Minha subscrição confessional


 

 

Termos de definição: Pelo que li e pelas discussões que tenho tido com os anciãos da PCA, existem 4 visões ou abordagens diferentes em relação à adesão confessional à Confissão de Fé e Catecismo de Westminster (doravante FC&C).[1]

 

1.   Submissão Absoluta (Cada Palavra): Um ministro deve afirmar e adotar cada doutrina da Confissão de Fé de Westminster e a redação exata das proposições nela contidas, porque elas são o próprio sistema doutrinário das Escrituras.

 

2.   Subscrição Estrita/Plena (Todas as Doutrinas): Um ministro deve afirmar e adotar todas as doutrinas da Confissão de Fé de Westminster, mas não necessariamente a redação exata das proposições nela contidas, pois todas as doutrinas constituem o sistema das Escrituras. (George McKnight III, Morton Smith, O. Palmer Robertson)

 

3.   Parte integrante da adesão ao sistema (Doutrinas Essenciais): Um ministro deve afirmar e adotar as doutrinas da Confissão de Fé de Westminster que são essenciais e necessárias à integridade do sistema presbiteriano e reformado, mas pode comunicar suas divergências ao Presbitério e receber exceções nas partes da Confissão de Fé de Westminster que ele acredita estarem em erro, mas que não afetem os fundamentos do sistema ou os princípios vitais da religião. (Charles Hodge, Benjamin B. Warfield, J. Gresham Machen, John Murray).

 

4.   Subscrição Flexível/Substancial (Substância da Doutrina): Um ministro deve afirmar e adotar o que julga ser a substância das doutrinas da Confissão de Fé de Westminster, mas não precisa declarar ou tornar públicas suas divergências ao Presbitério. Existem duas versões dessa visão.

 

·        “A essência da doutrina na Confissão de Fé de Westminster reside nas doutrinas evangélicas centrais.”

 

·        “A essência da doutrina na Confissão de Fé de Westminster reside nas doutrinas cristãs fundamentais".

 

Hoje, eu subscrevo a: Subscrição Estrita/Plena (Todas as Doutrinas): Um ministro deve afirmar e adotar todas as doutrinas da Confissão de Fé de Westminster, mas não necessariamente a redação exata das proposições nela contidas, pois todas as doutrinas constituem o sistema das Escrituras.

Eu não subscrevo a cláusula cessacionista por questões lógicas e epistemológicas. Explico: Se tomarmos a redação exata da cláusula cessacionista da Confissão de Fé de Westminster, ela afirma apenas que “aqueles modos antigos de Deus revelar a sua vontade cessaram”. O texto fala de modos históricos de revelação, não declara, de forma explícita, que toda e qualquer comunicação divina proposicional fora da Escritura é impossível.

Por isso, não subscrevo a cláusula em sua leitura ampliada. Entendo que ela vai além do que o próprio enunciado exige. Seguindo uma abordagem proposicional mais rigorosa, como a de Gordon H. Clark e Vincent Cheung, a conclusão deve se limitar ao que está de fato dito: a cessação de certos modos revelacionais, e não a negação absoluta de qualquer forma de comunicação divina não canônica.

A expressão “redação exata das proposições nela contidas” pertence ao campo da lógica, epistemologia e análise textual, especialmente em contextos teológicos e filosóficos mais rigorosos. Por isso, acho essa cláusula (1) ambígua e (2) Não basta captar a “ideia geral”, pois é necessário preservar: (1) vocabulário específico; (2) estrutura sintática e (3) relações lógicas internas.

A cláusula não afirma explicitamente:

  1. que toda forma de comunicação divina proposicional não canônica cessou
  2. que Deus não pode comunicar proposições fora da Escritura
  3. que qualquer forma de revelação proposicional atual é impossível

Ela afirma especificamente: ...que “aqueles modos anteriores” cessaram. Muitos intérpretes fazem o seguinte salto ilegítimo:

Do texto: “os modos anteriores cessaram”

Para a conclusão: “qualquer revelação proposicional fora da Escritura cessou”

Isso é uma inferência não contida na redação exata. E ainda tem outras cláusulas dentro do sistema em Westminster que me levam a crer que a interpretação moderna está completamente equivocada e que os redatores não negavam algum tipo de informação extra-bíblica subordinada às Escrituras.

 



[1] "Views of Subscription" (Visões da Subscrição), escrito pelo Rev. Dr. Will Barker (que foi professor de História da Igreja no Westminster Theological Seminary).

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