágeis na doutrina e prática, definitivamente não devem ser considerados como sendo guiados pelo Espírito de Deus em suas predições – PRCE].

    Eles não são puros e inofensivos; mas empurram homens para as sangrentas e perversas práticas proibidas por Deus. Embora Deus tenha ordenado a Abraão matar seu filho, testando sua obediência, Deus o conteve, e não o deixou agir como lhe pediu. Esses outros na verdade matam inocentes sob o pretexto do incentivo do Espírito.

    Eles não tem nenhum preceito da Palavra para os apoiar, e se eles orientam homens a se abster da lei e testemunho é porque não há nenhuma luz neles, Is 8.20.

    Estas revelações são de homens de mentes podres e corrompidas, destituídos da verdade se opondo e sendo destrutivos à santificação.

    Eles afirmam que as Escrituras são imperfeitas, manca e um catálogo feito pelo homem, ao contrário do que dizem as Escrituras Sl 19.7-9; II Tm 3.15-16; Lc 16.30-31; João 20.30-31; At 26.22; Sl 119.105, etc

    Então a escritura não deveria decidir todas as verdades controversas, e nem ser aquela pela qual encontramos a verdade e a regra que prova os espíritos, se são de Deus ou não, contrário a 1 João 4.1; 1 Ts 5.21; e contrário ao exemplo dos nobres Bereanos que provaram a doutrina de Paulo pelas escrituras, At 17.11.

    O emocionante toque de Cristo ao coração, agradáveis alentos do fôlego de Deus em sua Palavra; o toque do diabo é um estúpido toque e sem vida, sendo destituído da palavra da verdade.

    Os homens agem de acordo com seus próprios espíritos, e andam na luz de sua vontade, não havendo fim dos pecados e errantes de Deus quando agem sob nenhum conhecido preceito da palavra (Samuel Rutherford, A Survey of Spiritual Antichrist, London, 1648, p. 43,44).

Essa pequena cláusula confessional histórica desfaz a caricatura e as mentiras dos hipercessacionistas (Tokashiki e Fernando Neto).

 

 

Além disso, é preciso afastar a acusação de "entusiasmo". Historicamente, nos séculos XVII e XVIII, entusiasmo significava a alegação de inspiração independente e acima da Bíblia, com profetas infalíveis criando novos dogmas. Figuras pilares da tradição reformada, como John Knox, Samuel Rutherford, John Welsh e Robert Wodrow, registraram em seus diários sonhos, advertências, curas e juízos providenciais marcantes, mas nenhum deles jamais afirmou estar escrevendo uma nova Bíblia. Dizer que estamos atribuindo a  esses homens de "pentecostais" para defender o Pentecostalismo é um anacronismo historiográfico grosseiro ou burrice mesmo, dado que o pentecostalismo é um movimento que só nasceu no século XX.

 

TEMA 3: Os Dois Extremos e Seus Perigos

Para manter o rigor e a credibilidade, precisamos apontar os erros dos dois lados. O perigo do hipercessacionismo está nos hábitos de linguagem que ele cria: as pessoas são treinadas a rotular qualquer evento extraordinário imediatamente como "psicológico", "emocional", "manipulação" ou "demônio". Conforme as advertências bíblicas de Mateus 12, o hábito da rejeição precipitada cria o risco gravíssimo de alguém passar a rotular como maligno aquilo que Deus efetivamente realizou.

Por outro lado, o pentecostalismo desordenado cria o treinamento oposto, onde tudo vira "Deus falou" ou "o Espírito mostrou". Sem exames, sem critérios, sem submissão à Igreja local e longe das Escrituras, o indivíduo se torna a sua própria autoridade. Enquanto um extremo nega tudo por preconceito dogmático, o outro aceita tudo por ingenuidade mística. A postura bíblica correta é o equilíbrio pastoral: examinar tudo e reter o que é bom.


