As três colunas que os hipercessacionistas precisam destruir para refutar minha tese
Para refutar minha tese, os hipercessacionistas não podem simplesmente repetir que "os dons cessaram". Eles precisam destruir três colunas fundamentais que sustentam toda a minha argumentação. Se não conseguirem fazê-lo, sua crítica permanece incompleta.
A primeira coluna é o Escrituralismo. Defendo que todo o conhecimento verdadeiro possui seu fundamento e seu monopólio nas Escrituras Sagradas. A Bíblia é a única norma infalível e a fonte última da verdade. Por isso, rejeito o empirismo como fundamento epistemológico, pois ele faz das experiências sensoriais o critério da verdade; rejeito também o racionalismo, que transforma a razão humana em árbitro supremo do conhecimento.
O hipercessacionista, para rejeitar essa posição, terá de abandonar o Escrituralismo e recorrer justamente a um desses sistemas epistemológicos. Terá de fundamentar sua tese no empirismo, argumentando a partir da ausência de determinados fenômenos observáveis; ou no racionalismo, estabelecendo conclusões que não procedem do texto bíblico, mas de construções da razão humana. Em muitos casos, acaba ainda recorrendo a pressupostos extra-bíblicos que não podem ser demonstrados pelas Escrituras. Em outras palavras, para negar minha posição, ele precisa abandonar a própria epistemologia bíblica.
A segunda coluna é o Ocasionalismo. Defendo que Deus é a única causa absoluta de todos os eventos. Não existe, para Deus, uma divisão real entre o ordinário e o extraordinário, porque tudo ocorre por sua ação soberana. Todo efeito procede, em última instância, da Causa Primeira, que é Deus. As chamadas causas secundárias não possuem autonomia causal; são apenas ocasiões e instrumentos pelos quais Deus executa sua vontade.
Consequentemente, não faz sentido afirmar que Deus estaria limitado a agir apenas por determinados meios considerados "ordinários". Todo acontecimento é igualmente dependente da ação imediata da providência divina. A distinção entre ordinário e extraordinário pertence à percepção humana, não à eficácia causal de Deus.
A terceira coluna é o testemunho histórico do Presbiterianismo Reformado. A história da Reforma Escocesa, dos Covenanters e do Presbiterianismo Reformado está repleta de registros de providências extraordinárias, intervenções divinas, avivamentos, respostas sobrenaturais às orações e acontecimentos que os próprios reformados reconheceram como obras especiais da providência de Deus. Esses relatos aparecem em biografias, sermões, atas, documentos confessionais e na literatura produzida por homens que os hipercessacionistas frequentemente afirmam seguir.
Assim, para refutar minha tese, eles não precisam apenas discordar de mim. Precisam também rejeitar uma parte significativa da tradição histórica do próprio Presbiterianismo Reformado. Ao fazê-lo, entram em conflito com o testemunho daqueles mesmos teólogos e pastores cuja herança dizem defender.
Portanto, o debate não se resume à continuidade ou não de determinados dons. A questão é muito mais profunda. Para derrubar minha tese, o hipercessacionista precisa demolir três pilares: o Escrituralismo como fundamento epistemológico, o Ocasionalismo como doutrina da causalidade divina e o testemunho histórico do Presbiterianismo Reformado. Enquanto essas três colunas permanecerem de pé, sua crítica não atinge o fundamento da minha posição.

Comentários
Postar um comentário