10.000 NÃO VOTARÃO
A atitude dos Covenanters em relação à Constituição americana.
Rejeitam o princípio de que a autoridade suprema emana do povo.
— Sermão do Rev. Foster.
"Tivestes que fazer uma escolha entre o Rei Jesus e a Constituição dos Estados Unidos, e escolhestes o Rei Jesus."
Foi dessa forma que o Rev. Fleming M. Foster, pastor da Terceira Igreja Presbiteriana Reformada, situada na West Twenty-third Street, nº 238, dirigiu-se à sua congregação no culto de ontem à tarde. Os presbiterianos reformados, conhecidos também como Covenanters, que somam cerca de 600 na cidade de Nova York e 10.000 nos Estados Unidos, não votarão na próxima eleição, porque não podem, em sã consciência, jurar lealdade à Constituição dos Estados Unidos. O pastor da Terceira Igreja explicou ontem em seu sermão por que os Covenanters não poderiam apoiar a Constituição e, consequentemente, não votarão em novembro.
"Não é por falta de interesse no governo que os Covenanters abrem mão do uso do voto", disse ele. "Tampouco é pelo que consta ou deixa de constar nas plataformas partidárias. O democrata insatisfeito com a plataforma de seu partido pode deixá-lo, assim como o republicano. Mas o Covenanter tem uma contestação contra a própria Constituição da Nação — a grande plataforma adotada por todo o povo como base de governo; e, por imperativo de consciência, vê-se obrigado a negar a si mesmo o direito de sufrágio sob ela. Rejeitamos o princípio fundamental sobre o qual repousa a Constituição, a saber, que 'nós, o povo' pretendemos ser a fonte da autoridade. Isso é rejeitado por ser falso de fato e nocivo em sua aplicação."
O Rev. Foster continuou, afirmando que três posições sobre a autoridade podem ser sustentadas:
1. Que ela reside e emana do governante.
2. Que ela reside e emana do povo.
3. Que ela procede de Deus.
A primeira, afirmou ele, era a teoria de governo adotada por déspotas; a segunda, aquela sobre a qual o governo dos Estados Unidos foi estabelecido; e a terceira, aquela que os Covenanters defendem e buscam ver estabelecida. Falando sobre o governo exercido pela vontade do povo, disse ele:
"Ele não resguarda as liberdades de todo o povo. Nosso próprio governo esclarecido manteve em cativeiro 4.000.000 de homens negros. Mesmo agora, o cristão não pode prestar o juramento de chefe dos correios (Postmaster), pois este o obriga sob juramento a abrir seu escritório no Dia do Senhor. Isso representa uma privação e visa excluir todos os cristãos de cargos públicos. Todos os cristãos que votam estão sustentando o comércio de bebidas alcoólicas, a Lei Raines, o serviço postal aos domingos e, em certas localidades, a imoralidade legalizada. O Covenanter recusa-se a ser particeps criminis dessas afrontas a Deus e aos homens. Rejeita o princípio fundante de que a vontade humana seja suprema e insiste em que a lei de Deus, representada e revelada na Pessoa de Seu Filho, Jesus Cristo, é o padrão diante do qual as nações devem se curvar e é a fonte de toda autoridade legítima.
A questão se resume, em última análise, à fidelidade; e o Covenanter recusa-se a jurar lealdade a uma Constituição fundamentada no pressuposto de que 'nós, o povo' somos supremos e independentes da autoridade e da lei do Deus Todo-Poderoso. Portanto, não votamos."
O Rev. Foster foi procurado ao término de seu sermão, oportunidade em que lhe foram feitas algumas perguntas sobre a posição doutrinária dos Covenanters.
"Como o senhor aplicaria a lei de Jesus Cristo ao governo?", foi-lhe perguntado.
"Tornando a lei de Cristo a lei da terra. Que a Nação proíba tudo o que a lei de Cristo proíbe. Reconhecendo Cristo como a autoridade para as leis."
"Para fazer isso, o Congresso teria que converter as leis de Deus em estatutos legais", sugeriu-se.
"Exatamente", respondeu ele.
"Mas isso não transformaria o Congresso no intérprete da lei de Deus?"
"Sim; e isso seria plenamente aceitável."
"Isso não resultaria em uma Igreja estatal?"
"De modo algum. Somos tão contrários à união entre Igreja e Estado quanto qualquer pessoa. Tudo o que queremos é a união da religião com o Estado."