TEMA 4: O Providencialismo Ocasionalista e a Síntese Teológica

O providencialismo é a crença de que Deus é o verdadeiro protagonista e sujeito da história, e por isso tudo deve ser atribuído à providência divina. O homem é apenas seu objeto, um instrumento nas mãos de Deus. Este teria criado a ordem social e posicionado cada indivíduo em seu devido lugar. Foi uma forma de interpretação de mudanças naturais, políticas e sociais advinda de um período em que religioso e secular não eram claramente divididos.

A diferença entre o providencialismo e o cessacionismo está no conceito de Dom. Para o providencialista não existe a ideia, nem bíblica, nem hoje, de que há um dom de cura que fosse usado a qualquer momento. O dom de cura sempre foi temporário, pois era uma graça que Deus concedia no momento da cura. Esse dom, nunca cessou, mas Deus opera em quem quiser, quando quiser.

Já o dom de línguas ininteligíveis nunca existiu, mas existe hoje, ainda, o dom de idiomas.

O Providencialista, também acredita que embora a revelação especial cessou (revelação verbal histórica-redentiva) ou seja, Deus não revela mais os fundamentos do cristianismo, essa revelação está contida nas Escrituras, isso não implica em uma cessação revelacional de Deus para edificação da Igreja. Ou seja, Deus continua se revelando ao povo não de forma fundacional mas de forma de edificação, quando ele assim desejar.

O Providencialismo Reformado oferece uma síntese teológica robusta que preserva o fechamento do cânon, a suficiência da Escritura, a soberania absoluta de Deus, a realidade da providência extraordinária e a necessidade de um discernimento rigoroso. Filosoficamente, essa visão se conecta a uma linhagem profunda que passa por Platão, Agostinho, Malebranche, Jonathan Edwards, Ralph Erskine e Gordon Clark, desaguando no Providencialismo Ocasionalista Reformado.

O conceito fundamental aqui é que não existem causas segundas totalmente independentes no universo; toda e qualquer causa depende continuamente do decreto e da sustentação direta de Deus. Aplicando isso à história, à oração, às curas e à iluminação, entendemos que todo evento é providencial. Alguns eventos seguem as leis ordinárias da natureza, enquanto outros ocorrem por vias extraordinárias. Ambos, no entanto, dependem igualmente do agir soberano do Criador, conectando perfeitamente a metafísica com a teologia do Espírito Santo.

 

CONCLUSÃO: As Cinco Teses e Encerramento

Podemos resumir o Providencialismo Reformado em cinco teses fundamentais:

  • Tese 1: A Escritura Sagrada continua sendo a única regra infalível de fé e prática.
  • Tese 2: O cânon bíblico está perfeitamente fechado.
  • Tese 3: Deus continua governando o mundo de forma ordinária e extraordinária segundo o Seu querer.
  • Tese 4: Toda e qualquer experiência ou alegação atual deve ser julgada rigorosamente pela Escritura.
  • Tese 5: O Providencialismo Reformado é a única posição que preserva simultaneamente a soberania de Deus, a suficiência das Escrituras, a realidade da providência extraordinária, o discernimento eclesiástico e a tradição reformada clássica.

Frase de Encerramento: Nossa proposta não é reabrir o cânon, nem transformar impressões pessoais em autoridade normativa. Também não é reduzir a ação de Deus a um modelo em que toda manifestação extraordinária seja descartada por princípio. O Providencialismo Reformado sustenta que a Escritura permanece a única regra infalível de fé e prática, enquanto Deus continua livre para governar sua criação por meios ordinários e extraordinários, sempre em perfeita harmonia com sua Palavra. Essa não é uma inovação teológica, mas uma leitura que busca dialogar com importantes testemunhos da tradição reformada e recuperar distinções históricas entre revelação canônica e providência extraordinária.

 

A Hipocrisia do "Confessionalismo" Seletivo: Uma Defesa da Verdadeira Ortodoxia de Westminster

O debate teológico contemporâneo frequentemente assiste a um fenômeno irônico: a tentativa de desqualificar opositores por meio de caricaturas arrogantes, enquanto os próprios acusadores repousam sobre bases teológicas frágeis e modificadas. Acusar irmãos na fé de "burros pentecostais" — utilizando um tom elitista e soberbo — revela-se a mais pura hipocrisia quando os proponentes dessa crítica sequer sustentam a confessionalidade que afirmam defender.

Para compreender a gravidade dessa inconsistência, é preciso confrontar a realidade histórica e teológica dos documentos que esses críticos adotam.

1. A Revisão Americana de 1788 e o Abandono dos Padrões Originais

O autêntico confessionalismo reformado se mede pela fidelidade aos padrões estipulados pela Assembleia de Westminster (1643–1649). No entanto, o que a maioria dos críticos modernos defende não são os documentos originais elaborados pelos teólogos puritanos (os "Divinos"), mas sim as alterações americanas introduzidas em 1788 na Confissão de Fé de Westminster (CFW), no Catecismo Maior (LCW) e na forma de governo/culto.

Ao operarem sob a revisão de 1788, esses grupos subscrevem um texto que alterou deliberadamente os capítulos originais sobre o Magistrado Civil e o Culto. Fingir que a fé professada sob essas modificações modernas é a mesmíssima fé dos Divinos de Westminster é um anacronismo histórico e uma desonestidade teológica. Eles não são puritanos clássicos; são herdeiros de um revisionismo iluminista americano.

2. A Negação da Salmodia Exclusiva e o Culto de Westminster

A Assembleia de Westminster foi categórica em sua teologia e prática litúrgica: a Salmodia Exclusiva e o Princípio Regulador do Culto em sua aplicação estrita formavam a espinha dorsal do louvor reformado. O Diretório de Culto Público de Westminster (1645) e o texto original da CFW (Capítulo XXI) não deixam margem para as inovações contemporâneas. Argumentar que a CFW clássica não ensina a salmodia exclusiva — ou simplesmente ignorar essa exigência enquanto se adota hinos modernos e canções fora do saltério inspirado — é uma quebra flagrante da integridade confessional. Rejeitar a prática dos Divinos e, ainda assim, intitular-se o "padrão da ortodoxia" contra os outros é uma contradição insustentável.

3. O Magistrado Civil e a Doutrina Clássica: O Pai Nutridor

O ponto mais agudo da ruptura revisionista reside na doutrina do Magistrado Civil. A posição reformada clássica — defendida com sangue e rigor exegético por nomes como Samuel Rutherford, George Gillespie e os Covenanters escoceses — afirma categoricamente que o Estado não é neutro. O magistrado civil é estabelecido por Deus como um pai nutridor (nursing father, cf. Isaías 49:23) da Igreja, possuindo o dever solene de:

·         Proteger, promover e manter a verdadeira religião cristã.

·         Suprimir a idolatria, a heresia aberta e a blasfêmia pública.

·         Garantir que a adoração a Deus seja preservada pura em toda a nação.

A defesa do Estado laico e do pluralismo religioso, comum entre os críticos modernos, é uma capitulação direta ao pensamento secular e político moderno. Essa visão está em total oposição à Confissão de Westminster original (Capítulo XXIII, Seção III). Ao abraçarem a laicidade do Estado, esses teólogos modernos abandonaram a eclesiologia e a teologia política da Reforma.

Conclusão

Não há fundamentação para o orgulho acadêmico ou eclesiástico daqueles que utilizam termos pejorativos contra irmãos, quando sua própria identidade teológica baseia-se em concessões e mutilações confessionais. Quem subscreve as revisões de 1788, rejeita a salmodia exclusiva e defende o secularismo do Estado laico não tem autoridade histórica para se declarar o guardião da herança puritana. Antes de erguerem caricaturas arrogantes contra a fé alheia, deveriam confessar que estão longe da fé dos Divinos de Westminster.