"O senhor acredita que o Congresso conseguiria interpretar a lei de Deus de modo a agradar membros de todas as denominações?"
"Sim, nós acreditamos que sim. Seria um pouco difícil a princípio, mas daria certo. Evidentemente, transformar os ensinamentos de Jesus Cristo na lei máxima da terra implicaria uma profunda reforma em nosso sistema social; contudo, é exatamente por isso que lutamos e é isso o que esperamos ver concretizado."
OS NOMES DO HALL DA FAMA.
O Rev. Dr. Robert S. MacArthur, pastor da Igreja Batista do Calvário, pregou ontem à noite sobre "As Lições Religiosas da Escolha de Nomes para o Hall da Fama". Ele disse em parte:
"Se incluirmos Elias Howe, trinta nomes foram selecionados para o Hall da Fama. Cinco nasceram no Estado da Virgínia. Os nomes desses cinco apontam para a grande honra atribuída à Virgínia. O Kentucky nos concede o imortal Lincoln. Massachusetts supera todos os demais estados em distinção, tendo sido o berço de um terço de todos os homens escolhidos até agora. Considerando o total de trinta, dezesseis são graduados pelo ensino superior. As faculdades não formam os homens; elas apenas os auxiliam a formarem a si mesmos. Todos os homens verdadeiramente notáveis construíram a si próprios. Alguns dos maiores vultos desta lista não desfrutaram do privilégio de uma formação universitária. Harvard e Yale contribuíram com quatro graduados cada para este total; West Point, 2; Bowdoin, 2; Dartmouth, 1 (Horace Mann); William & Mary, 1 (o ilustre Daniel Webster); Brown, 1 (Thomas Jefferson); e Amherst, 1 (o eloquente Henry Ward Beecher).
Quais são as afiliações religiosas desses cidadãos? Há várias categorias de céticos superficiais que asseveram ou insinuam que todos os grandes pensadores se inclinam para o lado da incredulidade ou, pelo menos, do agnosticismo. Nada poderia estar mais distante da verdade. Seja por profissão de fé declarada ou por laços de tradição familiar, várias das principais denominações protestantes encontram-se aqui representadas. Entre elas estão os batistas, congregacionais, episcopais, metodistas, presbiterianos e unitários. Vários eram filhos de clérigos. Alguns deles notabilizaram-se por profunda devoção religiosa. Essa consideração aplica-se especialmente a Jonathan Edwards, que, sem dúvida, se emparelha com os luminares mais brilhantes da Igreja Cristã desde a era apostólica. Aplica-se também, sob perspectiva diversa, a Channing e a Beecher. Não há um único ateu em toda a lista. Os pensadores mais proeminentes do mundo atual alinham-se ao lado de Cristo e de Sua Igreja."
TIFO EM INTERNATO MASCULINO.
Um surto de febre tifoide manifestou-se na Boys' Disciplinarian School, na esquina da Eighteenth Avenue com a Fifty-fourth Street, no Brooklyn. Uma morte já foi confirmada e há meia dúzia de outros infectados, encontrando-se alguns deles à beira da morte. A epidemia começou na última terça-feira. A instituição abriga várias centenas de jovens e calcula-se que a maior parte desse contingente já tenha sido exposta à enfermidade. Os casos suspeitos foram colocados em isolamento.
Na escola, a administração mantém reserva sobre o ocorrido. O superintendente Sumwald, quando abordado ontem à noite, admitiu a ocorrência de um óbito na instituição e confirmou a internação de vários acolhidos pela doença, mas recusou-se a detalhar o caso. A primeira vítima chamava-se William Jones, cujo falecimento ocorreu na noite de sábado.
A eclosão do surto é atribuída a defeitos na rede hidráulica e às condições sanitárias deficientes do prédio. Esse quadro de precariedade higiênica era fato público há muito tempo.
Em 8 de outubro, Louis Firuski, integrante do Conselho Diretor da instituição, compareceu perante a Comissão de Orçamento (Board of Estimate) solicitando verbas para a construção de um novo edifício, alegando que as instalações vigentes constituíam uma vergonha para a cidade. A exposição de Firuski quanto ao estado do imóvel levou o prefeito Van Wyck, presente à reunião, a declarar que diante de tais condições os internos deveriam ser transferidos de imediato. Desde essa data, nenhuma medida prática foi adotada a esse respeito.
The New York Times
Publicado em: 22 de outubro de 1900
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