 

O artigo publicado pelo portal Os Puritanos cumpre um papel importante ao defender a identidade confessional reformada, argumentando corretamente que a Confissão de Fé de Westminster (CFW) estabelece um arcabouço doutrinário cessacionista em seus capítulos I.1 e I.6. O autor do artigo apoia-se acertadamente no contexto histórico da Assembleia — que reagia tanto ao tradicionalismo católico quanto ao entusiasmo anabatista e quaker. No entanto, ao utilizar o nome de Garnet Howard Milne para chancelar uma visão de que nenhum puritano possuía inclinações continuístas e que o cenário era absolutamente monolítico, o artigo comete um reducionismo historiográfico.

A tese de Milne, expressa em seus capítulos revisados, demonstra que embora a CFW seja um documento oficial com conclusões cessacionistas, os teólogos que a escreveram habitavam um universo prático e teológico repleto de nuances, concessões a eventos extraordinários e tensões experimentais que o artigo do site Os Puritanos omitiu.

Abaixo, apresentam-se os três contra-argumentos principais baseados na pesquisa integral de Milne de que a realidade dos puritanos era muito mais rica e complexa do que o artigo faz parecer:

1. A Omissão de Continuístas Declarados na Assembleia (O Caso William Bridge)

O artigo afirma em termos gerais que nenhum dos teólogos puritanos da Assembleia poderia ser classificado como continuísta. Todavia, Milne resgata em seus escritos o posicionamento inequívoco de William Bridge, um dos cinco Independentes Dissidentes e o décimo terceiro orador mais ativo nos debates de Westminster.

Diferente do silêncio que o artigo tenta impor sobre o tema, Bridge pregou e publicou (em 1656, após a redação da CFW) sermões defendendo que Deus não deve ser limitado e continua a falar por visões e sonhos em nossos dias de maneira ad hoc. Bridge propôs uma exegese de Hebreus 1:1-2 que separava as "ordenanças permanentes e normativas" (a Escritura) de manifestações extraordinárias pontuais. O fato de Bridge ter sido uma figura central na Assembleia prova que o continuísmo mitigado era debatido e defendido ativamente nos corredores confessionais.

2. O Conceito de "Profecia Mediata" e o "Espírito das Escrituras"

O artigo foca estritamente na afirmação de que a revelação especial cessou e que nada pode ser acrescentado às Escrituras. Embora os teólogos de Westminster concordassem com isso no nível canônico e doutrinário, o artigo falha ao não explicar como os mesmos teólogos explicavam as profecias preditivas amplamente aceitas na época, como as de John Knox, John Hus e George Wishart.

Milne demonstra que teólogos da estirpe de Samuel Rutherford (comissário escocês em Westminster) formulavam uma categoria específica para esses fenômenos: as "revelações extraordinárias de homens não imediatamente inspirados". Sob esse conceito, o Espírito Santo operava um forte impulso (o "Espírito das Escrituras") que capacitava pastores piedosos a aplicar as regras gerais da justiça divina a casos e pessoas particulares, prevendo eventos futuros com precisão. Para os puritanos, prever o futuro através de uma iluminação aplicada da Palavra não violava a CFW, revelando uma abertura ao extraordinário que o artigo de Os Puritanos desconsidera ao tratar o cessacionismo como a extinção de qualquer percepção sobrenatural de eventos contingentes.

3. Sonhos Providenciais e Alinhamento com a Teologia Mística

Ao analisar a posição de figuras como o comissário escocês Archibald Johnston (Lord Warriston) e o teólogo de Westminster William Strong, Milne aponta que a mentalidade do século XVII estava imersa em um providencialismo holístico.

O artigo do portal assume uma postura rigidamente intelectualizada da CFW. Contudo, na prática daqueles teólogos, os sonhos cotidianos eram frequentemente interpretados como "providências" enviadas diretamente por Deus para guiar as decisões diárias dos santos, desde que alinhados e testados pela Palavra escrita. Se o autor de Os Puritanos usou a pesquisa de Milne para sugerir que o puritanismo baniu a operação ativa, subjetiva e misteriosa de Deus nos sonhos e impressões secretas da alma, ele utilizou a obra do historiador apenas naquilo que lhe interessava, ignorando o vasto material de Milne que mapeia a viva piedade experimental da época.

Em suma, o artigo de Os Puritanos está correto em sua conclusão final: a CFW, como documento, estabelece o cessacionismo teológico-normativo. O erro do artigo reside em criar um anacronismo ao projetar um cessacionismo moderno, racionalista e estéril sobre os teólogos de Westminster. Como a pesquisa abrangente de Garnet Howard Milne demonstra, os autores da Confissão de Fé de Westminster defendiam firmemente a sola Scriptura, mas viviam e acomodavam em sua teologia prática um Deus vivo que operava milagres na providência, agia por impulsos do Espírito nas pregações e guiava Seus servos por meio de eventos extraordinários e profecias mediatas.

 

O Cessacionismo em Nuances: Eventos Extraordinários e Tensões Continuístas na Teologia de Westminster segundo Garnet Howard Milne

 

Agora, analisaremos a complexidade do debate sobre a cessação da revelação especial no século XVII, utilizando como base a pesquisa histórica de Garnet Howard Milne. Embora a Confissão de Fé de Westminster (CFW) adote uma postura formalmente cessacionista na cláusula de 1:1, os dados documentais revelam que o cenário teológico puritano e presbiteriano não era monolítico. Investigam-se aqui as variedades de continuísmo experimental, o papel dos sonhos providenciais, as manifestações angélicas e a persistência de profecias preditivas mediatas entre os teólogos da Assembleia e os Covenanters escoceses, demonstrando que a linha entre a sola Scriptura e a experiência sobrenatural continha nuances multifacetadas.

1. Introdução: O Monolito Cessacionista em Xeque

A historiografia eclesiástica frequentemente categoriza a ortodoxia reformada do século XVII, em especial a Assembleia de Westminster, sob um cessacionismo estrito e intransigente. A leitura da Confissão de Fé de Westminster, em seu capítulo 1, seção 1, deixa clara a posição oficial de que os antigos modos de Deus revelar Sua vontade cessaram completamente. No entanto, um exame minucioso dos diários, sermões e debates dos próprios teólogos que formularam esses símbolos revela uma tensão dinâmica entre o compromisso com a sola Scriptura e uma profunda crença no providencialismo holístico e em operações extraordinárias do Espírito Santo. Longe de ser um consenso absoluto e sem arestas, o debate sobre a persistência de revelações não canônicas abrigou uma minoria vocal de continuístas estritos e uma ampla maioria que, embora cessacionista em teoria, acomodava o sobrenatural em suas práticas diárias.

2. A Tipologia Continuísta entre os Ortodoxos Reformados

Garnet Howard Milne categoriza a existência de pelo menos cinco variedades de potenciais continuístas ou posições simpáticas a manifestações extraordinárias dentro do ambiente puritano. Essas vertentes operavam de forma experimental e desafiavam a simplificação teológica:

Grade Comparativa: Variedades de Continuísmo Potencial (Milne)

Categoria

Conceito Principal

Principais Teólogos / Exemplos

Funcionamento Prático e Nuances

1. Comunicação Angélica em Sonhos

Anjos transmitem informações e deveres legítimos à alma sem que isso configure uma revelação divina direta.

Moise Amyraut, John Owen, William Spurstowe, John Maynard.

Atua por meio de "sugestões secretas" ou movimentos na imaginação, fundindo-se com a autoconsciência humana para evitar perigos e obter o bem, agindo de forma anônima na providência.

2. Visões de Moribundos

Concessão de uma capacidade misteriosa e temporária de comunicação divina no momento da morte.

Edmund Calamy (relato da Sra. Elizabeth Moores), Meric Casaubon, John Flavel.

Justificada como uma "aptidão natural" da alma à medida que esta se desprende do corpo. Geralmente manifesta-se através da aplicação intensa de textos da própria Escritura na mente do convalescente.

3. Crença na Natureza Divinatória

Aceitação paradoxal de que os sonhos continuam sendo canais reais de revelação, mesmo sob subscrição confessional estrita.

Comentário escocês anônimo do século XVIII sobre a CFW.

O autor confessa candidamente que, embora o sentido da confissão insinue a cessação completa dos sonhos revelatórios, ele reconhece e defende a persistência das visões noturnas na prática cristã.

4. Ambiguidade Doutrinária

Postura oscilante ou cética em relação a alegações contemporâneas, mas aberta a sonhos reveladores do período da Reforma ou patrístico.

John Hacket, John Ley (em disputa com John Saltmarsh).

Diferenciava visões comuns de revelações legítimas (que necessitavam de um intérprete inspirado), mas validava categoricamente sonhos reveladores do passado, como os de Mônica (mãe de Agostinho), Jerônimo e Zuínglio.

5. Continuísmo Estrito / Rigoroso

Defesa inequívoca de que Deus concede novas revelações imediatas subordinadas e em perfeita harmonia com as Escrituras.

Richard Baxter, William Bridge (teólogo de Westminster).

Reinterpreta Hebreus 1:1-2 para afirmar que as visões e vozes perderam o status de "ordenanças normativas e permanentes" da Igreja, mas continuam operando de forma ad hoc e extraordinária na alma.

 

·         Comunicação Angélica por Sonhos: Teólogos que admitiam que anjos podiam se comunicar com seres humanos na atualidade, operando uma revelação não inspirada.

·         Visões de Moribundos: A crença de que indivíduos piedosos, à beira da morte, recebiam uma percepção única e misteriosa da vontade divina à medida que a alma se desprendia do corpo.

·         Divinação e Sonhos Naturais: Aqueles que mantinham uma convicção na natureza divinatória ou premonitória dos sonhos, mesmo reconhecendo o afastamento da linha oficial.

·         Ambiguidade Teológica: Autores que oscilavam ou demonstravam profunda ambivalência ao discutir a possibilidade contemporânea de sonhos reveladores.

·         Continuísmo Rigoroso: Uma minoria que defendia abertamente a possibilidade de novas revelações imediatas subordinadas à autoridade bíblica.

3. As Exceções de Peso: Richard Baxter e William Bridge

Dentro da própria Assembleia de Westminster e em seus arredores intelectuais, figuras proeminentes romperam com o cessacionismo estrito. Richard Baxter, em seu Christian Directory, afirmou de forma inequívoca que é perfeitamente possível que Deus faça novas revelações a pessoas específicas a respeito de seus deveres, eventos ou questões de fato específicos, em subordinação à Escritura, seja por inspiração, visão, aparecimento ou voz.

A divergência mais radical, contudo, partiu de William Bridge, um dos cinco dissidentes independentes e o décimo terceiro orador mais regular nos debates da Assembleia. Em seus sermões baseados em 2 Pedro 1:19, Bridge reinterpretou o texto-prova de Hebreus 1:1-2 para propor uma distinção entre ordenanças permanentes (normativas) e não permanentes (não normativas). Para Bridge, embora os sonhos e as visões tenham deixado de ser meios formais e instituídos para governar a Igreja, Deus ainda pode transmitir revelações através deles de maneira ad hoc ou fora do padrão. Ele argumentou que Deus não deve ser limitado e pode falar da maneira que quiser, inclusive concedendo mandamentos extraordinários comparáveis ao sacrifício de Isaque por Abraão. Essa postura fez com que críticos contemporâneos, como o quaker George Whitehead, notassem que Bridge estava isolado de seus irmãos presbiterianos por adotar um posicionamento abertamente continuísta.

4. O Providencialismo Holístico e os Sonhos como Guia Diário

Para além do continuísmo estrito, a terceira categoria de cessacionistas — que Milne identifica como providencialistas holísticos — via os sonhos não como revelações de novas doutrinas, mas como instrumentos do governo minucioso de Deus. O comissário escocês Archibald Johnston (Lord Warriston) exemplifica perfeitamente essa mentalidade. Defensor vocal da CFW, Johnston não via contradição entre sua teologia confessional e o hábito de anotar sonhos que, quando harmonizados com textos das Escrituras, serviam como orientação divina concreta para sua vida política e familiar atribulada. Se um sonho concordasse com a Palavra escrita, Johnston o acolhia como uma iluminação legítima e direção providencial.

De forma semelhante, William Strong, em seu amplo tratado sobre a providência, catalogou os sonhos ao lado de "providências casuais" — como o esbarrão em um amigo ou o deslizamento de um cavalo — através das quais Deus governa contingencialmente a vida dos santos. Strong chegou a validar o sonho de Mônica, mãe de Agostinho, como uma fala providencial de Deus, demonstrando que o universo puritano operava sob um teto espiritual fortemente responsivo e místico, onde o sobrenatural se fundia à rotina ordinária.

5. A Tradição Escocesa e a Profecia Mediata: Knox e os Covenanters

A Escócia e os Covenanters possuíam uma longa história de reivindicações proféticas e premonições que desafiavam o silêncio cessacionista. No entanto, a forma como os teólogos escoceses articulavam essas manifestações evitava a colisão direta com a sola Scriptura através do conceito de profecia mediata. O próprio John Knox explicou que suas famosas previsões futuras não nasciam de inspirações profanas, mas do plano verdadeiro da palavra de Deus, da aplicação de princípios gerais da justiça divina e do curso ordinário das pragas e punições históricas.

Samuel Rutherford seguiu a mesma linha analítica ao sistematizar o que chamou de "revelações extraordinárias dos homens em nosso tempo não imediatamente inspirados". Ao citar vultos como Hus, Lutero, Wishart e Knox, Rutherford admitiu que esses homens possuíam uma impulsão extraordinária e forte, um "Espírito das Escrituras", que os capacitava a prever fins trágicos ou julgamentos particulares sobre ímpios e blasfemos, agindo puramente como previsores e não como autores de novas doutrinas.

Essa mesma estrutura conceitual de "inspiração na aplicação" e impulsos singulares foi defendida nos séculos seguintes por teólogos do calibre de James Durham e Robert Fleming. Fleming, em sua obra The Fulfilling of Scripture, argumentou que grandes servos de Cristo receberam "inspirações mais extraordinárias e imediatas da mente de Deus quanto à aplicação [da Palavra] em casos particulares", operando sem o dom profético estrito (Lumen Propheticum), mas sob a agência direta e misteriosa do Espírito Santo nas encruzilhadas da providência.

6. Conclusão

A análise documental oferecida por Garnet Howard Milne impede uma leitura simplista da Confissão de Fé de Westminster. Se, por um lado, o documento foi erguido como uma barreira intransponível contra o entusiasmo radical de seitas e contra os erros atribuídos ao catolicismo, por outro, os limites práticos de sua aplicação eram permeáveis. Através de conceitos como a profecia mediata, os sonhos providenciais e as ações angélicas secretas, a ortodoxia reformada preservou o caráter vivo e ativo da comunicação de Deus com o crente. Conclui-se que o cessacionismo de Westminster não resultou no esvaziamento do sobrenatural, mas sim na sua subordinação à soberania das Escrituras, mantendo abertas as janelas para a experiência extraordinária de um Deus que coordena ativamente a história e a alma humana.

 

Referências Bibliográficas

·         MILNE, Garnet Howard. The Westminster Confession of Faith and the Cessation of Special Revelation: The Structure of Puritan Cessacionism. (Conforme transcrito nos Capítulos 4, 5 e 6).

·         A CONFISSÃO de Fé de Westminster é cessacionista! Os Puritanos, 2 fev. 2018. Disponível em: https://www.os-puritanos.com/post/2018/02/02/a-confiss%C3%A3o-de-f%C3%A9-de-westminster-%C3%A9-cessacionista . Acesso em: 28 jun. 2026.

 

Bibliografia

 

1. Fontes Históricas Primárias e Documentos Confessionais

·         Adomnán – Mencionado como o biógrafo de São Columba, autor da obra hagiográfica que cataloga as visões do santo no "Livro I".

·         São Patrício – Citado por seus próprios escritos autobiográficos (especialmente na menção à sua visão das Vozes de Foclut).

·         Segundo Livro de Disciplina (1578) – Ratificado pela Igreja da Escócia; citado explicitamente o Capítulo 2 (Of the Parts of the Policy of the Kirk...), utilizando a edição The First and Second Books of Discipline, Dallas: Presbyterian Publications, 1993.

·         Forma de Governo da Igreja Presbiteriana / O Diretório para o Culto – Citado a partir da edição The Form of Presbyterial Church Government, in the Confession of Faith; the Larger and Shorter Catechisms, etc, Inverness: Publications Committee of the Free Presbyterian Church of Scotland, 1976.

·         Atos da Assembleia Geral da Igreja da Escócia (1645) – Citada especificamente a Sessão 16 (10 de fevereiro de 1645) a partir de The Acts of the General Assemblies of the Church of Scotland, 1638-1649 inclusive.

·         Termos de Comunhão (Nº 3 e Nº 4) – Referenciados como normas reguladoras que citam a Segunda Reforma e a Renovação de Pactos em Auchensaugh, Escócia (1712).

·         Confissão de Fé de Westminster (CFW) – Citada em sua versão original (incluindo menções aos Capítulos XXI e XXIII) e contrastada com a Revisão Americana de 1788 (que alterou a CFW e o Catecismo Maior).

·         Diretório de Culto Público de Westminster (1645).

2. Obras Teológicas e Históricas Específicas

·         John Howie / Editora Banner of Truth – Citado através de referências textuais datadas ("HOWIE, 1999"), com foco em sua obra biográfica sobre os mártires e covenanters escoceses (The Scots Worthies), bem como a controversa nota de rodapé inserida pela editora Banner of Truth Trust.

·         John Knox – Citado por seus próprios registros ("KNOX, 1999") e especificamente por sua obra A Godly Letter of Admonition (1554).

·         David Laing – Referenciado como o editor e historiador monumental responsável pela coletânea The Works of John Knox (Volume 3) para a Wodrow Society.

·         David Buchanan (1644) – Citado por seu famoso prefácio original escrito para a obra History of the Reformation in Scotland de John Knox.

·         Archibald Johnston de Wariston – Citado diretamente através de registros biográficos extraídos de seu Diário pessoal (com menção a uma entrada específica de 25 de maio de 1661).

·         Robert Fleming – Citado por sua obra clássica O Cumprimento das Escrituras (The Fulfilling of the Scripture).

·         Robert Wodrow – Historiador citado pelos registros documentados sobre os poderes proféticos de Robert Blair e outros covenanters.

·         Robert Blair – Citado por seu Relato Autobiográfico (com menção às explicações dadas a parentes em 1632).

·         Alexander Smellie – Citado por sua obra histórica Men of the Covenant, especificamente no relato sobre a morte de John Brown de Priesthill.

·         Alexander Henderson – Citado por seu breve tratado Reformation of Church Government in Scotland.

·         George Gillespie – Citado extensamente por sua obra Miscellany Questions (incluindo referências explícitas ao Volume 2, Capítulo 5, Seções 1 e 7; e Capítulo 7).

·         João Calvino – Referenciado indiretamente através das citações de Gillespie à sua obra máxima, as Institutas da Religião Cristã (Livro IV, Capítulos 2, 3 e 4).

·         Justino Mártir – Fonte patrística citada indiretamente (Dialogue cum Tryphone Judaeo) através dos escritos de Gillespie.

·         Samuel Rutherford – Citado extensamente por sua obra teológica A Survey of Spiritual Antichrist (London, 1648), de onde se extraem as suas quatro categorias de revelação interna.

·         James Durham – Citado por sua obra Commentary upon the Book of Revelation (Glasgow, edição de 1788).

·         Philip de Commines (citado como "Philip de Cumius") – Historiador antigo mencionado na seção de James Durham como fonte sobre a vida de Jerônimo Savonarola.

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